O CULTO À IGNORÂNCIA
E O PROCESSO CIVILIZATÓRIO
NA ATUAL SOCIEDADE BRASILEIRA
A sociedade brasileira hoje vive um período de intensa obscuridade. Com o advento dos intensos debates nas redes sociais sobre o processo eleitoral de 2018 numa visível dualidade de pensamentos extremistas, percebemos essa escuridão de conhecimento e um verdadeiro culto a ignorância.Onde se culminou esse "culto a ignorância" com o incentivo do próprio presidente da república para a exaltação e comemoração do golpe militar de 64 que levou a uma ditadura sobre o pretexto de "salvar" o Brasil de um governo "comunista".
O período que antecedeu o golpe de 64, deu-se uma profunda campanha ideológica para se demonizar o "socialismo e o comunismo" estratégia hoje mantida, que culminou na eleição do atual presidente. É lastimável que ainda hoje existam pessoas que exaltem um período obscuro, de terror, torturas, mortes e perseguições.
Temos dois pontos a se analisar. Primeiro, a quem era o interesse do "comunismo" não se instalar no Brasil? Quero deixar claro, que isso não aconteceria, foi uma desculpa para o golpe. Segundo, será que quem é contra o "socialismo e comunismo", sabe o que isso significa?
Pois bem, toda essa nossa história recente, mostra que a sociedade brasileira não passou pelo processo civilizatório. Norbert Elias em seu livro O PROCESSO CIVILIZATÓRIO, faz uma análise da evolução civilizatória da Europa entre os anos de 1100 a 1900 d.c.
Elias não defendia uma "superioridade moral". Em vez disso, ele descreve a crescente estruturação e restrição do comportamento humano na história europeia, um processo denominado como "civilização" por seus próprios protagonistas. Elias tinha apenas a intenção de analisar este conceito e processo apelidado de civilização, e pesquisou em suas origens, padrões e métodos.
Fica claro, que a sociedade brasileira, precisa passar urgentemente por esse processo. Ele traçou como os padrões europeus pós- medievais em relação à violência, comportamento sexual, funções corporais, modos à mesa e formas de discurso foram gradualmente transformados pelo aumento dos limiares de vergonha e repugnância, de dentro para fora a partir de um núcleo na etiqueta de corte.
Segundo Elias, a internalizada " auto-contenção" imposta por redes cada vez mais complexas de relações sociais desenvolveu as auto-percepções "psicológicas" que Freud reconhece como o "superego".
Na obra de Nobert Elias, podemos concluir que a cultura ocidental desenvolveu de forma particularmente sofisticada, concisa e abrangente instituições rígidas, por exemplo, com avanços tecnológicos decisivos, quando comparada a outras culturas.
A pergunta que me faço é onde a sociedade brasileira estava no tempo e espaço, durante o processo civilizatório da Europa?, Muitos dirão, "mas o Brasil é detentor de uma sociedade jovem, e precisa de tempo para evoluir. Talvez, porém existem sociedades com a mesma idade da nossa e não tão obtusas em relação a temas como estes em debates na atualidade.
Precisamos urgente nos "civilizar", ou então poremos em perigo nossa democracia, e nos tornarmos mais uma vez bárbaros vivendo numa ditadura. As redes sociais nos mostra as barbaridades do superego dessa sociedade que exalta o ódio, o desamor, as perseguições, violência e até mesmo a morte.
Emerson Daniel
Professor da iniciativa privada em São Luís