Pessoal,
esta é a síntese/relatório.
É
isso ai pessoal, fiz os ajustes que foram propostos, decidi montar uma síntese
que é mais uma transcrição dos debates mais importantes, deixando de fora
conversas sem importância e temas ainda fora de nossa pauta. Transcrevi desde o
início do grupo até o debate de CRISES antes da conferência. Há debates
de crises depois da conferência, mas não os coloquei.
Síntese
dos debates do grupo “Esquerda Comunista do Brasil”.
C.
é o primeiro a lançar os princípios do novo círculo:
“
Pessoal,
vamos nos ater ao debate do programa comunista e da luta de classes nas bases
(sindicais etc). Desvios de libertação nacional, democrático e popular,
reformismo, novo desenvolvimentismo, eleitoralismo, religião, centrista, frente
popular e demais formas de conciliação burguesa serão notificados no debate e
em caso de persistência excluídos. Lutadores do Brasil e mundo presentes no
grupo, nosso objetivo é formar um programa comunista e de luta de classes.
Fazer uma troca de experiências entre as militâncias práticas e acúmulos
teóricos de cada um aqui, e ir buscando cada vez mais unificar nossa política.
A partir das lutas de classes nos locais de trabalho, moradia, estudo etc. com
suas experiências e lições, vamos transformando a luta econômica em luta
política e assim construir o programa para o Brasil que é capitalista e que o caráter
da revolução é socialista (Estado de ditadura do proletariado). O programa de
transição não é um programa comunista! Segue abaixo duas críticas ao programa
de fundação da quarta internacional (Astarita e Novello/Suárez).
”
Entraram
os camaradas remanescentes da Oposição Operária (OPOP) que agora chama-se
“Germinal”.
Jh.
deixa claro que “eu acredito que o programa de transición sí es un programa
socialista” e que “pienso que sería muy importante discutir lo que ocurrió en
las últimas elecciones en Brasil. Opino que la posición que tomaron muchas de
las agrupaciones de izquierda que se reivindican del trotskismo o de la
izquierda radical, fracasaron rotundamente al apoyar "críticamente"
al PT o a Boulos”.
Foi
realizada uma rodada de apresentação.
Camarada
O. propõe:
Foi
proposto pelos camaradas chamar alguém do MOVAUT em que pese o anti-leninismo
deles.
Camarada
C. começa a propor debates: “junto com debate do programa comunista,
estratégia, formação social ainda tem o debate da conjuntura. Se estamos sob um
fascismo e golpismo estatal, ou uma democracia burguesa também é interessante”.
Camarada
S. é adicionado.
Após
os diálogos entre RR e S., C. diz “penso que podemos aprofundar nesse debate da
frente” no qual Í. responde “sem dúvida. Seria um debate bem interessante. Pois
sempre ressurge esse impasse de qual tipo de unidade queremos na esquerda. E
quais as relações possíveis entre unidade na ação e construção de uma corrente
revolucionária”.
Camarada
C.: “Tática, composiçao de classe da frente, relaçao com centrais e movimentos,
formas de sua construção (entrismo, exigencialismo, etc). Uma coisa é certa: A
UNIDADE É DA CLASSE OPERÁRIA e aliados, não da esquerda. Esquerda vem das
revoluções burguesas e existem as mais variadas (nationalistas, democratas,
pro-aiatolas etc)”.
Aqui começa o primeiro debate mais consistente do grupo. Tema:
FRENTES, SOVIETES E PARTIDO.
Camarada
Jh.:
“Yo
creo que es una buena idea discutir las dos posiciones [frentes de esquerda,
frente única], para empezar a tomar posturas. Personalmente estoy completamente
en contra de los frentes, que suelen hacerse siempre bajo programa mínimo y de
un oportunismo terrible, pero creo que sería bueno el debate”.
Camarada
Í.:
“Jh.,
estou pelas frentes únicas - unidade de ação da classe trabalhadora em torno de
questões do seu interesse. E isso pode envolver várias correntes da classe
trabalhadora, mesmo reformistas. Desde que resguardado a liberdade de crítica.
E estou pelo debate entre os comunistas para o reagrupamento. Mas
não com aqueles que indevidamente se reivindicam "comunistas" (como
os stalinistas, centristas, etc). Esses precisam ser convencidos de uma
política revolucionária consistente, quando for possível. Estou contra as
frente políticas que amalgamam diferenças políticas para formar uma frente de
aparência ou tamanho maior. Elas geralmente não levam a lugar nenhum”.
O.:
“o programa máximo, isso é o que diferencia a Esquerda Revolucionária”.
Segue
Jh.: “Ta bom, pero los Frentes Únicos no son lo mismo que los Frentes de
Izquierda. Un Frente Único no es un frente político como el FIT. Un Frente
Único se presenta históricamente en forma de Soviet o de coalición sindical en
una huelga general”.
Segue
Í.: “De acordo. O Soviete é uma forma extrema e avançada de frente única
proletária”.
Jh.:
“Miren,
hace dos años estuve en Brasil. Dos meses en Maranhao, antes del ascenso de
Bolsonaro al poder. En aquel momento participé en algunas actividades con los
compañeros de D.. Todo parecía muy bien. Luego, durante las elecciones, dos
compañeros terminaron militando en el PCB y uno terminó haciendo campaña
electoral para Boulos. Y de este tipo de historias está llena la izquierda
"comunista"
[eu,
o autor deste relatório, militei no PCB, fui eu quem fiz campanha pra Boulos e
no último momento votei em Ciro]
S.:
“e a politica do trotsky do POI (partido operario independente) o q acha dela”?
C.:
“soviete ou duplo poder é uma expressão ofensiva ou avançada da luta de
classes. Estamos numa conjuntura muito atrasada. Raros sindicatos e locais de
trabalho tem oposição classista”.
Í.:
“sim, é verdade que estamos numa conjuntura atrasada. Mas não resta dúvida de
que as nossas propostas de organização devem estar adaptadas a esse cenário de
"terra arrasada".
Camarada
S.: “sim. Querer construir sovietes numa situaçao em q nao existe no pais um grupo
com 10 militantes revolucionários q seja, é estar fora do mundo real...”
Camarada
C.: “exigir, fazer entrismo, disputar, apoiar critico... Frente popular, frente
sem medo, frente do psol, do pstu...”
Camarada
Jh.: “nadie ha dicho que hay que construir soviets ahora, me refería a que un
Frente Único es como un soviet. Pero incluso una huelga es un Frente Único”.
Camarada
C. considera erro as colocações do Jh..
Jh.:
“Los
Frentes Únicos no son Frentes de Propaganda, los Frentes Únicos son la forma en
la que actuar la clase obrera frente a un ataque de la burguesía o en una
situación de avanzada. Una simple huelga es un Frente Único. Un sindicato
agrupa a obreros sin tendencia y de todas las corrientes que hay en su
interior. No hay cosa nueva en eso. Lo que ocurre con ciertos grupos es que se
desesperan y buscan encontrar salidas fáciles a periodos de estancamiento y
luchas veces caen en el más simple oportunismo”.
Camarada
Í. responde ao questionamento do camarada S.:
“Seria
muito interessante um POI. Mas qual força classista de massas está interessada
na construção de um. Nós entraríamos num POI como uma forma de acelerar a
construção de um partido revolucionário, provavelmente por meio de um racha.
Mas não tem essa conjuntura atualmente. Um POI não é um amálgama de pequenos
grupos. Seria como entrar no PT nos seus primeiros anos de formação para
disputar uma ala dos trabalhadores ali organizados para a construção do partido
comunista”.
C.
discorda do Jh.:
“Temos
que considerar tambem que uma greve ou ocupação dirigido pelas atuais centrais
e direçoes nao significa avanço e muitas vezes nem mesmo conquista economica.
Isso remonta a crítica da luta imediata dirigida por reformistas do Thalheimer
e a importante crítica da greve geral de Luxembourg”.
Os
camaradas O. e H. responderam simploria e humildemente sobre “nadie ha dicho
que hay que construir soviets ahora”: “eu digo!” no que Jh. respondeu “Sin duda
que ese es el objetivo”.
Camarada
O.:
“Não
é verdade que os sovietes são uma forma extrema, que só aparece em momentos de
ascenso revolucionário. Na Rússia eles existiram ininterruptamente entre 1905 e
1917”.
S.:
“serio? Em 1912, por exemplo eles existiam? Em 1909? Em 1914? Se é isso q vc
diz, em q fontes se baseia? Qual a fonte pra essa informaçao, da qual penso q
td mundo aq vai discordar?
O.:
“sim. Tinham pouca mobilização, mas existiam. Em 2013 era preciso ter formado
conselhos. Não tendo formado, não era possível ter esperado nada de diferente.
Em 2001 na Argentina, tb houve formação de conselhos, em alguns locais também
se mantém, embora tenham perdido carater massivo”.
Camarada
AB. começa sua participação com um texto grande a qual eu o autor do relatório
transcrevi apenas as últimas partes:
“As
ideias comunistas encontram na luta de classes, na teoria e na prática, matéria
para se desenvolver. Com base neste princípio, procuramos identificar as ideias
comuns e superar as divergências entre nós pelo debate permanente, procurando
assim dar resposta aos problemas colocados. Queremos que este debate se torne
público, na bela tradição leninista da polémica aberta, fraterna e acessível a
tod@s. A luta de ideias não é secreta e restrita, antes deve beneficiar da
opinião e participação daqueles e daquelas que têm algo de novo e útil a
carrear para o esclarecimento geral. A reorganização do proletariado como força
revolucionária necessita de um programa comunista que, nas actuais
circunstâncias, só poderá nascer da luta contra o reformismo e o revisionismo,
que reponha a pureza dos princípios e os métodos de luta preconizados pela
tradição de Marx e Lenine. Em última análise, um novo programa
comunista capaz de unificar @s operári@s e explorad@s de todo o
mundo, apoiando-os na luta pelo derrube final do capitalismo”.
C.
ainda sobre sovietes:
“Ainda
sobre os sovietes (ou conselhos em portugues): são uma forma de organização de
duplicidade de poder e depois na DDP de exercicio direto do poder político da
classe operária. Não é em qualquer momento que surgem esta forma de poder
operário. Tive conhecimento, nesses anos de debates nas redes sociais, das mais
diferentes propostas para formação desses conselhos, como do PCTE espanhol, que
propunha formar ao mesmo tempo um conselho e uma frente popular, e também do
MOVAUT brasileiro, que negando sindicato-partido-etc, propõe paralelamente
formar conselhos em meio à atuais lutas grevistas etc. Em ambos casos, os
conselhos não significam forma de poder, sequer teriam a direção tanto da
frente popular espanhol, quanto muito menos de uma frente operária brasileira”.
O
camarada acima postou um texto grande para defender que “as posições anti
partido dos chamados neoconselhistas devem ser advertidas e combatidas aqui”.
Camarada
AB põe:
“Santiago,
estou demasiado longe de vcs e tão ignorante das vossas lutas internas que não
posso (nem quero, nem devo) envolver-me nas minudências das vossas divergências
[divergências entre S. e RR]. Se este grupo zap quiser centrar-se nisso, estou
fora. O que me interessa como comunista é concertar-me com uma corrente
regeneradora internacional que reponha na prática e na teoria, aplicadas ao
momento actual, os princípios, a táctica e a estratégia de um movimento
comunista que caminhe de facto para a revolução proletária”.
...
No qual camarada O. respondeu à camarada: “acho um bom foco. Embora isto inclua
questões taticas, mas não lutas particulares. E nada impede que o espaço seja
usado para eventual divulgação de lutas particulares, embora não seja o foco”.
E
C.:
“Num
dos grupos anteriores que deu origem à esse, antes dele ser dominado por
pró-aiatolás, nacionalistas, reformistas, etc, os debates iam rumo à tarefa de
debater e estudar programas socialistas ou mais próximos disso na história do
Brasil, bem como estatutos das organizações. E assim fazermos uma proposta
nesse sentido. Que acabou não saindo devido à grandes divergências. Além disso
cada local dar relato mais detalhado do que atividades desenvolve e como
intervêm na luta de classes”.
“Nas
plenarias nacionais e outras de importancia, da intersindical, o Paulo Scapi
sempre fala (esta em varios videos do youtube), que não é a estrategia formar
inicialmente um pequeno partido e esse buscar inserção cada vez maior na classe
operaria e aliados. Por isso a intersindical não formou um novo partido e etc.
Pergunta: se não é a vanguarda iniciando este processo... qual é?”.
Camarada
H. carrega o texto do RR ‘Frente de Esquerda Socialista ou Frente Única” no
qual C. responde “Me parece que este texto é do RR e que o mesmo considera que
o partido já esta construido ou em vias, e o problema é ter uma frente, massas
para tomar o poder... resumo ao grosso modo. De modo parecido, o EM diz que o
partido esta ai e que vão conquistar as massas da socialdemocracia no PSOL e
fazer a revolução... A CS dizia quase a mesma coisa no tempo do PT”.
Ocasionalmente
se fez uma discussão sobre a OPOP (Oposição Operária) na qual eu sugeri uma
aproximação com eles.
Camarada
H. falando sobre a OPOP:
“E
não apresento como o embrião pronto, nem onde estão todas as respostas, mas a
defesa de uma organização de vanguarda, leninista assim como a proposição de
comissões e conselhos. Mas eu não participo da OPOP, que se diga. Ando afastado
e mantenho concordância com os princípios.”.
E
C. responde:
“Para
haver uma comissão, conselho... ou num ascenso das lutas como Osasco em 68,
greves do Abc 78... ou ter um partido/organização pra dirigir... imagine chamar
uma reunião aberta de conselho, na atual conjuntura e ideologia dominante,
iriam possivelmente ser aprovadas proposições mais contraditórias e
inimaginaveis. Se nas atuais assembleias de bairros, sindicatos, estudantes,
etc. são aprovados muitas vezes políticas extremamente confusas e
conciliadoras”.
Í.
sobre o comentário do C. segundo o qual “não é em qualquer momento que surgem
esta forma de poder operário [sovietes]”:
“Eu
concordo que nao aparecem [os sovietes] em qualquer conjuntura, embora uma de
nossas metas seja, quando possivel, propiciar, auxiliar o seu aparecimento. É a
forma que a classe tem de se reconhecer e de exercer seu poder e hegemonia na
sociedade”.
E
respondeu também o comentário do mesmo camarada “me parece que este texto é do
RR e que o mesmo considera que o partido já esta construido ou em vias” assim:
“não. Não ha o partido. E os passos tem que ser os mais iniciais. O debate nao
passa por aí não”.
C.
segue:
“
Questão
importante tambem metodo e forma da organização: centralismo democratico,
centralismo organico, plenarismo, assembleismo... alguns consideram que não ha
contradição entre dirigentes e base, e pregam horizontalismo, onde em geral,
são sempre os mesmos que falam e dirigem, sem sequer serem eleitos para o tal e
em caso de algo der errado a culpa é da base, não tem responsabilidade alguma”.
E
cita o RR transcrevendo partes de seu site segundo o qual dizem propor
construir o partido da quarta internacional: "realizamos nosso trabalho em
torno de um projeto maior de reconstrução do partido internacional da revolução
socialista". Acima ja postei sobre a diferença do programa comunista e o
de transição, que não são a mesma coisa. O debate não passa pela organização da
vanguarda em um partido com programa comunista? Passa por o que então?
”
O.
considera tal questão levantada acima importante:
“Isso
aí acho que também é um tópico, quarta-internacional ou Partido Comunista
Internacional. Embora haja convergências, muito bem expressas pelas posições de
Natália Sedova e Grandizo Munis, existem diferenças”.
C.:
“2013
deve ser analisado com mais critica. Inclusive no texto do S. ha referencias
para isso. Qual pauta do mundo do trabalho e da classe operária em especifico
em 2013? os métodos horizontais, etc pregados por muitos como nova forma
política construiram uma politica classista nos movimentos sociais e
manifestações?”.
Í.
responde: “passa exatamente por aí” à pergunta do C.: “O debate não passa pela
organização da vanguarda em um partido com programa comunista?”.
Í.:
“nao, o RR nao pretende se dissolver em nenhuma FU. Nem dentro e nem fora dela.
Mas seria progressivo unidade das massas para a luta. Participaríamos da mesma
para ajudar na construçao do partido e o avanço do programa e pautas”.
C.
critica: “projeto de se construir partidariamente dentro da frente, semelhante
a CS no PT em 80, 90 e ao EM no PSOL atual...”.
Í.:
“[a
IV Internacional] é uma corrente internacional de vanguarda dos trabalhadores.
O ponto é que a Quarta Internacional é uma referencia crucial nesse processo de
reorganizaçao de um partido desses após a catástrofe que foi o estalinismo”.
E
respondeu à crítica do camarada C.: “não. PSol nao é uma frente única (de
luta). É um partido (e bem sabemos de que tipo). Pediria ao companheiro que
lesse nossa contribuiçao para esse esclarecimento”.
C.:
“semelhante... PSOL é um partido pequeno burgues republicano. Se construir por
dentro”.
Í.:
“O
partido vai ser construído por dentro das lutas dos trabalhadores. É nesse
sentido que é mais que necessaria a participação nas organizaçoes de luta (isso
inclui sindicatos, frentes unicas, greves, etc). A tatica da Frente Unica foi
proposta pela Internacional Comunista em 1921. Mas ela ja existia sem esse nome
desde muito antes. Significa acordos entre as forças políticas do movimento dos
trabalhadores, apesar de suas diferenças, e sem apagar o debate dessas diferenças,
para agir no interesse comum”.
A
partir das polêmicas entre o RR e o camarada S. do Quilombo Spartacus, C. lançou
“Vamos debater partido. Escolher textos. Como do S. e outros. Ver datas. Pode
ter conferencia”.
É a primeira vez que se fala em teleconferências e algum esboço de
cronograma...
Camarada
Jh.:
“
A.
El periodo actual
B.
Vias pra la construcción de un partido revolucionario no Brasil
C.
El partido
”
Camarada
S.: “eu acho otimos temas. Poderíamos estabelecer um período para q se deem os
debates. 1 mes, por exemplo. Para q de tempo q todos leiam os textos, mandem
novas contribuiçoes, etc. Partamos daq entao. Quanto tempo os companheiros
acham q deve ter de preparaçao ate essa conferencia? Alias, de onde sao os
companheiros em geral? Eu sou de sp...”.
Aqui se inicia o debate sobre participação nas eleições...
Camarada
O.:
“Uma
outra questão que eu penso que pode ser polêmica, é sobre a participação no
processo burguês de legitimação do estado, porque eu vejo que tem muita gente
ainda influenciada pela visão de Lenin sobre o tema, e esse foi um ponto onde o
Lenin errou feio. Seria interessante que aprofundássemos essa discussão tb”.
Jh.
pergunta ao O.: “voce se refiere a la cuestión electoral parlamentaria?
O.:
“sim”.
E
propõe leitura:
“http://m.afavordarua.webnode.com.br/news/%20carta%20aberta%20ao%20companheiro%20l%C3%AAnin%20-%20gorter%20herman/”
Jh.:
“Bom,
yo concuerdo con Lenin, entonces sería un buen tema a discutir.
D.
Estrategia parlamentaria comunista”
Primeira
vez do camarada Rf. no grupo:
“
http://www.sinistra.net/lib/upt/comlef/ren/renegadeae.html
Defesa
pelo PCI da posição do Lenin, com uma boa contextualização.
”
Camarada
S.:
“Mas
gente, pra sermos mais praticos (pelo menos na minha opiniao doq é pratico).
Deviamos ir nos coordenando pra organizar essa conferencia, oq seria otimo.
Pensarmos datas e fecharmos os debates a serem feitos. Uma conferencia assim
vai demandar diversos problemas praticos, pq como cada um mora em um lugar vai
exigir q se faça por meio de videoconferência...”.
O.
à postagem do camarada Rafael: “mas eles defendem participar de eleições?”.
C.:
“escolher um mediador [para a conferencia] e textos”.
S.:
“acho q a primeira coisa de tdas é: tds tem acordo q é uma boa resoluçao? Q
devemos fazer isso? Eu acho q é a melhor coisa q um grupo inicial assim poderia
fazer. O zap é um meio pra organizar debates, mas pra fazer debates em si mesmo
é pessimo...”.
O.:
“Só
um comentário aqui. O PCI defende no geral as posições do Lenin no esquerdismo,
mas tem posição crítica específicamente na questão eleitoral. A minha posição é
proxima desta, ou seja, concordo em parte com as criticas de Lenin aos
esquerdistas e tb discordo da questão parlamentar. Tenho mais algumas criticas
que advém da seguinte situação: O partido Bolchevique foi construído
para dar resposta à uma demanda histórica de fazer uma revolução socialista num
pais atrasado (atrasado no início do seculo XX, ou seja, fortemente feudal e
sem eletrificação foi instrumento adequado para esse fim. Para uma revolução
num capitalismo mais desenvolvido, vêm muito ao caso algumas visões da
esquerda. Eu penso que este texto do Gorter é bem esclarecedor a esse respeito”.
Í.:
“Creio
que podemos mandar alguns materiais de um dos temas e entao nos engajamos em
ler para entao debater. Ainda que haja discordancias, acredito que pode ser
enriquecedor”.
C.
põe a tradução do texto [da esquerda comunista italiana]:
“
https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.sinistra.net/lib/upt/comlef/ren/renegadeae.html&prev=search”
C.:
“O
texto [a tradução acima] também demonstra a concordância entre nós e os
bolcheviques, tanto em 1920 quanto nos anos anteriores, quando ainda não
conhecíamos Lênin, sobre questões bem mais fundamentais: a afirmação da
necessidade de uma violenta revolução do proletariado, liderado pelo partido
marxista, disciplinado e centralizado; a afirmação da ditadura revolucionária subsequente
do proletariado; luta sem compromissos contra os dois "extremismos",
anarquistas e reformistas".
Camarada
Rf. responde o O.:
“Eles
entendem como uma questão tática que seguiram por disciplina ao partido, mas
que não era a posição correta, mas não uma questão de princípios. É uma defesa
das posições de Lenin em "esquerdismo", contra oportunistas que
tentam usar decisões táticas como princípios, autorizações para compromissos e
colaboração”.
C.:
“o princípio é comunistas saberem usar todas formas de luta legal e ilegal,
conforme necessário e hoje em dia ter uma critica da via eleitoral”.
Camarada
Rf. responde agora o C.: “na época eles discordaram, mas entenderam ser uma
questão tática proposta pelos bolcheviques e aceitaram em razão de disciplina
na internacional. Nunca foi uma questão de "compromissos" que nem o
pessoal tenta fazer parecer, especialmente os oportunistas que querem defender
o eleitoralismo como uma tática universal, geográfica e historicamente”.
Camarada
Í. responde o “e hoje em dia ter uma critica da via eleitoral”:
“Mas
essa nao pode ser tambem uma forma de exposiçao do programa comunista, de
ajudar a organizaçao das lutas diante da visibilidade que o candidato ou
parlamentar tem? A atuaçao dos parlamentares bolcheviques na Duma é muito boa,
apesar de alguna erros aqui e ali. Bem oposta aos parlamentares da
socialdemocracia alemã, que se tornaram sustentadores do regime. Eu tendo a
concordar que hoje, como os comunistas sao grupos muito pequenos em geral, a
tatica parlamentar é bem secundaria. Mas pode ainda ser usada”.
Réplica
do C. ao Í.:
“Não
é uma questão da atuação dos representantes, mas do caráter diferente que a
duma possuía em relação aos parlamentos europeus de então, mais consolidados e
preparados para afogar em meio ao oportunismo os comunistas revolucionários. O
esforço parlamentar da esquerda comunista italiana foi natimorta não apenas
pelo oportunismo de turatti e co. mas pelo próprio caráter do parlamento
italiano”.
E
propõe leitura interessante sobre a questão:
“https://www.marxists.org/portugues/rodrigues/2001/02/parlamento.htm”
Eu
transcrevo do RR parte que concordo sobre a Frente Única:
“Por
conta disso, é necessário que os pequenos grupos combativos se unam desde já e
criem comitês de mobilização que sejam um embrião de uma Frente Única maior,
realizando ações onde tem presença e também em locais importantes, como
assembleias sindicais, terminais de transporte público de grande movimento
etc”.
E
camarada C. me responde:
“Para
isso teria que haver alguma concordancia pontual e/ou programatica. por
exemplo: oposição sindical, carater do regime politico brasileiro, manifestação
contra preço XYZ, etc. nas expressões do rr, transparece que "não querem
se dissolver" enquanto grupo pré partidaŕio, mas sim atuar e intervir
"livremente" nessas frentes possíveis...”.
Camarada
H.: “a questão das frentes é prego batido e ponta virada? Parto do princípio
que aqui não tem ingênuos”.
C.:
“O
rr apoia alguma central sindical ou não? defende atuar nos sindicatos ou não?
formar oposições, conselhos, nucleos do pre-partido ou o que? tem como tarefa
ter militancia na classe operária e demais trabalhadores? como executam isso?
quem são os possiveis aliados do rr numa frente, luta sindical etc?”.
E
camarada H. segue:
“Tem
pontos programáticos e pragmáticos também que necessitam clarear. Antes de
virar um empurrometro de textos pra tentar hegemonizar com definições de
organismos já existentes. Sinceramente, se fosse frentista eu não estaria nesse
espaço, conheço quem defende essa tática e nunca me associei”.
C.:
“não podemos confundir frentes populares, com frentes de lutas da classe
operaria, daí explicar os termos e o que entende por "frentismo"”.
Eu
respondo a primeira pergunta:
“O
rr apoia alguam central sindical ou não? São independentes. Não fazer
organicamente parte de nenhuma, podendo participar delas apenas quando elas se
põem de maneira consequente a organizar a luta direta dos trabalhadores”.
O.
ressalta o que “é meio complicado” no argumento do Í. porque significa que
se o grupo ficar grande, deveria participar do processo de legitimação do
estado burguês:
“Eu
tendo a concordar que hoje, como os comunistas sao grupos muito pequenos em
geral, a tática parlamentar é bem secundaria. Mas pode ainda ser usada”.
Eu
concordando com C.: “correto. Não podemos confundir frentes populares e sua ala
esquerda (as frente de esquerda socialistas), com frentes de lutas da classe
operaria. Concordo com a tática parlamentar”.
O.
pergunta a mim: “porque vc pensa que essa poderia ser uma boa tática camarada?”
e eu respondo “pela agitação e propaganda” no que ele me devolve: “mas é
negativo pra imagem do partido. A classe já sabe bem que ali é um espaço de
hienas. Grande parte da rejeição de grupos como o PSTU na classe advém
justamente dessa participação eleitoral. Com o mesmo investimento de tempo e
finanças que um grupo gastaria pra participar do processo de legitimação do
estado burguês, esse grupo pode fazer muito agitação e propaganda se usar
outros meios”.
C.:
“é completamente diferente as eleições num regime tsarista, que numa democracia
burguesa, onde pequenos partidos de esquerda reformista se candidatam há
décadas. O Pstu, o pco... nas eleições não fazem propaganda pelo programa
comunista, mas sim politicas mínimas... pstu no caso defende a revolução
democratica do moreno e pco deu uma virada lulopetista que antes tanto
criticava”.
Pela primeira vez é sugerido o debate sobre CRISES...
O.:
“e
sobre crise do capitalismo, vcs têm textos?
Um
texto que acho bem significativo:
https://jornalggn.com.br/artigos/o-esgotamento-da-actual-fase-historica-do-capitalismo-por-guglielmo-carchedi/”
Eu:
sugeri artigos do núcleo de educação popular 13 de maio, o CRITICA SEMANAL DE
ECONOMIA.
Camarada
H.:
“Penso
que deveríamos revisitar os clássicos pra balizar discussões sobre fetiche,
mercadoria, alienação. Já disse, sou puta velha não vão me empurrar textos de
tendências ou de grupos Assis. Esse quilombo Spartacus posso visitar o sítio
pra me inteirar. Exemplo. Mandei, teoria econômica marxista e o livro sobre o
partido leninista. História e Consciência de Classe de Luckacs hovem. Os
Grundisses d Marx. Revisitando os classicos para estudar fetiche, alienaçao,
etc...”.
[nota
do autor: não sei que diabo significa “hovem” rsrsrsrsrs, acho que quer dizer
“jovem”]
Camarada
S. emite um informe de uma atividade, numa empresa de telemarketing, sobre uma
ação contra o assédio.
Eu
escrevo que gostei disso aqui que escreve S. na polêmica com o RR:
“Na
medida em que são dois fenômenos distintos não necessariamente são fenômenos
opostos, então de onde viria a oposição? Uma coisa só pode ser oposta a outra
na medida que suas características substantivas, essenciais, se contraponham. E
onde nossa proposta de uma frente de esquerda dos trabalhadores, como bloco
programático entre organizações classistas, se contrapõe a formação de uma
frente única na ação da classe operária para resistir aos ataques da patronal?
É preciso estudar um pouco de lógica, de dialética, companheiros”.
Segue-se os acertos do cronograma...
Camarada
C.:
“Sobre
o cronograma do primeiro ponto: partido. Vamos até sexta-feira definir os
textos para debate. E dai ver as datas de teleconferências e debates por
mensagem. Sugestão. Que outras há? Penso que frente pode ser segundo ponto
daí...”.
Camarada
O.:
“Talvez
a gente devesse chamar alguém que ainda está ativo na OPOP... Pra discutir aqui
tb. Explica igcl... Para todos entenderem... IGCL - international
group of the communist left. Publicam o jornal "guerra ou revolução
", que basicamente é agitação à partir de uma teoria do curso da
história”.
Camarada
O.:
“Então
pessoal, eu vou retornar aqui, já perguntei isso antes. Eu penso que é bom
começar a discussão desse tipo do mais geral e depois ir para os particulares.
Então, gostaria de saber se os companheiros têm textos (eu preferiria ler texto
sobre isso do que sobre questões táticas), seja próprio, seja de algum grupo de
referência que coloque a questão geral do curso histórico do capitalismo. Sobre
teoria da crise, em que escala geográfica e histórica ela se dá, o que ela
significa, pra que ela aponta, em que momento estamos. Ou ainda, que não seja
por texto, que exponham brevemente suas visões sobre o assunto. É bom lembrar
que o foco na estratégia é o que discerne os comunistas dos oportunistas. O oportunismo
nada mais é que isso, tática descolada da estratégia. Se nós começamos pela
tática (mesmo não sendo), acabamos abrindo uma brecha para o oportunismo”.
Leitura:
“http://igcl.org/Sobre-la-crisis-Donde-esta-parado-506”
Eu:
“segundo o cronograma. Primeiro ponto: partido. Segundo ponto: frente
política”.
Camarada
O. avança na formulação de um norte de encaminhamentos para o grupo:
“Então,
eu penso que a discussão sobre partido é menos geral que uma discussão sobre o
curso histórico e subordinada à essa. A fundação da 3a internacional foi devido
à traição da segunda, em seu rompimento com o internacionalismo proletário.
Também tanto a IV como o PCInt são fundado no ensejo da crise (da segunda
guerra imperialista) e ambas conectadas com a conjuntura. Não é possível pensar
um partido (uma internacional) de forma dissociada do contexto
histórico. Portanto eu proponho que seja incluído um ponto de curso
histórico (como uma análise de conjuntura, mas em escala histórica ampliada),
anteriormente ao partido”.
C.:
“
Colocamos
em votacao a ordem:
1.
Partido. 2. Frente. 3. Historia.
Ou
se maioria ja concorda com nova ordem proposta...
Comecar
por historia...
Voto
por começar entao pela conjuntura (história)
”
Camarada
AB que estava sumida:
“Em
resposta às justas preocupações do O. sobre como começar um debate
organizado, transcrevo uma análise de conjuntura nacional e internacional do
[coletivo CF Cem Flores]. Pus esse texto para ajudar a proposta do O. e
orientar a discussão para o tema da conjuntura, antes da do partido. Este grupo
zap precisa de se orientar para um tema geral a todos que sirva de ponto de
partida, em vez de se dispersar em pequenas questões e questiúnculas. Reparem
que o único membro português além de mim já abandonou a discussão. Compreende-se:
vocês perdem-se em lateralidades e fazem perder o foco da discussão e dos
objectivos do grupo. Se não querem que ele seja internacional, digam”.
Camarada
Jh.:
“Es
importante comprender cuál es la táctica comunista respecto al voto. Y respecto
al parlamentarismo.
AB:
“
[...]
Em particular a questão da participação ou não dos comunistas nas eleições é
muito importante, quando a burguesia se apoia no sistema para renovar os seus
mandatos. Para vos dar um exemplo, vejam o que nós pensamos sobre isso: a
abstenção, os comunistas e a falência do parlamentarismo
SETEMBRO
21, 2019 / BANDEIRAVERMELHA. António Barata.
Para
os que não tenham tempo para ler toda a análise, destaco alguns conceitos:
“
1
- O problema está em que a ideia da obrigatoriedade de participar em todos os
actos eleitorais, com listas próprias ou em coligações, se instituiu como uma
norma no movimento comunista a partir das Frentes Populares, tendo sido
transformada, na prática, numa questão estratégica e num princípio nunca
assumido como tal.
2
- O descrédito que rodeia o parlamento resulta da percepção que o povo vai
tendo deste estado de coisas e da inutilidade do seu voto para o modificar.
Pelo que a abstenção nos tempos que correm não decorre essencialmente do atraso
político ou da alienação das massas, antes é um sintoma que pronuncia a agonia
dos actuais sistemas de representação democráticos parlamentares. Se quem
trabalha não se reconhece nos partidos existentes, nem neles confia, é natural
que os ignore, dado que não tem qualquer escolha a fazer.
”
Camarada
Jh.:
“No
coincido con la posición de no votar porque se legitima el sistema de
dominación. Creo que si hay candidatos obreros está bien llamar a votar por
ellos, pero siempre y cuando represente una alternativa para la independencia
de classe”.
Camarada
AB:
“A
questão que o elevado nível de abstenção nos coloca, em resultado do
desprestigio do parlamentarismo e dos partidos do sistema, é o de saber porque
não surgem partidos nos países mais ricos e politicamente estáveis da Europa,
América do Norte, Japão, Austrália capazes de corresponderem a esse desencanto,
dando expressão orgânica e política às preocupações e reivindicações daqueles
que não se identificam nem se vêm representados nos partidos existentes e já
não acreditam nos políticos nem nas virtualidades dos sistemas e instituições
democráticas? Porque não surgiram no hemisfério norte movimentos como os que
ocorrerem na América Latina e Central, na década passada, em que as velhas
oligarquias e os partidos tradicionais (de esquerda e direita) foram
temporariamente afastados do poder por partidos e movimentos de tipo novo, com
forte pendor nacionalista e anti-imperialista, embora reformistas?”.
“Amigo,
há muito tempo que não há candidatos operários. Nem Lula já era um operário
quando se candidatou pela primeira vez”.
Jh.:
“sé que esto será un escándalo, pero en la primera vuelta el PSTU tenía
candidatos obreiros. Pero no es que sean candidatos obreros solamente, es que
deben representar una posibilidad de independencia de clase. Eso es lo
importante. De nada sirve que sean obreros al servicio de la burguesia”.
AB:
“mas não tem habivo nenhuma independência de classe. Todos os candidatos sem
excepção têm entrado no jogo do sistema burguês, sempre dispostos a alianças
anti-operárias com o oportunismo”.
Jh.:
“sí, en la segunda vuelta el PSTU capituló horriblemente al PT. Pero yo creo
que estaba bien votar por el PSTU en la primera vuelta. Voce sabía que eles
votarían por PT? Con esa premisa voce só votará por você.
AB:
“para eles te traírem à segunda volta? Não valeu a pena. No sistema burguês
como ele hoje se apresenta em todo o mundo, os comunistas não têm que votar em
ninguém, a não ser em si próprios quando puderem ter candidaturas próprias que
disputem com o inimigo de classe no terreno dele”.
Jh.:
“La
cuestión electoral me parece principal en Brasil. Junto con Argentina, y quizás
Grecia y Sudáfrica, Brasil es el país donde la izquierda está más insertada en
el ámbito electoral”.
O.:
“gostaria de saber posição de RR e quilombo espartacus sobre estes temas mais
gerais”.
O.
responde se vai ter teleconferência: “é um pouco complicado. Nós fizemos uma
vez Eu, Augusto e mais um compa. Dá pra fazer. Mas que ser bem planejado”.
Aqui se inicia o debate de CRISES...
C.
anota sobre a proposta do O. de estudar o curso histórico:
“Sobre
economia, história, crise... é um tema - para mim - muitas vezes com mais
dificuldade do que política, estratégia, ideologia. Principalmente devido à
grande variedade de posições, debates, cálculos-gráficos-indicadores, etc.
Nisso, considero importante que a teoria do fim do crescimento das forças
produtivas desde o começo do século 1900s (Trotsky - "FCFP"), e da
crise estrutural do capital desde os anos 70 (Meszaros - "CEC") entre
outras que são afins, no qual consideram que a reprodução ampliada do capital e
o crescimento das forças produtivas, estariam em decrescimento (desde
diferentes períodos históricos, conforme cada uma das teorias), é um erro. Há
artigos sobre essa questão, que posso mostrar nos próximos comentários aqui
(não sou um teórico disso). Assim sendo, se as forças produtivas parassem em
1914, 1973, etc., decaísse a produção de mercadorias e a população continuasse
a crescer (inclusive a taxa de expectativa de vida!!!), estaríamos não numa
sociedade onde cada vez a população tem acesso à energia elétrica, àgua
tratada, educação pública, serviços e produtos de saúde, previdência social,
comunicação social, automóveis, roupas, etc. apesar de todas contradições e explorações
de classe, além de todos os problemas ambientais por isso causados. A
expectativa de vida no Brasil em 1900 era de 33 anos, hoje é projetada em 76
anos, somente isso tem decorrência sobre toda sociedade e economia (dados do
IBGE). E ainda segundo a OMS, apenas do ano 2000 até 2019, a expectativa de
vida aumentou 5,5 anos em todo o mundo. Nisso, apesar da queda nos
investimentos com a crise de 2008, os investimentos mundiais são pesados para
manter e reproduzir essa sociedade capitalista”.
Camarada
D. inicia participação com um comentário extenso em resposta ao comentário do C.:
“
Compa,
a teoria da CEC tal como desenvolvida por Mészáros não significa que as forças
produtivas pararam de se desenvolver, nem que deixou de haver crescimento
econômico, nem que o capitalismo chegou numa crise terminal, etc. CEC para o
Mészáros é uma outra coisa. Eu li um pouco o Mészáros, então vou colocar um
pouco da minha interpretação. O Mészáros tem vários problemas (por exemplo, ele
apostou politicamente no chavismo e no MST) e um deles foi ter lançado o
conceito de crise estrutural do capital. Essa ideia mais atrapalha do que
ajuda, porque as pessoas confundem com crise terminal, o que não tem nada a
ver.
Na
terminologia do Marx a crise terminal seria uma crise geral, uma crise cíclica
de proporções gigantescas que abre a brecha para uma intervenção
revolucionária. O que Mészáros propõe é uma leitura da história na qual há um
momento em que o capitalismo deixa de ser a alternativa mais avançada de
organização da produção social (que ele chegou a ser em relação às formas
pré-capitalistas, conforme Marx e Engels ressaltam no manifesto), porque
desponta na história a alternativa socialista. A crise estrutural do Mészáros
não é uma crise cíclica comum nem é essa crise geral catastrófica. Na verdade,
para Mészáros, a crise estrutural abrange toda una época histórica, dentro da
qual acontecem crises cíclicas, dentre as quais alguma pode se transformar numa
crise geral catastrófica.
Temos
então um segundo momento da história, a partir do último terço do século XX, em
que o capital alcança o limite daquela expansão, tendo sido bem sucedido em
neutralizar a alternativa socialista.
O
que o Mészáros chama de crise estrutural é a ultrapassagem do limiar histórico
em que qualquer avanço da produção capitalista deixa de ser progressivo e passa
a ser destrutivo.
Então,
tendo a concordar com a leitura da história que o Mészáros propõe, mas não
gosto do nome de crise estrutural que ele dá, porque as pessoas seguem
confundindo com o conceito da crise geral, catastrófica ou terminal.
Ele
passa a ser não apenas um obstáculo para o avanço das forças produtivas, em
comparação com a alternativa socialista presente no cenário histórico desde o
século XIX, mas uma força abertamente retrógrada e destrutiva. É essa mudança
de qualidade que Mészáros chama de crise estrutural.
Mészáros
cita exaustivamente uma carta de Marx onde ele menciona essa possiblidade do
capitalismo se expandir para fora da Europa como sendo a menos provável, pois a
hipótese com a qual ele e Engels trabalharam a vida inteira era a de que
capitalismo seria derrotado na Europa por uma revolução socialista antes que
tivesse a chance de se expandir para um terreno mundial, da forma que nós no
século XX viemos a conhecer como imperialismo.
Então,
para ele, o atingimento da crise estrutural não significa que o capitalismo se
tornou mais frágil e pode ser derrubado com um peteleco (como sonham todos os
deterministas que querem se poupar da tarefa de construir a alternativa
socialista no terreno da luta social concreta); pelo contrário, significa que
ele se tornou mais destrutivo, como atestam a crise ambiental, as guerras e a
violência generalizada, o endividamento global em espiral desenfreada, etc.
Entretanto,
o despontar da alternativa socialista não implica que o capitalismo tenha
esgotado seu campo de expansão; pelo contrário, ele ainda teve um século para
se globalizar.
”
C.
transcreve a CEC Crise Estrutural do Capital de Meszaros:
“
CEC.
Extratos. Parte 1.
Vivemos
na era de uma crise histórica sem precedentes. Sua severidade pode ser medida
pelo fato de que não estamos frente a uma crise cíclica do capitalismo mais ou
menos extensa, como as vividas no passado, mas a uma crise estrutural,
profunda, do próprio sistema do capital.
Esse
sistema, em todas as suas formas capitalistas ou pós-capitalistas tem (e deve
ter) sua expansão orientada e dirigida pela acumulação. Naturalmente, o que
está em questão a este respeito não é um processo delineado pela crescente satisfação
das necessidades humanas. Mais exatamente, é a expansão do capital como um fim
em si.
A
crise estrutural profunda, com seus perigos para a sobrevivência da humanidade,
destaca de maneira aguda sua incontrolabilidade. Na verdade, é inconcebível
introduzir as mudanças fundamentais requeridas para remediar a situação sem
superar o antagonismo estrutural destrutivo, tanto no “microcosmo” reprodutivo,
como no “macrocosmo” do sistema do capital enquanto um modo global de controle
do metabolismo social.
O
fim da ascendência histórica do capital colocou em primeiro plano o desperdício
e destrutividade irracional do sistema no nível da produção, intensificando,
assim, a necessidade de garantir novos escoadouros para os produtos do capital
através da dominação hegemônica/imperialista sob condições nas quais o modo
tradicional de impô-la não pode mais ser considerado uma opção rapidamente
disponível.
A
crise estrutural do capital é a séria manifestação do encontro do sistema com
seus próprios limites intrínsecos.
CEC.
Extratos. Parte 2.
Seus
limites intrínsecos ou absolutos, que não podem ser transcendidos sem que o
modo de controle prevalecente mude para um modo qualitativamente diferente.
Afeta
a totalidade de um complexo social em todas as relações com suas
partes
constituintes ou sub-complexos como também a outros complexos aos quais é
articulada.
Põe
em questão a própria existência do complexo global envolvido, postulando sua
transcendência e sua substituição por algum complexo alternativo.
Uma
crise estrutural... não está relacionada aos limites imediatos, mas aos
limites
últimos de uma estrutura global.
Realmente,
a crise estrutural do capital se revela como uma verdadeira crise de dominação
em geral.
Como
a ativação dos limites absolutos do capital, enquanto sistema de reprodução
plausível, surgiu em nosso horizonte histórico, já não se poderá evitar por
muito mais tempo o enfrentamento da questão de como superar os pressupostos
estruturais destrutivos do modo estabelecido de controle socio-metabólico.
Fator
destrutivo dos ‘custos totais da produção’ – a ser enfrentado dentro de limites
progressivamente
restritivos – torna-se cada vez mais desproporcional e em última
análise
proibitivo. Historicamente passamos da prática de destruição produtiva da
reprodução
do capital para uma fase em que o aspecto predominante é o da
produção
destrutiva cada vez maior e mais irremediável.
Somente
quando as opções da ordem predominante se esgotarem se poderá esperar
por
uma virada espontânea para uma solução radicalmente diferente.
Não
se trata de que as forças produtivas não estão mais se desenvolvendo, mas de
que cada avanço da produção é simultaneamente um avanço da destruição.
”
C.
comenta a CEC de Meszaros e põe a parte 3:
“A
CEC é uma ideia meio complicada do Mészáros e para mim está longe de ser a
principal contribuição dele. Para mim são muito mais interessantes a distinção
entre capital e capitalismo, a ideia de incontrolabilidade do capital, a
produção destrutiva, a taxa de utilização decrescente das mercadorias, a
crítica a Lukács. Isso para ficar só no Para além do Capital, sem discutir
outras obras”.
“
CEC.
Extratos. Parte 3.
Fase
de ascendência histórica do sistema... [1973] Fase histórica de
desintegração...
Processo
de queda, decadência objetiva ou desagregação.
Nenhuma
dessas medidas [políticas de intervenção do Estado] é capaz de suprimir a
própria tendência a longo prazo.
Limites
absolutos do capital inevitavelmente coloca em ação a própria estrutura causal.
Consequentemente, ultrapassá-los exigiria a adoção de estratégias reprodutivas
que, mais cedo ou mais tarde, enfraqueceriam inteiramente a viabilidade do
sistema do capital em si.
Sob
as condições da crise estrutural do capital seus constituintes destrutivos
avançam com força extrema ativando o aspectro da incontrolabilidade total numa
forma que faz prever a autodestruição, tanto para este sistema reprodutivo
social excepcional em si como para a humanidade em geral.
Sob
as novas circunstâncias histórica, as crises também se desdobram de modo muito
diferente. No período da ascendência global do capital, as crises irrompiam na
forma de grandes tempestades (Marx), seguidas de fases relativamente longas de
expansão. O novo padrão com o fim da era da ascendência histórica do capital é
a crescente frequencia de fases de recessão tendendo a um continuum em
depressão.
”
C.
comenta e põe a parte 4:
“O
capitalismo encontrou seu limite a partir de 73, não sendo mais possível
crescimento das forças produtivas como antes, reprodução ampliada como antes,
na fase histórica anterior já citada... entrando numa CEC para autodestruição,
depressão, etc.”.
“
CEC.
Extratos. Parte 4.
Isto
é o que define os limites estruturais últimos do capital como controle socio-metabólico,
abarcando toda a época para a qual suas forças produtivas podem ser
desenvolvidas.
O
que está em questão aqui é o perturbador sucesso do capital em estender os
limites da sua própria utilidade histórica. (...) Mais importante neste aspecto
é a capacidade inerente ao capital de responder com flexibilidade às crises,
adaptando-se a circunstâncias que, prima facie, parecem ser hostis à
continuidade do seu funcionamento. Devemos examinar mais de perto estes
problemas em seu ambiente próprio. A esse respeito é necessário salientar que,
sem enfrentar de modo realista e sem reavaliar constantemente os limites
dinâmicos do capital, toda extensão bem-sucedida destes limites continuará a
ser saudada como um prego no caixão do marxismo pelos seus adversários.
Se
é verdade que uma ordem social nunca perece antes que todas as forças
produtivas, para as quais ela é amplamente suficiente, tenham se desenvolvido
no interior de sua estrutura, esta verdade possui implicações de longo alcance
para os modos pelos quais uma formação social particular pode ser substituída
por outra. Nesse aspecto, não é indiferente se uma crise conduz a uma quebra e
um colapso totais da ordem social em questão – cujas forças produtivas
obviamente não podem mais se desenvolver nos seus limites – ou se, sob o
impacto de uma crise maior, novas modalidades de funcionamento forem
introduzidas a fim de prevenir aquela quebra.
[Repetindo]
Forças produtivas obviamente não podem mais se desenvolver nos seus limites...
Os
limites últimos mencionados acima dizem mais respeito às mais amplas condições
históricas do processo do que às suas flutuações transitórias. Enquanto estas
transformações se desenvolverem num terreno muito disputado, nenhum passo
emancipatório estará a salvo dos perigos da regressão, não importa o quanto as
relações históricas últimas de força sejam favoráveis para a “nova forma
histórica” numa situação em que a velha ordem se mostre incapaz de desenvolver
as forças produtivas.
A
importância desses desenvolvimentos não pode ser exagerada, pois em um passado
não muito distante a dissipação produtiva de quantidades quase inimagináveis de
forças produtivas e recursos podia ser transformada em vantagem para o capital
com relativa facilidade, contribuindo assim positivamente para a resposta
bem-sucedida do sistema aos imperativos estruturais de sua autorreprodução
ampliada. Hoje, ao contrário...
A
taxa decrescente de utilização dos bens e serviços socialmente produzidos,
assim como das forças produtivas ...
Como
resultado da absurda reversão dos avanços produtivos em favor dos produtos de
“consumo” rápido e da destrutiva dissipação de recursos, o “capitalismo
avançado”
impõe
à humanidade o mais perverso tipo de existência que produz para o consumo
imediato (hand to mouth economy): absolutamente injustificada com base nas
limitações
das forças produtivas e nas potencialidades da humanidade acumuladas
no
curso da história.
A
partir daí, confrontamo-nos com um sistema de produção no qual a extração do
trabalho excedente é determinada politicamente da forma mais sumária,
utilizando-se critérios extraeconômicos (em última instância, a própria
sobrevivência do Estado), o que, sob determinadas condições, pode de fato
perturbar ou até atrasar cronicamente o desenvolvimento das forças produtivas.
Durante
certo tempo, os anos do pósguerra – por cerca de duas décadas – assistiram a
uma expansão e revitalização sem precedentes do capital pela inclusão à sua
órbita, pela primeira vez na história, da totalidade das forças produtivas
globais, bem como uma bemsucedida reestruturação da economia para atender às
exigências insaciáveis do complexo militarindustrial; agora toda dinâmica
estancou e o sistema não pode mais “distribuir os bens”.
”
Camarada
D. comenta os extratos parte 2:
“Não
se trata de que as forças produtivas não estão mais se desenvolvendo, mas de
que cada avanço da produção é simultaneamente um avanço da destruição. A CEC é
uma ideia meio complicada do Mészáros e para mim está longe de ser a principal
contribuição dele. Para mim são muito mais interessantes a distinção entre
capital e capitalismo, a ideia de incontrolabilidade do capital, a produção
destrutiva, a taxa de utilização decrescente das mercadorias, a crítica a
Lukács. Isso para ficar só no Para além do Capital, sem discutir outras obras”.
C.
posta vídeo de primeiros robôs vivos criados a partir de células-tronco de sapo
e comenta:
“Isso
[por] que estamos desde 1914 (Trotsky) ou 1973 (Meszaros), etc. em plena crise
de crescimento das forças produtivas...”.
[os
colchetes são meus, do autor do relatório]
Eu
comento: “Tambem nunca entendi essa teoria segundo a qual as forças cessaram de
crescer ...”.
E
O. responde:
“Gente,
não é que elas param de crescer. A ideia é que o capitalismo passa a ser um
entrave para o desenvolvimento das forças produtivas. Isso acontece na fase
descendente dos ciclos longos, ou ondas longas. É a situação que estamos desde
a década de 70. Sendo que houve um período de recuperação neoliberal na década
de 90/00 que faz parte, porque a lei é da TENDÊNCIA à queda da taxa de lucro.
Portanto a queda não é linear”.
Camarada
RS inaugura sua participação com um texto de suma importância o qual já
havíamos postado:
“
”
C.:
“
Durante
ciertos períodos históricos, la curva básica, aunque pasando como siempre a
través de oscilaciones cíclicas, se inclina hacia abajo en su conjunto,
señalando la declinación de las fuerzas productivas - Trotsky. Pero ahora
suponemos que sucede lo contrario: crisis profundas, largas y penosas y alzas
breves y de corta duración. Los viejos ciclos eran el mecanismo de un amplio
movimiento ascendente; los nuevos, sólo pueden ser el mecanismo de la
decadencia capitalista. “La premisa económica de la revolución proletaria ha
llegado hace mucho tiempo al punto más alto que le sea dado alcanzar bajo el
capitalismo. Las fuerzas productivas de la humanidad han cesado de crecer”. El
progreso humano se ha detenido en un callejón sin salida. A pesar de los
últimos triunfos del pensamiento técnico, las fuerzas productivas
naturales ya no aumentan. El síntoma más claro de la decadencia es el
estancamiento mundial de la industria...
”
O.:
“O
ponto que eu vejo que falta na maioria dos teóricos é a relação entre crise e
guerra. Porque a TQTL advém do aumento da composição orgânica do capital, e a
solução que o capitalismo encontra para a crise é a guerra imperialista
generalizada, já que a enorme destruição que ocorre nesse processo desembarga o
processo de acumulação”.
O.:
“então, mas depois da guerra, as forças tem como voltar a crescer”.
C.:
“tanto o FCFP [fim do crescimento das forças produtivas] quanto o CEC [crise
estrutural do capital] são teorias do colapso... que qualquer estatística
derruba elas!!!”.
Camarada
RS: “o Trotsky achava que desde 1914 existia uma estagnação do desenvolvimento
das forças produtivas. O Lênin tinha uma visão um pouco mais moderada, mas
parecida”.
O.:
“mas eu entendo que a posição de Trotski sobre a relação entre guerra e
revolução, que justamente está ausente no trotskismo (Mandel e Pablo), era correta”.
RS
respondendo ao camarada C.: “as evidências empíricas mostram que essa queda
tendencial da taxa de lucro, no máximo, opera numa escala de séculos”.
O.:
“discordo. Entendo que ela opera na escala de décadas”.
C.:
“para estes autores, não é mais um ciclo, mas uma caída sem volta...”.
RS:
“só que aí tem um problema. Isso significa que não tem nenhuma tendência pro
acirramento da luta de classes. Que é o que a gente tem visto desde 1945, tem
ciclos, mas não tem um salto fundamental”.
O.:
“são ciclos longos entremeados por guerras, que desembargam o crescimento das
forças produtivas. Se existem uma queda subjacente aos ciclos, eu
não sei, mas entendo que não está demonstrado”.
Camarada
Í.:
“
Gente,
isso da interrupção do crescimento das forças produtivas, embora tenha algumas
afirmações unilaterais do Trotsky (a mais famosa está no Programa de
Transição), não era algo fechado na obra dele. Tem vários textos que ele
discute essa decadência de forma relativa, que é o correto. E não é consenso no
movimento trotskista. A corrente de que eu venho não concorda com a afirmação
unilateral do programa de transição, por exemplo. Agora, tem ciclos de
pauperização absoluta (como agora). A pauperização relativa é quase sempre,
tirando momentos muito especiais. Isso gera momentos onde há muitas
possibilidades de crises revolucionárias. E continuará havendo.
Eu
gosto dessa citação, por exemplo: “O mundo capitalista já não tem saída, a
menos que se considere ‘saída’ a uma agonia prolongada. É necessário preparar-se
para longos anos, senão décadas, de guerras, insurreições, breves intervalos de
trégua, novas guerras e novas insurreições. Um partido revolucionário jovem tem
que apoiar-se nesta perspectiva. A história lhe dará suficientes oportunidades
de provar-se, acumular experiência e amadurecer. Quanto mais rapidamente se
unifique a vanguarda mais breve será a etapa das convulsões sangrentas, menor a
destruição que sofrerá nosso planeta. Mas o grande problema histórico não se
resolverá, de nenhuma maneira, até que um partido revolucionário se ponha à
frente do proletariado. O problema dos ritmos e dos intervalos é de enorme
importância, mas não altera a perspectiva histórica geral nem a orientação da
nossa política. A conclusão é simples: há que se levar adiante a tarefa de
organizar e educar a vanguarda proletária com uma energia multiplicada por dez.
Este é precisamente o objetivo da Quarta Internacional.
–
Manifesto da IV Internacional Sobre a Guerra Imperialista e a Revolução
Proletária Mundial, maio de 1940.
”
C.:
“sobre os ciclos, seria interessante compararmos os vários modelos e gráficos”.
C.:
“É
algo fundamental no trotsquismo. Sua base de justificativa economica. Pois
antes do FCFP podia-se apoiar socialdemocracia e reforma, mas depois não mais.
Além de que a importância dos "Estados operários burocratizados", é
que neles as forças produtivas cresceriam, diferente do capitalismo em
decadência! Esse é o resumo da ópera. Se entramos em o que é o Estado OB
veremos mais erros crassos ainda”.
Í.:
“Essa
é uma leitura errada. Se fosse assim, o que explica a postura da Rosa em
Reforma ou Revolução (de 1899)??? A oposição às correntes reformistas é uma das
bases do Marxismo. As reformas são possíveis em 1899, em 1938 e hoje em dia. A
questão é que o capitalismo não pode mais elevar de forma relativa o nível da
população trabalhadora. Mas não está excluído que haja ciclos de crescimento
onde haja uma elevação absoluta, mas sempre abaixo do crescimento da
produtividade e do acúmulo de capital em diferentes formas”.
C.:
“ROSA ERA TROTSQUISTA???”.
C.:
“compara o nivel de vida de um operário da Taurus, Stihl, GM hoje com um de
1900.VAMOS CAIR NA REALIDADE E ABANDONAR DE VEZ ESSES ERROS GROSSEIROS!!!”.
RS
responde o argumento do C. sobre o que é fundamental no trotskismo: “sem isso,
você fica igual o Mandel, que quer manter as consequências (programa de
transição) sem as premissas (impossibilidade de reformas duradouras). Falei do
pessoal [e não de você camarada C.] que acha que as forças produtivas continuam
a se desenvolver, mas não quer voltar ao programa mínimo. Eu sou mais ou menos
mandelista”.
Í.
sobre as premissas do argumento acima:
“As
premissas do Programa de Transição são as mesmas da revolução russa: a
possibilidade de crises revolucionárias onde estará colocada a luta pelo poder.
As premissas são várias. A premissa de que o capitalismo não pode mais crescer
está errada. Mas insisto que essa é uma afirmativa errada do Programa de
Transição, mas não é um consenso, nem na obra do Trotsky nem no movimento”.
RS
receita leitura:
“Esse
texto aqui faz uma revisão das tentativas empíricas de identificar a curva
histórica do capitalismo, que agora são possíveis, porque existem dados dos
últimos 150 anos: http://rodrigosilvadoo.blogspot.com/2018/08/o-debate-marxista-sobre-o-futuro-do.html”.
C.:
“É ponto central econômico!!! FPs não crescem no capitalismo, mas crescem na
URSS, Mongolia, etc”.
RS
comenta Í.:
“Ela
tá errada e não é consenso. A forma certa de corrigir é reintroduzir o programa
mínimo. O SU faz isso, os cliffistas etc. Só que raramente admitem, por uma
questão de dogmatismo”.
Í.:
“as forças produtivas na URSS faziam um tremendo de um zigue-zague. Você tá
fazendo uma leitura rasteira”.
O.:
“Então,
eu penso que houve um ciclo ascendente depois da guerra e por causa dela. E
desde então (em um zig zag descendente) a taxa de lucro vem caindo. Num nível
tal que já (desde 2008) não é possível nenhuma reforma. E que, a única
alternativa do capitalismo no médio prazo é partir para guerra imperialista
generalizada. Novamente aí, é a oportunidade revolucionária”.
C.:
“suposta superação ou síntese do mínimo com máximo no transicional não resulta
num programa comunista, mas numa série de erros. Ja postei textos dissecando
isso no começo”.
RS:
“mas Í. tinha crise revolucionária antes de 1914 também” no qual o mesmo
camarada Í. responde: “sim. 1914 obviamente abriu uma fase de crises e
revoluções. Mas óbvio que tinha antes”.
Í.
sobre o argumento do RS de “reintroduzir o programa mínimo”: “é famoso o trecho
de que o "programa mínimo" não é descartado, mas superado pelo
programa de transição. Não se rejeita a luta por reformas. Mas tem que apontar para
a superação do capitalismo”.
C.:
“o transicional não aponta, mas sim medidas irreais e confusas dentro do
capitalismo”.
Í.
ao camarada RS: “a crítica do Lenin à Comuna de Paris ele fala que tinha um
problema da direção do processo. Ele basicamente estuda como talvez teria sido
possível a Comuna vencer”.
Í.
ao comentário do O. sobre os ciclos ascendente e descendente: “eu concordo
tirando a parte de que depois de 2008 não é possível reforma. Parece que na
maior parte dos países está havendo um ciclo de pauperização absoluta. Mas não
estão excluídos ciclos de crescimento em que haja melhorias das condições de
vida”.
Í.
ao C.: “obviamente você não entendeu o Programa então. Não são medidas para
serem executadas pelo Estado burguês”.
C.:
“tu leu as criticas ao programa transicional pelo menos? E Í. responde “já li
algumas. E estou lendo as tuas aqui, que estão incorretas. É algum material
específico?”.
C.
posta trechos da crítica ao programa de transição:
“...cuando
se trata de una reivindicación, sea cual sea (...) el simple criterio de la
posibilidad de su realización no es decisivo para nosotros... No son las
conjeturas empíricas sobre la posibilidad o imposibilidad de realizar algunas
reivindicaciones transitorias las que pueden resolver la cuestión. (...) en
determinadas condiciones es totalmente progresivo y justo exigir el control
obrero sobre los trusts aun cuando sea dudoso que se pueda llegar a ello en el
marco del Estado burgués. El hecho de que esta reivindicación no sea satisfecha
mientras domine la burguesía, debe impulsar a los obreros al derrocamiento
revolucionario de la burguesía. De esta forma la imposibilidad política de
llevar a cabo una consigna puede ser más fructífera que la posibilidad relativa
de realizarla. TU ACREDITA EM XALALA? BOTAR A CENOURA NA FRENTE DO COELHO???.
Postei 2 textos inteiros de critica, um de autocritica do Astarira e outro da
exquerda comunista argentina; Logo no começo [do grupo whatsapp]”.
RS
responde ao argumento do “famoso trecho”:
“A
Segunda Internacional também falava da necessidade da revolução. O problema é
que o eixo da prática do dia a dia era o programa mínimo. As organizações que
tentam ter um eixo transitório não conseguem organizar os trabalhadores, e as
lutas espontâneas na grande maioria são em torno do programa mínimo”.
Í.
ao C.:
“Pode
até ter controle operário de algum setor sem a derrubada do Estado burguês.
Isso acontece em praticamente toda situação de duplo poder. Mas essa
reivindicação do controle operário da indústria (uma demanda transitória) não
pode ser realizada sem a derrubada do Estado burguês”.
Í.
ao RS.:
“A
segunda Internacional era muitas coisas diferentes, né? As alas da
Rosa/Lenin/Liebnecht, etc. defendiam um programa mínimo também, mas defendiam o
que nós chamamos (anacronicamente) de programa transitório. Basta ler o "O
que quer a Liga Espartacus?" para ver. E a Liga Espartacus (depois KPD)
teve, se bem me lembro, não uma, mas algumas chances de intervenção real em revoluções
do fim dos anos 10 até o início dos anos 30. O SPD por muitos anos já tinha
virado reformista. A Rosa fala isso com todas as letras já em 1905. O Kautsky
em 1909 (no livro O Caminho para o Poder) já é visto de forma condescendente
pela direção sindical do partido. O SLP americano tinha virado uma seita, mas
não reformista”.
RS:
“Aí
as organizações da esquerda radical que conseguem ter um mínimo de viabilidade
(ex. zapatistas, PKK, movimento no Chile, na França, Equador etc) se baseiam no
programa mínimo e os trotskistas ortodoxos denunciam elas de forma unilateral
porque elas são "reformistas". Uma CONAIE da vida é reformista sim,
mas não porque eles se recusam a adotar um programa transitório fora da
realidade, e sim pela estratégia de colaboração de classes etc. A Liga
Espartacus foi criada no meio da revolução. Eu tô falando da ala esquerda (SPD
no começo, PO francês, SLP americano etc), em situações não revolucionárias”.
C.: “propostas transicionais impossiveis
que vão lever à resultados...”.
Í.:
“
Pera
lá que você tá falando de várias coisas diferentes e confundindo tudo. O
problema não é defender um programa mínimo, é não ter qualquer perspectiva de
superação do capitalismo. É adotar uma versão "roots" ou
"alternativa" de capitalismo. É ter ilusões no "imperialismo
democrático" dos EUA (caso do PYD/PKK). Chile, França e Equador você tá
falando de rebeliões de massa. A CONAIE até teria potencial, se não fosse uma
máquina burocratizada, de ser um instrumento de duplo poder. Você tá misturando
rebeliões, como instrumentos de duplo poder, com direções políticas e
criticando os trotskistas porque "não apoiam". Mas a questão é que
essas rebeliões podem começar por questões "mínimas", mas a superação
dos seus problemas de fundo não pode ser encontrada sem a superação do
capitalismo. RS, você sabe tudo isso que eu tou falando. Essa é exatamente a
essência do "problema da vanguarda", ou "crise de direção".
”
RS:
“claro. A crítica aqui é qual programa tá baseado na situação real que é não
revolucionária na maior parte do mundo”.
RS:
“o programa de Erfurt é de 1890. O SLP era uma seita, mas não pelo programa”.
RS
respondendo ao “RS, você sabe tudo isso que eu tou falando”:
“Sei,
você é que não tá entendendo qual é a crítica”.
No
qual Í. devolve: “eu tou entendeno. Mas a resposta da crítica está na própria
formulação do problema. Não tem situação revolucionária o tempo todo. Muito
menos no mundo todo de forma simultânea. Isso não é uma premissa do marxismo.
Ao contrário, a concepção leninista das crises reconhece muito claramente que
são situações excepcionais. Você está partindo do ponto de vista que o marxismo
(ou o trotskismo) rejeita as demandas mínimas. Sendo que é explícito que não.
RS:
“pra superar o capitalismo teria que organizar os trabalhadores. Tem como
organizar em torno da luta por reivindicações fora da realidade numa situação
não revolucionária? A premissa do programa de transição é uma situação
pré-revolucionária porque as forças produtivas pararam de se desenvolver. Isso
acabou em 1948, se é que tava certo”.
Í.
responde o comentário que fala das premissas do Programa de Transição: “isso
era conjuntural nos anos 1930 na Europa e parte da Ásia. Não é uma premissa
geral. As discussões do Trotsky com os trotskistas americanos isso fica bem
claro. Não tinha situação revolucionária nos EUA nos anos 1930”.
C.
carrega textos de Astarita e Trotsky:
“
Según
este texto (que es básico en la formación trotskista), los marxistas no deben
entrar em consideraciones sobre «qué se exige, a quién y cuándo» a la hora de
convocar a las masas a movilizarse. Bastaría que las consignas tengan un
carácter en general progresivo, porque con ello el movimiento avanzaría de
todas formas. En los treinta Trotski reafirma esta idea, sosteniendo que las
consignas transitorias tenían una gran importancia «con independencia de saber
en qué medida serían realizadas y si lo serían o no en forma general»
Sin
embargo, el tema de las posibilidades de efectivización de las consignas no es
materia que se pueda dejar de lado con la facilidad con que lo hace Trotski.
Ella está en el centro mismo de la crítica marxista a las ilusiones, al
fetichismo de las relaciones cosificadas y a los programas utópicos e
idealistas. Al desconocer precisamente la cuestión de las posibilidades - que
no se reducen a las «empíricas» que menciona Trotski - la política trotskista
se volverá abstracta y hasta incoherente. (Astarita)
Por
eso, cuando habla del reparto de las horas de trabajo y la escala móvil de
salarios, el PT explica que ante las objeciones sobre la «imposibilidad» de
lograr esta demanda los militantes deberían responder que todo dependía «de la
correlación de fuerzas». Por esta razón también las consignas transicionales
están concebidas como «demandas» o «reivindicaciones», que se dirigen al Estado
o al capital. La toma del poder debería ser una conclusión de la movilización
en pos de obligar a la burguesía a adoptar las medidas transicionales. Por otra
parte, al concentrarse en una o dos consignas sin especificar qué relación
guardan con el poder, la metodología política se conforma según la idea de un
ascenso progresivo. Se trata de la táctica «escalera», que alienta la
perspectiva de un avance de las movilizaciones «por escalones».
Así,
por ejemplo, las consignas del control obrero, apertura de los libros
comerciales, y planes económicos obreros se conjugan para formar un modelo
arquetípico de esta política procesual: el control obrero y la abolición del
secreto comercial, instrumentados por comités de fábrica, permitirían conocer
las ganancias y gastos de las empresas aisladas; de allí, se podría determinar
la composición de la renta nacional; luego, desnudar las combinaciones de
pasillos y las estafas de los bancos; después, se podrían convocar a los
«especialistas honestos y afectos al pueblo» como consejeros; luego, los
obreros elaborarían un plan general de obras públicas «trazado para um período
de varios años», y abrirían las empresas cerradas. En este caso, el control
«será sustituido por una administración directa por parte de los obreros». Por
último, los comités podrían reunirse para elegir comités por ramas enteras de
la industria y de esa forma «el control obrero pasará a ser la escuela de la
economía planificada» (el esquema expuesto lo tomamos del PT). Con esto se
podría mostrar, en pequeña escala, pero de manera convincente, cómo funcionaría
una futura sociedad socialista, a través de consignas movilizadoras, prácticas,
«concretas» (como gustan decir los militantes de la CI).
En
las discusiones sobre el programa Trotski dejó un ejemplo clásico de como
concebía esta política transicional. Se trata de su propuesta de agitar por la
escala móvil de salarios y horas de trabajo en Estados Unidos:
Creo
que podemos concentrar la atención de los trabajadores en este punto.
Naturalmente éste es sólo un punto. (...) Pero las otras consignas pueden
agregarse en la medida en que se desarrolle la situación. (...) Pienso que en
el comienzo esta consigna [escala móvil de salarios y horas de trabajo] será
adoptada por las masas. ¿Qué es esta consigna? En realidad es el sistema de
trabajo en la sociedad socialista. (...) Lo presentamos como una solución a
esta crisis (...) Es el programa del socialismo, pero presentado de una manera
muy simple y popular (énfasis agregado). Esta explicación se ha incorporado al
acervo político de la CI y resume la mecánica de la agitación
transicional
que planteaba Trotski.
(Astarita)
...cuando
se trata de una reivindicación, sea cual sea (...) el simple criterio de la
posibilidad de su realización no es decisivo para nosotros... No son las
conjeturas empíricas sobre la posibilidad o imposibilidad de realizar algunas
reivindicaciones transitorias las que pueden resolver la cuestión. (...) en
determinadas condiciones es totalmente progresivo y justo exigir el control
obrero sobre los trusts aun cuando sea dudoso que se pueda llegar a ello en el
marco del Estado burgués. El hecho de que esta reivindicación no sea satisfecha
mientras domine la burguesía, debe impulsar a los obreros al derrocamiento
revolucionario de la burguesía. De esta forma la imposibilidad política de
llevar a cabo una consigna puede ser más fructífera que la posibilidad relativa
de realizarla.
TROTSKY
”
Í.
responde:
“
Na
realidade, essa é uma leitura [se refere aos excertos do Astarita] que eu já
tive que combater inúmeras vezes contra correntes trotskistas degeneradas. Mas
é o oposto do que é defendido pelo marxismo trotskista”. Isso é o oposto do que
está escrito no Programa de Transição. Está escrito justamente que não adiante
levantar as demandas mínimas e "o movimento vai por conta própria". O
que está incorreto: o trecho que diz "Bastaría que las consignas tengan un
carácter en general progresivo, porque con ello
el
movimiento avanzaría de todas formas. En los treinta Trotski reafirma esta
idea".
”
RS
reponde ao argumento “isso era conjuntural nos anos 1930 na Europa e parte da
Ásia. Não é uma premissa geral”: “sim. Numa situação diferente, o programa não
pode ser o programa de transição”.
C.
coloca ao Í.:
“Onde
foi conquistado escala movel de salario e reparto de horas de trabalho dentro
do capitalismo e isso fez partido trotsquista avançar para dirigir uma
revolução social? Me diz que me convenço na hora e viro teu seguidor. CAI NA
REAL BIXO!!!”.
Í.
ao C.: “isso nunca foi conseguido. Essa pergunta nem faz sentido. São
[críticas] mais que batidas. Só que uma é uma cita do Trotsky que só afirma
algo óbvio. Outra é uma crítica que não bate com o conteúdo do Programa de
Transição. Que é precisamente que só com um programa "mínimo" de
melhorias, não se avança para a superação do capitalismo”.
O.:
“sinto falta da distinção entre o elemento objetivo e o elemento subjetivo da
situação revolucionária”. Daí Rodrigo responde: “verdade. Aí leva a outra
coisa. O partido de quadros da IC é a melhor forma pra criar as condições
subjetivas?”.
Í.
ao RS: “sim, claro. Mas ele tem que estar presente desde antes. Senão não pega”.
RS
ao Í.: “na verdade, tem que existir como propaganda e agitação o programa
máximo e em algumas situações o de transição”.
Í.:
“
Quando
formos organizar os trabalhadores de aplicativos (uber, ifood, etc.) uma
demanda básica que temos que defender é que eles recebam 13º, férias, seguro
por acidentes, etc. Isso é uma demanda mínima. Só iguala eles a outros
trabalhadores. Junto a isso, tem que ter demanda por controle dos aplicativos,
das contas e das empresas pelos trabalhadores. A primeira demanda pode ser
conquistada (com muita luta) sem crise revolucionária? É possível, embora não
garantido. A segunda, que é crucial para a transição socialista, só com a
expropriação da empresa. E esses trabalhadores tem que estar armados com esse
programa numa crise revolucionária. Ao menos um setor deles. Estejam ou não
organizados já no partido (de preferência sim). Porque é a única forma pela
qual esse programa de transição ao socialismo pode chegar na grande maioria dos
trabalhadores numa crise revolucionária -- se desde antes dessa crise, em
situações não revolucionárias, de refluxo ou mesmo de contrarrevolução, ele já
existir em uma parcela, um setor (vanguarda) da classe. O Partido Bolchevique
quase desmoronou uma época ali entre 1909 e 1911. Mas o avanço de consciência
permaneceu num setor significativo da vanguarda. Depois o partido foi
reconstruído com alguma facilidade, porque muitos círculos continuaram
atuantes, além da direção exilada.
”
C.:
“
Si
hubiera sido posible continuar desarrollando las fuerzas productoras en los
marcos de la sociedad burguesa, la revolución no hubiera podido hacerse. Mas,
siendo imposible el progreso ulterior de las fuerzas de producción en el límite
de la sociedad burguesa, se realizo la condición fundamental de la revolución.
TROTSKY
”
C.:
“
Programa
de transição vai nos levar a erros, derrotas, entrismos, giros franceses,
reformismos com frases ocas revolucionarias...”. Vai lá e apresenta aos
operários a escala móvel e outros pontos ocos como a solução para esta crise de
decrescimento das forças produtivas... Não importa se isso é real ou não, mas
vai gerar agitação etc. Faz que o chefe da Quarta Internacional mandou...
MMT
BQT+4
Isso?
”
RS
ao Í.: “... Só que isso com um programa min-max”.
Í.: “Min-Max-Trans”.
O.:
“Eu
penso que outra distinção importante é a que existe entre reivindicação (figura
da luta econômica e política imediata) e o programa (figura estratégica). O
programa do partido é o programa máximo comunista, e nele deve se basear a
PROPAGANDA, ainda que a AGITAÇÃO em torno dele deva ser apenas em períodos
objetivamente revolucionários, como o período entre 13-22/ 29-45/ 2008 até
depois da guerra” no qual Í. responde: “de acordo”.
Í.
responde sobre “seguir o chefe da Quarta Internacional”:
“Meu
caro, eu tou aqui para discutir ideias. Tem coisas que eu discordo e outras que
concordo apesar de tradições diversas. Aí vem com essa de me mandar seguir
chefe. Pelamor. Os mortos só falam através das suas obras. Podemos considerar
criticamente essas obras e ver o que é bom para atualizarmos para a luta de
classes hoje. Eu tou propondo, como todos aqui, essa reflexão. Ai de mim seguir
"chefes" do passado ou do presente de forma acrítica. Ai de mim
também seguir "só a mim mesmo" como se eu fosse o inventor da roda”.
Réplica
do C.: “programa do partido é programa comunista (não o transicional). E existe
o programa de reivindicações dos movimentos sociais sindicais (não as propostas
do programa transicional para isso). Se eu pensasse no programa transicional e
suas propostas para o movimento reivindicatório (sindical etc.), estaria num
partido da quarta internacional e não aqui”.
Tréplica
do Í.:
“O
que é o "programa comunista"? Marx respondeu essa pergunta com uma
frase em 1848. O fim da propriedade privada dos meios de produção. Será que as
demandas transitórias não batem precisamente nessa tecla? Expropriação dos
bancos e da grande indústria, controle operário das empresas, distribuição da
terra aos produtores, etc. O ponto do programa de transição é precisamente não
limitar a propaganda, a agitação, o debate a esse programa mínimo. Mas sim em
todas as lutas sindicais, defender a transição ao socialismo, explicar aos
trabalhadores o significado disso, ainda que, obviamente, não seja de aplicação
imediata”.
C.
continua:
“
Não
limitar a propaganda? Como? se as propostas não têm aplicação como Trotsky
mesmo diz, mas serviriam para no futuro.... é praticamente mais agitação e
série de análises econômicas erradas. Com isso, fazendo isso como fazem até
hoje, como foi dito para os seguidores nos EUa fazerem (ver citação acima),
iriam superar a crise de direção e tomar a direção. VAMOS CAIR NA REAL!!! POR
FAVOR!!!
”
O.
continua:
“Mas
calma C.. Porque penso existem entre os setores influenciados pelo trotskismo,
alguns são mais à esquerda que outros. A posição do proprio Trostski face a
segunda guerra imperialista foi bastante positiva. O "trotskismo" é
que começou mal com Pablo e Mandel (apesar do segundo ter feito contribuições
teóricas). Penso que são melhores continuações do sentido positivo de trostski
a visão de Natália Sedova e Grandiso Munis. O Grandiso Munis (quem não o
conhece sugiro o "Los sindicatos contra la revolucion", polêmica com
os anarco-sindicalistas) se considerava trotskista tb”.
RS:
“O
Í. sabe disso, desde 2011 mais ou menos eu acho que teve um problema na
elaboração da Segunda Internacional, que afetou até a esquerda que depois virou
IC. Esse problema foi na compreensão do rumo do capitalismo. De lá pra cá eu
tento ver o que muda se acertar essa compreensão”.
C.:
“
El
programa mínimo y el Programa de Transición. La tarea estratégica del próximo
período -período prerrevolucionario de agitación, propaganda y organización-,
consiste en superar la contradicción entre la madurez de las condiciones
objetivas de la revolución y la falta de madurez del proletariado y de su
vanguardia (confusión y descorazonamiento de la vieja dirección, falta de
experiencia de la joven). Es preciso ayudar a la masa, en el proceso de lucha
cotidiana, a encontrar el puente entre sus reivindicaciones actuales y el
programa de la revolución socialista. Este puente debe consistir en un sistema
de reivindicaciones transitorias partiendo de las condiciones actuales de
amplias capas de la clase obrera y conduciendo invariablemente a una sola y
misma conclusión: la conquista del poder por el proletariado.
Trocando
em miúdios:
A
tarefa central é agitação, propaganda, organização etc. para conquistar uma
direção trotsquista, o que significa que não é fazer um trabalho de base e nem
a formação com as próprias forças de uma frente classista (pois pressupõe que a
mesma já exista, porém dirigida por políticas à serem substituidas via
entrismo, giro, apoio crítico, oposição interna, etc. para daí então poder
executar tais extremamente relevantes tarefas transicionais (conforme já
descritas e citadas na fonte).
O
objetivo é superar a questão das condições objetivas (isto é, a economia de fim
do crescimento das forças produtivas) e a falta de madureza subjetiva (fundação
de uma nova direção trotsquista/quarto-internacionalista nesse cenário).
A
ponte entre estes dois programas (min./máx.) é o transicional (isto não é o
programa comunista): que por conseguinte conduz não à conquistas imediatas - já
que estas são agora impossíveis, tanto pela caracteristica irrealizável das
próprias tarefas colocadas pelo programa transicional, quanto principalmente
pelo capitalismo que decresce desde 1914 -, e assim portanto, a conclusão é
pela frase máxima (repito, pela f-r-a-s-e!!!) da conquista do poder.
Isso
tudo como tarefa de agitação para superar a crise de direção, pois é assim que
de forma repetitivamente circular, que volta-se sempre à tarefa de propaganda e
agitação, que enfatizo mais uma vez, não são pela construção da base própria
mas sim para que se altere a direção vigente, ou seja, que assuma uma direção
trotsquista, que daí cumpre com essa tarefa estratégica... escala móvel etc...
como medida de solução para a crise do capitalismo (estancamento das forças
produtivas)... mas que por isto ser irrealizável, assim mesmo despertaria e
conduziria (ou seja, o partido da quarta internacional faria esta tarefa) para
o rumo do socialismo - onde as forças produtivas crescem.
Genial
não é mesmo?
”
O.:
“e qual seria essa visão?” ao que RS responde:
“Tô
estudando. Mas o que eu tenho visto é próximo do que o pessoal do Robin
Goddfellow fala (não existe distinção entre capitalismo ascendente e era
imperialista, mantém programa mínimo e máximo, a atividade de classe fica
geralmente no nível reformista, não tem crise estrutural, catastrófica etc).”
C.:
“
Pesquisei
rapidamente sobre o Munis, era um estancacionista das forças produtivas, mas
com argumentação heterodoxa, de certa forma influenciado por sua origem mas
também diferente de Trotsky (e de Meszaros), apesar de praticamente usar esta
caracterização homônima.
Assim
para Munis: "A reprodução expandida do capital se torna grotesca,
prejudicial à sociedade e à humanidade sem distinção, decorrente de uma certa
correlação entre ela e o homem." Que o crescimento aumenta alienação,
exploração, mercadorias com obsolescência planejada (supérfluos), etc.
Ou
seja, piora a sociedade capitalista, onde: "Também não quero dizer a
suposta desproporção entre o número de habitantes em nosso planeta e seus
recursos em produtos consumíveis e matérias-primas, uma nova maldição celestial
que nos ameaça com o renascimento do malthusianismo.".
Logo:
"A relação tóxica entre a reprodução expandida do capital e a sociedade
não provém de uma causa externa, nem de qualquer fatalismo, mas de algo que lhe
é intrínseco".
Onde:
"Uma concentração excessiva de instrumentos de trabalho nas mãos do Estado
ou de algumas empresas internacionais, que são deslocadoras e degradantes -
quando não estão corrompendo - as condições materiais e espirituais da vida dos
homens. No estágio inicial, a acumulação de capital pela burguesia implicava um
desenvolvimento numérico, técnico e cultural do proletariado e da população em
geral, o que por si só permitia uma maior liberdade para os indivíduos,
independentemente da democracia burguesa e também da liberdade. competição
entre capitalistas privados. O processo, a relação entre o tipo de civilização
e a sociedade, foi revertida.".
E
analisa: "Fato inegável: a classe trabalhadora é hoje muito mais dominada
pelos proprietários do capital do que há cinquenta anos. Até seu crescimento
numérico, sujeito a discussão, é contrabalançado por uma enorme extensão de
trabalho que é inútil ou prejudicial à sociedade."
Sendo
assim: "Os capitalistas responderam aos ganhos salariais que reduziram a
mais-valia por meio de introduções tecnológicas que aumentaram a quantidade, a
qualidade e o preço baixo dos produtos." "A tecnologia é, portanto,
usada em contradição e em detrimento da maioria." "Em suma, é necessário
suprimir a reprodução expandida do capital, o trabalho assalariado que é sua
pré-condição e quaisquer relações sociais que eles tenham gerado, enfim, tudo o
que tem sido a civilização capitalista."
Nisso:
"Portanto, a distinção entre desenvolvimento e crescimento do capitalismo
é agora uma noção de importância primordial, cheia de conteúdo. Sem ele,
qualquer projeto de luta revolucionária é suspenso no vácuo, enquanto as
possibilidades imediatas de educação e intervenção subversiva do proletariado
ou de qualquer outro estrato social são desperdiçadas."
Onde:
"Crises cíclicas de superprodução acompanharam todo o período de
desenvolvimento do capitalismo. Eles representavam uma falha de seu funcionamento,
cujo reparo lhe dava um vôo maior. Mas o sistema aprendeu a ignorá-los. O que
se poderia chamar de interrupção permanece em uma porcentagem menor de
crescimento. Mas mesmo que houvesse um desalinhamento econômico tão intenso
quanto ou pior que 1929, uma situação revolucionária não pareceria uma
consequência forçada - deve ser reiterada - nem o capitalismo perderia a
possibilidade de retomar seu crescimento."
Entretanto:
"Não não; o que cria a possibilidade e a necessidade de revolução
comunista é muito mais profundo do que isso, é essencial, não acidental. Ele
reside no próprio funcionamento da civilização capitalista, qualquer que seja o
estado de suas coisas. Não se trata de nenhum aspecto particular do sistema,
mas de todas as estruturas e superestruturas, econômicas, políticas, culturais
em suas muitas facetas, costumes e relações entre os homens, que são seus. Tudo
isso se tornou um obstáculo restritivo e inadequado ao florescimento individual
e coletivo."
E
por fim: "Em suma: a forma de trabalho assalariado está em absoluta
contradição com a capacidade dos instrumentos de trabalho. A separação entre um
e outro tornou-se desnecessária e, portanto, destrutiva, quaisquer que sejam as
taxas de crescimento."
Além
de que: "Nesses países [subdesenvolvidos como a própria Espanha, para
Munis], o crescimento industrial é, antes de tudo, um crescimento nas capitais
americana, alemã, inglesa, russa e chinesa em alguns casos. O mesmo se aplica
então."
”
C.:
“Texto: Impossibilidade do Desenvolvimento Capitalista - Grandizo Munis”.
C.:
“me
parece que há uma dose de confusão entre contradição das relações de produção e
forças produtivas/capital e trabalho, com desenvolvimento das forças produtivas
do capitalismo. Munis admite que há crescimento e desenvolvimento (até das
potências capitais imperialistas), mas isso seria algo como retrógrado ou
efeito contrário, devido as possíveis capacidades das forças produtivas
capitalistas não utilizadas, etc. em contraste aberto com todo aumento das
formas de dominação, exploração etc. sobre o operariado”.
RS:
“Sim.
Isso é tentar contornar a realidade. O Castoriadis tem uma frase mais ou menos
assim: "como fundamentar o socialismo na necessidade de desenvolvimento
das forças produtivas se elas nunca cresceram tanto como depois de 1945?"”.
C.:
“seria
um determinismo economicista que o desenvolvimento das forças produtivas fossem
libertar a classe operária da alienação, etc. isto pois o crescimento na
sociedade produtora de mercadorias, faz também aumentar a diferença de classes
entre operário e burguês. por exemplo (simples), na revolução tecnologico
científica, a fabrica A produzia 1000 e o salario era 5, e na industria 4.0
(como chamam o estágio atual), a fábrica A produz 5000 e o salario é de 8”.
O.:
“mas é o que eu digo: a guerra desambarga o desenvolvimento. Permite abrir um
novo ciclo longo. E correlatamente, a crise engendra a guerra”.
C.:
“
Tem
um teórico chamado Jean Lojkine que o Sergio Lessa muito critica. Para Lojkine
a terceira revolução industrial/tecnocientífica seria o embrião de uma certa
libertação no local de trabalho: "A revolução informacional de que trata
este livro está em seus primórdios. Ela é, primeiramente, uma revolução
tecnológica de conjunto, que se segue à revolução industrial em vias de
terminar. Mas é muito mais que isto: constitui o anúncio e a potencialidade de
uma nova civilização, pós-mercantil, emergente da ultrapassagem de uma divisão
que opõe os homens desde que existem as sociedades de classe: divisão entre os
que produzem e os que dirigem a sociedade". Logo: "A caracterização
da atual revolução tecnológica deixa de ser feita apenas pelo impacto da
ciência sobre a produção; ao contrário, o que entra na ordem-do dia é a
criação, a estocagem, a fecundação recíproca, a circulação da informação em
todos os setores da empresa e da sociedade, quer se trate da exploração das
riquezas inovadoras acumuladas entre os usuários de equipamentos ou dos
circuitos inovadores que unem os clientes e usuários aos produtores e aos que
concebem os produtos". E portanto: "Podemos, agora, responder à
questão acerca dos atores desta revolução pósmercantil. Tais atores, de alguma
maneira, somos todos nós, conscientemente ou não, usuários das Novas
Tecnologias da Informação (...). Contudo, se se confere aos desafios atuais da
revolução informacional toda a sua significação cultural, política e ética,
pode-se afirmar que o movimento social que deve realizá-la ainda pertence ao
futuro." Para maiores informações ler o artigo "Tecnologia, fim do
proletariado e a transição ao comunismo".
”
C.:
“
Informação
interessante: comparar aspectos de um operário padrão com operário da indústria
4.0. "No cargo de Operador Fabril se inicia ganhando R$ 1.537,00 de
salário e pode vir a ganhar até R$ 1.941,00. A média salarial para Operador
Fabril no Brasil é de R$ 1.800,00. A formação mais comum é de Ensino Médio (2º
Grau)." Enquanto: "O que faz um técnico em automação industrial? As
palavras-chave que mais se repetem na descrição das vagas publicadas aqui são:
programação de clp, projetos de automação, sistemas de automação industrial,
preventiva e corretiva. Quanto ganha um técnico em automação industrial? Os
salários foram calculados com base nos valores informados pelos candidatos do Vagas.com.
Valor mediano: R$2.411, R$3.400, R$4.651." Qual é mais explorados? Tendência
é que seja o operário de automação, que mesmo recebendo o dobro ou inclusive
até mais que isso em relação ao fabril, pois uma indústria automatizada tem que
produzir muito mais que uma indústria que ainda esteja nas primeiras eras da
revolução industrial...
”
Eu
fiz uma analogia a respeito dos dados apresentados pelo C. acima:
“
Í.
diz: “a questão é que o capitalismo não
pode mais elevar de forma relativa o nível da população trabalhadora. Mas não
está excluído que haja ciclos de crescimento onde haja uma elevação absoluta,
mas sempre abaixo do crescimento da produtividade e do acúmulo de capital em
diferentes formas”.
E
o C. responde: “compara o nivel de vida
de um operário da Taurus, Stihl, GM hoje com um de 1900”.
.
Bem.
Eu vou utilizar uma analogia que um amigo meu no face utiliza toda vez que os
liberais põem o capitalismo no altar redentor. O capitalismo é um
desenvolvimento em relação ao feudalismo assim como a pulga é um
desenvolvimento em relação a bactéria. Portanto sempre aquém de um homem. As
condições de vida podem até ter melhorado de uns cem anos pra cá mas sempre
muito abaixo do que poderia ser. Chegam ao nível de pulga e daí não passam. Mas
claro, trata-se de capitalismo, regime de produção centralizador e concentrador
de riquezas, não poderia ser diferente, quem nasceu pra ser pulga nunca chega a
ser homem.
”
O.:
“
Eu
achei bom exemplo. De fato, acho que o Augusto tem muita razão em criticar
visões muitos comuns dos trotakistas, e inclusive do próprio trotski (mas em
muito menor escala). Mas é preciso ter cuidado pra não jogar fora o bebê com a
água e desprezar completamente a teoria marxista da crise, que é o fundamento
da teoria da revolução. Se de nenhuma forma o capitalismo não cria certos
problemas ou não deixa de ser uma boa forma da sociedade se organizar, não
haveria possibilidade da sua superação. Quero dizer que se ele não fosse ruim
não teria por que supera-lo. Se ele não entrasse em crise não haveria
oportunidade da revolução. E que portanto, uma correta ponderação da crise, em
que ela consiste e o que advém dela, é fundamental para um prática
revolucionária.
”
RS:
“A
grande parada é que o Marx imaginava que tinha um mecanismo econômico que ia
fazer a luta de classes se radicalizar (queda da taxa de lucro), só que
empiricamente esse mecanismo é muito a longo prazo, e as crises cíclicas são
"suaves" demais pra isso. Aí nego fica arrancando os cabelos por
causa da passividade dos trabalhadores e termina jogando a culpa na direção A
ou B. A exceção são as guerras, mas também não é tão direto como o Lênin
imaginava”.
O.:
“Ele
foi ficando mais a longo prazo à medida que a extensão geografica do capitalismo
foi aumentando. Eu diria que o problema do Marx foi um pouco de otimismo (uma
certa persistência de hegelianismo também...), achar que a crise ensejaria
necessariamente a superação. Na verdade, ela (crise) enseja um mecanismo de
superação da crise, que é a guerra. Mas penso que é possível sustentar uma
versão fraca da teoria da crise, ou seja, que ela não engendra necessariamente
o socialismo, mas condiciona sua possibilidade”.
Camarada
Jota chega ao grupo:
“Marx
ja traz o carater ciclico das crises, que traz essa questao de que uma crise
nao leva necessariamente a um caos e ruptura, mas também leva a simplesmente
movimentos de queima de capital constante (que naaaao necessariamente sao as
guerras, ainda q seja a melhor maneira), e um novo ciclo de crescimento. Cabe a
nos aproveitar esta "janela historica" das crises e dar "o pulo
do gato" nela hehehhehe ai ja é contribuiçao do felino lenin”.
O.
responde ao Jota:
“É
por aí. Melhor índice para avaliar o impacto da tendência à queda da taxa de lucro
(nas economias centrais) é o crescimento da dívida pública em relação ao PIB,
porque é efeito do estado tentando compensar a escassez de lucro. E ela permite
um prognóstico acurado do desenrolar da crise, por que tem um limite objetivo.
Chega um ponto em que a mera rolagem dos jutos começa a impedir investimentos
do estado que pudessem favorecer uma retomada do crescimento”.
C.:
“Uma
leitura obrigatória praticamente é a [https://rolandoastarita.files.wordpress.com/2012/04/crc3adtica-del-programa-de-transicic3b3n-rolando-astarita.pdf].
Tava relendo os comentários anteriores sobre conjuntura/estrutura: FCFP e CEC
não são mesmo que a TQTL, e nem criticar as duas primeiras teorias é negar a
crise...
Conforma
ja escrito aqui. Origem do grupo: a partir de anteriores onde foram tomados por
pro aiatolas, nacionalistas, conciliadores, etc. Objetivo: fazer debate e
tentar articular os membros. Ordem do debate proposta: 1- conjuntura historica
economica. 2- questão de partido e 3 - programa politico comunista... Basta
rolar para o inicio e rever isso...”.
Camarada
J. acabou de entrar:
“Acho
q a pauta é dahora. A questão é a sistematização. Não sei se já está rolando o conteúdo. Poderíamos pensar em temário. Exemplo: sobre
a teoria da crise. existem várias
concepções: estrutural (Mèzáros), Cíclica (Marx, Coggiola e Martins...),
de longa duração (Condratief/Trotsky), permanente (CCI a partir de Rosa). Em
cima disto textos próprios ou bibliografias e mensagens fundamentadas na
orientação marxista. Esse seria um bom pilar para desdobramento
partido-programa”.
Camarada
S.:
“Eu
insisto, acho limitado o debate por meio de zap , ainda mais temas tao
dificeis. Teriamos q construir, penso, outro espaco q permitisse o
aprofundamento dos debates. O zap pode ser um meio interessante pra organizar
os debates, mas nao pra fazer eles, penso...”.
Camarada
J.:
“No
passado trocavam-se cartas sobre os temas. Aqui, se ñ tem a viabilidade de um encontro
presencial, ao menos para o momento, poderíamos ter um texto orientador - ñ
necessariamente um artigo-, sobre os temas e, só avançaríamos para i seguinte,
após esclarecimento geral”.
O.:
“Eu
penso que justamente o que falta na leitura da maior parte da esquerda é a
conjugação da teoria da crise com a teoria do imperialismo, no formato feito
pelos teóricos do início da terceira internacional e além. Seguindo o fio da
esquerda comunista italiana”.
Jota:
“na minha perspectiva, ao menos até então, tratam-se de crises que se
apresentam periodicamente, ciclicas. Tal como o Critica da Economia. Seja la o
que for, meu problema é que o desdobramento pratico da teoria da crise
estrutural que é dado pelas orgs,, ao menos, na prática, e de que
"qualquer coisinha" e já estamos em periodo pre revolucionario. O que
acarreta distorções na estrutura organizativa (maior centralização e maior
abertura das fronteiras partidarias) e na forma do trabalho de base
(agitacionismo vanguardista). Mas nao me parece ter esse "problema"
por aqui, portanto n acho central esse debate agora. Só pontuando mesmo”.
O. encaminha o debate de crises para uma finalização através do “resumão”
dele...
“
Então,
eu faço um resumão. À medida que a queda de lucro cai, há uma tendencia, por um
lado, do acirramento da luta de classes, por outro, do acirramento dos
conflitos interimperialista (escassez "de alimento" produz conflito;
a burguesia se alimenta de mais-valia; a mais-valia se torna escassa->
conflito se acirra). O caráter da crise é de super-produção/super-acumulação,
decorre do fato do aumento da composição orgânica orgânica do capital gerar uma
incapacidade de consumo solvente em relação à capacidade produtiva. A indústria
belica consiste em produção de mercadorias com a qualidade específica de, além
de consumir a si mesma no ato de consumo, consome à outras mercadorias (ou
seja, tem a natureza de super-mercadoria). A guerra imperialista generalizada é
a tendência geral do capitalismo, e a forma necessárias para que o mesmo possa
abrir um novo ciclo de acumulação. A guerra também é a situação de oportunidade
revolucionária.
”
Eu:
“O., a escassez é que é entre aspas. Pois não há escassez”.
O.:
“então, escassez de mais-valia. Que é responsável pelo acirramento dos conflitos
ENTRE as burguesias. Em relação ao acirramento da luta de classes sim, seria o
caso de uma "escassez" entre parênteses, já que a produção seria hábil
para suprir as necessidades, o que impede isso de acontecer são as relações
sociais”.
Jota
respondeu ao O.:
“Isso,
a crise de queda tendencial da taxa de lucro é a forma como se expressa a
contradiçao entre o desenvolvimento das forças produtivas com as relações
sociais de produção que em determinado estagio passam à atravancar seu processo
de desenvolvimento”.
Obs.
finais:
Jota
é um, J. é outro.
