Páginas

domingo, 1 de março de 2020

Grupo esquerda comunista


Pessoal, esta é a síntese/relatório. 



É isso ai pessoal, fiz os ajustes que foram propostos, decidi montar uma síntese que é mais uma transcrição dos debates mais importantes, deixando de fora conversas sem importância e temas ainda fora de nossa pauta. Transcrevi desde o início do grupo até o debate de CRISES antes da conferência. Há debates de crises depois da conferência, mas não os coloquei.

Síntese dos debates do grupo “Esquerda Comunista do Brasil”.

C. é o primeiro a lançar os princípios do novo círculo:


Pessoal, vamos nos ater ao debate do programa comunista e da luta de classes nas bases (sindicais etc). Desvios de libertação nacional, democrático e popular, reformismo, novo desenvolvimentismo, eleitoralismo, religião, centrista, frente popular e demais formas de conciliação burguesa serão notificados no debate e em caso de persistência excluídos. Lutadores do Brasil e mundo presentes no grupo, nosso objetivo é formar um programa comunista e de luta de classes. Fazer uma troca de experiências entre as militâncias práticas e acúmulos teóricos de cada um aqui, e ir buscando cada vez mais unificar nossa política. A partir das lutas de classes nos locais de trabalho, moradia, estudo etc. com suas experiências e lições, vamos transformando a luta econômica em luta política e assim construir o programa para o Brasil que é capitalista e que o caráter da revolução é socialista (Estado de ditadura do proletariado). O programa de transição não é um programa comunista! Segue abaixo duas críticas ao programa de fundação da quarta internacional (Astarita e Novello/Suárez).


Entraram os camaradas remanescentes da Oposição Operária (OPOP) que agora chama-se “Germinal”.

Jh. deixa claro que “eu acredito que o programa de transición sí es un programa socialista” e que “pienso que sería muy importante discutir lo que ocurrió en las últimas elecciones en Brasil. Opino que la posición que tomaron muchas de las agrupaciones de izquierda que se reivindican del trotskismo o de la izquierda radical, fracasaron rotundamente al apoyar "críticamente" al PT o a Boulos”.

Foi realizada uma rodada de apresentação.

Camarada O. propõe:

Foi proposto pelos camaradas chamar alguém do MOVAUT em que pese o anti-leninismo deles.

Camarada C. começa a propor debates: “junto com debate do programa comunista, estratégia, formação social ainda tem o debate da conjuntura. Se estamos sob um fascismo e golpismo estatal, ou uma democracia burguesa também é interessante”.

Camarada S. é adicionado.

Após os diálogos entre RR e S., C. diz “penso que podemos aprofundar nesse debate da frente” no qual Í. responde “sem dúvida. Seria um debate bem interessante. Pois sempre ressurge esse impasse de qual tipo de unidade queremos na esquerda. E quais as relações possíveis entre unidade na ação e construção de uma corrente revolucionária”.

Camarada C.: “Tática, composiçao de classe da frente, relaçao com centrais e movimentos, formas de sua construção (entrismo, exigencialismo, etc). Uma coisa é certa: A UNIDADE É DA CLASSE OPERÁRIA e aliados, não da esquerda. Esquerda vem das revoluções burguesas e existem as mais variadas (nationalistas, democratas, pro-aiatolas etc)”.

Aqui começa o primeiro debate mais consistente do grupo. Tema: FRENTES, SOVIETES E PARTIDO.

Camarada Jh.:

“Yo creo que es una buena idea discutir las dos posiciones [frentes de esquerda, frente única], para empezar a tomar posturas. Personalmente estoy completamente en contra de los frentes, que suelen hacerse siempre bajo programa mínimo y de un oportunismo terrible, pero creo que sería bueno el debate”.

Camarada Í.:

“Jh., estou pelas frentes únicas - unidade de ação da classe trabalhadora em torno de questões do seu interesse. E isso pode envolver várias correntes da classe trabalhadora, mesmo reformistas. Desde que resguardado a liberdade de crítica. E estou pelo debate entre os comunistas para o reagrupamento.  Mas não com aqueles que indevidamente se reivindicam "comunistas" (como os stalinistas, centristas, etc). Esses precisam ser convencidos de uma política revolucionária consistente, quando for possível. Estou contra as frente políticas que amalgamam diferenças políticas para formar uma frente de aparência ou tamanho maior. Elas geralmente não levam a lugar nenhum”.

O.: “o programa máximo, isso é o que diferencia a Esquerda Revolucionária”.

Segue Jh.: “Ta bom, pero los Frentes Únicos no son lo mismo que los Frentes de Izquierda. Un Frente Único no es un frente político como el FIT. Un Frente Único se presenta históricamente en forma de Soviet o de coalición sindical en una huelga general”.

Segue Í.: “De acordo. O Soviete é uma forma extrema e avançada de frente única proletária”.

Jh.:

“Miren, hace dos años estuve en Brasil. Dos meses en Maranhao, antes del ascenso de Bolsonaro al poder. En aquel momento participé en algunas actividades con los compañeros de D.. Todo parecía muy bien. Luego, durante las elecciones, dos compañeros terminaron militando en el PCB y uno terminó haciendo campaña electoral para Boulos. Y de este tipo de historias está llena la izquierda "comunista"

[eu, o autor deste relatório, militei no PCB, fui eu quem fiz campanha pra Boulos e no último momento votei em Ciro]

S.: “e a politica do trotsky do POI (partido operario independente) o q acha dela”?

C.: “soviete ou duplo poder é uma expressão ofensiva ou avançada da luta de classes. Estamos numa conjuntura muito atrasada. Raros sindicatos e locais de trabalho tem oposição classista”.

Í.: “sim, é verdade que estamos numa conjuntura atrasada. Mas não resta dúvida de que as nossas propostas de organização devem estar adaptadas a esse cenário de "terra arrasada".

Camarada S.: “sim. Querer construir sovietes numa situaçao em q nao existe no pais um grupo com 10 militantes revolucionários q seja, é estar fora do mundo real...”

Camarada C.: “exigir, fazer entrismo, disputar, apoiar critico... Frente popular, frente sem medo, frente do psol, do pstu...”

Camarada Jh.: “nadie ha dicho que hay que construir soviets ahora, me refería a que un Frente Único es como un soviet. Pero incluso una huelga es un Frente Único”.

Camarada C. considera erro as colocações do Jh..

Jh.:

“Los Frentes Únicos no son Frentes de Propaganda, los Frentes Únicos son la forma en la que actuar la clase obrera frente a un ataque de la burguesía o en una situación de avanzada. Una simple huelga es un Frente Único. Un sindicato agrupa a obreros sin tendencia y de todas las corrientes que hay en su interior. No hay cosa nueva en eso. Lo que ocurre con ciertos grupos es que se desesperan y buscan encontrar salidas fáciles a periodos de estancamiento y luchas veces caen en el más simple oportunismo”.

Camarada Í. responde ao questionamento do camarada S.:

“Seria muito interessante um POI. Mas qual força classista de massas está interessada na construção de um. Nós entraríamos num POI como uma forma de acelerar a construção de um partido revolucionário, provavelmente por meio de um racha. Mas não tem essa conjuntura atualmente. Um POI não é um amálgama de pequenos grupos. Seria como entrar no PT nos seus primeiros anos de formação para disputar uma ala dos trabalhadores ali organizados para a construção do partido comunista”.

C. discorda do Jh.:

“Temos que considerar tambem que uma greve ou ocupação dirigido pelas atuais centrais e direçoes nao significa avanço e muitas vezes nem mesmo conquista economica. Isso remonta a crítica da luta imediata dirigida por reformistas do Thalheimer e a importante crítica da greve geral de Luxembourg”.

Os camaradas O. e H. responderam simploria e humildemente sobre “nadie ha dicho que hay que construir soviets ahora”: “eu digo!” no que Jh. respondeu “Sin duda que ese es el objetivo”.

Camarada O.:

“Não é verdade que os sovietes são uma forma extrema, que só aparece em momentos de ascenso revolucionário. Na Rússia eles existiram ininterruptamente entre 1905 e 1917”.

S.: “serio? Em 1912, por exemplo eles existiam? Em 1909? Em 1914? Se é isso q vc diz, em q fontes se baseia? Qual a fonte pra essa informaçao, da qual penso q td mundo aq vai discordar?

O.: “sim. Tinham pouca mobilização, mas existiam. Em 2013 era preciso ter formado conselhos. Não tendo formado, não era possível ter esperado nada de diferente. Em 2001 na Argentina, tb houve formação de conselhos, em alguns locais também se mantém, embora tenham perdido carater massivo”.

Camarada AB. começa sua participação com um texto grande a qual eu o autor do relatório transcrevi apenas as últimas partes:

“As ideias comunistas encontram na luta de classes, na teoria e na prática, matéria para se desenvolver. Com base neste princípio, procuramos identificar as ideias comuns e superar as divergências entre nós pelo debate permanente, procurando assim dar resposta aos problemas colocados. Queremos que este debate se torne público, na bela tradição leninista da polémica aberta, fraterna e acessível a tod@s. A luta de ideias não é secreta e restrita, antes deve beneficiar da opinião e participação daqueles e daquelas que têm algo de novo e útil a carrear para o esclarecimento geral. A reorganização do proletariado como força revolucionária necessita de um programa comunista que, nas actuais circunstâncias, só poderá nascer da luta contra o reformismo e o revisionismo, que reponha a pureza dos princípios e os métodos de luta preconizados pela tradição de Marx e Lenine.  Em última análise, um novo programa comunista capaz de unificar @s operári@s e explorad@s de todo o mundo,  apoiando-os na luta pelo derrube final do capitalismo”.

C. ainda sobre sovietes:

“Ainda sobre os sovietes (ou conselhos em portugues): são uma forma de organização de duplicidade de poder e depois na DDP de exercicio direto do poder político da classe operária. Não é em qualquer momento que surgem esta forma de poder operário. Tive conhecimento, nesses anos de debates nas redes sociais, das mais diferentes propostas para formação desses conselhos, como do PCTE espanhol, que propunha formar ao mesmo tempo um conselho e uma frente popular, e também do MOVAUT brasileiro, que negando sindicato-partido-etc, propõe paralelamente formar conselhos em meio à atuais lutas grevistas etc. Em ambos casos, os conselhos não significam forma de poder, sequer teriam a direção tanto da frente popular espanhol, quanto muito menos de uma frente operária brasileira”.

O camarada acima postou um texto grande para defender que “as posições anti partido dos chamados neoconselhistas devem ser advertidas e combatidas aqui”.

Camarada AB põe:

“Santiago, estou demasiado longe de vcs e tão ignorante das vossas lutas internas que não posso (nem quero, nem devo) envolver-me nas minudências das vossas divergências [divergências entre S. e RR]. Se este grupo zap quiser centrar-se nisso, estou fora. O que me interessa como comunista é concertar-me com uma corrente regeneradora internacional que reponha na prática e na teoria, aplicadas ao momento actual, os princípios, a táctica e a estratégia de um movimento comunista que caminhe de facto para a revolução proletária”.

... No qual camarada O. respondeu à camarada: “acho um bom foco. Embora isto inclua questões taticas, mas não lutas particulares. E nada impede que o espaço seja usado para eventual divulgação de lutas particulares, embora não seja o foco”.

E C.:

“Num dos grupos anteriores que deu origem à esse, antes dele ser dominado por pró-aiatolás, nacionalistas, reformistas, etc, os debates iam rumo à tarefa de debater e estudar programas socialistas ou mais próximos disso na história do Brasil, bem como estatutos das organizações. E assim fazermos uma proposta nesse sentido. Que acabou não saindo devido à grandes divergências. Além disso cada local dar relato mais detalhado do que atividades desenvolve e como intervêm na luta de classes”.

“Nas plenarias nacionais e outras de importancia, da intersindical, o Paulo Scapi sempre fala (esta em varios videos do youtube), que não é a estrategia formar inicialmente um pequeno partido e esse buscar inserção cada vez maior na classe operaria e aliados. Por isso a intersindical não formou um novo partido e etc. Pergunta: se não é a vanguarda iniciando este processo... qual é?”.

Camarada H. carrega o texto do RR ‘Frente de Esquerda Socialista ou Frente Única” no qual C. responde “Me parece que este texto é do RR e que o mesmo considera que o partido já esta construido ou em vias, e o problema é ter uma frente, massas para tomar o poder... resumo ao grosso modo. De modo parecido, o EM diz que o partido esta ai e que vão conquistar as massas da socialdemocracia no PSOL e fazer a revolução... A CS dizia quase a mesma coisa no tempo do PT”.

Ocasionalmente se fez uma discussão sobre a OPOP (Oposição Operária) na qual eu sugeri uma aproximação com eles.

Camarada H. falando sobre a OPOP:

“E não apresento como o embrião pronto, nem onde estão todas as respostas, mas a defesa de uma organização de vanguarda, leninista assim como a proposição de comissões e conselhos. Mas eu não participo da OPOP, que se diga. Ando afastado e mantenho concordância com os princípios.”.

E C. responde:

“Para haver uma comissão, conselho... ou num ascenso das lutas como Osasco em 68, greves do Abc 78... ou ter um partido/organização pra dirigir... imagine chamar uma reunião aberta de conselho, na atual conjuntura e ideologia dominante, iriam possivelmente ser aprovadas proposições mais contraditórias e inimaginaveis. Se nas atuais assembleias de bairros, sindicatos, estudantes, etc. são aprovados muitas vezes políticas extremamente confusas e conciliadoras”.

Í. sobre o comentário do C. segundo o qual “não é em qualquer momento que surgem esta forma de poder operário [sovietes]”:

“Eu concordo que nao aparecem [os sovietes] em qualquer conjuntura, embora uma de nossas metas seja, quando possivel, propiciar, auxiliar o seu aparecimento. É a forma que a classe tem de se reconhecer e de exercer seu poder e hegemonia na sociedade”.

E respondeu também o comentário do mesmo camarada “me parece que este texto é do RR e que o mesmo considera que o partido já esta construido ou em vias” assim: “não. Não ha o partido. E os passos tem que ser os mais iniciais. O debate nao passa por aí não”.

C. segue:


Questão importante tambem metodo e forma da organização: centralismo democratico, centralismo organico, plenarismo, assembleismo... alguns consideram que não ha contradição entre dirigentes e base, e pregam horizontalismo, onde em geral, são sempre os mesmos que falam e dirigem, sem sequer serem eleitos para o tal e em caso de algo der errado a culpa é da base, não tem responsabilidade alguma”.

E cita o RR transcrevendo partes de seu site segundo o qual dizem propor construir o partido da quarta internacional: "realizamos nosso trabalho em torno de um projeto maior de reconstrução do partido internacional da revolução socialista". Acima ja postei sobre a diferença do programa comunista e o de transição, que não são a mesma coisa. O debate não passa pela organização da vanguarda em um partido com programa comunista? Passa por o que então?


O. considera tal questão levantada acima importante:

“Isso aí acho que também é um tópico, quarta-internacional ou Partido Comunista Internacional. Embora haja convergências, muito bem expressas pelas posições de Natália Sedova e Grandizo Munis, existem diferenças”.

C.:

“2013 deve ser analisado com mais critica. Inclusive no texto do S. ha referencias para isso. Qual pauta do mundo do trabalho e da classe operária em especifico em 2013? os métodos horizontais, etc pregados por muitos como nova forma política construiram uma politica classista nos movimentos sociais e manifestações?”.

Í. responde: “passa exatamente por aí” à pergunta do C.: “O debate não passa pela organização da vanguarda em um partido com programa comunista?”.

Í.: “nao, o RR nao pretende se dissolver em nenhuma FU. Nem dentro e nem fora dela. Mas seria progressivo unidade das massas para a luta. Participaríamos da mesma para ajudar na construçao do partido e o avanço do programa e pautas”.

C. critica: “projeto de se construir partidariamente dentro da frente, semelhante a CS no PT em 80, 90 e ao EM no PSOL atual...”.

Í.:

“[a IV Internacional] é uma corrente internacional de vanguarda dos trabalhadores. O ponto é que a Quarta Internacional é uma referencia crucial nesse processo de reorganizaçao de um partido desses após a catástrofe que foi o estalinismo”.

E respondeu à crítica do camarada C.: “não. PSol nao é uma frente única (de luta). É um partido (e bem sabemos de que tipo). Pediria ao companheiro que lesse nossa contribuiçao para esse esclarecimento”.

C.: “semelhante... PSOL é um partido pequeno burgues republicano. Se construir por dentro”.

Í.:

“O partido vai ser construído por dentro das lutas dos trabalhadores. É nesse sentido que é mais que necessaria a participação nas organizaçoes de luta (isso inclui sindicatos, frentes unicas, greves, etc). A tatica da Frente Unica foi proposta pela Internacional Comunista em 1921. Mas ela ja existia sem esse nome desde muito antes. Significa acordos entre as forças políticas do movimento dos trabalhadores, apesar de suas diferenças, e sem apagar o debate dessas diferenças, para agir no interesse comum”.

A partir das polêmicas entre o RR e o camarada S. do Quilombo Spartacus, C. lançou “Vamos debater partido. Escolher textos. Como do S. e outros. Ver datas. Pode ter conferencia”.

É a primeira vez que se fala em teleconferências e algum esboço de cronograma...

Camarada Jh.:


A. El periodo actual
B. Vias pra la construcción de un partido revolucionario no Brasil
C. El partido


Camarada S.: “eu acho otimos temas. Poderíamos estabelecer um período para q se deem os debates. 1 mes, por exemplo. Para q de tempo q todos leiam os textos, mandem novas contribuiçoes, etc. Partamos daq entao. Quanto tempo os companheiros acham q deve ter de preparaçao ate essa conferencia? Alias, de onde sao os companheiros em geral? Eu sou de sp...”.

Aqui se inicia o debate sobre participação nas eleições...

Camarada O.:

“Uma outra questão que eu penso que pode ser polêmica, é sobre a participação no processo burguês de legitimação do estado, porque eu vejo que tem muita gente ainda influenciada pela visão de Lenin sobre o tema, e esse foi um ponto onde o Lenin errou feio. Seria interessante que aprofundássemos essa discussão tb”.

Jh. pergunta ao O.: “voce se refiere a la cuestión electoral parlamentaria?

O.: “sim”.

E propõe leitura:

“http://m.afavordarua.webnode.com.br/news/%20carta%20aberta%20ao%20companheiro%20l%C3%AAnin%20-%20gorter%20herman/”

Jh.:

“Bom, yo concuerdo con Lenin, entonces sería un buen tema a discutir.
D. Estrategia parlamentaria comunista”

Primeira vez do camarada Rf. no grupo:

http://www.sinistra.net/lib/upt/comlef/ren/renegadeae.html
Defesa pelo PCI da posição do Lenin, com uma boa contextualização.

Camarada S.:

“Mas gente, pra sermos mais praticos (pelo menos na minha opiniao doq é pratico). Deviamos ir nos coordenando pra organizar essa conferencia, oq seria otimo. Pensarmos datas e fecharmos os debates a serem feitos. Uma conferencia assim vai demandar diversos problemas praticos, pq como cada um mora em um lugar vai exigir q se faça por meio de videoconferência...”.

O. à postagem do camarada Rafael: “mas eles defendem participar de eleições?”.

C.: “escolher um mediador [para a conferencia] e textos”.

S.: “acho q a primeira coisa de tdas é: tds tem acordo q é uma boa resoluçao? Q devemos fazer isso? Eu acho q é a melhor coisa q um grupo inicial assim poderia fazer. O zap é um meio pra organizar debates, mas pra fazer debates em si mesmo é pessimo...”.

O.:

“Só um comentário aqui. O PCI defende no geral as posições do Lenin no esquerdismo, mas tem posição crítica específicamente na questão eleitoral. A minha posição é proxima desta, ou seja, concordo em parte com as criticas de Lenin aos esquerdistas e tb discordo da questão parlamentar. Tenho mais algumas criticas que advém da seguinte situação:  O partido Bolchevique foi construído para dar resposta à uma demanda histórica de fazer uma revolução socialista num pais atrasado (atrasado no início do seculo XX, ou seja, fortemente feudal e sem eletrificação foi instrumento adequado para esse fim. Para uma revolução num capitalismo mais desenvolvido, vêm muito ao caso algumas visões da esquerda. Eu penso que este texto do Gorter é bem esclarecedor a esse respeito”.

Í.:

“Creio que podemos mandar alguns materiais de um dos temas e entao nos engajamos em ler para entao debater. Ainda que haja discordancias, acredito que pode ser enriquecedor”.

C. põe a tradução do texto [da esquerda comunista italiana]:

https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.sinistra.net/lib/upt/comlef/ren/renegadeae.html&prev=search”

C.:

“O texto [a tradução acima] também demonstra a concordância entre nós e os bolcheviques, tanto em 1920 quanto nos anos anteriores, quando ainda não conhecíamos Lênin, sobre questões bem mais fundamentais: a afirmação da necessidade de uma violenta revolução do proletariado, liderado pelo partido marxista, disciplinado e centralizado; a afirmação da ditadura revolucionária subsequente do proletariado; luta sem compromissos contra os dois "extremismos", anarquistas e reformistas".

Camarada Rf. responde o O.:

“Eles entendem como uma questão tática que seguiram por disciplina ao partido, mas que não era a posição correta, mas não uma questão de princípios. É uma defesa das posições de Lenin em "esquerdismo", contra oportunistas que tentam usar decisões táticas como princípios, autorizações para compromissos e colaboração”.

C.: “o princípio é comunistas saberem usar todas formas de luta legal e ilegal, conforme necessário e hoje em dia ter uma critica da via eleitoral”.

Camarada Rf. responde agora o C.: “na época eles discordaram, mas entenderam ser uma questão tática proposta pelos bolcheviques e aceitaram em razão de disciplina na internacional. Nunca foi uma questão de "compromissos" que nem o pessoal tenta fazer parecer, especialmente os oportunistas que querem defender o eleitoralismo como uma tática universal, geográfica e historicamente”.

Camarada Í. responde o “e hoje em dia ter uma critica da via eleitoral”:

“Mas essa nao pode ser tambem uma forma de exposiçao do programa comunista, de ajudar a organizaçao das lutas diante da visibilidade que o candidato ou parlamentar tem? A atuaçao dos parlamentares bolcheviques na Duma é muito boa, apesar de alguna erros aqui e ali. Bem oposta aos parlamentares da socialdemocracia alemã, que se tornaram sustentadores do regime. Eu tendo a concordar que hoje, como os comunistas sao grupos muito pequenos em geral, a tatica parlamentar é bem secundaria. Mas pode ainda ser usada”.

Réplica do C. ao Í.:

“Não é uma questão da atuação dos representantes, mas do caráter diferente que a duma possuía em relação aos parlamentos europeus de então, mais consolidados e preparados para afogar em meio ao oportunismo os comunistas revolucionários. O esforço parlamentar da esquerda comunista italiana foi natimorta não apenas pelo oportunismo de turatti e co. mas pelo próprio caráter do parlamento italiano”.

E propõe leitura interessante sobre a questão:

“https://www.marxists.org/portugues/rodrigues/2001/02/parlamento.htm”

Eu transcrevo do RR parte que concordo sobre a Frente Única:

“Por conta disso, é necessário que os pequenos grupos combativos se unam desde já e criem comitês de mobilização que sejam um embrião de uma Frente Única maior, realizando ações onde tem presença e também em locais importantes, como assembleias sindicais, terminais de transporte público de grande movimento etc”.

E camarada C. me responde:

“Para isso teria que haver alguma concordancia pontual e/ou programatica. por exemplo: oposição sindical, carater do regime politico brasileiro, manifestação contra preço XYZ, etc. nas expressões do rr, transparece que "não querem se dissolver" enquanto grupo pré partidaŕio, mas sim atuar e intervir "livremente" nessas frentes possíveis...”.

Camarada H.: “a questão das frentes é prego batido e ponta virada? Parto do princípio que aqui não tem ingênuos”.

C.:

“O rr apoia alguma central sindical ou não? defende atuar nos sindicatos ou não? formar oposições, conselhos, nucleos do pre-partido ou o que? tem como tarefa ter militancia na classe operária e demais trabalhadores? como executam isso? quem são os possiveis aliados do rr numa frente, luta sindical etc?”.

E camarada H. segue:

“Tem pontos programáticos e pragmáticos também que necessitam clarear. Antes de virar um empurrometro de textos pra tentar hegemonizar com definições de organismos já existentes. Sinceramente, se fosse frentista eu não estaria nesse espaço, conheço quem defende essa tática e nunca me associei”.

C.: “não podemos confundir frentes populares, com frentes de lutas da classe operaria, daí explicar os termos e o que entende por "frentismo"”.

Eu respondo a primeira pergunta:

“O rr apoia alguam central sindical ou não? São independentes. Não fazer organicamente parte de nenhuma, podendo participar delas apenas quando elas se põem de maneira consequente a organizar a luta direta dos trabalhadores”.

O. ressalta o que “é meio complicado” no argumento do Í. porque significa que se o grupo ficar grande, deveria participar do processo de legitimação do estado burguês:

“Eu tendo a concordar que hoje, como os comunistas sao grupos muito pequenos em geral, a tática parlamentar é bem secundaria. Mas pode ainda ser usada”.

Eu concordando com C.: “correto. Não podemos confundir frentes populares e sua ala esquerda (as frente de esquerda socialistas), com frentes de lutas da classe operaria. Concordo com a tática parlamentar”.

O. pergunta a mim: “porque vc pensa que essa poderia ser uma boa tática camarada?” e eu respondo “pela agitação e propaganda” no que ele me devolve: “mas é negativo pra imagem do partido. A classe já sabe bem que ali é um espaço de hienas. Grande parte da rejeição de grupos como o PSTU na classe advém justamente dessa participação eleitoral. Com o mesmo investimento de tempo e finanças que um grupo gastaria pra participar do processo de legitimação do estado burguês, esse grupo pode fazer muito agitação e propaganda se usar outros meios”.

C.: “é completamente diferente as eleições num regime tsarista, que numa democracia burguesa, onde pequenos partidos de esquerda reformista se candidatam há décadas. O Pstu, o pco... nas eleições não fazem propaganda pelo programa comunista, mas sim politicas mínimas... pstu no caso defende a revolução democratica do moreno e pco deu uma virada lulopetista que antes tanto criticava”.

Pela primeira vez é sugerido o debate sobre CRISES...

O.:

“e sobre crise do capitalismo, vcs têm textos?
Um texto que acho bem significativo:
https://jornalggn.com.br/artigos/o-esgotamento-da-actual-fase-historica-do-capitalismo-por-guglielmo-carchedi/”

Eu: sugeri artigos do núcleo de educação popular 13 de maio, o CRITICA SEMANAL DE ECONOMIA.

Camarada H.:

“Penso que deveríamos revisitar os clássicos pra balizar discussões sobre fetiche, mercadoria, alienação. Já disse, sou puta velha não vão me empurrar textos de tendências ou de grupos Assis. Esse quilombo Spartacus posso visitar o sítio pra me inteirar. Exemplo. Mandei, teoria econômica marxista e o livro sobre o partido leninista. História e Consciência de Classe de Luckacs hovem. Os Grundisses d Marx. Revisitando os classicos para estudar fetiche, alienaçao, etc...”.

[nota do autor: não sei que diabo significa “hovem” rsrsrsrsrs, acho que quer dizer “jovem”]

Camarada S. emite um informe de uma atividade, numa empresa de telemarketing, sobre uma ação contra o assédio.

Eu escrevo que gostei disso aqui que escreve S. na polêmica com o RR:

“Na medida em que são dois fenômenos distintos não necessariamente são fenômenos opostos, então de onde viria a oposição? Uma coisa só pode ser oposta a outra na medida que suas características substantivas, essenciais, se contraponham. E onde nossa proposta de uma frente de esquerda dos trabalhadores, como bloco programático entre organizações classistas, se contrapõe a formação de uma frente única na ação da classe operária para resistir aos ataques da patronal? É preciso estudar um pouco de lógica, de dialética, companheiros”.

Segue-se os acertos do cronograma...

Camarada C.:

“Sobre o cronograma do primeiro ponto: partido. Vamos até sexta-feira definir os textos para debate. E dai ver as datas de teleconferências e debates por mensagem. Sugestão. Que outras há? Penso que frente pode ser segundo ponto daí...”.

Camarada O.:

“Talvez a gente devesse chamar alguém que ainda está ativo na OPOP... Pra discutir aqui tb. Explica igcl... Para todos entenderem... IGCL  - international group of the communist left. Publicam o jornal "guerra ou revolução ", que basicamente é agitação à partir de uma teoria do curso da história”.

Camarada O.:  

“Então pessoal, eu vou retornar aqui, já perguntei isso antes. Eu penso que é bom começar a discussão desse tipo do mais geral e depois ir para os particulares. Então, gostaria de saber se os companheiros têm textos (eu preferiria ler texto sobre isso do que sobre questões táticas), seja próprio, seja de algum grupo de referência que coloque a questão geral do curso histórico do capitalismo. Sobre teoria da crise, em que escala geográfica e histórica ela se dá, o que ela significa, pra que ela aponta, em que momento estamos. Ou ainda, que não seja por texto, que exponham brevemente suas visões sobre o assunto. É bom lembrar que o foco na estratégia é o que discerne os comunistas dos oportunistas. O oportunismo nada mais é que isso, tática descolada da estratégia. Se nós começamos pela tática (mesmo não sendo), acabamos abrindo uma brecha para o oportunismo”.

Leitura: “http://igcl.org/Sobre-la-crisis-Donde-esta-parado-506”

Eu: “segundo o cronograma. Primeiro ponto: partido. Segundo ponto: frente política”.

Camarada O. avança na formulação de um norte de encaminhamentos para o grupo:

“Então, eu penso que a discussão sobre partido é menos geral que uma discussão sobre o curso histórico e subordinada à essa. A fundação da 3a internacional foi devido à traição da segunda, em seu rompimento com o internacionalismo proletário. Também tanto a IV como o PCInt são fundado no ensejo da crise (da segunda guerra imperialista) e ambas conectadas com a conjuntura. Não é possível pensar um partido (uma internacional) de forma dissociada do contexto histórico.  Portanto eu proponho que seja incluído um ponto de curso histórico (como uma análise de conjuntura, mas em escala histórica ampliada), anteriormente ao partido”.

C.:

Colocamos em votacao a ordem:
1. Partido. 2. Frente. 3. Historia.
Ou se maioria ja concorda com nova ordem proposta...
Comecar por historia...
Voto por começar entao pela conjuntura (história)

Camarada AB que estava sumida:

“Em resposta às justas preocupações do O. sobre como começar um debate organizado, transcrevo uma análise de conjuntura nacional e internacional do [coletivo CF Cem Flores]. Pus esse texto para ajudar a proposta do O. e orientar a discussão para o tema da conjuntura, antes da do partido. Este grupo zap precisa de se orientar para um tema geral a todos que sirva de ponto de partida, em vez de se dispersar em pequenas questões e questiúnculas. Reparem que o único membro português além de mim já abandonou a discussão. Compreende-se: vocês perdem-se em lateralidades e fazem perder o foco da discussão e dos objectivos do grupo. Se não querem que ele seja internacional, digam”.

Camarada Jh.:

“Es importante comprender cuál es la táctica comunista respecto al voto. Y respecto al parlamentarismo.

AB:


[...] Em particular a questão da participação ou não dos comunistas nas eleições é muito importante, quando a burguesia se apoia no sistema para renovar os seus mandatos. Para vos dar um exemplo, vejam o que nós pensamos sobre isso: a abstenção, os comunistas e a falência do parlamentarismo
SETEMBRO 21, 2019 / BANDEIRAVERMELHA. António Barata.
Para os que não tenham tempo para ler toda a análise, destaco alguns conceitos:
1 - O problema está em que a ideia da obrigatoriedade de participar em todos os actos eleitorais, com listas próprias ou em coligações, se instituiu como uma norma no movimento comunista a partir das Frentes Populares, tendo sido transformada, na prática, numa questão estratégica e num princípio nunca assumido como tal.
2 - O descrédito que rodeia o parlamento resulta da percepção que o povo vai tendo deste estado de coisas e da inutilidade do seu voto para o modificar. Pelo que a abstenção nos tempos que correm não decorre essencialmente do atraso político ou da alienação das massas, antes é um sintoma que pronuncia a agonia dos actuais sistemas de representação democráticos parlamentares. Se quem trabalha não se reconhece nos partidos existentes, nem neles confia, é natural que os ignore, dado que não tem qualquer escolha a fazer.


Camarada Jh.:

“No coincido con la posición de no votar porque se legitima el sistema de dominación. Creo que si hay candidatos obreros está bien llamar a votar por ellos, pero siempre y cuando represente una alternativa para la independencia de classe”.

Camarada AB:

“A questão que o elevado nível de abstenção nos coloca, em resultado do desprestigio do parlamentarismo e dos partidos do sistema, é o de saber porque não surgem partidos nos países mais ricos e politicamente estáveis da Europa, América do Norte, Japão, Austrália capazes de corresponderem a esse desencanto, dando expressão orgânica e política às preocupações e reivindicações daqueles que não se identificam nem se vêm representados nos partidos existentes e já não acreditam nos políticos nem nas virtualidades dos sistemas e instituições democráticas? Porque não surgiram no hemisfério norte movimentos como os que ocorrerem na América Latina e Central, na década passada, em que as velhas oligarquias e os partidos tradicionais (de esquerda e direita) foram temporariamente afastados do poder por partidos e movimentos de tipo novo, com forte pendor nacionalista e anti-imperialista, embora reformistas?”.

“Amigo, há muito tempo que não há candidatos operários. Nem Lula já era um operário quando se candidatou pela primeira vez”.

Jh.: “sé que esto será un escándalo, pero en la primera vuelta el PSTU tenía candidatos obreiros. Pero no es que sean candidatos obreros solamente, es que deben representar una posibilidad de independencia de clase. Eso es lo importante. De nada sirve que sean obreros al servicio de la burguesia”.

AB: “mas não tem habivo nenhuma independência de classe. Todos os candidatos sem excepção têm entrado no jogo do sistema burguês, sempre dispostos a alianças anti-operárias com o oportunismo”.

Jh.: “sí, en la segunda vuelta el PSTU capituló horriblemente al PT. Pero yo creo que estaba bien votar por el PSTU en la primera vuelta. Voce sabía que eles votarían por PT? Con esa premisa voce só votará por você.

AB: “para eles te traírem à segunda volta? Não valeu a pena. No sistema burguês como ele hoje se apresenta em todo o mundo, os comunistas não têm que votar em ninguém, a não ser em si próprios quando puderem ter candidaturas próprias que disputem com o inimigo de classe no terreno dele”.

Jh.:

“La cuestión electoral me parece principal en Brasil. Junto con Argentina, y quizás Grecia y Sudáfrica, Brasil es el país donde la izquierda está más insertada en el ámbito electoral”.

O.: “gostaria de saber posição de RR e quilombo espartacus sobre estes temas mais gerais”.

O. responde se vai ter teleconferência: “é um pouco complicado. Nós fizemos uma vez Eu, Augusto e mais um compa. Dá pra fazer. Mas que ser bem planejado”.

Aqui se inicia o debate de CRISES...

C. anota sobre a proposta do O. de estudar o curso histórico:

“Sobre economia, história, crise... é um tema - para mim - muitas vezes com mais dificuldade do que política, estratégia, ideologia. Principalmente devido à grande variedade de posições, debates, cálculos-gráficos-indicadores, etc. Nisso, considero importante que a teoria do fim do crescimento das forças produtivas desde o começo do século 1900s (Trotsky - "FCFP"), e da crise estrutural do capital desde os anos 70 (Meszaros - "CEC") entre outras que são afins, no qual consideram que a reprodução ampliada do capital e o crescimento das forças produtivas, estariam em decrescimento (desde diferentes períodos históricos, conforme cada uma das teorias), é um erro. Há artigos sobre essa questão, que posso mostrar nos próximos comentários aqui (não sou um teórico disso). Assim sendo, se as forças produtivas parassem em 1914, 1973, etc., decaísse a produção de mercadorias e a população continuasse a crescer (inclusive a taxa de expectativa de vida!!!), estaríamos não numa sociedade onde cada vez a população tem acesso à energia elétrica, àgua tratada, educação pública, serviços e produtos de saúde, previdência social, comunicação social, automóveis, roupas, etc. apesar de todas contradições e explorações de classe, além de todos os problemas ambientais por isso causados. A expectativa de vida no Brasil em 1900 era de 33 anos, hoje é projetada em 76 anos, somente isso tem decorrência sobre toda sociedade e economia (dados do IBGE). E ainda segundo a OMS, apenas do ano 2000 até 2019, a expectativa de vida aumentou 5,5 anos em todo o mundo. Nisso, apesar da queda nos investimentos com a crise de 2008, os investimentos mundiais são pesados para manter e reproduzir essa sociedade capitalista”.

Camarada D. inicia participação com um comentário extenso em resposta ao comentário do C.:


Compa, a teoria da CEC tal como desenvolvida por Mészáros não significa que as forças produtivas pararam de se desenvolver, nem que deixou de haver crescimento econômico, nem que o capitalismo chegou numa crise terminal, etc. CEC para o Mészáros é uma outra coisa. Eu li um pouco o Mészáros, então vou colocar um pouco da minha interpretação. O Mészáros tem vários problemas (por exemplo, ele apostou politicamente no chavismo e no MST) e um deles foi ter lançado o conceito de crise estrutural do capital. Essa ideia mais atrapalha do que ajuda, porque as pessoas confundem com crise terminal, o que não tem nada a ver.

Na terminologia do Marx a crise terminal seria uma crise geral, uma crise cíclica de proporções gigantescas que abre a brecha para uma intervenção revolucionária. O que Mészáros propõe é uma leitura da história na qual há um momento em que o capitalismo deixa de ser a alternativa mais avançada de organização da produção social (que ele chegou a ser em relação às formas pré-capitalistas, conforme Marx e Engels ressaltam no manifesto), porque desponta na história a alternativa socialista. A crise estrutural do Mészáros não é uma crise cíclica comum nem é essa crise geral catastrófica. Na verdade, para Mészáros, a crise estrutural abrange toda una época histórica, dentro da qual acontecem crises cíclicas, dentre as quais alguma pode se transformar numa crise geral catastrófica.

Temos então um segundo momento da história, a partir do último terço do século XX, em que o capital alcança o limite daquela expansão, tendo sido bem sucedido em neutralizar a alternativa socialista.

O que o Mészáros chama de crise estrutural é a ultrapassagem do limiar histórico em que qualquer avanço da produção capitalista deixa de ser progressivo e passa a ser destrutivo.

Então, tendo a concordar com a leitura da história que o Mészáros propõe, mas não gosto do nome de crise estrutural que ele dá, porque as pessoas seguem confundindo com o conceito da crise geral, catastrófica ou terminal.

Ele passa a ser não apenas um obstáculo para o avanço das forças produtivas, em comparação com a alternativa socialista presente no cenário histórico desde o século XIX, mas uma força abertamente retrógrada e destrutiva. É essa mudança de qualidade que Mészáros chama de crise estrutural.

Mészáros cita exaustivamente uma carta de Marx onde ele menciona essa possiblidade do capitalismo se expandir para fora da Europa como sendo a menos provável, pois a hipótese com a qual ele e Engels trabalharam a vida inteira era a de que capitalismo seria derrotado na Europa por uma revolução socialista antes que tivesse a chance de se expandir para um terreno mundial, da forma que nós no século XX viemos a conhecer como imperialismo.

Então, para ele, o atingimento da crise estrutural não significa que o capitalismo se tornou mais frágil e pode ser derrubado com um peteleco (como sonham todos os deterministas que querem se poupar da tarefa de construir a alternativa socialista no terreno da luta social concreta); pelo contrário, significa que ele se tornou mais destrutivo, como atestam a crise ambiental, as guerras e a violência generalizada, o endividamento global em espiral desenfreada, etc.

Entretanto, o despontar da alternativa socialista não implica que o capitalismo tenha esgotado seu campo de expansão; pelo contrário, ele ainda teve um século para se globalizar.


C. transcreve a CEC Crise Estrutural do Capital de Meszaros:


CEC. Extratos. Parte 1.

Vivemos na era de uma crise histórica sem precedentes. Sua severidade pode ser medida pelo fato de que não estamos frente a uma crise cíclica do capitalismo mais ou menos extensa, como as vividas no passado, mas a uma crise estrutural, profunda, do próprio sistema do capital.

Esse sistema, em todas as suas formas capitalistas ou pós-capitalistas tem (e deve ter) sua expansão orientada e dirigida pela acumulação. Naturalmente, o que está em questão a este respeito não é um processo delineado pela crescente satisfação das necessidades humanas. Mais exatamente, é a expansão do capital como um fim em si.

A crise estrutural profunda, com seus perigos para a sobrevivência da humanidade, destaca de maneira aguda sua incontrolabilidade. Na verdade, é inconcebível introduzir as mudanças fundamentais requeridas para remediar a situação sem superar o antagonismo estrutural destrutivo, tanto no “microcosmo” reprodutivo, como no “macrocosmo” do sistema do capital enquanto um modo global de controle do metabolismo social.

O fim da ascendência histórica do capital colocou em primeiro plano o desperdício e destrutividade irracional do sistema no nível da produção, intensificando, assim, a necessidade de garantir novos escoadouros para os produtos do capital através da dominação hegemônica/imperialista sob condições nas quais o modo tradicional de impô-la não pode mais ser considerado uma opção rapidamente disponível.

A crise estrutural do capital é a séria manifestação do encontro do sistema com seus próprios limites intrínsecos.

CEC. Extratos. Parte 2.

Seus limites intrínsecos ou absolutos, que não podem ser transcendidos sem que o modo de controle prevalecente mude para um modo qualitativamente diferente.

Afeta a totalidade de um complexo social em todas as relações com suas
partes constituintes ou sub-complexos como também a outros complexos aos quais é
articulada.

Põe em questão a própria existência do complexo global envolvido, postulando sua transcendência e sua substituição por algum complexo alternativo.

Uma crise estrutural... não está relacionada aos limites imediatos, mas aos
limites últimos de uma estrutura global.

Realmente, a crise estrutural do capital se revela como uma verdadeira crise de dominação em geral.

Como a ativação dos limites absolutos do capital, enquanto sistema de reprodução plausível, surgiu em nosso horizonte histórico, já não se poderá evitar por muito mais tempo o enfrentamento da questão de como superar os pressupostos estruturais destrutivos do modo estabelecido de controle socio-metabólico.

Fator destrutivo dos ‘custos totais da produção’ – a ser enfrentado dentro de limites
progressivamente restritivos – torna-se cada vez mais desproporcional e em última
análise proibitivo. Historicamente passamos da prática de destruição produtiva da
reprodução do capital para uma fase em que o aspecto predominante é o da
produção destrutiva cada vez maior e mais irremediável.

Somente quando as opções da ordem predominante se esgotarem se poderá esperar
por uma virada espontânea para uma solução radicalmente diferente.

Não se trata de que as forças produtivas não estão mais se desenvolvendo, mas de que cada avanço da produção é simultaneamente um avanço da destruição.


C. comenta a CEC de Meszaros e põe a parte 3:

“A CEC é uma ideia meio complicada do Mészáros e para mim está longe de ser a principal contribuição dele. Para mim são muito mais interessantes a distinção entre capital e capitalismo, a ideia de incontrolabilidade do capital, a produção destrutiva, a taxa de utilização decrescente das mercadorias, a crítica a Lukács. Isso para ficar só no Para além do Capital, sem discutir outras obras”.


CEC. Extratos. Parte 3.

Fase de ascendência histórica do sistema... [1973] Fase histórica de desintegração...

Processo de queda, decadência objetiva ou desagregação.

Nenhuma dessas medidas [políticas de intervenção do Estado] é capaz de suprimir a própria tendência a longo prazo.

Limites absolutos do capital inevitavelmente coloca em ação a própria estrutura causal. Consequentemente, ultrapassá-los exigiria a adoção de estratégias reprodutivas que, mais cedo ou mais tarde, enfraqueceriam inteiramente a viabilidade do sistema do capital em si.

Sob as condições da crise estrutural do capital seus constituintes destrutivos avançam com força extrema ativando o aspectro da incontrolabilidade total numa forma que faz prever a autodestruição, tanto para este sistema reprodutivo social excepcional em si como para a humanidade em geral.

Sob as novas circunstâncias histórica, as crises também se desdobram de modo muito diferente. No período da ascendência global do capital, as crises irrompiam na forma de grandes tempestades (Marx), seguidas de fases relativamente longas de expansão. O novo padrão com o fim da era da ascendência histórica do capital é a crescente frequencia de fases de recessão tendendo a um continuum em depressão.


C. comenta e põe a parte 4:

“O capitalismo encontrou seu limite a partir de 73, não sendo mais possível crescimento das forças produtivas como antes, reprodução ampliada como antes, na fase histórica anterior já citada... entrando numa CEC para autodestruição, depressão, etc.”.


CEC. Extratos. Parte 4.

Isto é o que define os limites estruturais últimos do capital como controle socio-metabólico, abarcando toda a época para a qual suas forças produtivas podem ser
desenvolvidas.

O que está em questão aqui é o perturbador sucesso do capital em estender os limites da sua própria utilidade histórica. (...) Mais importante neste aspecto é a capacidade inerente ao capital de responder com flexibilidade às crises, adaptando-se a circunstâncias que, prima facie, parecem ser hostis à continuidade do seu funcionamento. Devemos examinar mais de perto estes problemas em seu ambiente próprio. A esse respeito é necessário salientar que, sem enfrentar de modo realista e sem reavaliar constantemente os limites dinâmicos do capital, toda extensão bem-sucedida destes limites continuará a ser saudada como um prego no caixão do marxismo pelos seus adversários.

Se é verdade que uma ordem social nunca perece antes que todas as forças produtivas, para as quais ela é amplamente suficiente, tenham se desenvolvido no interior de sua estrutura, esta verdade possui implicações de longo alcance para os modos pelos quais uma formação social particular pode ser substituída por outra. Nesse aspecto, não é indiferente se uma crise conduz a uma quebra e um colapso totais da ordem social em questão – cujas forças produtivas obviamente não podem mais se desenvolver nos seus limites – ou se, sob o impacto de uma crise maior, novas modalidades de funcionamento forem introduzidas a fim de prevenir aquela quebra.

[Repetindo] Forças produtivas obviamente não podem mais se desenvolver nos seus limites...

Os limites últimos mencionados acima dizem mais respeito às mais amplas condições históricas do processo do que às suas flutuações transitórias. Enquanto estas transformações se desenvolverem num terreno muito disputado, nenhum passo emancipatório estará a salvo dos perigos da regressão, não importa o quanto as relações históricas últimas de força sejam favoráveis para a “nova forma histórica” numa situação em que a velha ordem se mostre incapaz de desenvolver as forças produtivas.

A importância desses desenvolvimentos não pode ser exagerada, pois em um passado não muito distante a dissipação produtiva de quantidades quase inimagináveis de forças produtivas e recursos podia ser transformada em vantagem para o capital com relativa facilidade, contribuindo assim positivamente para a resposta bem-sucedida do sistema aos imperativos estruturais de sua autorreprodução ampliada. Hoje, ao contrário...

A taxa decrescente de utilização dos bens e serviços socialmente produzidos, assim como das forças produtivas ...

Como resultado da absurda reversão dos avanços produtivos em favor dos produtos de “consumo” rápido e da destrutiva dissipação de recursos, o “capitalismo avançado”
impõe à humanidade o mais perverso tipo de existência que produz para o consumo imediato (hand to mouth economy): absolutamente injustificada com base nas
limitações das forças produtivas e nas potencialidades da humanidade acumuladas
no curso da história.

A partir daí, confrontamo-nos com um sistema de produção no qual a extração do trabalho excedente é determinada politicamente da forma mais sumária, utilizando-se critérios extraeconômicos (em última instância, a própria sobrevivência do Estado), o que, sob determinadas condições, pode de fato perturbar ou até atrasar cronicamente o desenvolvimento das forças produtivas.

Durante certo tempo, os anos do pós­guerra – por cerca de duas décadas – assistiram a uma expansão e revitalização sem precedentes do capital pela inclusão à sua órbita, pela primeira vez na história, da totalidade das forças produtivas globais, bem como uma bem­sucedida reestruturação da economia para atender às exigências insaciáveis do complexo militar­industrial; agora toda dinâmica estancou e o sistema não pode mais “distribuir os bens”.


Camarada D. comenta os extratos parte 2:

“Não se trata de que as forças produtivas não estão mais se desenvolvendo, mas de que cada avanço da produção é simultaneamente um avanço da destruição. A CEC é uma ideia meio complicada do Mészáros e para mim está longe de ser a principal contribuição dele. Para mim são muito mais interessantes a distinção entre capital e capitalismo, a ideia de incontrolabilidade do capital, a produção destrutiva, a taxa de utilização decrescente das mercadorias, a crítica a Lukács. Isso para ficar só no Para além do Capital, sem discutir outras obras”.

C. posta vídeo de primeiros robôs vivos criados a partir de células-tronco de sapo e comenta:

“Isso [por] que estamos desde 1914 (Trotsky) ou 1973 (Meszaros), etc. em plena crise de crescimento das forças produtivas...”.

[os colchetes são meus, do autor do relatório]

Eu comento: “Tambem nunca entendi essa teoria segundo a qual as forças cessaram de crescer ...”.

E O. responde:

“Gente, não é que elas param de crescer. A ideia é que o capitalismo passa a ser um entrave para o desenvolvimento das forças produtivas. Isso acontece na fase descendente dos ciclos longos, ou ondas longas. É a situação que estamos desde a década de 70. Sendo que houve um período de recuperação neoliberal na década de 90/00 que faz parte, porque a lei é da TENDÊNCIA à queda da taxa de lucro. Portanto a queda não é linear”.

Camarada RS inaugura sua participação com um texto de suma importância o qual já havíamos postado:


C.:


Durante ciertos períodos históricos, la curva básica, aunque pasando como siempre a través de oscilaciones cíclicas, se inclina hacia abajo en su conjunto, señalando la declinación de las fuerzas productivas - Trotsky. Pero ahora suponemos que sucede lo contrario: crisis profundas, largas y penosas y alzas breves y de corta duración. Los viejos ciclos eran el mecanismo de un amplio movimiento ascendente; los nuevos, sólo pueden ser el mecanismo de la decadencia capitalista. “La premisa económica de la revolución proletaria ha llegado hace mucho tiempo al punto más alto que le sea dado alcanzar bajo el capitalismo. Las fuerzas productivas de la humanidad han cesado de crecer”. El progreso humano se ha detenido en un callejón sin salida. A pesar de los últimos triunfos del  pensamiento técnico, las fuerzas productivas naturales ya no aumentan. El síntoma más claro de la decadencia es el estancamiento mundial de la industria...


O.:

“O ponto que eu vejo que falta na maioria dos teóricos é a relação entre crise e guerra. Porque a TQTL advém do aumento da composição orgânica do capital, e a solução que o capitalismo encontra para a crise é a guerra imperialista generalizada, já que a enorme destruição que ocorre nesse processo desembarga o processo de acumulação”.

O.: “então, mas depois da guerra, as forças tem como voltar a crescer”.

C.: “tanto o FCFP [fim do crescimento das forças produtivas] quanto o CEC [crise estrutural do capital] são teorias do colapso... que qualquer estatística derruba elas!!!”.

Camarada RS: “o Trotsky achava que desde 1914 existia uma estagnação do desenvolvimento das forças produtivas. O Lênin tinha uma visão um pouco mais moderada, mas parecida”.

O.: “mas eu entendo que a posição de Trotski sobre a relação entre guerra e revolução, que justamente está ausente no trotskismo (Mandel e Pablo), era correta”.

RS respondendo ao camarada C.: “as evidências empíricas mostram que essa queda tendencial da taxa de lucro, no máximo, opera numa escala de séculos”.

O.: “discordo. Entendo que ela opera na escala de décadas”.

C.: “para estes autores, não é mais um ciclo, mas uma caída sem volta...”.

RS: “só que aí tem um problema. Isso significa que não tem nenhuma tendência pro acirramento da luta de classes. Que é o que a gente tem visto desde 1945, tem ciclos, mas não tem um salto fundamental”.

O.: “são ciclos longos entremeados por guerras, que desembargam o crescimento das forças produtivas.  Se existem uma queda subjacente aos ciclos, eu não sei, mas entendo que não está demonstrado”.

Camarada Í.:


Gente, isso da interrupção do crescimento das forças produtivas, embora tenha algumas afirmações unilaterais do Trotsky (a mais famosa está no Programa de Transição), não era algo fechado na obra dele. Tem vários textos que ele discute essa decadência de forma relativa, que é o correto. E não é consenso no movimento trotskista. A corrente de que eu venho não concorda com a afirmação unilateral do programa de transição, por exemplo. Agora, tem ciclos de pauperização absoluta (como agora). A pauperização relativa é quase sempre, tirando momentos muito especiais. Isso gera momentos onde há muitas possibilidades de crises revolucionárias. E continuará havendo.

Eu gosto dessa citação, por exemplo: “O mundo capitalista já não tem saída, a menos que se considere ‘saída’ a uma agonia prolongada. É necessário preparar-se para longos anos, senão décadas, de guerras, insurreições, breves intervalos de trégua, novas guerras e novas insurreições. Um partido revolucionário jovem tem que apoiar-se nesta perspectiva. A história lhe dará suficientes oportunidades de provar-se, acumular experiência e amadurecer. Quanto mais rapidamente se unifique a vanguarda mais breve será a etapa das convulsões sangrentas, menor a destruição que sofrerá nosso planeta. Mas o grande problema histórico não se resolverá, de nenhuma maneira, até que um partido revolucionário se ponha à frente do proletariado. O problema dos ritmos e dos intervalos é de enorme importância, mas não altera a perspectiva histórica geral nem a orientação da nossa política. A conclusão é simples: há que se levar adiante a tarefa de organizar e educar a vanguarda proletária com uma energia multiplicada por dez. Este é precisamente o objetivo da Quarta Internacional.

– Manifesto da IV Internacional Sobre a Guerra Imperialista e a Revolução Proletária Mundial, maio de 1940.


C.: “sobre os ciclos, seria interessante compararmos os vários modelos e gráficos”.

C.:

“É algo fundamental no trotsquismo. Sua base de justificativa economica. Pois antes do FCFP podia-se apoiar socialdemocracia e reforma, mas depois não mais. Além de que a importância dos "Estados operários burocratizados", é que neles as forças produtivas cresceriam, diferente do capitalismo em decadência! Esse é o resumo da ópera. Se entramos em o que é o Estado OB veremos mais erros crassos ainda”.

Í.:

“Essa é uma leitura errada. Se fosse assim, o que explica a postura da Rosa em Reforma ou Revolução (de 1899)??? A oposição às correntes reformistas é uma das bases do Marxismo. As reformas são possíveis em 1899, em 1938 e hoje em dia. A questão é que o capitalismo não pode mais elevar de forma relativa o nível da população trabalhadora. Mas não está excluído que haja ciclos de crescimento onde haja uma elevação absoluta, mas sempre abaixo do crescimento da produtividade e do acúmulo de capital em diferentes formas”.

C.: “ROSA ERA TROTSQUISTA???”.

C.: “compara o nivel de vida de um operário da Taurus, Stihl, GM hoje com um de 1900.VAMOS CAIR NA REALIDADE E ABANDONAR DE VEZ ESSES ERROS GROSSEIROS!!!”.

RS responde o argumento do C. sobre o que é fundamental no trotskismo: “sem isso, você fica igual o Mandel, que quer manter as consequências (programa de transição) sem as premissas (impossibilidade de reformas duradouras). Falei do pessoal [e não de você camarada C.] que acha que as forças produtivas continuam a se desenvolver, mas não quer voltar ao programa mínimo. Eu sou mais ou menos mandelista”.

Í. sobre as premissas do argumento acima:

“As premissas do Programa de Transição são as mesmas da revolução russa: a possibilidade de crises revolucionárias onde estará colocada a luta pelo poder. As premissas são várias. A premissa de que o capitalismo não pode mais crescer está errada. Mas insisto que essa é uma afirmativa errada do Programa de Transição, mas não é um consenso, nem na obra do Trotsky nem no movimento”.

RS receita leitura:

“Esse texto aqui faz uma revisão das tentativas empíricas de identificar a curva histórica do capitalismo, que agora são possíveis, porque existem dados dos últimos 150 anos: http://rodrigosilvadoo.blogspot.com/2018/08/o-debate-marxista-sobre-o-futuro-do.html”.

C.: “É ponto central econômico!!! FPs não crescem no capitalismo, mas crescem na URSS, Mongolia, etc”.

RS comenta Í.:

“Ela tá errada e não é consenso. A forma certa de corrigir é reintroduzir o programa mínimo. O SU faz isso, os cliffistas etc. Só que raramente admitem, por uma questão de dogmatismo”.

Í.: “as forças produtivas na URSS faziam um tremendo de um zigue-zague. Você tá fazendo uma leitura rasteira”.

O.:

“Então, eu penso que houve um ciclo ascendente depois da guerra e por causa dela. E desde então (em um zig zag descendente) a taxa de lucro vem caindo. Num nível tal que já (desde 2008) não é possível nenhuma reforma. E que, a única alternativa do capitalismo no médio prazo é partir para guerra imperialista generalizada. Novamente aí, é a oportunidade revolucionária”.

C.: “suposta superação ou síntese do mínimo com máximo no transicional não resulta num programa comunista, mas numa série de erros. Ja postei textos dissecando isso no começo”.

RS: “mas Í. tinha crise revolucionária antes de 1914 também” no qual o mesmo camarada Í. responde: “sim. 1914 obviamente abriu uma fase de crises e revoluções. Mas óbvio que tinha antes”.

Í. sobre o argumento do RS de “reintroduzir o programa mínimo”: “é famoso o trecho de que o "programa mínimo" não é descartado, mas superado pelo programa de transição. Não se rejeita a luta por reformas. Mas tem que apontar para a superação do capitalismo”.

C.: “o transicional não aponta, mas sim medidas irreais e confusas dentro do capitalismo”.

Í. ao camarada RS: “a crítica do Lenin à Comuna de Paris ele fala que tinha um problema da direção do processo. Ele basicamente estuda como talvez teria sido possível a Comuna vencer”.

Í. ao comentário do O. sobre os ciclos ascendente e descendente: “eu concordo tirando a parte de que depois de 2008 não é possível reforma. Parece que na maior parte dos países está havendo um ciclo de pauperização absoluta. Mas não estão excluídos ciclos de crescimento em que haja melhorias das condições de vida”.

Í. ao C.: “obviamente você não entendeu o Programa então. Não são medidas para serem executadas pelo Estado burguês”.

C.: “tu leu as criticas ao programa transicional pelo menos? E Í. responde “já li algumas. E estou lendo as tuas aqui, que estão incorretas. É algum material específico?”.

C. posta trechos da crítica ao programa de transição:

“...cuando se trata de una reivindicación, sea cual sea (...) el simple criterio de la posibilidad de su realización no es decisivo para nosotros... No son las conjeturas empíricas sobre la posibilidad o imposibilidad de realizar algunas reivindicaciones transitorias las que pueden resolver la cuestión. (...) en determinadas condiciones es totalmente progresivo y justo exigir el control obrero sobre los trusts aun cuando sea dudoso que se pueda llegar a ello en el marco del Estado burgués. El hecho de que esta reivindicación no sea satisfecha mientras domine la burguesía, debe impulsar a los obreros al derrocamiento revolucionario de la burguesía. De esta forma la imposibilidad política de llevar a cabo una consigna puede ser más fructífera que la posibilidad relativa de realizarla. TU ACREDITA EM XALALA? BOTAR A CENOURA NA FRENTE DO COELHO???. Postei 2 textos inteiros de critica, um de autocritica do Astarira e outro da exquerda comunista argentina; Logo no começo [do grupo whatsapp]”.

RS responde ao argumento do “famoso trecho”:

“A Segunda Internacional também falava da necessidade da revolução. O problema é que o eixo da prática do dia a dia era o programa mínimo. As organizações que tentam ter um eixo transitório não conseguem organizar os trabalhadores, e as lutas espontâneas na grande maioria são em torno do programa mínimo”.

Í. ao C.:

“Pode até ter controle operário de algum setor sem a derrubada do Estado burguês. Isso acontece em praticamente toda situação de duplo poder. Mas essa reivindicação do controle operário da indústria (uma demanda transitória) não pode ser realizada sem a derrubada do Estado burguês”.

Í. ao RS.:

“A segunda Internacional era muitas coisas diferentes, né? As alas da Rosa/Lenin/Liebnecht, etc. defendiam um programa mínimo também, mas defendiam o que nós chamamos (anacronicamente) de programa transitório. Basta ler o "O que quer a Liga Espartacus?" para ver. E a Liga Espartacus (depois KPD) teve, se bem me lembro, não uma, mas algumas chances de intervenção real em revoluções do fim dos anos 10 até o início dos anos 30. O SPD por muitos anos já tinha virado reformista. A Rosa fala isso com todas as letras já em 1905. O Kautsky em 1909 (no livro O Caminho para o Poder) já é visto de forma condescendente pela direção sindical do partido. O SLP americano tinha virado uma seita, mas não reformista”.

RS:

“Aí as organizações da esquerda radical que conseguem ter um mínimo de viabilidade (ex. zapatistas, PKK, movimento no Chile, na França, Equador etc) se baseiam no programa mínimo e os trotskistas ortodoxos denunciam elas de forma unilateral porque elas são "reformistas". Uma CONAIE da vida é reformista sim, mas não porque eles se recusam a adotar um programa transitório fora da realidade, e sim pela estratégia de colaboração de classes etc. A Liga Espartacus foi criada no meio da revolução. Eu tô falando da ala esquerda (SPD no começo, PO francês, SLP americano etc), em situações não revolucionárias”.

C.: “propostas transicionais impossiveis que vão lever à resultados...”.

Í.:


Pera lá que você tá falando de várias coisas diferentes e confundindo tudo. O problema não é defender um programa mínimo, é não ter qualquer perspectiva de superação do capitalismo. É adotar uma versão "roots" ou "alternativa" de capitalismo. É ter ilusões no "imperialismo democrático" dos EUA (caso do PYD/PKK). Chile, França e Equador você tá falando de rebeliões de massa. A CONAIE até teria potencial, se não fosse uma máquina burocratizada, de ser um instrumento de duplo poder. Você tá misturando rebeliões, como instrumentos de duplo poder, com direções políticas e criticando os trotskistas porque "não apoiam". Mas a questão é que essas rebeliões podem começar por questões "mínimas", mas a superação dos seus problemas de fundo não pode ser encontrada sem a superação do capitalismo. RS, você sabe tudo isso que eu tou falando. Essa é exatamente a essência do "problema da vanguarda", ou "crise de direção".


RS: “claro. A crítica aqui é qual programa tá baseado na situação real que é não revolucionária na maior parte do mundo”.

RS: “o programa de Erfurt é de 1890. O SLP era uma seita, mas não pelo programa”.

RS respondendo ao “RS, você sabe tudo isso que eu tou falando”:

“Sei, você é que não tá entendendo qual é a crítica”.

No qual Í. devolve: “eu tou entendeno. Mas a resposta da crítica está na própria formulação do problema. Não tem situação revolucionária o tempo todo. Muito menos no mundo todo de forma simultânea. Isso não é uma premissa do marxismo. Ao contrário, a concepção leninista das crises reconhece muito claramente que são situações excepcionais. Você está partindo do ponto de vista que o marxismo (ou o trotskismo) rejeita as demandas mínimas. Sendo que é explícito que não.

RS: “pra superar o capitalismo teria que organizar os trabalhadores. Tem como organizar em torno da luta por reivindicações fora da realidade numa situação não revolucionária? A premissa do programa de transição é uma situação pré-revolucionária porque as forças produtivas pararam de se desenvolver. Isso acabou em 1948, se é que tava certo”.

Í. responde o comentário que fala das premissas do Programa de Transição: “isso era conjuntural nos anos 1930 na Europa e parte da Ásia. Não é uma premissa geral. As discussões do Trotsky com os trotskistas americanos isso fica bem claro. Não tinha situação revolucionária nos EUA nos anos 1930”.

C. carrega textos de Astarita e Trotsky:


Según este texto (que es básico en la formación trotskista), los marxistas no deben entrar em consideraciones sobre «qué se exige, a quién y cuándo» a la hora de convocar a las masas a movilizarse. Bastaría que las consignas tengan un carácter en general progresivo, porque con ello el movimiento avanzaría de todas formas. En los treinta Trotski reafirma esta idea, sosteniendo que las consignas transitorias tenían una gran importancia «con independencia de saber en qué medida serían realizadas y si lo serían o no en forma general»

Sin embargo, el tema de las posibilidades de efectivización de las consignas no es materia que se pueda dejar de lado con la facilidad con que lo hace Trotski. Ella está en el centro mismo de la crítica marxista a las ilusiones, al fetichismo de las relaciones cosificadas y a los programas utópicos e idealistas. Al desconocer precisamente la cuestión de las posibilidades - que no se reducen a las «empíricas» que menciona Trotski - la política trotskista se volverá abstracta y hasta incoherente.  (Astarita)

Por eso, cuando habla del reparto de las horas de trabajo y la escala móvil de salarios, el PT explica que ante las objeciones sobre la «imposibilidad» de lograr esta demanda los militantes deberían responder que todo dependía «de la correlación de fuerzas». Por esta razón también las consignas transicionales están concebidas como «demandas» o «reivindicaciones», que se dirigen al Estado o al capital. La toma del poder debería ser una conclusión de la movilización en pos de obligar a la burguesía a adoptar las medidas transicionales. Por otra parte, al concentrarse en una o dos consignas sin especificar qué relación guardan con el poder, la metodología política se conforma según la idea de un ascenso progresivo. Se trata de la táctica «escalera», que alienta la perspectiva de un avance de las movilizaciones «por escalones».

Así, por ejemplo, las consignas del control obrero, apertura de los libros comerciales, y planes económicos obreros se conjugan para formar un modelo arquetípico de esta política procesual: el control obrero y la abolición del secreto comercial, instrumentados por comités de fábrica, permitirían conocer las ganancias y gastos de las empresas aisladas; de allí, se podría determinar la composición de la renta nacional; luego, desnudar las combinaciones de pasillos y las estafas de los bancos; después, se podrían convocar a los «especialistas honestos y afectos al pueblo» como consejeros; luego, los obreros elaborarían un plan general de obras públicas «trazado para um período de varios años», y abrirían las empresas cerradas. En este caso, el control «será sustituido por una administración directa por parte de los obreros». Por último, los comités podrían reunirse para elegir comités por ramas enteras de la industria y de esa forma «el control obrero pasará a ser la escuela de la economía planificada» (el esquema expuesto lo tomamos del PT). Con esto se podría mostrar, en pequeña escala, pero de manera convincente, cómo funcionaría una futura sociedad socialista, a través de consignas movilizadoras, prácticas, «concretas» (como gustan decir los militantes de la CI).

En las discusiones sobre el programa Trotski dejó un ejemplo clásico de como concebía esta política transicional. Se trata de su propuesta de agitar por la escala móvil de salarios y horas de trabajo en Estados Unidos:

Creo que podemos concentrar la atención de los trabajadores en este punto. Naturalmente éste es sólo un punto. (...) Pero las otras consignas pueden agregarse en la medida en que se desarrolle la situación. (...) Pienso que en el comienzo esta consigna [escala móvil de salarios y horas de trabajo] será adoptada por las masas. ¿Qué es esta consigna? En realidad es el sistema de trabajo en la sociedad socialista. (...) Lo presentamos como una solución a esta crisis (...) Es el programa del socialismo, pero presentado de una manera muy simple y popular (énfasis agregado). Esta explicación se ha incorporado al acervo político de la CI y resume la mecánica de la agitación
transicional que planteaba Trotski.

(Astarita)

...cuando se trata de una reivindicación, sea cual sea (...) el simple criterio de la posibilidad de su realización no es decisivo para nosotros... No son las conjeturas empíricas sobre la posibilidad o imposibilidad de realizar algunas reivindicaciones transitorias las que pueden resolver la cuestión. (...) en determinadas condiciones es totalmente progresivo y justo exigir el control obrero sobre los trusts aun cuando sea dudoso que se pueda llegar a ello en el marco del Estado burgués. El hecho de que esta reivindicación no sea satisfecha mientras domine la burguesía, debe impulsar a los obreros al derrocamiento revolucionario de la burguesía. De esta forma la imposibilidad política de llevar a cabo una consigna puede ser más fructífera que la posibilidad relativa de realizarla.

TROTSKY


Í. responde:


Na realidade, essa é uma leitura [se refere aos excertos do Astarita] que eu já tive que combater inúmeras vezes contra correntes trotskistas degeneradas. Mas é o oposto do que é defendido pelo marxismo trotskista”. Isso é o oposto do que está escrito no Programa de Transição. Está escrito justamente que não adiante levantar as demandas mínimas e "o movimento vai por conta própria". O que está incorreto: o trecho que diz "Bastaría que las consignas tengan un carácter en general progresivo, porque con ello
el movimiento avanzaría de todas formas. En los treinta Trotski reafirma esta idea".


RS reponde ao argumento “isso era conjuntural nos anos 1930 na Europa e parte da Ásia. Não é uma premissa geral”: “sim. Numa situação diferente, o programa não pode ser o programa de transição”.

C. coloca ao Í.:

“Onde foi conquistado escala movel de salario e reparto de horas de trabalho dentro do capitalismo e isso fez partido trotsquista avançar para dirigir uma revolução social? Me diz que me convenço na hora e viro teu seguidor. CAI NA REAL BIXO!!!”.

Í. ao C.: “isso nunca foi conseguido. Essa pergunta nem faz sentido. São [críticas] mais que batidas. Só que uma é uma cita do Trotsky que só afirma algo óbvio. Outra é uma crítica que não bate com o conteúdo do Programa de Transição. Que é precisamente que só com um programa "mínimo" de melhorias, não se avança para a superação do capitalismo”.

O.: “sinto falta da distinção entre o elemento objetivo e o elemento subjetivo da situação revolucionária”. Daí Rodrigo responde: “verdade. Aí leva a outra coisa. O partido de quadros da IC é a melhor forma pra criar as condições subjetivas?”.

Í. ao RS: “sim, claro. Mas ele tem que estar presente desde antes. Senão não pega”.

RS ao Í.: “na verdade, tem que existir como propaganda e agitação o programa máximo e em algumas situações o de transição”.

Í.:


Quando formos organizar os trabalhadores de aplicativos (uber, ifood, etc.) uma demanda básica que temos que defender é que eles recebam 13º, férias, seguro por acidentes, etc. Isso é uma demanda mínima. Só iguala eles a outros trabalhadores. Junto a isso, tem que ter demanda por controle dos aplicativos, das contas e das empresas pelos trabalhadores. A primeira demanda pode ser conquistada (com muita luta) sem crise revolucionária? É possível, embora não garantido. A segunda, que é crucial para a transição socialista, só com a expropriação da empresa. E esses trabalhadores tem que estar armados com esse programa numa crise revolucionária. Ao menos um setor deles. Estejam ou não organizados já no partido (de preferência sim). Porque é a única forma pela qual esse programa de transição ao socialismo pode chegar na grande maioria dos trabalhadores numa crise revolucionária -- se desde antes dessa crise, em situações não revolucionárias, de refluxo ou mesmo de contrarrevolução, ele já existir em uma parcela, um setor (vanguarda) da classe. O Partido Bolchevique quase desmoronou uma época ali entre 1909 e 1911. Mas o avanço de consciência permaneceu num setor significativo da vanguarda. Depois o partido foi reconstruído com alguma facilidade, porque muitos círculos continuaram atuantes, além da direção exilada.


C.:


Si hubiera sido posible continuar desarrollando las fuerzas productoras en los marcos de la sociedad burguesa, la revolución no hubiera podido hacerse. Mas, siendo imposible el progreso ulterior de las fuerzas de producción en el límite de la sociedad burguesa, se realizo la condición fundamental de la revolución.
TROTSKY


C.:


Programa de transição vai nos levar a erros, derrotas, entrismos, giros franceses, reformismos com frases ocas revolucionarias...”. Vai lá e apresenta aos operários a escala móvel e outros pontos ocos como a solução para esta crise de decrescimento das forças produtivas... Não importa se isso é real ou não, mas vai gerar agitação etc. Faz que o chefe da Quarta Internacional mandou...
MMT BQT+4
Isso?


RS ao Í.: “... Só que isso com um programa min-max”.

Í.: “Min-Max-Trans”.

O.:

“Eu penso que outra distinção importante é a que existe entre reivindicação (figura da luta econômica e política imediata) e o programa (figura estratégica). O programa do partido é o programa máximo comunista, e nele deve se basear a PROPAGANDA, ainda que a AGITAÇÃO em torno dele deva ser apenas em períodos objetivamente revolucionários, como o período entre 13-22/ 29-45/ 2008 até depois da guerra” no qual Í. responde: “de acordo”.

Í. responde sobre “seguir o chefe da Quarta Internacional”:

“Meu caro, eu tou aqui para discutir ideias. Tem coisas que eu discordo e outras que concordo apesar de tradições diversas. Aí vem com essa de me mandar seguir chefe. Pelamor. Os mortos só falam através das suas obras. Podemos considerar criticamente essas obras e ver o que é bom para atualizarmos para a luta de classes hoje. Eu tou propondo, como todos aqui, essa reflexão. Ai de mim seguir "chefes" do passado ou do presente de forma acrítica. Ai de mim também seguir "só a mim mesmo" como se eu fosse o inventor da roda”.

Réplica do C.: “programa do partido é programa comunista (não o transicional). E existe o programa de reivindicações dos movimentos sociais sindicais (não as propostas do programa transicional para isso). Se eu pensasse no programa transicional e suas propostas para o movimento reivindicatório (sindical etc.), estaria num partido da quarta internacional e não aqui”.

Tréplica do Í.:

“O que é o "programa comunista"? Marx respondeu essa pergunta com uma frase em 1848. O fim da propriedade privada dos meios de produção. Será que as demandas transitórias não batem precisamente nessa tecla? Expropriação dos bancos e da grande indústria, controle operário das empresas, distribuição da terra aos produtores, etc. O ponto do programa de transição é precisamente não limitar a propaganda, a agitação, o debate a esse programa mínimo. Mas sim em todas as lutas sindicais, defender a transição ao socialismo, explicar aos trabalhadores o significado disso, ainda que, obviamente, não seja de aplicação imediata”.

C. continua:


Não limitar a propaganda? Como? se as propostas não têm aplicação como Trotsky mesmo diz, mas serviriam para no futuro.... é praticamente mais agitação e série de análises econômicas erradas. Com isso, fazendo isso como fazem até hoje, como foi dito para os seguidores nos EUa fazerem (ver citação acima), iriam superar a crise de direção e tomar a direção. VAMOS CAIR NA REAL!!! POR FAVOR!!!


O. continua:

“Mas calma C.. Porque penso existem entre os setores influenciados pelo trotskismo, alguns são mais à esquerda que outros. A posição do proprio Trostski face a segunda guerra imperialista foi bastante positiva. O "trotskismo" é que começou mal com Pablo e Mandel (apesar do segundo ter feito contribuições teóricas). Penso que são melhores continuações do sentido positivo de trostski a visão de Natália Sedova e Grandiso Munis. O Grandiso Munis (quem não o conhece sugiro o "Los sindicatos contra la revolucion", polêmica com os anarco-sindicalistas) se considerava trotskista tb”.

RS:

“O Í. sabe disso, desde 2011 mais ou menos eu acho que teve um problema na elaboração da Segunda Internacional, que afetou até a esquerda que depois virou IC. Esse problema foi na compreensão do rumo do capitalismo. De lá pra cá eu tento ver o que muda se acertar essa compreensão”.

C.:


El programa mínimo y el Programa de Transición. La tarea estratégica del próximo período -período prerrevolucionario de agitación, propaganda y organización-, consiste en superar la contradicción entre la madurez de las condiciones objetivas de la revolución y la falta de madurez del proletariado y de su vanguardia (confusión y descorazonamiento de la vieja dirección, falta de experiencia de la joven). Es preciso ayudar a la masa, en el proceso de lucha cotidiana, a encontrar el puente entre sus reivindicaciones actuales y el programa de la revolución socialista. Este puente debe consistir en un sistema de reivindicaciones transitorias partiendo de las condiciones actuales de amplias capas de la clase obrera y conduciendo invariablemente a una sola y misma conclusión: la conquista del poder por el proletariado.

Trocando em miúdios:

A tarefa central é agitação, propaganda, organização etc. para conquistar uma direção trotsquista, o que significa que não é fazer um trabalho de base e nem a formação com as próprias forças de uma frente classista (pois pressupõe que a mesma já exista, porém dirigida por políticas à serem substituidas via entrismo, giro, apoio crítico, oposição interna, etc. para daí então poder executar tais extremamente relevantes tarefas transicionais (conforme já descritas e citadas na fonte).

O objetivo é superar a questão das condições objetivas (isto é, a economia de fim do crescimento das forças produtivas) e a falta de madureza subjetiva (fundação de uma nova direção trotsquista/quarto-internacionalista nesse cenário).

A ponte entre estes dois programas (min./máx.) é o transicional (isto não é o programa comunista): que por conseguinte conduz não à conquistas imediatas - já que estas são agora impossíveis, tanto pela caracteristica irrealizável das próprias tarefas colocadas pelo programa transicional, quanto principalmente pelo capitalismo que decresce desde 1914 -, e assim portanto, a conclusão é pela frase máxima (repito, pela f-r-a-s-e!!!) da conquista do poder.

Isso tudo como tarefa de agitação para superar a crise de direção, pois é assim que de forma repetitivamente circular, que volta-se sempre à tarefa de propaganda e agitação, que enfatizo mais uma vez, não são pela construção da base própria mas sim para que se altere a direção vigente, ou seja, que assuma uma direção trotsquista, que daí cumpre com essa tarefa estratégica... escala móvel etc... como medida de solução para a crise do capitalismo (estancamento das forças produtivas)... mas que por isto ser irrealizável, assim mesmo despertaria e conduziria (ou seja, o partido da quarta internacional faria esta tarefa) para o rumo do socialismo - onde as forças produtivas crescem.

Genial não é mesmo?


O.: “e qual seria essa visão?” ao que RS responde:

“Tô estudando. Mas o que eu tenho visto é próximo do que o pessoal do Robin Goddfellow fala (não existe distinção entre capitalismo ascendente e era imperialista, mantém programa mínimo e máximo, a atividade de classe fica geralmente no nível reformista, não tem crise estrutural, catastrófica etc).”

C.:


Pesquisei rapidamente sobre o Munis, era um estancacionista das forças produtivas, mas com argumentação heterodoxa, de certa forma influenciado por sua origem mas também diferente de Trotsky (e de Meszaros), apesar de praticamente usar esta caracterização homônima.

Assim para Munis: "A reprodução expandida do capital se torna grotesca, prejudicial à sociedade e à humanidade sem distinção, decorrente de uma certa correlação entre ela e o homem." Que o crescimento aumenta alienação, exploração, mercadorias com obsolescência planejada (supérfluos), etc.

Ou seja, piora a sociedade capitalista, onde: "Também não quero dizer a suposta desproporção entre o número de habitantes em nosso planeta e seus recursos em produtos consumíveis e matérias-primas, uma nova maldição celestial que nos ameaça com o renascimento do malthusianismo.".

Logo: "A relação tóxica entre a reprodução expandida do capital e a sociedade não provém de uma causa externa, nem de qualquer fatalismo, mas de algo que lhe é intrínseco".

Onde: "Uma concentração excessiva de instrumentos de trabalho nas mãos do Estado ou de algumas empresas internacionais, que são deslocadoras e degradantes - quando não estão corrompendo - as condições materiais e espirituais da vida dos homens. No estágio inicial, a acumulação de capital pela burguesia implicava um desenvolvimento numérico, técnico e cultural do proletariado e da população em geral, o que por si só permitia uma maior liberdade para os indivíduos, independentemente da democracia burguesa e também da liberdade. competição entre capitalistas privados. O processo, a relação entre o tipo de civilização e a sociedade, foi revertida.".

E analisa: "Fato inegável: a classe trabalhadora é hoje muito mais dominada pelos proprietários do capital do que há cinquenta anos. Até seu crescimento numérico, sujeito a discussão, é contrabalançado por uma enorme extensão de trabalho que é inútil ou prejudicial à sociedade."

Sendo assim: "Os capitalistas responderam aos ganhos salariais que reduziram a mais-valia por meio de introduções tecnológicas que aumentaram a quantidade, a qualidade e o preço baixo dos produtos." "A tecnologia é, portanto, usada em contradição e em detrimento da maioria." "Em suma, é necessário suprimir a reprodução expandida do capital, o trabalho assalariado que é sua pré-condição e quaisquer relações sociais que eles tenham gerado, enfim, tudo o que tem sido a civilização capitalista."

Nisso: "Portanto, a distinção entre desenvolvimento e crescimento do capitalismo é agora uma noção de importância primordial, cheia de conteúdo. Sem ele, qualquer projeto de luta revolucionária é suspenso no vácuo, enquanto as possibilidades imediatas de educação e intervenção subversiva do proletariado ou de qualquer outro estrato social são desperdiçadas."

Onde: "Crises cíclicas de superprodução acompanharam todo o período de desenvolvimento do capitalismo. Eles representavam uma falha de seu funcionamento, cujo reparo lhe dava um vôo maior. Mas o sistema aprendeu a ignorá-los. O que se poderia chamar de interrupção permanece em uma porcentagem menor de crescimento. Mas mesmo que houvesse um desalinhamento econômico tão intenso quanto ou pior que 1929, uma situação revolucionária não pareceria uma consequência forçada - deve ser reiterada - nem o capitalismo perderia a possibilidade de retomar seu crescimento."

Entretanto: "Não não; o que cria a possibilidade e a necessidade de revolução comunista é muito mais profundo do que isso, é essencial, não acidental. Ele reside no próprio funcionamento da civilização capitalista, qualquer que seja o estado de suas coisas. Não se trata de nenhum aspecto particular do sistema, mas de todas as estruturas e superestruturas, econômicas, políticas, culturais em suas muitas facetas, costumes e relações entre os homens, que são seus. Tudo isso se tornou um obstáculo restritivo e inadequado ao florescimento individual e coletivo."

E por fim: "Em suma: a forma de trabalho assalariado está em absoluta contradição com a capacidade dos instrumentos de trabalho. A separação entre um e outro tornou-se desnecessária e, portanto, destrutiva, quaisquer que sejam as taxas de crescimento."

Além de que: "Nesses países [subdesenvolvidos como a própria Espanha, para Munis], o crescimento industrial é, antes de tudo, um crescimento nas capitais americana, alemã, inglesa, russa e chinesa em alguns casos. O mesmo se aplica então."


C.: “Texto: Impossibilidade do Desenvolvimento Capitalista - Grandizo Munis”.

C.:

“me parece que há uma dose de confusão entre contradição das relações de produção e forças produtivas/capital e trabalho, com desenvolvimento das forças produtivas do capitalismo. Munis admite que há crescimento e desenvolvimento (até das potências capitais imperialistas), mas isso seria algo como retrógrado ou efeito contrário, devido as possíveis capacidades das forças produtivas capitalistas não utilizadas, etc. em contraste aberto com todo aumento das formas de dominação, exploração etc. sobre o operariado”.

RS:

“Sim. Isso é tentar contornar a realidade. O Castoriadis tem uma frase mais ou menos assim: "como fundamentar o socialismo na necessidade de desenvolvimento das forças produtivas se elas nunca cresceram tanto como depois de 1945?"”.

C.:

“seria um determinismo economicista que o desenvolvimento das forças produtivas fossem libertar a classe operária da alienação, etc. isto pois o crescimento na sociedade produtora de mercadorias, faz também aumentar a diferença de classes entre operário e burguês. por exemplo (simples), na revolução tecnologico científica, a fabrica A produzia 1000 e o salario era 5, e na industria 4.0 (como chamam o estágio atual), a fábrica A produz 5000 e o salario é de 8”.

O.: “mas é o que eu digo: a guerra desambarga o desenvolvimento. Permite abrir um novo ciclo longo. E correlatamente, a crise engendra a guerra”.

C.:


Tem um teórico chamado Jean Lojkine que o Sergio Lessa muito critica. Para Lojkine a terceira revolução industrial/tecnocientífica seria o embrião de uma certa libertação no local de trabalho: "A revolução informacional de que trata este livro está em seus primórdios. Ela é, primeiramente, uma revolução tecnológica de conjunto, que se segue à revolução industrial em vias de terminar. Mas é muito mais que isto: constitui o anúncio e a potencialidade de uma nova civilização, pós-mercantil, emergente da ultrapassagem de uma divisão que opõe os homens desde que existem as sociedades de classe: divisão entre os que produzem e os que dirigem a sociedade". Logo: "A caracterização da atual revolução tecnológica deixa de ser feita apenas pelo impacto da ciência sobre a produção; ao contrário, o que entra na ordem-do dia é a criação, a estocagem, a fecundação recíproca, a circulação da informação em todos os setores da empresa e da sociedade, quer se trate da exploração das riquezas inovadoras acumuladas entre os usuários de equipamentos ou dos circuitos inovadores que unem os clientes e usuários aos produtores e aos que concebem os produtos". E portanto: "Podemos, agora, responder à questão acerca dos atores desta revolução pósmercantil. Tais atores, de alguma maneira, somos todos nós, conscientemente ou não, usuários das Novas Tecnologias da Informação (...). Contudo, se se confere aos desafios atuais da revolução informacional toda a sua significação cultural, política e ética, pode-se afirmar que o movimento social que deve realizá-la ainda pertence ao futuro." Para maiores informações ler o artigo "Tecnologia, fim do proletariado e a transição ao comunismo".


C.:


Informação interessante: comparar aspectos de um operário padrão com operário da indústria 4.0. "No cargo de Operador Fabril se inicia ganhando R$ 1.537,00 de salário e pode vir a ganhar até R$ 1.941,00. A média salarial para Operador Fabril no Brasil é de R$ 1.800,00. A formação mais comum é de Ensino Médio (2º Grau)." Enquanto: "O que faz um técnico em automação industrial? As palavras-chave que mais se repetem na descrição das vagas publicadas aqui são: programação de clp, projetos de automação, sistemas de automação industrial, preventiva e corretiva. Quanto ganha um técnico em automação industrial? Os salários foram calculados com base nos valores informados pelos candidatos do Vagas.com. Valor mediano: R$2.411, R$3.400, R$4.651." Qual é mais explorados? Tendência é que seja o operário de automação, que mesmo recebendo o dobro ou inclusive até mais que isso em relação ao fabril, pois uma indústria automatizada tem que produzir muito mais que uma indústria que ainda esteja nas primeiras eras da revolução industrial...


Eu fiz uma analogia a respeito dos dados apresentados pelo C. acima:


Í. diz: “a questão é que o capitalismo não pode mais elevar de forma relativa o nível da população trabalhadora. Mas não está excluído que haja ciclos de crescimento onde haja uma elevação absoluta, mas sempre abaixo do crescimento da produtividade e do acúmulo de capital em diferentes formas”.

E o C. responde: “compara o nivel de vida de um operário da Taurus, Stihl, GM hoje com um de 1900”.

.

Bem. Eu vou utilizar uma analogia que um amigo meu no face utiliza toda vez que os liberais põem o capitalismo no altar redentor. O capitalismo é um desenvolvimento em relação ao feudalismo assim como a pulga é um desenvolvimento em relação a bactéria. Portanto sempre aquém de um homem. As condições de vida podem até ter melhorado de uns cem anos pra cá mas sempre muito abaixo do que poderia ser. Chegam ao nível de pulga e daí não passam. Mas claro, trata-se de capitalismo, regime de produção centralizador e concentrador de riquezas, não poderia ser diferente, quem nasceu pra ser pulga nunca chega a ser homem.


O.:


Eu achei bom exemplo. De fato, acho que o Augusto tem muita razão em criticar visões muitos comuns dos trotakistas, e inclusive do próprio trotski (mas em muito menor escala). Mas é preciso ter cuidado pra não jogar fora o bebê com a água e desprezar completamente a teoria marxista da crise, que é o fundamento da teoria da revolução. Se de nenhuma forma o capitalismo não cria certos problemas ou não deixa de ser uma boa forma da sociedade se organizar, não haveria possibilidade da sua superação. Quero dizer que se ele não fosse ruim não teria por que supera-lo. Se ele não entrasse em crise não haveria oportunidade da revolução. E que portanto, uma correta ponderação da crise, em que ela consiste e o que advém dela, é fundamental para um prática revolucionária.


RS:

“A grande parada é que o Marx imaginava que tinha um mecanismo econômico que ia fazer a luta de classes se radicalizar (queda da taxa de lucro), só que empiricamente esse mecanismo é muito a longo prazo, e as crises cíclicas são "suaves" demais pra isso. Aí nego fica arrancando os cabelos por causa da passividade dos trabalhadores e termina jogando a culpa na direção A ou B. A exceção são as guerras, mas também não é tão direto como o Lênin imaginava”.

O.:

“Ele foi ficando mais a longo prazo à medida que a extensão geografica do capitalismo foi aumentando. Eu diria que o problema do Marx foi um pouco de otimismo (uma certa persistência de hegelianismo também...), achar que a crise ensejaria necessariamente a superação. Na verdade, ela (crise) enseja um mecanismo de superação da crise, que é a guerra. Mas penso que é possível sustentar uma versão fraca da teoria da crise, ou seja, que ela não engendra necessariamente o socialismo, mas condiciona sua possibilidade”.

Camarada Jota chega ao grupo:

“Marx ja traz o carater ciclico das crises, que traz essa questao de que uma crise nao leva necessariamente a um caos e ruptura, mas também leva a simplesmente movimentos de queima de capital constante (que naaaao necessariamente sao as guerras, ainda q seja a melhor maneira), e um novo ciclo de crescimento. Cabe a nos aproveitar esta "janela historica" das crises e dar "o pulo do gato" nela hehehhehe ai ja é contribuiçao do felino lenin”.

O. responde ao Jota:

“É por aí. Melhor índice para avaliar o impacto da tendência à queda da taxa de lucro (nas economias centrais) é o crescimento da dívida pública em relação ao PIB, porque é efeito do estado tentando compensar a escassez de lucro. E ela permite um prognóstico acurado do desenrolar da crise, por que tem um limite objetivo. Chega um ponto em que a mera rolagem dos jutos começa a impedir investimentos do estado que pudessem favorecer uma retomada do crescimento”.

C.:

“Uma leitura obrigatória praticamente é a [https://rolandoastarita.files.wordpress.com/2012/04/crc3adtica-del-programa-de-transicic3b3n-rolando-astarita.pdf]. Tava relendo os comentários anteriores sobre conjuntura/estrutura: FCFP e CEC não são mesmo que a TQTL, e nem criticar as duas primeiras teorias é negar a crise...
Conforma ja escrito aqui. Origem do grupo: a partir de anteriores onde foram tomados por pro aiatolas, nacionalistas, conciliadores, etc. Objetivo: fazer debate e tentar articular os membros. Ordem do debate proposta: 1- conjuntura historica economica. 2- questão de partido e 3 - programa politico comunista... Basta rolar para o inicio e rever isso...”.

Camarada J. acabou de entrar:

“Acho q a pauta é dahora. A questão é a sistematização.  Não sei se já está rolando o conteúdo.  Poderíamos pensar em temário. Exemplo: sobre a teoria da crise. existem várias  concepções: estrutural (Mèzáros), Cíclica (Marx, Coggiola e Martins...), de longa duração (Condratief/Trotsky), permanente (CCI a partir de Rosa). Em cima disto textos próprios ou bibliografias e mensagens fundamentadas na orientação marxista. Esse seria um bom pilar para desdobramento partido-programa”.

Camarada S.:

“Eu insisto, acho limitado o debate por meio de zap , ainda mais temas tao dificeis. Teriamos q construir, penso, outro espaco q permitisse o aprofundamento dos debates. O zap pode ser um meio interessante pra organizar os debates, mas nao pra fazer eles, penso...”.

Camarada J.:

“No passado trocavam-se cartas sobre os temas. Aqui, se ñ tem a viabilidade de um encontro presencial, ao menos para o momento, poderíamos ter um texto orientador - ñ necessariamente um artigo-, sobre os temas e, só avançaríamos para i seguinte, após esclarecimento geral”.

O.:

“Eu penso que justamente o que falta na leitura da maior parte da esquerda é a conjugação da teoria da crise com a teoria do imperialismo, no formato feito pelos teóricos do início da terceira internacional e além. Seguindo o fio da esquerda comunista italiana”.

Jota: “na minha perspectiva, ao menos até então, tratam-se de crises que se apresentam periodicamente, ciclicas. Tal como o Critica da Economia. Seja la o que for, meu problema é que o desdobramento pratico da teoria da crise estrutural que é dado pelas orgs,, ao menos, na prática, e de que "qualquer coisinha" e já estamos em periodo pre revolucionario. O que acarreta distorções na estrutura organizativa (maior centralização e maior abertura das fronteiras partidarias) e na forma do trabalho de base (agitacionismo vanguardista). Mas nao me parece ter esse "problema" por aqui, portanto n acho central esse debate agora. Só pontuando mesmo”.

O. encaminha o debate de crises para uma finalização através do “resumão” dele...


Então, eu faço um resumão. À medida que a queda de lucro cai, há uma tendencia, por um lado, do acirramento da luta de classes, por outro, do acirramento dos conflitos interimperialista (escassez "de alimento" produz conflito; a burguesia se alimenta de mais-valia; a mais-valia se torna escassa-> conflito se acirra). O caráter da crise é de super-produção/super-acumulação, decorre do fato do aumento da composição orgânica orgânica do capital gerar uma incapacidade de consumo solvente em relação à capacidade produtiva. A indústria belica consiste em produção de mercadorias com a qualidade específica de, além de consumir a si mesma no ato de consumo, consome à outras mercadorias (ou seja, tem a natureza de super-mercadoria). A guerra imperialista generalizada é a tendência geral do capitalismo, e a forma necessárias para que o mesmo possa abrir um novo ciclo de acumulação. A guerra também é a situação de oportunidade revolucionária.


Eu: “O., a escassez é que é entre aspas. Pois não há escassez”.

O.: “então, escassez de mais-valia. Que é responsável pelo acirramento dos conflitos ENTRE as burguesias. Em relação ao acirramento da luta de classes sim, seria o caso de uma "escassez" entre parênteses, já que a produção seria hábil para suprir as necessidades, o que impede isso de acontecer são as relações sociais”.

Jota respondeu ao O.:

“Isso, a crise de queda tendencial da taxa de lucro é a forma como se expressa a contradiçao entre o desenvolvimento das forças produtivas com as relações sociais de produção que em determinado estagio passam à atravancar seu processo de desenvolvimento”.

Obs. finais:
Jota é um, J. é outro.