Páginas

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

o melhor texto de bolsonaro

O melhor texto acerca de Bolsonarco. De alguém aí na net.

Bolsonaro sempre foi um mau militar, como diziam seus superiores no Exército. Explodiu bomba no quartel, era agressivo e indisciplinado. Tanto que não passou da patente de capitão. No documento do conselho militar composto por três coronéis que o condenaram por indisciplina e deslealdade consta observação de que ele tinha “excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente”. Além disso ele “deu mostras de imaturidade ao ser atraído por empreendimento de 'garimpo de ouro'.” Ainda segundo o relatório do Exército “a imaturidade é de um profissional que deveria estar dedicado ao seu aprimoramento militar, através do adestramento, leitura e estudos, e não aventurar-se em conseguir riquezas." Ele só foi absolvido posteriormente por um tribunal militar por receio da repercussão negativa do caso na imprensa naquele período delicado da transição democrática.

Como político ele também sempre foi um fracasso. Foram 27 anos na Câmara para aprovar dois únicos projetos. O segundo após 25 anos como deputado. Um dos motivos para a baixa aprovação, segundo especialistas, era a irrelevância e baixa qualidade das emendas que ele apresentava. Entre os 170 projetos de lei protocolados pelo então deputado havia um por exemplo que pedia autorização para aplaudir a bandeira nacional após a execução do hino.

Bolsonaro nunca foi um bom militar nem um bom parlamentar porque o DNA dele é de miliciano. Assim ele se estabeleceu como político e assim se elegeu presidente da República. Nenhuma surpresa que tenha como ídolos assassinos e torturadores. Ele é herdeiro do Esquadrão da Morte, sócio do Escritório do Crime. O procedimento das milícias é extorquir em parcelas a população pobre, cobrar pela segurança, pelo gás, pelo gato de energia e TV a cabo, grilar terreno e vender. É a mesma lógica da rachadinha no gabinete da ALERJ, da compra e venda de apartamento com lucro de 300%, da loja de chocolate usada para lavar dinheiro. Procedimento de máfia, que opera através do medo e da extorsão, a conta-gotas, usando empreendimentos familiares como fachada. O projeto da milícia é institucionalizar o crime. Quem se coloca em seu caminho eles matam ou mandam matar. No Rio de Janeiro, tubo de ensaio dos milicianos, eles estão avançados nesse propósito.

Que o residente no Palácio do Planalto é incompetente e despreparado para o cargo que ocupa é cada dia mais evidente. Espero agora que as investigações desvelem, para além do que já sabemos, o fio da meada das relações da família Bolsonaro com os assassinos que tiraram a vida de Marielle Franco. Isso me parece o mais importante neste momento.

.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

De pé raça poderosa!



Ok. Eles já conseguem falar de Luís Gama e de André Rebouças. Do Patrocínio falam de leve, Rui Barbosa ainda os engasga, como dizer que Patrocínio foi totalmente negligenciado por um dia ter ousado enfrentar o tal Barbosa. Mas mesmo assim em documentário feito esses dias pela globo, fala-se desses três ícones negros da abolição.


Sobre o documentário, a pessoa mais escura que lá aparece, militante clássica, depois de gaguejar e falar baixo, chama os brancos para que juntos lutemos contra o racismo. Sem dizer da inesperada defesa feita a Rui Barbosa no caso dos documentos queimados. Mas essa ainda não é nossa motivação pra esses comentários. Estamos ainda apegados à ideia de como que a dita elite intelectual brasileira ainda reluta em aceitar o que é o Brasil no quesito gente preta.


Ok. Eles até que enfim descobriram os três faróis que iluminaram o caminho para a luta popular que se tornou o combate a escravidão nesse agreste colonial. Mas temos certeza que eles ainda não estão prontos pra outros nomes, como o de Paula Brito, o que dizer desse homem, se não for de forma alegórica? Pra fazer média.


Ou do nosso verdadeiro impulso para essas palavras, Tobias Barreto, esse sim vai demorar pra ser aceito, vai ser negado mais 100 anos, pense num preto abusado, pra se ter uma ideia, quando por aqui passou em 1883 de barco, um tal príncipe da Prússia e convidou para o passeio o Dr. Tobias Barreto de Menezes, conhecedor e divulgador dos escritos alemães a época, esse foi enxovalhado pelos chamados brasileiros, pois foi o único estrangeiro a ser chamado a bordo. "O mulato frustrado cheio de rancores contra o Império" assim o resumiu Afonso Arinos.


Os debates levantados por Tobias até hoje não tiveram uma análise feita por seus iguais, imagina um ateu cheio de argumentos científicos, por incrível que parece, mais comum na época, hoje estamos mais supersticiosos, assombrados, idiotizados, enfim, imagine quando nos apossarmos de nossa história. Da história de nossa história. Sabe aquela fita que tipo você de repente apareceu no mundo e era escravo, é por aí.  Não foi assim simplesmente que “do nada” alguns começaram a aceitar que era possível, e moralmente certo, vamos dizer melhor, acabar com a escravidão.


Não éramos escravos, éramos prisioneiros de guerra. Lutamos irmão, lutamos em todas as frentes. Todas. Todos os dias. Bem mais do que hoje lutamos nessa neblina que entorpece para tentar sobreviver nessas modernidades modernas, nesse futuro constante. Lutamos na mata e na cidade, de norte a sul, de leste a oeste, o medo reinava na cabeça de nossos algozes. Eles nos odiavam e nós a eles. Não é como hoje, que se um preto dizer que odeia os brancos, um só que seja, logo é rechaçado e perseguido, primeiro pelos negros seus guardiões, depois pelos brancos que usam de seus artifícios sutis para isolá-lo e marginalizá-lo. Aí de quem se atreva.


Alguns dizem que há avanços, sim, até que enfim o Pelé admitiu o racismo na colônia. E a dona Lucinda, numa corrida desesperada pra tentar educar os brancos ricos, ensinando-os a tratar suas empregadas, merece ser citada também. O capitão do mato ainda persegue e mata, persegue nos supermercados e matam com 80 tiros, de aviso, sem pestanejar. O genocídio está a todo vapor e a juventude, força de qualquer povo, eles exterminam a olhos vistos, às dezenas, em ações justificadas por um suposto combate ao crime. Crime que vai bem também, alçado já as cadeiras mais distintas do poder, com braço dado a partidos e inclusive com militares. Falando em militares, que de novo querem fazer da colônia a sala de armas do Clube Militar, tem no presidente, que aliás se orgulha de seu sangue puro de origem italiana, genes fascista, seu propagandista. “O Brasil é o único lugar do mundo aonde o racismo deu certo” e o senador falou que o Brasil foi vítima da escravidão, ontem mesmo, é brincadeira? Mas é assim mesmo, “tá no rio, canoa n'agua”, e bora vê.


Saiba irmão, tamu aí, todo dia toda hora pensando formas de dar continuidade à revolução. Impulsiona-la. Por quaisquer meios que se faça necessário. Até o Renascimento africano.


“De pé raça poderosa”


--
Autor: Diop

começar de novo sempre



Falando em primeiros apontamentos dá a entender que a caminhada inicia agora. Lênin diz: "sempre começar a escalada desde o início". Novos amigos se reúnem para lançar a pedra fundamental de mais um coletivo de lutas.


1) Não irei levantar aqui a espera alvissareira de receber arminha de Bolsonarco pra tomar satisfação com o rapazinho ajudado pelo CNPQ, coisa tão infame que penso dispensar comentários, deixemos de lado o lado baixo da questão. Por ora. Quem sabe vale uma unidade de ação com o atual governo que já se encarrega de proletarizar os pobres bolsistas.


2) Dizer que os intelectuais não dialogam com o povo coloca várias questões:


primeiro é supor que eles não são povo, não são escorchados por impostos, não são explorados em troca de salário, muitos sendo operários e ex-operários, daí acreditar que intelectuais são os que vivem em Miami ou em alguma cobertura de luxo de zona sul; 


o segundo é tomar o povo como bobos a ponto de precisarem ser acudidos pelos pensadores considerados heróis (o líder popular ou o mito também fazem as vezes de herói);


terceiro é o militantismo, medida para rever a suposta distância da intelectualidade perante a massa, presente com grande força na ex-querda e suas práticas de torcida organizada a trocar de políticos de tempos em tempos, a troca aqui a ser empreendida é em nome da separação teoria-prática; 


por último: o anti-intelectualismo não se assemelha ao ranço dos anarquistas com o estado, a causa de todos os males, tirando de cena a anatomia da sociedade "civil" e suas divisões do trabalho manual e intelectual? 


3) Reproduzem velhos lugares-comuns


3.1) de que o ser humano é mal (ou a outra face da moeda de que são bons), peixe podre vendido primeiro por Thomas Hobbes para justificar um estado que vai nos proteger de nós mesmos e hoje pelos liberais para justificar que cada um pode ser seu próprio estado, cúmulo do limite da propriedade privada. 


Passa ao largo que a sociedade é histórica e a natureza de seus indivíduos corresponde ao seu contexto histórico que produzem, ao que eles fazem da sua vida prático-real e não a uma dada natureza metafísica inventada por algum pensador.


3.2) ao partirem da separação da totalidade do real em bolhas macro e micro daí focar (olha aí o foquismo) na família, vizinhos, na escola e na fábrica. Os intelectuais ficam com o macro, que é só besteira e perda de tempo e povo fica com o imediato. Importa para os pragmáticos as relações imediatas e não as fundamentais que constituem o modo de vida de uma dada sociedade. Em contraposição aos intelectuais supostamente em suas torres de marfim, afirmam a emergência da panfletagem em porta de fábrica. 


4) Proclamar o anti-etapismo: o lema “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” é capitulação pois é como se os males “maior” e “menor” não fossem um a justificativa do outro, como se não compartilhassem dos meus princípios de manutenção da sociabilidade capitalista. 


5) Defensismo. Uma gama imensa de marxistas de várias tendências clama a necessidade de ou defender o governo Maduro aberta e diretamente ou apenas quando este se chocar contra o imperialismo. 


Na verdade, nenhum estado burguês seja de qual modalidade e em quais circunstâncias for merece qualquer apoio. A própria existência do estado, mesmo os estados "socialistas" nacionalistas burgueses da atualidade, com suas polícias e exército, é interdição e obstáculo à livre organização social dos produtores sujeitados permanentemente à classe proletária. 


Imediatamente, se faz necessário frente militar contra o império ao mesmo tempo que se conserva a total independência político-programática. 


Karl Marx na "A Guerra Civil na França", deixa claro: "a classe operária não pode limitar-se a apoderar-se da máquina do Estado, nem colocá-la em movimento para atingir seus próprios objetivos". Ou Lenin ao dizer “perguntarão: será que não deveremos lutar contra Kornilov? Certamente que sim! Mas isto não é uma e a mesma coisa; aqui há um limite, que alguns bolcheviques ultrapassam caindo na «política de acordos», deixando-se arrastar pela corrente dos acontecimentos. Nós combateremos, nós combatemos contra Kornilov, tal como as tropas de Kerensky, mas nós não apoiamos Kerensky, antes desmascaramos a sua fraqueza”. 


Não dar ouvidos à fraseologia de quaisquer direções estatais "socialistas" ou nacionalista burguesas. Não tomar como parâmetro o que dizem, pensam ou imaginam os dirigentes estatais e seus partidos, mas sim tomar como verdade as relações de produção no seio da sociedade que é de onde emana a consciência. 


Centralmente percebe-se que o maior déficit é isso que invade a consciência popular, o conjunto da esquerda, os lutadores honestos e a gama enorme de marxistas: o IDEALISMO - coisas mal concebidas, vícios e fantasmas que assombram o imaginário.


                                                         "Contrariamente à filosofia                                                        alemã, que desce do céu para a terra, 
aqui parte-se da terra para atingir o céu. 
                                                                  Isto significa que não se parte daquilo que os homens dizem, 
imaginam e pensam nem daquilo que são nas palavras, 
                                                                   no pensamento na imaginação e na representação de 
outrem para chegar aos homens em carne e osso; 
parte-se dos homens, da sua atividade real. 
                        É a partir do seu processo de vida real que se representa o desenvolvimento dos reflexos 
e das repercussões ideológicas deste processo vital". 


Leiam Marx acima quando diz "e na representação de outrem para chegar aos homens em carne e osso" antes de confiar no livro vermelho de Hugo Chávez ou no anti-imperialismo de Nicolas Maduro para parametrar a luta. 


Segundo um camarada, “Chaves Coronelzinho estilo o Bolsonaro criou junto com o oficialato de lá uma deturpação socialista que priorizou cargos salários e militarização duma elite que não difere em nada da do comédia do Guiadó”. Isto aconteceu. Priorizaram uma classe de rentistas do petróleo, a boliburguesia, e com eles governaram e governam. 


6) Defender a centralidade da revolução proletária em detrimento da pequeno-burguesa, mesmo que alguns setores médios defendam subjetivamente a centralidade proletária. 


7) Identitarismo pós moderno. O negócio azedou quando em voga estava o identitarismo, os termos do baixo ventre se manifestaram, tomei naquele lugar e fui enviado pra outros tantos. 


Tem sido dito que os brancos em geral se unem para oprimir os negros e como se não bastasse chamar indiretamente os nossos camaradas no sul presentes no grupo de racistas, negligenciar a existência de uma elite africana de pele negra a explorar outros negros desprovidos de propriedades (que foi afinal o projeto exitoso de Mandela), basta saber como um mendigo branco qualquer vai se unir à burguesia branca. Talvez ao preço de um cobertor de frio. Pronto. Eis que o mendigo virou privilegiado e racista nefasto. É fácil abstrair os indivíduos transformando atributos pessoais (negro e branco) em categorias sociais. Os identitários são tão exatos e rigorosos nas suas análises quanto o Tiririca autor dos discursos de Bolsonaro. 


Segundo HG Erik: "Há opressão racial sistemática contra os negros, mas isso não significa necessariamente que os brancos desfrutam de um privilégio racial, ou então, que tal privilégio possua qualquer importância e caracterize um opressor – a menos que seja um privilégio não sofrer prejuízo, ainda que não haja qualquer “outro” favorecimento; donde se concluiria que um mendigo, desgraçado por tudo exceto sua cor branca, possui diante do negro mais realizado um privilégio que o torna opressor deste.


O que os identitários dizem sobre os 105 países onde Obama promoveu guerras secretas em 2015. Ataques seletivos foram realizados, desde sua chegada ao governo, com seus aviões não tripulados que mataram entre 64 e 116 civis em um total de 473 operações no Paquistão, Iêmen, Somália e Líbia. É. Atirar contra negros africanos é fácil, duvido é enfrentar a branquitude no poder. O que dizer do ex-secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, quando apresentou ao Conselho de Segurança da ONU suposta informação sobre o governo iraquiano possuir armas químicas o que, por sua vez, “justificou” a invasão no país, bem como a derrubada de Sadam Husein. 


O que faz um negro detendo o poder político de estado? A mesma coisa que faria e faz um branco, uma mulher e podem ficar tranquilos que daqui a pouco os índios agricultores elegerão a Damares indígena Ysani Kalapalo. 


Nas nossas discussões eu tenho ressaltado que há ideologias burguesas (no plural): negra, branca, católica, muçulmana, protestante, ateia, agrária, especulativa-financeira, industrial, de direita, de esquerda, progressista, etc. 


Considerar apenas a cisão negro x branco é música nos ouvidos das classes dominantes. O racismo é parte estruturante da sociedade de classes herdada da sociedade escravocrata, assim como o patriarcado constitui os elementos e práticas do machismo. Brancos não sofrem racismo, ok, o que não os livra da exploração e opressão vigente.


Leitura complementar:


1 - A importância do pensamento materialista: https://hgerikblog.wordpress.com/2016/03/25/a-importancia-do-materialismo-para-a-praxis-de-esquerda/


2 - Textos Venezuela do Reagrupamento Revolucionário: https://rr4i.milharal.org/2017/06/29/atualizacao-no-arquivo-historico-venezuela/


3 - Identitarismo pós-moderno
https://hgerikblog.wordpress.com/tag/pos-modernismo/





.

domingo, 17 de novembro de 2019

direita e esquerda: mesma porra


Quando o povo se levanta a esquerda se rebaixa 
o que revela que a esquerda é isto mesmo: baixa


Em: 22/08/2018



Moradores e trabalhadores da comunidade da Fé em Deus, Residencial Jackson Lago e de várias ruas do entorno, depois de muito aguardarem providências dos poderes públicos referente ao abandono do terreno da empresa de cimentos Nassau, decidiram pela invasão. Há mais de cinco anos se desenrola o imbróglio na justiça uma vez que o senhor proprietário da Nassau se achou lesado no processo de negociação e venda da área para o Estado. Em tese, deveria surgir ali mais um conjunto habitacional no sentido de prover trabalhadores e trabalhadoras ainda não contemplados com as políticas públicas de moradia. Os moradores exigem rapidez na solução dos problemas judiciais sob pena de organizar-se mais um movimento paredista. O inacabado PAC Rio Anil teve seu início em 2007 e, de lá para cá, observou-se vários problemas que se manifestam até os dias de hoje, ocasionados principalmente pela troca ilegal de governo originado pelo golpe de estado, via judiciário, da oligarquia Sarney sobre o então governador, democraticamente eleito, Jackson Lago, âmbito no qual o projeto inicial do PAC foi desfigurado.


O terreno baldio serve atualmente como esconderijo de marginais, depósito de lixo e entulho e criadouros de mosquitos transmissores de doenças. É possível que o local esteja atraindo pessoas de facções rivais, sendo assim, considera-se essencial a ocupação e utilização do espaço para evitar quaisquer tipos de escaramuças.


A decisão de ocupar foi tomada coletivamente em reunião e as mobilizações aconteceram principalmente pelas redes sociais. E pelas redes, observava-se ativistas apresentando ideias de invasão em outras áreas da cidade.


Mulheres negras descalças e sujas de lama do mangue até os joelhos; estudantes que, atônitos, voaram da escola até o movimento que obstruiu as avenidas IV Centenário e Governador Luís Rocha; trabalhadores que após o turno de trabalho se uniram ao nosso bloqueio; enfrentamento com a polícia; helicóptero e bombeiros: estes foram alguns dos ingredientes que fermentaram a quarta-feira dia 22 na comunidade da Fé em Deus. Foi uma aula de atitude e perseverança. O movimento desde o início se mostrou vitorioso e, ao final, conseguimos articular uma comissão de cinco moradores para se reunir com a Secid para debater e encaminhar o assunto.


Nossa comunidade tem uma história de lutas. Não é de hoje. A principal razão da fixação das comunidades (Liberdade, Fé em Deus, Camboa) se deveu à instalação de grandes fábricas como a pioneira Companhia de Fiação e Tecidos Maranhense, em 1890, junto da qual se fixaram os operários, cujas palhoças foram identificadas logo nos primeiros registros de habitações insalubres na cidade (Relatório de Saneamento e Profilaxia apud Sousa, 2006). Em 1918 foi inaugurado na região o matadouro, que originou o núcleo de povoamento do bairro que é hoje a Liberdade, enquanto a ocupação do bairro Alemanha está associada à chegada de franciscanos alemães e consolidou-se a partir de 1950, com a construção do Conjunto Habitacional Newton Bello. As facilidades de acesso à área, tanto por via marítima como ferroviária, determinaram ainda a fixação da Companhia Brasileira de Óleos e da Companhia Carioca de Óleos, estas já na década de 1940. Ferreira Gullar quando, exilado na Argentina, escreve o Poema Sujo evocando a sua cidade natal, dedica 15 páginas a estes bairros (Fé em Deus, Liberdade, Camboa) que descreve como “a noite proletária”: “a plataforma fumegante de cinzas e detritos da fábrica (…) a vida fechada dentro da lama (…) o rio que apodrece”. A tradição de mobilização e luta coletiva por melhores condições de vida, característica dos bairros, é provavelmente derivada dessa origem operária. Mas há também referências à influência do missionário jesuíta italiano Giovanni Gallo que foi vigário na igreja de Santo Expedito e estimulou a organização popular e a formação de lideranças.


Já deveria ter postado tal experiência neste blog passados mais de um ano. Mas não sem antes mencionar um fato tão típico que vem bem a dizer o que é ser esquerda (ex-querda), sentimento reativado após uma conversa com um amigo de ideologia revolucionária: todos os camaradas de esquerda com quem convivo e adiciono-me nas lutas pelas comunidade supracitadas foram os primeiros, a primeira linha reacionária de combate ao movimento de moradores ao que eles taxaram de “coisa de bandido”, a primeira linha de resistência reacionária que os trabalhadores de luta sofrem quando se levantam em atitudes enérgicas são os pelegos e depois as lideranças sindicais e populares, apenas por último é a burguesia e seu estado policial. Foi o que aconteceu. Meus camaradas de ex-querda me perguntaram se eu sabia desse movimento de "bandidos" e eu pensando “claro fui eu quem propus a ocupação do terreno”. Qualquer indivíduo que se imagina de esquerda necessita matar todos os dias o fascista que mora dentro  de si! Agora sim, texto pronto, verdade dita, que se publique e dê-se ciência!

Meu benemérito camarada HG Erik com sua tradicional astúcia e com muita propriedade trata do tema:
https://www.facebook.com/hg.erik/posts/1220404167980582





Fotos das reuniões da comissão de negociação abaixo:


 







domingo, 20 de outubro de 2019

COMEMORANDO A DELINQUÊNCIA

COMEMORANDO A DELINQUÊNCIA


.




Neste exato momento, vários fogos de artifício se ouvem em alguns bairros de São Luís. São conglomerados de grupos - em sua maioria jovens e adolescentes - que dizem pertencer a facções criminosas. É "aniversário" de uma destas facções.

Enquanto escrevo estas linhas, não cessam os folguedos, e em minha simplória análise, como agente de segurança pública - consciente da violência urbana ao meu redor - o Estado falhou e continua a falhar sobre a questão da segurança pública.

O "Pacto Pela Paz" estadual, tentativa nobre e relevante para as periferias, é apenas um slogan sem efeito prático, cheio de defeitos e inaplicabilidades. Em suma, um nome bonito colocado no papel e para se usar no palanque político.

Esses jovens, em sua maioria negros e miseráveis das periferias de São Luís, não têm sequer, de escolaridade, o nível fundamental menor e a grande maioria não tem o que comer no almoço e jantar.

São um exército de delinquentes sem nenhuma perspectiva de "futuro" e que se constituíram graças "ao apoio 'inconstitucional'" do Estado, que se quedou somente a fazer-se presente nas periferias como "Estado Policialesco". Sim, a única presença estatal nas periferias de São Luís é sob a forma de camburões da Polícia Militar (o que é importante sim, pois todos sabemos que segurança é direito do cidadão). O que acontece - e só nós, favelados, sabemos - é que os camburões não estão na periferia para nos dar "segurança" e muito menos nos veem como "cidadão".

No aglomerado de bairros (Divinéia, Sol e Mar, Turu, Santa Rosa, Vila Luizão, Alonso Costa, Araçagi) que formam a Vila Litorânea, e onde ouço ecoar os folguedos em comemoração à delinquência, não há nenhum Projeto Social para a infância e a juventude. As crianças brincam nas ruas descalças e não há planejamento familiar. Os esgotos correm a céu aberto até desembocarem, num grande braço de dejetos, no Rio Gangan e Rio Anil.

Como você, caro leitor, pode inferir, nunca se implementou, nestes bairros, saneamento básico algum e faltam remédios e vacinas nos hospitais e postos de saúde próximos.

O número de HIV positivos são dos maiores de toda a Grande São Luís e a dependência química não para de alçar voo entre a juventude. Enquanto isso, a única proposta do governo estadual, mesmo não sendo uma ordem direta (nunca é! - ao menos recentemente ) tem sido vigiar e punir estes "corpos não-rentáveis", como diria Foucault; dar-lhes o famoso "baculejo", encostá-los à parede, como a polícia sempre faz, e isso quando não ocorre uma tragédia e mortes por intervenção policial como vem ocorrendo nos últimos anos.

Na minha concepção, olhando de dentro do sistema e também por fora, como residente no meio desse caos social, é urgente uma presença do Estado como Cultura, Esporte, Saneamento Básico, Urbanização e Moradia.

Só pra se ter uma ideia, o bairro onde nasceu uma das facções mais violentas de São Luís, e no exato lugar onde eclodiu, é um emaranhado de casas formando uma espécie de condomínio fechado por onde não passam viaturas, ambulâncias, ônibus e nada mais a não ser os próprios moradores regidos por um código de conduta do crime e do tráfico de drogas que ali se estabeleceu. Não por ironia, a essa localidade deram a alcunha de "Marrocos", dado o seu amontoado de casas de alvenaria mal acabadas e desreguladas que ali convivem.

Bem entendido, toda ausência de políticas públicas e promoção social nos territórios discriminados pelo poder público é responsável por essa lacuna e vazio de oportunidades. Toda esta situação empurra com mais vigor a infância e a juventude rumo à marginalização, cada vez mais presente no cotidiano periférico. Fazendo com que a única "identidade" - e aí está a palavra chave para se entender o contexto - com que estes indivíduos se revistam seja a "violência" e toda sua disposição para a barbárie tão banalizadas nos jornais e programas policiais sensacionalistas.

É necessário dizer que esses jovens e adolescentes que anualmente empunham foguetes para comemorar o crime - mesmo não tendo dinheiro para se alimentar adequadamente e fumem crack e cheirem pó bancados pelo roubo - não empunham tais foguetes sozinhos. O Estado, com sua negligência em várias áreas, empunha e comemora o crime junto com eles.

O Estado é o Pai da Delinquência. Uma Delinquência que ele sempre se nega a assumir, mas que possui, flagrantemente, o seu DNA.

Jeanderson Mafra - policial antifascista

sábado, 27 de julho de 2019

A binarista Maria Cheira Peido e o empoderamento na submissão

A binarista Maria Cheira Peido e o empoderamento na submissão



E lá vamos nós para mais uma treta facebookiana que não poderia ficar sem registro. É uma verdadeira novela que caminha para um desfecho insólito, um novo gênero de literatura, novelas de redes sociais. Encenando: perfis fakes, mulheres pró-machismo, mulheres feministas pró-mulheres machistas, mulheres na autêntica luta feminista, casos de delegacia, reviravoltas e desfechos incríveis. 


Percorremos o calvário da histórica luta das mulheres por sua liberdade, seus direitos e respeito, assunto tão fustigado pelos homens que lhes desperta os afetos mais vis e desumanos do baixo ventre, entretanto eis que encontramos como o mais intransigente defensor do patriarcado na nossa janelinha virtual ... uma mulher, a Maria Cecília (que irei lhe reportar como Maria Cheira Peido cujo motivo direi). Mas isto é só o começo pois todo fim do poço tem um porão, não basta ser uma quadrúpede sozinha, tem que reunir uma tropa de esquizofrênicas. Alguém dizer que o patriarcado deu certo e a outra aplaudir em nome da santíssima "liberdade de expressão das mulheres" leva-nos a constatar que foi a humanidade que não deu certo, é de fazer cair o cu da bunda. 


Culpe a natureza!


A escravidão está na natureza, culpem-na. Maria Cheira Peido defende a submissão da mulher ante o homem no alfarrábio bíblico, no darwinismo liberal e no senso-comum mais cuspido e escarrado do homem que saia pra caça ao passo que à mulher cabia cuidar da prole e do lar (se lesse Friedrich Engels em "A origem da família, da propriedade privada e do estado" veria que a família primitiva não era esse anacronismo que imagina mas que vem bem a caracterizar o pensamento da idade das pedras dela). Como inacreditável resultado, aquela divisão do trabalho que se cristalizou no DNA (!!!) e que hoje se observa é o terno e gravata fazendo as honras no lugar do tacape na cabeça da pobre coitada. Se Maria Cecília pensa uma mulher que tem fetiche em ser a puta de um velho milionário, é um problema estritamente pessoal da Maria Cecília mas não venha querer que as outras se vejam em suas taras.


Esse povo doido está no atual no governo e nos ministérios.


A pseudo-crítica opera na total falsificação da realidade, é preciso manipular a realidade a ponto de caber num determinado "pensamento". Na cabecinha (fértil)izada dela, o empoderamento defendido pelas feministas deveria dar às mulheres o mais alto privilégio, atualmente concedido aos homens, de limpar bueiros (o que lhe confere a alcunha de Cheira Peido). Não sabe ela que há tantas trabalhadoras garis quanto mulheres sujeitas a trabalhos dos mais degradantes. Em um ponto há razão: comer bosta e cheirar peido em troca de um salário é uma honra numa sociedade sem emprego, o pobre agradece a deus por estar com a bosta até o pescoço e não até o nariz.


"Ain mas tem as modelos que ganham mais". É. O mercado se intensifica machista quando em questão a mercadoria é o corpo da mulher: moda, estética, sexo, etc. Não pense você que só porque mulheres são mais famosas nas passarelas, recebem os cachês mais altos no mercado de corpos que existe aqui alguma espécie de empoderamento. Quando você não vê o produto da produção, o produto é você. É por isso que Gisele Bündchen é apenas um corpo e rosto bonito que os proprietários(as) usam como acessório para vestir suas marcas. Sim, o corpo da Gisele é o que veste as marcas. Bailarinas no atual modo de produção não passam de beleza e estética transformada em mercadoria. Há mais prostitutas com altos cachês pois o corpo da mulher é o mais demandado nas prateleiras do mercado. Por que há prostitutas? Leia "A origem da família, da propriedade privada e do estado" de Fred Engels. Se Maria não fosse tão anti-feminista, ela seria uma bela feminista de balcão de negócios do Sebrae.


Olha Maria Cheira Peido disparando jumentices. Argumenta que no tempo que os homens trabalhavam 12 horas por dia (como se a maioria deles hoje fosse amparado pelas 8 horas) as mulheres ficavam em casa seguras. A animadora de auditório não sabe que mulheres também trabalhavam nas fábricas sem qualquer direito de licença maternidade ou o que pareça, elas tinham o bebê ali no pé da máquina naquele abafado e o trabalho dela e das crianças era (é) mais barato. Pode rir que a piada é essa.


Certo de que a maioria do feminismo pensa no interior da sociedade do assalariamento (salário igual para trabalho igual), deve-se vincular as táticas às estratégias de superação da  chantagem do capital sobre o trabalho. 


Essa Maria Cheira Peido é uma gracinha de sonsa. No debate pra ver se as duras conquistas eram direitos ou privilégios, ela apela para a ilusão burguesa da Constituição que prevê direitos para todos e todas independente de raça, origem, gênero e crença. Se houvesse uma Constituição só para as mulheres o que iria mudar? Seria tipo os vagões lilás, só funciona ali dentro, no caso, nas linhas dos incisos. Se Maria não fosse tão anti-feminista, ela seria uma bela feminista do PMDB.


Porque homens e mulheres são diferentes naturezas (homem não menstrua e mulher sim) concede ao homem mais deveres sociais que a mulher (como assim?!). A natureza torna o homem superior à mulher. Ora mas isto não é velha eugenia (superioridade de seres humanos em relação a outros) desembarcando agora na forma de superioridade de gênero? O talentoso pintor de quadros austríaco se guiava pelo mito da superioridade de raça.


A abençoada consegue vê homem x mulher nas circunstâncias mais incríveis como na relação lésbica mulher x mulher. Ela diz literalmente não saber sobre homossexuais, assexuais e transexuais, mas em lésbicas "já vi que uma" quer isso ou aquilo, ouve falar assim ou assado. Bela filosofice de buraco de fechadura e ciência da fofoca.


Cheguei à conclusão que Maria Cheira Peido traduz a realidade no binômio homem/mulher, a mulher e o homem possuem funções biologicamente diferentes e portanto socialmente determinadas. Maria Cheira Peido, pasmem, diz ser a "função" da mulher para o homem ser receptáculo de esperma (reprodução) e a "função" do homem para a mulher ser o banco dela (puta de endinheirado). À mulher que "sai de seus papéis" deve ter como punição olhares que a tratam como um amontoado de carne encerrada dentro de uma roupa curta. Maria Cheira Peido nem chega a ser mulher, talvez com sorte, uma ameba. Cara, atrocidades não se rebatem com argumentos, merecia é a mulherada de roupa curta pegar essa Maria Cecília e descer a bolacha nela sem dó como sugeriu uma outra camarada de mesmo nome "Maria" irada com a Cheira Peido. Só sei que uma Maria iria sair apanhando. 


Há pessoas que, não bastando ser fascistas, ainda têm orgulho de revelar o fascismo que mora dentro de si. E a história mostra que o melhor argumento contra fascistas só pode ser a ponta do fuzil.


Quantas vezes já não vimos a ciência e a razão amarradas nos porões da inquisição, da superstição e da manipulação mais toscas e deprimentes a mover a roda da história pra trás? "De fato, a história nem sempre segue em frente, mas por vezes corre para trás e para o fundo do abismo (camarada HG Erik).


Quando eu dei o passo a frente descrevendo a submissão como escravidão, Maria Cheira Peido líder das mulheres sobre quatro patas e seu séquito me censuraram. Sara Sofia na suas vãs tentativas de mostrar a verdadeira e autêntica luta feminista, acaba capitulando e se tornando a advogada do diabo quando eu mostro que quando a gente fica de quatro uma caroça atrás nos aparece. O mundo é dos homens, eles são o governo, financiam e concedem existência às mulheres nas terras deles. Na servidão contemporânea as terras são os lares e seus haréns fora do casamento. Acho que eu cometi um erro, o homem não é dono direto delas, dos seus corpos e sua força de trabalho, portanto não é escravidão. É servidão: é o homem quem fornece as condições, o suporte e a costela que possibilita a elas desenvolver suas vidas. Elas poderiam ter concordado comigo se eu dissesse servidão.


Hora da tropa de choque


Por que que eu fui falar isso? Começou a judicialização do debate, a força do argumento se transforma no argumento da força. Sara Sofia na sua cruzada contra os homens, curioso que contando com policiais (homens) amigos e família que lhes facilite os trâmites, reduz o indivíduo ao gênero: toda e absolutamente qualquer mulher tem que ser defendida, seja Margaret Thatcher que com suas políticas destruiu a vida de milhões de homens seja as lésbicas do caso Rhuan. Outras mulheres trataram a Maria Cecília de "burra", de "escrota", citaram o arraigado "puta que pariu" mas o delituoso é o homi aqui que se coloca na perspectiva das mulheres xingando a mulher que se coloca na perspectiva dos homens. Faz chilique e chama de abuso e assédio porque eu quero me certificar que Maria Cecília é mesmo a pessoa que diz ser. Só que é a mesma Sara quem propõe a Maria Cecília apresentar o companheiro dela a mim pra me "tornar homem" ... é claro. 


E na sua sede de justiça (vingança?), o perfil "Sara Sofia", que não possui foto e qualquer indício de quem seja a pessoa por trás daquele perfil diz "ter minha morada". Como sabe onde eu moro sem eu ter mencionado? Eu lhe apresento meu perfil, meu blog, vídeos youtube em que apareço, boto meu endereço residencial (posteriormente) em público e o que ela me oferece? Um perfil fake.


O próprio passo foi a reunião das testemunhas e a mulherada, embebidas do mais autêntico feminismo, ficar do meu lado. O desfecho inesperado se aproxima. Eu denunciei o perfil "Maria  Cecília" o que fez o perfil "Sara Sofia" tomar as dores enquanto Maria Cecília lhe agradecia pelos serviços de retaguarda. Olha a anti-feminista passado pano pra feminista. A relação se exemplifica pelo segmento de reta: 


                                 S -----> D -----> M


O quadro se altera quando eu decido partir pra guerra de Boletins de Ocorrência contra Sara Sofia. Daí Maria Cecília no intuito de sair do atoleiro que ajudou a criar faz vãs tentativas de acalmar sua cão de guarda feminista anti-homem (femista). Seguindo, eu capturo uma postagem de Maria Cecília que diz "vou defender um homem que sofreu uma falsa denúncia igualmente e quero ver a mulher ter o dobro da pena que um criminoso desse fato receberia" o que configura exatamente o que ocorre. Após eu lhe esfregar na fuça, e ela sempre escapando do seu próprio juízo, que teria afinal de ficar do meu lado, enfim decide querer me ajudar caso necessário seja, como minha testemunha contra Sara Sofia. Cria-se uma notável triangulação: 


A corajosa camarada que gasta nervos com a senhora Cheira Peido na janelinha virtual chega na mesma conclusão que eu: o que Maria Cecília consegue é nos incentivar a sermos pessoas melhores do que já somos. Eu sou denes, o editor e proprietário do blog e confesso às minhas e meus leitores que tenho feito algumas mulheres adquirirem nojo da minha pessoa por algumas assertivas e olhares, principalmente quando eu fico bêbado. Um amigo me deu uns toques. E ele tá coberto de razão. As mulheres não se sentem à vontade e muitas se sentem tolhidas quando homens lhes dirigem certos olhares.  


Maria Cheira Peido deve ter ficado irritada com o conteúdo deste texto o que exige uma edição para registro: ela postou bem ao estilo vingativo de uma Sara Sofia: "a conta vai chegar". Que conta? Pra quem? E como se não bastasse, depois de uma tarde toda e metade de uma noite de trocas de farpas, o biombo de toda essa imundície que é esta maldita Maria Cecília, acaba de desativar o perfil facebook. E agora o que vai fazer de sua miserável vida protostômia? Vai voltar com outro perfil? Toma, porra! Vaza daqui sua Cheira Peido e volta pro limbo de onde nunca deveria ter saído!


Sabe o irônico? Perigoso é Maria Cecília que vai tentar o segundo namoro encontrar um homem que concorde precisamente com ela. Verá o que é bom pra tosse. Não irás tratá-la com benevolência. A outra corajosa camarada que entrou no debate, um pouco depois, colocou nos mesmos termos que eu: escrava. Vai virar escrava em todos os sentidos!


Quem não vive tretas não é feliz 


Agora o próximo passo é seu, Sara Sofia. Está feito: registrei Boletim de Ocorrência contra Sara Sofia dia 9 de agosto, quase um mês depois do início da novela na página QuebrandoTabu, no 8.º Distrito de Polícia Civil do bairro da Liberdade em São Luís do Maranhão. É chegada a hora de você, Sara Sofia, dar o próximo passo a frente: pôr em prática o que disse que faria: registrar um B.O. contra mim. Ainda não falei com o delegado para dar prosseguimento segundo fui instruído pelo atendente da delegacia de crimes cibernéticos de que eu poderia solicitar ao delegado para que acionasse os dispositivos legais de como o facebook revelaria quem estaria por trás daquele perfil fake. Este passo eu darei à depender dos próximos movimentos da Sara Sofia.





Fez bem eu esperar um pouco antes de dirigir-me à delegacia uma vez que a cada dia, a cada tópico que o QT lançava para discussão Sara Sofia me fornecia mais e mais elementos para robustecer minha denúncia: 


“Denes wenen sim, vai em frente. Tenho sua morada, suas postagens printadas. E sei exatamente quem você e de verdade. Tudo será falado na polícia. Boa sorte"


"tenho sim. Sua ficha caiu. Todas as provas. Serão entregues (...)".


"Denes Wenen te falei. Eu só revelo a polícia. Porque seu endereço não é público. Mas o rasto da sua internet até seu histórico emails. Tudo na minha posse".


"Denes Wenen e outra coisa eu já vi quem você e fora das redes sociais. Fica longe. Você não tem a noção do perigo que eu sou".


"(...) Sabe que você pode encontrar um de nos na rua e ficar sem os dentes".


Este último comentário ela o dirigiu a outro perfil o que fortalece minha hipótese de que seja um adolescente birrento se utilizando do anonimato de um perfil fake para cometer travessuras online. Sinto muito informar mas esta brincadeira vai acabar.


Que se registre que a homérica treta começou dia 19 de julho de 2019 e desde lá muita água tem rolado. Há alguns parágrafos eu disse que Maria Cecília desativou seu perfil fake que não trazia nenhuma foto e cuja única informação era seu local: a cidade de Belo Horizonte. Pois ela voltou, o demônio concedeu Habeas Corpus. E agora vem com fotos e local, seu perfil traz mais elementos de que ela seja ela mesma. Melhorou. Desde o início da novela até o momento de enfim Maria Cecília se apresentar como ela mesma, eu andei investigando, perguntando aos amigos do perfil fake se Maria Cecília existia e a resposta foi positiva. Sim, aquele serumaninho Cheira Peido existe. 


.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Fogo nos racistas!


Mariama,


Como se não bastasse estou em novas tretas, agora não mais no what que eu deletei e sim no facebook e, entre inúmeras, me enredei na polêmica da negra Halle Bailey que será (ou já foi, não acompanhei direito) a pequena sereia Ariel.


A branquitude ficou em polvorosa e uma ruma de merda se passou. Anoto algumas.


Quantas e quantas vezes observamos pessoas negras na vida real sendo interpretadas por brancos. E não falo em ficções de cinema. O maior astro da música de todos os tempos, Michael Jackson, foi uma vez interpretado por um certo cidadão de cútis branca classe média de Londres. E nada mais nada menos que Jesus Cristo que, longe de ser branco de olhos verdes mais parecendo um beduíno de pele morena e queimada castigada pelo sol, foi e continua sendo uma das maiores falsificações da história.


Mas se o problema for ficção, problema resolvido. Aqui está que eu nem sabia e acabei de ler um comentário que informa que "quando era criança e assistia os filmes do SBT com a Cinderela negra, a Branca de neve asiática, os sete anões não sendo anões. Ngm ligava pra nada disso, a gente só queria assistir o filme é se divertir. Pena que nos dias atuais não é mais assim". E outra diz: "a versão de todos os contos de fadas da Disney são versões adaptadas. Na história original da Ariel ela nem fica com o príncipe. Inclusive, no primeiro livro que li de contos originais, ela era loira [e não cabelos vermelhos como a atual]".


Ouvi dizer que o critério de escolha foi a voz da garota, tem que ter uma boa voz pra fazer a sereia.


No entanto, segundo comentário muito astuto, "A Halle Bailey é linda, mas não deveria ser a Pequena Sereia. Nem ela, nem uma atriz ruiva, nem ninguém. A Disney deveria fazer ensopado da Pequena Sereia e esquecer que ela existe. Ela é de longe a princesa mais submissa dos desenhos infantis. Ela abre mão de ter voz, muda seu corpo, abre mão do seu mundo e da sua cultura, tudo para... Conquistar o príncipe. Ela ferra com toda a sua comunidade e tudo é resolvido por dois homens, o príncipe e seu pai. Com ajuda de personagens masculinos, o Sebastião e o siri. A outra personagem feminina do filme é quem? A Úrsula. A vilã. Ah ta, a velha rivalidade feminina na sua representação mais clássica de inveja. Quando eu era criança eu gostava do desenho, tinha até uma pelúcia da gaivota. Mas eu cresci e desenvolvi senso crítico. Por isso defendo que Ariel seja esquecida. Representatividade é importante, é fundamental. Mas acredito que garotas negras mereçam uma personagem que defenda sua cultura. E todas as meninas merecem ser representadas por mulheres mais descoladas, espertas e ativas".


Falava-se da aceitação mundial da Ariel branca, daí a justeza de se manter branca a Ariel. É o argumento se esquivando pessoalmente da culpa fazendo-a recair no mundo, o mundo reconhece, sabe e quer assim. Falou-se em tradição, uma vez Ariel ser uma produção Dinamarquesa de 1837, em originalidade, em exclusividade, em ícone, em tantas e tantas formas para o mesmo mal e uma das formas mais fantásticas encontradas pra se dizer o inominável era que o "inconsciente coletivo" julgava, queria e aceitava a Ariel da cor que ela é, que ela se fez. Essa merece o prêmio óleo de peroba. Palmas, senhores e senhoras.


Foi recorrente o argumento que se punha em letras garrafais: é "MINHA OPINIÃO". É a ideologia da MINHA OPINIÃO transformada numa cruzada racista. A ideologia chamada MINHA OPINIÃO virou bolha de ressentimento (inveja?) de um mundo que caminha independente das nossas vontades pessoais. O que os ideólogos do MEU UMBIGO conseguem, ao tentar parecer que opiniões devam merecer tapete vermelho de boas-vindas, é suscitar mais bolhas individualistas de opiniões contrárias pois ora se tenho a liberdade de emitir opiniões, liberdade terá aquelas opiniões que não gostam da tua, seguindo-se, você vai gritar pela liberdade de não ter opiniões que não gostem da tua e por aí vai o ciclo insano da guerra umbigocentrista.


A ideologia da "MINHA OPINIÃO" virou palanque pra vociferar besteiras. Ora se és a tua opinião, fique pra você ou fale com o espelho pois o espelho sempre concorda com a tua opinião. Por que afinal de contas a opinião que é tua tem que ser lida ou ouvida por outras opiniões? Por um acaso você quer ouvir outras opiniões que não sejam a tua? Não queres que a tua opinião seja comentada por outras opiniões? Você acha que nós somos o espelho da tua opinião que você deseja? A ideologia da MINHA OPINIÃO virou o Santo Graal do racismo mais tosco e sorrateiro.


Diziam que “agora toda opinião contrária vira racismo” no que eu respondi que o racismo costuma vir na embalagem isenta da “opinião contrária”.


Constatava-se que a branquitude tinha fumado bosta de cavalo no lugar de orégano estragado ao dizer: "Querer torna-la negra PARA MIM é um desmerecimento aos negros". Alô galera de Marte.


Eita Mariama que a racistada entrou foi na taca, como diria aquele narrador futebolístico local!


A ficção "Ariel" é um invólucro que pode ser preenchido por qualquer atriz com características, capacidades e habilidades suficientes para o papel. Já o racismo e os racistas não são ficção, é real, prática, sensível, expressa ofensa, dor e ojeriza, você sente na pele (e na alma) o racismo.


Queria deixar anotado mais um ponto. A pessoa diz "Para começar, tem muita gente se metendo e dando opinião que não esta nem aí para os filmes, que nao acompanham, que não convivem com o universo infantil". E a minha resposta foi: eu nunca assisti Ariel, só ouço falar e no entanto falar em Ariel não é se meter em nada. Em três dias de discussões fiquem sabendo mais de Ariel que em trinta e seis anos de vida, porém isto não é se meter em nada porque as produções sociais são isso mesmo: sociais. Sociedade da qual eu faço parte pois tudo que é humano me diz respeito. A você não? Nada que é humano me é estranho. A vida não é uma colcha de retalhos onde as partes nada tenham a ver com as outras, besteirol que envereda na patacoada identitária pós-moderna que vê a vida dividida em subsistemas, nos tais "lugares de fala": negros ali, LGBT aqui, mulheres acolá e neste terreno o homem “que se mete” a apoiar as lutas “alheias” em geral seria o opressor. O identitarismo de esquerda responsavelmente conjuga as lutas parciais na categoria geral de “classe”: ninguém solta a mão de ninguém.


A OPINIÃO É MINHA E NÃO DÔ PRA NINGUÉM GENTALHA GENTALHA


terça-feira, 2 de abril de 2019

Culto à ignorância

O CULTO À IGNORÂNCIA 
E O PROCESSO CIVILIZATÓRIO 
NA ATUAL SOCIEDADE BRASILEIRA


A sociedade brasileira hoje vive um período de intensa obscuridade. Com o advento dos intensos debates nas redes sociais sobre o processo eleitoral de 2018 numa visível dualidade de pensamentos extremistas, percebemos essa escuridão de conhecimento e um verdadeiro culto a ignorância.

Onde se culminou esse "culto a ignorância" com o incentivo do próprio presidente da república para a exaltação e comemoração do golpe militar de 64 que levou a uma ditadura sobre o pretexto de "salvar" o Brasil de um governo "comunista".

O período que antecedeu o golpe de 64, deu-se uma profunda campanha ideológica para se demonizar o "socialismo e o comunismo" estratégia hoje mantida, que culminou na eleição do atual presidente. É lastimável que ainda hoje existam pessoas que exaltem um período obscuro, de terror, torturas, mortes e perseguições. 

Temos dois pontos a se analisar. Primeiro, a quem era o interesse do "comunismo" não se instalar no Brasil? Quero deixar claro, que isso não aconteceria, foi uma desculpa para o golpe. Segundo, será que quem é contra o "socialismo e comunismo", sabe o que isso significa?

Pois bem, toda essa nossa história recente, mostra que a sociedade brasileira não passou pelo processo civilizatório. Norbert Elias em seu livro O PROCESSO CIVILIZATÓRIO, faz uma análise da evolução civilizatória da Europa entre os anos de 1100 a 1900 d.c. 

Elias não defendia uma "superioridade moral". Em vez disso, ele descreve a crescente estruturação e restrição do comportamento humano na história europeia, um processo denominado como "civilização" por seus próprios protagonistas. Elias tinha apenas a intenção de analisar este conceito e processo apelidado de civilização, e pesquisou em suas origens, padrões e métodos.

Fica claro, que a sociedade brasileira, precisa passar urgentemente por esse processo. Ele traçou como os padrões europeus pós- medievais em relação à violência, comportamento sexual, funções corporais, modos à mesa e formas de discurso foram gradualmente transformados pelo aumento dos limiares de vergonha e repugnância, de dentro para fora a partir de um núcleo na etiqueta de corte. 

Segundo Elias, a internalizada " auto-contenção" imposta por redes cada vez mais complexas de relações sociais desenvolveu as auto-percepções "psicológicas" que Freud reconhece como o "superego".

Na obra de Nobert Elias, podemos concluir que a cultura ocidental desenvolveu de forma particularmente sofisticada, concisa e abrangente instituições rígidas, por exemplo, com avanços tecnológicos decisivos, quando comparada a outras culturas.

A pergunta que me faço é onde a sociedade brasileira estava no tempo e espaço, durante o processo civilizatório da Europa?, Muitos dirão, "mas o Brasil é detentor de uma sociedade jovem, e precisa de tempo para evoluir. Talvez, porém existem sociedades com a mesma idade da nossa e não tão obtusas em relação a temas como estes em debates na atualidade.

Precisamos urgente nos "civilizar", ou então poremos em perigo nossa democracia, e nos tornarmos mais uma vez bárbaros vivendo numa ditadura. As redes sociais nos mostra as barbaridades do superego dessa sociedade que exalta o ódio, o desamor, as perseguições, violência e até mesmo a morte. 

Emerson Daniel
Professor da iniciativa privada em São Luís

sexta-feira, 29 de março de 2019

Pérolas aos porcos

PÉROLAS AOS PORCOS, PARA QUE NUNCA MAIS UMA DITADURA NOS ASSOMBRE NOVAMENTE

Vivemos em um momento tenebroso da nossa história. Onde as pessoas ressuscitaram seus monstros que estavam adormecidos em seus subconscientes. Talvez isso seja fruto do poder da internet e das redes sociais, pois por aqui todos tem voz e todos podem exprimir seus mais profundos sentimentos.

Nessa época áurea da tecnologia da comunicação presenciamos a mais profunda escuridão da humanidade. O auter ego, como dizia Freud, se materializando em palavras, palavras estas, que traduzem a agonia de uma espécie em processo de apoptose, de estagnação pela vida, pelo o que é bom, e mais ainda pela verdade.

Quando um povo, ou pelo menos parte dele, comemora, exalta e bate palmas para uma época, pessoas, uma sociedade que matou, trucidou, torturou, e sangrou um país (DITADURA), isso me faz lembrar uma frase "Não há escuridão maior regendo dentro do ser humano do que a ignorância e a falta de sabedoria. Não há olho igual a sabedoria, nem escuridão igual a ignorância, nem poder igual ao poder do espírito e nem terror igual a pobreza de consciência".

Pois é, estamos pobres de consciência, sabedoria e conhecimento, vivemos numa época da mais profunda escuridão. Agora é a hora de darmos pérolas aos porcos como nunca na história da humanidade. Eu sei que a Bíblia diz para não darmos pérolas ao porcos mas,  faço um apelo as pessoas que entenderem essa mensagem, dêem suas pérolas aos porcos, talvez por um momento, eles, em vez de come-las, façam um colar.

Por Emerson Daniel