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segunda-feira, 18 de setembro de 2023

MARGEM EQUATORIAL E A PAUTA AMBIENTAL



No dia 29 de agosto de 2023 ocorreu o debate entre sindicalistas, no Sindicato dos Bancários aqui em São Luís, "MARGEM EQUATORIAL E A PAUTA AMBIENTAL". Teve a participação do professor Horácio Antunes, do advogado Guilherme Zagallo e Saulo da CSP CONLUTAS, além da presença de outras centrais sindicais.


Lógico e evidente que as centrais sindicais governistas apoiam com unhas e dentes a exploração de petróleo aqui na Amazônia sob o argumento de "estratégia geopolítica". Ora mas a melhor estratégia geopolítica não é a defesa da preservação da Amazônia e de seus povos? 


Não é que a natureza esteja desequilibrada com os eventos regionais de incêndio, enchentes, secas, frio e calor resultando toda hora com o crente buzinando no seu ouvido com o "fim dos tempos". Pra quem conhece um pouco da dinâmica natural e geográfica sabe que a natureza representa a própria catástrofe, basta ver as consequencias do movimento de placas tectônicas nas cidades. A verdadeira questão é o que faremos, que mudanças (sociais e econômicas) devemos empregar em um ambiente que está em constante mudança. 


É o velho argumento marxista vulgar de "desenvolvimento das forças produtivas". Diz Marx nos Manuscritos de 1861/63: "o emprego dos agentes naturais – em certa medida, sua incorporação ao capital – coincide com o desenvolvimento da ciência como fator autônomo do processo produtivo. Se o processo produtivo se converte na esfera de aplicação da ciência; a ciência, pelo contrário, se converte em fator, em função, por assim dizer, do processo produtivo. Cada descoberta se converte na base de novas invenções ou de um novo aperfeiçoamento dos modos de produção. O modo capitalista de produção é o primeiro a colocar as ciências naturais a serviço direto do processo de produção, quando o desenvolvimento da produção proporciona, diferentemente, os instrumentos para a conquista teórica da natureza. A ciência logra o reconhecimento de ser um meio para produzir riqueza, um meio de enriquecimento". 


Mesmo nos nossos grupos de estudos do pensamento de Marx, ainda que seja uma minoria lá dentro, ouve-se que a exploração de petróleo vai mesmo conduzir pra uma melhora na qualidade de vida do brasileiro.


O PCdoB defendeu a flexibilização do código florestal (2011/2012) para aumentar o nível de desmatamento afirmando que o desenvolvimento científico e tecnológico podem, podem si só, salvar o mundo da fome e trazer o socialismo. O que viceja por aí são marxistas defendendo agrotóxicos e transgênicos. Esses malucos por acaso defendem socialismo como estatização da destruição?


Os economicistas afirmam que a expectativa de vida cresceu.


Em palestra recente no canal dos camaradas do NOVO GERMINAL, Alberto Feiden, assim respondeu essa questão sobre crescimento da expectativa de vida que me inquietava. Eu lhe perguntei por que a expectativa de vida tem crescido nos últimos tempos. Ele respondeu que isto não é verdade, a estatística permite manipular os dados. Não é que as pessoas têm ficado mais velhas, na verdade a mortalidade infantil é que tem diminuído e isto tem jogado a média geral das idades pra cima. Pode-se argumentar, aí sim favoravelmente, que a morte de crianças tem diminuído. 


E outro dado importante é que as pessoas após os 50 anos, ultimamente, têm se entupido de medicamentos o que tem feito a indústria de fármacos muito feliz.


Horácio lá mesmo rebateu. "Ok voces defendem o trabalho mas o que será do trabalho sem a natureza"? No O Capital Marx pega um autor pra dizer que o pai é o trabalho e a mãe é a terra e que nós imitamos a natureza pra realizar as transformações da matéria.


Em 2049, ano do socialismo na China, vamos enfiar um prato cheio de eucalipto e agrotóxico bem fundo na sua goela, Xi Jinping.


Para contribuir neste debate envio apresentação pelo camarada Alberto Feiden no canal DECIFRA-ME ENQUANTO TE DEVORO: "Socialismo ou barbárie, a perspectiva da revolução e o marco de irreversibilidade | Alberto Feiden". Envio apresentação de Alberto Feiden no NOVO GERMINAL. Envio também Slavoj Zizek no seu artigo "ECOLOGIA SEM NATUREZA - A ecologia se tornou, predominantemente, a “ecologia do medo”, cabendo perfeitamente na política atual – a “política do medo”" no site https://revistacentro.org/index.php/zizek/. Vai também texto de Karl Marx intitulado "Capital e Tecnologia (Manuscritos de 1861-1863)" que está em https://www.marxists.org/portugues/marx/1863/mes/tecnologia.htm


Alberto Feiden no DECIFRA-ME: https://www.youtube.com/watch?v=G2BnXrXqqiI


Slavoj Zizek: https://revistacentro.org/index.php/zizek/


Karl Marx: https://www.marxists.org/portugues/marx/1863/mes/tecnologia.htm


Alberto Feiden no NOVO GERMINAL: https://www.youtube.com/watch?v=iY7TVfc0pWk&t=205s&ab_channel=NovoGerminal



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domingo, 14 de agosto de 2022

19 PONTOS com o meu colega

 

Resumão geral até agora desde o início até os dias de hoje




Publico os 25 PONTOS (até o momento) DISCUTIDOS COM O MEU QUERIDO E INQUIETANTE VIZINHO. A gravura é em sua homenagem.




1) Internacionalidade. Comunismo não é administração nacional de um país determinado muito pior ainda se for "país feio, triste e acinzentado". Então pela milésima vez: Cuba, CN, Angola, URSS e etc não são comunistas e sim capitalistas. Comunismo só pode existir enquanto fenômeno mundial e inter-nacional. Com a conquista mundial do comunismo cada país seria, aí sim, livre de mercado e de estado, pra dispor sobre seu próprio futuro.



2) Estratégia revolucionária. O país que hoje são líderes do mundo tanto econômica, tecnológica quanto militarmente são os EUA. A revolução que estourar em qualquer lugar do globo deve atingir necessariamente os Estados Unidos e, com o mal cortado pela raiz, o resto do mundo estaria livre. Os Estados Unidos são o país mais inter-nacional que existe, é a parte que mais concentra quantidades do todo, os EUA e seus recursos produtivos (que atualmente são destrutivos) são a mediação pra conquista do mundo.



3) Forças produtivas. Comunismo não é distribuição de penúrias, tristeza, cabanas, cajados, vida bucólica e simplicidade franciscana. Nada disso. Comunismo é o usufruto geral e irrestrito do desenvolvimento das forças produtivas, é a completa automatização do trabalho, IA, impressoras 3D e as melhores e mais avançadas tecnologias postas agora a serviço do progresso e da humanidade.



4) Abolição da propriedade privada. O gozo só poder ser geral, irrestrito se a propriedade dos meios de produção e toda tecnologia existente for social e internacional e não privada ou nacional



5) Abolição das classes sociais e do estado. Tomar o poder político de estado é um meio e não objetivo dos comunistas, aliás o demiurgo da ação não é o líder e sim a classe trabalhadora. O stalinista confunde chegar no poder com se manter nele, ou seja, pensa o comunismo como uma ação despótica simplesmente daqueles que mandam sobre aqueles que obedecem. A condição da dissolução da classe trabalhadora é ela chegar no poder e daí todas as outras classes sociais, que dependem dela, se dissolveriam. Se o comunismo existe hoje, é uma força minoritária que não decide e não influi em nada. Eu sou militante do movimento e hoje nós estamos descredenciados pra influenciar a classe trabalhadora enquanto em outras épocas éramos uma força importante em vários países (Itália, França, Alemanha, Brasil e etc).



6) Psicologia. Quanto mais produtos e meios de produção, quanto mais a tecnologia estiver disponível para todas e todos (homens e mulheres) menos esses produtos, meios e a tecnologia valem. Da mesma forma com o poder político na fase de transição: se o poder político é da classe e não do ditadorzinho e não existe a lógica do mando/obediência por que haveria alguém que se lambuzasse com o poder? Duplo caráter do trabalho: quanto mais temos (base material), menos somos (psicologia). Veja que eu coloquei as mulheres no sujeito e não no objeto.



7) Eternidade. Nada é eterno, nem classes sociais, nem estado, nem inveja, nem família. E caso se essas coisas supostamente sempre existiram de que forma isto seria argumento pra afirmar que sempre existirão?



8) País feio e país bonito. País feio ou triste, segundo colocado, é o mesmo que país pobre, subdesenvolvido, semifeudal, escravocrata, retrógrado, atrasado, dominado. País rico ou feliz é o mesmo que país avançado, abundante, própero, com alto desenvolvimento, dominante. *De acordo a divisão internacional do trabalho, os primeiros são o capitalismo periférico e os segundos são o capitalismo do centro*. Os primeiros entram com a pele e os segundos com a chibata. Falar essa estética do feio/bonito pode se traduzir facilmente na perspectiva econômica de um capitalismo desigualmente integrado.



9) Profissões. Se a propriedade privada dos meios e produtos é abolida no comunismo por que haveria profissões específicas que as pessoas desempenhassem oito ou mais horas por dia em troca de um mísero salário? As pessoas seriam livres pra desempenhar atividades que gostassem e não estariam escravizadas pela necessidade de sobreviver. No comunismo se une o útil ao agradável. *Se certas profissões são atividades herdeiras da época da escravidão e do colonialismo por que teriam que existir no comunismo?* A questão das profissões se enreda bastante com o item da abolição da propriedade privada. Se a propriedade privada é abolida por que haveria dos homens serem felizes nas suas profissões se a profissão é a máquina quem desempenha? Máquinas felizes está totalmente fora de questão.



10) Mulheres. O comunismo seria a comunidade das mulheres, seria diferente da sociedade de classes patriarcal onde as mulheres não passam de objetos a serviço dos homens. No comunismo não há casamento pois o casamento é a escravização da mulher pelo homem. *Voce quer uma mulher? Pergunta pra ela se ela te quer*. O problema dos homens que não conseguem se relacionar com mulheres seria completamente resolvido no comunismo: os homens, com o tempo livre que está disponível, poderiam melhorar vários aspectos de sua personalidade, desde o corpo até a mente. A tecnologia disponível também poderia ajudar.



11) Os erros do comunismo. O ser humano é falível, ser e vida humana significa cometer erros pois não somos guiados por princípios morais e apenas vivemos realmente nossas vidas dada certa contigência histórico-produtiva e circunstancial, aceitando todos os riscos e perigos. A própria vida biológica é uma resistencia teimosa à morte. Me parece que o problema não pode ser posto no viés moral, pois *viver é errar, viver é perigoso e arriscado* e aceitando essa premissa que ser humano é o erro em si significa afirmar também que, pela sua atividade real, pode ser a solução deste erro. A verdade e seus dois lados. Portanto aceite que todo dia vai ter decepção e um Muro de Berlim a cair na sua cabeça.



12) Budismo. Quanto mais os budistas se veem seus participantes envolvidos em crimes e falcatruas tanto mais árdua é a luta budista por um mundo melhor. Pois só com muito empenho e sem recuo é que se pode enfrentar os problemas e as pessoas. *Se as coisas já estivessem certinhas, se a vida já estivesse pronta qual seria afinal a razão e o interesse de viver?* Então: primeiro que viver é perigoso, segundo que ninguém foi feito pra um entender o outro e terceiro que nós estamos sozinhos na porra do universo, não existe deus, mamãe ou papai. Então nós devemos tomar a atitude adulta de plantar as causas pra colher os efeitos, nós por nós mesmos e para nós mesmos. O fato de estarmos sozinhos até de nós mesmos deve criar não a depressão e a desistência mais a coragem de enfrentar a vida a ser vivida. O budismo apresenta semelhanças nos objetivos (revolução espiritual) com o comunismo (material e espiritual) mas agora o método é totalmente diferente. Quanto aos meios, o budismo é uma comunidade religiosa que precisa servir como chamariz para mais e mais famílias enquanto o comunismo se baseia muito mais numa *greve geral insurrecional como meio chamariz*. O budismo se assemelha ao socialismo utópico de comunidades alternativas que Marx critica. Várias características de ser casa, terreno, reunião e congregação que se atribuem ao comunismo na verdade são muito mais características próprias do budismo.



13) Dogmatismo comunista. Eu acho que o dogmatismo é com a razão que é um modo de pensar que se desenvolveu com os gregos. A originalidade do pensamento de Marx foi construída tendo como base crítica um monte de pensamentos filosóficos e econômicos. *Nós somos feitos uns dos outros, então ninguém é demais a ponto de caminhar sozinho e isolado*. Eu por exemplo sou budista. E outra coisa que eu faço é reproduzir a alienação e o estranhamento reinantes uma vez que eu mesmo, por melhor, por mais crítico e por mais humanista que seja, ainda sim preciso lutar pela sobrevivência em detrimento dos outros: a vaga da universidade que foi minha e não do outro, o posto de emprego que foi meu. Percebe? Posso eu ser 100% comunista mesmo que eu queira? Não é a vontade e a escolha pessoal que manda. Eu posso até aprovar a reforma do capital mas você acha mesmo que o capital vai se reformar se não houver uma ameaça vermelha? *Eu posso me enganar e ser flexível com as pessoas o quanto for mas isto seria bom pra quem?*



14) Feminismo e questão LGBTQI+. Assim como o budismo com sua revolução humana espiritual, o comunismo compreende as pautas das mulheres em toda sua magnitude inclusive o aborto e os direitos reprodutivos. Compreende também toda a liberdade sexual de casamento de pessoas do mesmo sexo e todas as liberdades próprias da sexualidade padrão, podem adotar crianças como fazem os demais casais. *O comunismo compreende as lutas de diversos movimentos específicos: budistas, feministas, antirracistas, dos camaradas LGBTQI+, das pessoas com deficiência, etc*.



15) Sobre meu irmão. Aqui é um caso de família que eu não queria entrar pois não quero causar inimizade com ninguém caso nosso fraterno e produtivo diálogo escape e chegue nos ouvidos dele. Queria conversar isto pessoalmente. Mas devo alertar por aqui mesmo: ele recebeu um presente de uma pessoa, uma espécie de herança, *as heranças não são o pagamento do trabalho próprio mas sim do trabalho alheio*. E também ele teve uma perda que lhe afetou muito mas queria falar apenas pessoalmente, ele *perdeu o dinheiro alheio*. Compreensivelmente as pessoas de fora da família não conhecem esse lado. Portanto *não existe esse conto de fadas de você e seu dinheiro, você trabalha e ganha pelo trabalho* e é simples assim, as relações são muito mais complexas do que parecem, existe muita corrupção, desonestidade, patifaria, inveja, roubo nas medidas e pesos, truques, assassinatos e sumiços, heranças, espólio, fura filas, vantagens e privilégios individuais. Se você tem que vigiar a panela no fogo como podes sair pra vender e comercializar produtos? A realidade é uma força da gravidade que te impede por todos os lados. Como diz o cristão, "só deus na causa". E como eu falei, os armários das pessoas estão cheios de esqueletos.



16) Aborto na perspectiva de Marx. O que faria Marx se tivesse chegado a conhecer o movimento especificamente feminista: voto, divórcio, aborto, etc? Voce se acha capaz de disputar e debater comigo o legado marxiano? Pois bem, eu também acho que consiga. Problema é que Marx morreu, pois se não, teria dado todas as respostas que precisamos. Como as pessoas têm o péssimo hábito de morrer então temos que subir nos ombros desses gigantes e continuar seu trabalho com rigor (e aqui você pode me acusar de paixão). É sábido que Marx denunciava a calamidade das mulheres operárias fabris, elas davam à luz no pé da máquina. Marx nao é, até onde eu sei, um humanista que defenda a bondade abstrata com a vida em geral, mesmo sendo vida humana. Posso arriscar que ele diria que *enquanto a maternidade for um calvário para a grande maioria das mulheres trabalhadoras, as mulheres poderão abdicar dos seus filhos nascidos ou não*. Como não é possível extrair o ser que depende biologicamente da mãe sem que extraia a vida deste ser, cabe à mulher a decisão de interromper ou não sua gravidez. Marx iria anotar criticando a bondade eventual do filisteu cristão: primeiro que há o caso de abortos espontâneos; segundo que que mulheres morrem por gravidez de risco e por procedimentos de abortos mal feitos; terceiro pelos estupros; quarto pelo total abandono pelo lado do homem que deixa a mulher à sua própria sorte.



17) Por onde começar. Uma casa, um terreno, uma área. Vamos começar então? Vamos não. Só que não começa assim, começar assim já é encaminhar por erros, a construção de uma nova sociedade, de um novo homem (e mulher) requer uma *visão ampla e não comunitária da produção*. A proposta de construir um casa comunista revela uma limitação da própria proposta: a sua impossibilidade e inevitável derrota. O próprio Marx criticou as experiências de socialismo utópico, de construir uma Nova Jerusalém, casas de apoio e etc. Começar por uma casa é não começar ou é começar pelo erro. Boa sorte. Um bom começo seria uma greve geral.



18) O que é, o que é (Parte 1). Dedico o 18 a responder o que é capitalismo, como surgiu, quem são os capitalistas, como se (des)organiza, pensa e age. O capitalismo é uma relação social, isto é, um modo de produzir, é *como se produz*. O capitalismo começou até onde eu sei por um *complexo processo* desde os mercadores, passando pelos mestres de oficinas, pelos cercamentos, pela colonização, pela escravidão, pelas Grandes Navegações, pelo roubo nos pesos e medidas, pela usura, pela acumulação primitiva de capital. Só que eles não eram uma comunidade, eles na verdade eram concorrentes mercantis que nem se conheciam e buscavam o mais rápido possível vender suas mercadorias e obter dinheiro, ou seja, *o que pautava sua atividade não era a comunidade dos homens e mulheres e sim sua própria individualidade*. Sua emergência aconteceu dentro de um certo contexto histórico internacional de desenvolvimento produtivo, industrial e comercial. Através dos tempos certas famílias e indivíduos se sobressaíram como proprietárias *só que elas só conseguiram ser mobilizando todas as pessoas para seus objetivos particulares*, ou seja, todas as pessoas não apenas compram seus produtos como trabalham pra eles e pensam como eles, então podemos dizer que, de certa forma, até os operários são capitalistas. *Os trabalhadores que são desprovidos de propriedades têm consciência de proprietários*. 



19) O que é, o que é (Parte 2). Dedico o 19 ao comunismo. Vamos lá, vamos fazer uma lista de compras. Primeiramente dizer o que *não é* comunismo: uma casa, uma Cuba, uma CN, uma Venezuela, uma Angola, uma família singular, um líder, um terreno, um indivíduo, um país, uma fábrica, um Fidel, uma invasão, uma certa vivência chamariz, um Lenin, um certo experimento chamariz, uma comunidade chamariz, um Che, uma congregação budista, uma reunião, um acampamento, um alojamento, um Marx, uma força pequena do exemplo, uma iniciativa grupal, um grupo whatsapp. Segundamente dizer o que *é* comunismo: um sistema global, uma sociedade internacional, um modo de viver, produzir e existir, uma forma social, uma sociedade mundial, uma crítica ao capital, um movimento real, uma transição socialista, uma revolução social e política, é como se produz, uma liberdade social, uma produção e reprodução consciente e organizada da vida social. A coisa assim como no item anterior só pode ser pensada no plural dos sujeitos.



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domingo, 1 de maio de 2022

Lucas Berton, Paulo Galo e Emílio Gennari: algumas linhas sobre disputa de consciência

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Lucas Berton, Paulo Galo e Emílio Gennari: algumas linhas sobre disputa de consciência


Lucas pediu que eu produzisse um texto pro blog CONSCIÊNCIA PROLETÁRIA.


Eu proponho que todos @s camaradas dos nossos círculos e grupos fizessem o mesmo, produzam textos e vamos compartilhar entre nós.


Fiz uns cotejamentos entre as produções textuais do Lucas Berton e do camarada Emilio Gennari do Núcleo 13 de Maio. O texto do Emílio é mais extenso, com mais fôlego e uma verve maior de educador popular, põe as bases materiais das ideias vigentes. A pegada do Lucas é mais na psicologia de massas. Ambos partem de diferentes abordagens e chegam a um denominador comum.


Alguns pontos de preâmbulo. Acabo de assistir uma entrevista com Paulo Galo líder dos entregadores e ele diz que refutou, baseado na própria Bíblia, um bobinho terraplanista que também é trabalhador entregador. Po ninguém gosta de sentir burro então Paulo pede pro seu amigo de corre, e para este se sentir inteligente, lhe explicar o que tem naquele livrinho pequeno chamado MANIFESTO COMUNISTA. Paulo finge não entender as linhas do Manifesto. O terraplanista realmente entende e explica pro Paulo o conteúdo básico do Manifesto de 1848 e daí Paulo Galo faz um recuo tático dizendo "é realmente a terra é plana, eu estava enganado". Pois foda-se se a terra é plana ou não, o importante é que o parceiro entendeu as mínimas palavras do Manifesto. Pode ser (ou não) que lá na frente ele abandone sua postura terraplanista ou que ele nunca mais volte a tocar nesse assunto pra não se ver de novo constrangido. Quem quiser saber da entrevista toda tem o vídeo no youtube. 


Paulo Galo está dizendo o problema de ser esquerda na favela, como se comunicar na favela o esquerdinha geralmente não sabe porque está cheio de verdade prontas e acabadas e, pior, se considera detentor delas. Diz Emílio: "Por isso, nenhuma ideia, conceito ou demonstração teórica, por si só, é capaz de superar o que nasceu e se alimenta da vida cotidiana".


O Lucas sugere no seu texto que deve-se "romper este eterno retorno ao ponto de partida do proletariado do país, há que se levar em consideração os novos avanços científicos – como a psicanálise, por exemplo –, procurar novas formas organizativas, mais condizentes com a realidade da classe trabalhadora brasileira". 


Se eu entendi bem, a abordagem sugerida pelo Lucas é posta em prática pelo camarada Paulo Galo. Paulo não mostra a verdade e resposta nenhuma porém apenas encaixa, humildemente, as perguntas certas fazendo com que o paciente ele mesmo encontre a verdade.


Agora sim indo ao tema de minhas anotações. Noto semelhanças e diferenças de abordagens entre os dois autores - Lucas e Emílio.


Lucas: "Nesse sentido, sua agitação e propaganda acabam rompendo as poucas pontes que existem com a massa".


Emílio: "Há quanto tempo os simples deixaram de ser protagonistas do esforço de fazer com que a ação nasça de baixo para cima para serem destinatários do que elaboramos em grupos restritos? (...). Podemos achar que estas perguntas não passam de uma provocação barata, reagir a elas com indignação e indiferença, apontar o futuro como o lugar de grandes realizações, mas os fracassos provam que há um abismo entre o mundo dos espoliados e o dos movimentos que dizem representá-los".


Lucas coloca assim:


"Porém, temos que trabalhar com a massa real, tal como ela é: cheia de contradições e desvios moralistas, burgueses, patriarcais, religiosos; e, sobretudo, precisamos insuflar-lhe consciência de sua devida responsabilidade social, procurando analisar no concreto a sua mudança de postura, e confrontando-a permanentemente com suas próprias contradições. Inclusive devemos fazer um longo trabalho de base que combata a sua espera por um milagre vindo de um “salvador da pátria”: tarefa longa, dificílima e impopular, renegada pela “esquerda revolucionária”".


Enquanto Emílio diz: "Nas inúmeras vezes em que ouvi educadores populares, dirigentes e militantes desqualificar como "alienada" a leitura que o povo faz da realidade tive a impressão de que se referiam a um conjunto de ideias cuja superação dependia, fundamentalmente, da capacidade de contrapor, com criatividade e persistência, outras ideias tidas como "esclarecidas", "classistas" e "de luta". (...) Ao chamar o povo de alienado, dizemos apenas que o modo capitalista de produção teve êxito na sua tarefa de, por exemplo, criar operários com cabeça de patrão ou de convencer os pobres de que sua penúria é fruto de uma sina cruel, de um demônio sem escrúpulos ou da incapacidade de aproveitar as oportunidades".


Lucas: "Nesse sentido, há uma manipulação histórica muito bem feita das suas ideias, dos seus “valores morais”, do seu sadismo e das suas emoções primárias pela grande mídia, pela moral social, pelas escolas e universidades, pelas igrejas; em síntese, pela estrutura oficial".


Entendi que a Estrutura não é algo que paira acima das vidas sociais e sim que devolve às pessoas seu próprio vômito, o que elas têm de pior. Devemos nós atiçar o que elas têm de melhor e aqui faço a comparação com a metáfora, empregada pelo Emílio, dos carros de diferentes tamanhos e tipos que transitam caoticamente pelas consciências.


Emílio enfatiza que "a luta popular não dará um passo se quem clama para si o papel de vanguarda for incapaz de caminhar com o povo, de entendê-lo, respeitá-lo, de fazer com que os passos da mudança incorporem a sua resistência, compreender o VIVIDO, o SENTIDO, sem ficarmos a reboque. "É óbvio que não devemos absolutizar as manifestações populares como portadoras de verdades absolutas, de posturas transformadoras por excelência e nem mesmo como alheias à visão de mundo dos grupos de poder ou livres de aspectos que representam uma fuga da realidade". "(...) Esta é a condição sem a qual é impossível entender a maneira de pensar e agir do povo e, menos ainda, de instaurar um diálogo prático-teórico que supere suas compreensões atuais".


A conclusão que eu tiro é que já é errado se a disputa de consciência se põe em termos de convencimento do outro, como tantas vezes eu tenho visto no discurso de esquerda.


Fontes:


1. A vida nas dobras do senso comum. Emílio Gennari. Educador do Núcleo 13 de Maio. Brasil, 18 outubro de 2021. 23 páginas.


2. Por que a classe trabalhadora brasileira ainda acredita em Lula? Uma abordagem a partir da psicologia de massas. Lucas Berton. Sexta-feira, 26 de novembro de 2021. Aqui: https://conscienciaproletaria.blogspot.com/2021/11/por-que-classe-trabalhadora-brasileira.html


3. Entrevista com Paulo Galo. Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=aFkbdFRUeXg


quinta-feira, 24 de março de 2022

Centro de estudos e de educação da classe trabalhadora do Estado do Maranhão

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Este item se refere à rica experiência de formação de grupo de estudos acerca do pensamento de Marx (e estudiosos do pensamento do autor) promovidos pelos/as camaradas sindicalistas do estado do Maranhão.


Em algum momento entre 2019 e 2020 quando ainda podíamos nos encontrar antes da pandemia.


Sugestões de atividades do Minicoletivo


1. - Introdução: discussão acerca do nome


Jorge sugere que o coletivo tenha uma denominação, tipo: Coletivo de formação Marxista. Tentando enriquecer a proposta do Jorge, trazendo cada vez mais para o conteúdo das nossas discussões, acho que seria algo assim como:


COLETIVO DE EDUCAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA

Ou

COLETIVO DE AUTO EDUCAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA


Parece-me que o termo educação se enquadra melhor nos nossos objetivos, uma vez que o termo Formação sempre me deixou intrigado. Também me deixa intrigado o termo “Marxista”, haja vista a famosa carta de Marx a Engels, dizendo “não sou Marxista”, em protesto contra a proposta do seu genro Paul Lafargue, de criar um “Partido Marxista na França”. Mas, haja vista, sobretudo, o que se observou ao longo do século XX, de um conjunto de intelectuais marxistas ou de organizações ditas marxistas, que cunharam inclusive a nomenclatura mais avançada de “marxismo-leninismo”, sem, contudo, pelo que temos visto até agora, terem sequer compreendido a teoria social que assumiram. Registra-se a existência de organizações na américa latina, como o Sendero Luminoso, do Perú, que se atribuiu: “Marxista, Leninista, Maoista, Pensamento Gonzalo”. Parece que esse tipo de denominação expressa um mero seguidismo, quando o desafio é compreender a teoria (subir nos ombros dos fundadores da teoria) e superá-los, no sentido dialético do termo, especialmente, na compreensão daquilo que é universal, na teoria e a sua aplicação na nossa particularidade, geográfica e histórica.


2. - Acerca da forma


2.1 - O Minicoletivo se organiza como a parte do Coletivo de Formação, formado a partir das atividades de formação executadas pelo Plano de Formação do Sindicato dos Bancários, dirigido à categoria bancária, mas aberto à participação de toda a classe trabalhadora. O Minicoletivo é fruto desse grande grupo e vê, nesse grupo de trabalhadores, um extrato do que há de mais avançado na classe trabalhadora maranhense, até agora identificado, pois aceitaram participar de um programa de formação e já participaram concretamente das primeiras atividades. Portanto, esse grupo é o resultado de um grande esforço realizado, a partir da estrutura material e da direção política do SEEB-MA, do SINTRAP de Caxias e do SINDSERM de Codó [Caxias e Codó são cidades do interior do estado], apontando para a necessária “formação política” da classe trabalhadora, e não somente das categorias representadas.


2.2 - O Minicoletivo centrará esforços na interação com o conjunto do Coletivo Formação, no sentido de, primeiro, dar continuidade ao programa de formação em andamento, enriquecendo-o com outros temas e atividades surgidas em nossos debates e práticas cotidianas; segundo, buscar envolve-los no estudo da teoria científica em grupo, única forma de apreendê-la da forma necessária à sua utilização como “guia para a ação prática”, considerando que as atividades de formação se constituem apenas em momento de sensibilização para a necessidade do estudo, sendo este necessariamente realizado num longo processo cotidiano e sistemático, de forma individual e em grupo.


2.3 - Para cumprir o objetivo delineado no item anterior, o Minicoletivo deverá:


2.3.1 - Desenvolver formas de interação – no Coletivo de Formação – que sejam eficientes para despertar neste o interesse pela teoria social dos trabalhadores como ferramenta necessária de ação na realidade concreta, buscando contribuir para sua auto-organização e autoformação. A título de exemplo concreto, a estratégia inicial de interação deverá ser de mais ouvir, com atenção, os companheiros do coletivo, principalmente as postagens, no grupo virtual do ZAP, que representam o entendimento deles acerca do movimento dos trabalhadores.


2.3.2 - Serão observadas para identificação e conhecimento as diversas categorias profissionais no âmbito do Coletivo de Formação.


2.3.3 - Será realizada reunião virtual com os integrantes do Coletivo com o objetivo de ouvi-los sobre a conjuntura atual, questões objetivas, bem como conhecer quais as categorias de trabalhadores que estão no Grupo, suas vivências e informar sobre as perspectivas de continuidade das ações de formação.


2.3.4 - Após a reunião ou reuniões, o Minicoletivo avaliará sua forma e método de participação e interação com o Coletivo, além da continuidade da Jornada de cursos.


2.3.5 - A jornada de cursos presenciais deve ser reiniciada logo após o período de Pandemia.


2.3.6 - Em face do prolongamento da pandemia se faz necessário avaliar a possibilidade de realizar, de forma virtual, algumas atividades do Programa de Formação.


2.3.7 - Recursos virtuais como auxílio – Esse período de pandemia trouxe-nos uma nova realidade e novas potencialidades ao estudo em grupo. A princípio, entendemos que nada substitui o encontro presencial. Todavia, as possibilidades apontadas com as reuniões virtuais, são muitas, pois economizamos tempo e recursos financeiros, com o deslocamento. Então, parece que precisamos contemplar o uso das ferramentas virtuais, como auxílio ao desenvolvimento das nossas atividades, mesmo após a superação da pandemia.


2.3.7.1 - O uso do ZAP – Verificou-se a importância de cada instância e cada grupo, se organizar usando a ferramenta ZAP, que permite uma comunicação com agilidade. Mas é importante estabelecer patamares razoáveis de postagem de mensagens em cada grupo, de modo a não atrapalhar o seu objetivo específico que, no caso do grupo de estudo, é auxiliar no debate dos temas estudados na sessão anterior ou a ser estudado na sessão seguinte, e ainda, a aplicação concreta da teoria estudada aos fatos da conjuntura presente.


3. - Sobre o conteúdo


3.1 - O Minicoletivo aponta a necessidade de inclusão, na atual grade de cursos da jornada de formação, de um Curso de Organização por Local de Trabalho - OLT a ser ministrado pelo educador Emílio Gennari. O curso em referência terá ementa com abrangência do documento Sob o peso da servidão, produzido por este educador; também será contemplado neste módulo o debate sobre o caráter da representação e suas consequências no movimento sindical. Aponta-se esta atividade como prioridade a ser realizada.


3.2 - Outra atividade prioritária, a ser realizada, e que já integra a jornada de formação, é a oficina de gênero. Por ser um tema candente do momento, acrescentando-se, se ainda não tiver na ementa, o temário raça e classe. Sobre esse tema, o Minicoletivo já compreende que ele é preciso ser estudado e ser criticado quanto à forma como ele é abordado hoje pela militância e pelo “pensamento pós-moderno”, levando ao chamado identitarismo, que significa o aprofundamento da alienação, em que o movimento abandona a perspectiva de classe, de totalidade, para se afirmar no isolamento do particularismo. É a base para a continuidade do reino do Capital e de seu Estado.


3.3 - No que se refere ao estudo em grupo, ver item “5”, adiante


4. - Auto-organização do Minicoletivo


4.1 - Desenvolvimento de método de estudo com calendário e cronograma pré-estabelecidos


4.2 - Estudo de livros ou material proposto, apresentação individual no grupo e debate coletivo. Elaboração de síntese por membro do grupo previamente escolhido.


4.3 - Reunião virtual uma vez por semana, na quarta-feira, a partir das 18h, indo até às 22:00, com um intervalo de 10 minutos.  Iniciar a reunião com informes no máximo 30mim.


5. Auto formação do Minicoletivo


5.1 - O conteúdo do estudo - Conforme já se explicitou antes, o Minicoletivo é parte integrante do Coletivo de Formação, sendo a parte que já compreendeu e assumiu a tarefa de estudar a teoria social – no caso, o materialismo histórico e dialético fundado por Marx e Engels – que, nos termos das nossas discussões consensuais, é a única teoria científica capaz de propiciar à nossa classe o fundamento da sua prática, seja de resistência, seja da superação do domino do capital.


5.2 - O método de estudo - Outro aspecto importante que concluímos em nossas discussões, é que, pelo fato desta teoria ser produzida “fora da classe”, o nosso desafio passa a ser, além de apreendê-la, desenvolver um processo dialético de apreensão dessa teoria pelo conjunto da classe. Já sabemos que esta tarefa é relativamente facilitada pelo fato de que não se trata de uma teoria alienígena, mas tão somente da sistematização científica da realidade social vivida pela humanidade ao longo de sua vida na terra, especialmente nesse período que enfrentamos, do chamado “Modo de produção especificamente capitalista”, nas palavras do próprio Marx. Já temos claro que a única forma de apreender essa teoria, como ela é, na sua inteira profundidade, é através do estudo em grupo.


5.3 - Também é consenso até agora em nossas discussões que temos de enfrentar o desafio de desenvolver o aspecto da aplicação concreta dessa teoria, que é universal, à realidade brasileira, à nossa particularidade. Isto nos impõe outra grandiosa tarefa de investigar os dados empíricos da nossa realidade (classes sociais, produção, cultura etc) e submetê-los à análise teórica.


5.4 - Temos a tarefa específica de submeter a nossa prática organizativa histórica, ao crivo da teoria, sendo este o desafio fundamental para auxiliar a classe a construir suas trincheiras de luta contra o capital, especialmente quando entendemos que a classe deve assumir o objetivo estratégico de superar esse modo de produção da vida, ou, da não vida.


5.5 - Como ações concretas de auto formação termos, dentre outras:


5.5.1 - Programa de formação específico para os seus membros com o propósito de sistematizar os estudos que possibilitem tanto a apreensão da teoria como sua aplicação prática na realidade concreta. Referido programa deverá contemplar além das obras de Marx e Engels, num primeiro momento, a de autores consagrados como continuadores desta teoria, como Lenin, Trotski, Gramsci e Mao, além de autores brasileiros que tratam da nossa formação social como Florestan Fernandes, Caio Prado Junior, Nelson Wernek Sodré, dentre outros.


5.5.2 - Elaborar uma proposta temática com livros, textos e outras fontes de pesquisas de forma didática para a continuidade dos estudos.


5.5.3 - Livros e temáticas propostas para iniciar 


· O que fazer? Lenin

· O método dialético

· Manuscritos econômicos e filosóficos Marx

· Ideologia Alemã - Marx

· O Capital – Marx

· O Dezoito Brumário de Luis Bonaparte

· As Lutas de Classes na França

· A Guerra Civil na França


5.5.4 - Estudo de lives e videoconferências de intelectuais marxistas.


5.5.5 - Realização de pesquisas sobre a realidade Brasileira. Deverá elaborar diagnóstico da classe operária brasileira e do Maranhão, observando os aspectos quantitativo, qualitativo, organizativo, político, nível de força combativa, histórica e atual, e quanto à apreensão da teoria social dos trabalhadores. Será também realizada a especificação das categorias e sua localização, quer dizer, onde o capital concentra sua maior exploração e produtividade. Será aferido o nível de industrialização do Maranhão a partir da identificação das indústrias instaladas no Estado. Além dos órgãos oficiais de estatísticas, serão utilizados sites de federações de indústrias, entidades sindicais, bibliografias e observatórios trabalhistas. Essa pesquisa será realizada paralelamente aos estudos teóricos do Grupo.


6. - Acerca do estudo em grupo


6.1 - Funcionamento do grupo - Conforme dito acima, a única forma de apreensão da teoria de Marx e Engels, é o estudo em grupo. Cada tema estudado deverá ser dividido em capítulos, atribuindo-se cada um a um membro do grupo, em sistema de rodízio, para elaborar uma síntese a ser apresentada na sessão seguinte, tendo todos lido previamente o capítulo, de modo a não ser necessário ler na sessão. O grupo pode, em caráter excepcional, fazer leituras coletivas de capítulos específicos, cuja apreensão é mais difícil, a exemplo do Capítulo I – A Mercadoria – de O Capital.


6.2 - Da formação do grupo de estudos – É fundamental que o grupo seja formado por integrantes que estão decididos e que querem estudar a teoria, com compromisso de continuidade. Deve ser o pré-requisito principal para entrar e permanecer no grupo. É importante, também, que a constituição do grupo seja em um determinado período e que seja fechada a lista de integrantes, por causa da dificuldade de acompanhar as discussões, por quem venha a começar posteriormente. Essa dificuldade é para quem chega e para quem já está estudando. Assim, sempre que cresce a demanda de trabalhadores pelo estudo, deve-se formar novos grupos.


6.3 - Não confundir o Minicoletivo com o grupo de estudos. Hoje há esta junção, de dois corpos, num só. Mas, em breve, com o crescimento da demanda, e a formação de novos grupos, deveremos fazer essa importante separação. O Minicoletivo deve continuar único, óbvio, como centro coordenador de todo o processo. Enquanto cada grupo de estudos será voltado especificamente para desenvolver os estudos da teoria e autogerindo apenas essa tarefa.


7. - Da produção teórica do Minicoletivo


Certamente, temos que nos propor a tarefa de produzir textos, especialmente quanto à aplicação da teoria à nossa realidade concreta, seja criticando a nossa prática social, seja analisando a conjuntura, seja fomentando a discussão da estratégia da luta pela superação do capital.


8. - Da propaganda e da agitação


Será avaliado a viabilidade, em momento oportuno, da instituição de um boletim informativo com o objetivo de fazer propaganda e agitação junto aos trabalhadores, chegando-se até mesmo à edição de revista, por exemplo, tudo a depender do crescimento da nossa capacidade de elaboração.


9. - Do centro de formação (Educação?)


O Minicoletivo agenda como discussão futura a viabilidade da criação do Centro de estudos e de educação da classe trabalhadora do Estado do Maranhão com a finalidade de promover o desenvolvimento da teoria social dos trabalhadores e a realização de cursos, palestras, debates, oficinas e formação de educadores populares, visando a preparação teórica e prática da classe. Desde logo registramos que o Centro de estudos ora proposto seria um espaço ampliado do que hoje se constitui o coletivo, composto de trabalhadores militantes, no desempenho das tarefas de estudo da teoria, com o desenvolvimento de grupos de estudos em série; de educadores populares executando programa de educação da classe trabalhadora; esta forma, da qual já somos o embrião, não contém, portanto, nenhuma instalação física patrimonial. Trata-se de uma estrutura puramente humana, cujas ações se realizarão nos espaços já existentes, ou que venham a existir, constituídos pela classe trabalhadora.


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domingo, 16 de maio de 2021

Como usar o whatsapp para a causa revolucionária

 

Como usar o whatsapp 

para a causa revolucionária




Importa aos revolucionários de toda estirpe, da era informacional, comunistas ou não, mas dedico especialmente aos camaradas do vindouro movimento TRUST REVOLUTION.


Gosto de assistir várias vezes os filmes que gosto.


Uma amiga me indicou o CÓDIGO DE CONDUTA que cita o estrategista militar Von Clausewitz e, ao mesmo tempo que lia um pouco do histórico de vida do Engels nos livros da editora Boitempo que consta assim "sua contribuição [do Friedrich Engels] para a New American Encyclopaedia [Nova Enciclopédia Americana], versando sobre as guerras, faz dele um continuador de Von Clausewitz e um precursor de Lenin e Mao Tsé-tung", fez-me refletir e bater a ideia de escrever como usar o whatsapp de maneira revolucionária.


Seguinte. 


Você precisa entrar em todos [TODOS] os grupos whats que encontrar pela frente, não importa, até grupo de amizades está valendo, até de direita também. Sei que é difícil ter tempo e paciência pra ficar em grupos whats os mais terríveis, chatos e burros. Seria a primeira etapa a entrada.


É mais ou menos como a polícia faz, é usar o elemento surpresa e chegar chegando indo logo ao que interessa. Estando no grupo a primeira coisa que eu proponho é o "jogar pra galera" dizendo assim: "este aqui é um grupo de comunistas" ou simplesmente o libelo "grupo de comunistas". Pela minha experiência, tal ilação inicial detona uma grande quantidade de respostas: os esquerdistas veem ali nas minhas provocações um bolsominion acusando os outros de comunas. Os de direita veem ali um esquerdista debochado pregando o comunismo. Aqui a segunda etapa: a provocação.


Aparece muitas outras respostas. O objetivo aqui nesta etapa é concentrar as discussões em torno da perspectiva comunista, estimulando que todos discutam concordando ou discordando abrindo para a terceira etapa: o mapeamento das posições de cada número participante.


Tudo isso exige tempo, paciência e um pouco de conhecimento do pensamento revolucionário para segurar a atenção do grupo em torno de sua perspectiva.


Se o grupo for bom ao ponto de fornecer boas discussões e diálogos sem sua colaboração, é melhor ainda.


Após o mapeamento, é hora de recuar e sair do grupo e aí você joga outra conversa dizendo que não pode ficar no grupo mas que volta daqui a uma semana.


Para a estratégia proposta no texto é recomendável que não permaneça em muitos grupos por muito tempo, minha proposta é um grupo de cada vez, saia do grupo mas deixe-o gravado no seu aparelho, não o apague e não apague também as discussões ou pelo menos as postagens mais interessantes, a quarta etapa então é sair do grupo.


Assim você vai fazendo uma lista de grupos no seu aparelho.


Agora começa a quinta etapa: a volta.


Tire um tempo pra voltar ao primeiro grupo da lista que você entrou. Agora chegou a hora de conversar individualmente com os números participantes das discussões que você acha que podem ser conquistados.


Eu faço assim: eu classifico os numeros que podem ser conquistados em dois tipos: os abertamente comunistas e os não-comunistas (entra aqui esquerdistas, anarquistas, reformistas, social democratas ou os de abertura que queiram minimamente dialogar).


Certa vez eu encontrei uma pessoa chamado Nilo e eu percebi pelos diálogos que ele, talvez sem saber, é de direita, em que pese compartilhar comigo abaixo-assinados de impeachment de Bolsonaro. Percebi que ele tem muita abertura pra rodas de conversas revolucionárias o que mostra que a velha dissociação esquerda/direita pouco diz o que as pessoas pensam e são de verdade.


Se diriga à postagem dos comunistas e use o recurso "responder no particular" se apresentando novamente (pois os participantes esquecem ou apagam postagens) e agora sim inicie as discussões privadas, no meu caso eu convido para grupo de estudos da teoria de Marx e dos marxistas.


Para os não-comunistas, convido para o Trust Revolution.


Agora vamos cuidar dos numeros que estão nos grupos mas que nunca participam de nada. Com estes vamos ter que no privado lapidar desde o zero, voce não sabe nada dele, se for de direita voce descarta, se perceber que não é de direita você tenta aproveitar de um jeito ou do outro conforme expliquei acima.


Deixa eu levantar algumas exceções: quando sou expulso do grupo, bloqueado por algúem ou quando um direitista tenta se passar por um de nós.


O bloqueio e a expulsão podem ser facilmente contornados havendo uma firme organização revolucionária no qual um age quando o outro não pode. 


Na última exceção, conforme eu disse, sou um camarada bem aberto pra conversar até com a falsidade ideológica, para estes mantenho um grupo de distração que é um grupo que se passa por comunista porém cujos membros são todos de direita, coloco todos como administradores pra anular o elemento surpresa deles, se quiser que fiquem com o grupo, eu faço outro, é só pra distração mesmo, não tem importância organizativa.


Se você percebe que o grupo é composto por centenas de direitistas voce sabe que as chances de captar mentes é pequena. Neste caso eu proponho que voce deve se contentar em falar apenas com os DDD de seu estado de origem.


Então aqui está um pequeno manual do guerrilheiro de whatsapp.


De onde e como voces acham que eu encontro tanta gente boa afinal de contas? É preciso pensar um trabalho de engenharia sócio-política, o whatsapp é um oceano de oportunidades. Quem hoje nao tem zap?


sábado, 15 de maio de 2021

Calúnias contra o TRUST



Mais um capítulo das escaramuças 

no interior da esquerda: Trust como vidraça



O antissemitismo funciona(va) assim: todo fato empírico que comprovava que judeus não eram nada daquilo que os antissemitas dizem só faziam, muito pelo contrário, reforçar a posição de desconfiança antissemita perante os judeus. "Viram? Os judeus sabem esconder bem sua verdadeira face e seus propósitos".


Mais ou menos o mesmo imbróglio kafkiano envolve o movimento TRUST REVOLUTION. Uma certa camarada M. está maldizendo o nosso movimento TRUST nas redes sociais com as informações que eu mesmo lhe repassei. Estaria eu a esconder fatos e informações sobre o Robert ter servido o exército americano?


Ela diz que o autor das informações sobre Robert foi "um membro que me seguiu [a seguiu]". Ela não deixa claro que fui eu, denes, a lhe informar. A desonestidade começa aí. Nós somos a própria inteligência que ela usa contra nós, "tudo o que voces disserem será usado contra voces no tribunal".


Na noite do dia 12 de maio/2021 nós levávamos um diálogo idôneo e respeitoso, falávamos sobre o perigo real da infiltração de agentes P2 da polícia e do exército no nosso movimento. Os cabo anselmos da vida. É provável que tenha no movimento Trust agentes infiltrados? Até mesmo possível. O próprio nome TRUST REVOLUTION é convidativo. Nas nossas conversações no grupo whatsapp alguns números chegam abertamente defendendo revolução armada com o intuito de plantar provas policiais contra nós mesmos. Estejamos preparados.


Ela disse que era seguida no facebook e tal.


Ela estava apenas preludiando o seu próximo passo: lançar acusações contra nossos militantes pois também seria infiltrada a nossa camarada J.: "O porte da camarada J. é militar/aeronáutica/naval". Manobra risível.


Nesse mesmo diálogo do dia 12 ela relatou que se deparou, no dia da nossa reunião aberta no google meet para os simpatizantes que foi em uma quinta feira, com o seguinte: 


"É como se outra câmera sobrepôs a minha. E arrastei-a. Mas tem alg estranho contigo. Você criou o Grupo dia 24.04.21. E tinha Bluetooth com apps duplicados no cabeçalho. Tirei print, mas não localizo. Preciso limpar os print tenho mais de mil".


Acima o que ela está dizendo é que teve o aparelho celular invadido durante a reunião online no meet.


Ela errou na menção à data de criação do grupo whatsapp Trust a qual ela se refere: não foi no dia 24, foi no dia 14.


Promoveu um verdadeiro interrogatório sobre como eu conheci o Trust e sobre o Trust em si, daí eu lhe informei sobre o Robert: "Quem fez para você o grupo?", "Como conheceu a camarada J." e enquanto perguntava fazia as análises as mais bizarras sobre o caráter do movimento Trust e seus militantes.


Ela diz que há três militares a paisana no meu grupo whatsapp Trust Revolution. Eu fiquei esperando ela me apontar quais. Disse que a nossa camarada J. tem um perfil militar.


Agora relatando os diálogos na manhã do dia 13 de maio de 2021, ela despirocou geral: me bloqueou, depois desbloqueou, jogou uma acusação e voltou a bloquear, e seguiu assim. Eu consegui um outro número para lhe avisar da puerilidade de bloquear e desbloquear seguidamente, o que a fez bloquear este meu segundo número e até o presente momento ela não mais falou comigo.


Um camarada L., mancomunado com a camarada M., hoje no dia 13 enviou prints e áudios para a nossa camarada J. me desmoralizando e desmoralizando o movimento Trust.


A camarada J. compartilhou os materiais comigo. E numa engraçada triangulação de informações eu reenviei os materiais acusatórios para a fonte L.


Seguimos.


domingo, 11 de abril de 2021

Primeiras impressões Trust Revolution

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Faço minhas primeiras anotações sobre o movimento espontaneísta TRUST REVOLUTION.



O Robert tem a preocupação acertada de se mostrar com a máxima abertura para todos aqueles/as que queiram aberta e fraternalmente construir o Trust Revolution.



Tanto é assim que percebi que ele formulou "nas coxas" um documento PDF explicando o que é o tal "materialismo histórico-dialético" como se quisesse dialogar com o público alvo marxista. Despejou os maiores hits do remastigado clichezão marxista vulgar, entulhos de "materialismo histórico dialético" que Marx nunca falou. Mas tá valendo a intenção.



Eu não entrei pro Trust dado seu caráter marxista ou não e sim pela coragem revolucionária de não impor obstáculos burocráticos os quais percebo em várias organizações da esquerda brasileira de inspiração revolucionária.



Como ele suspeita que talvez a construção de uma tecnologia social preveja a circulação de afetos - e no caso não queremos qualquer tecnologia mas sim uma tecnologia revolucionária (que em outras épocas foi o partido centralizado de Lenin) - ele mobiliza acertadamente o significante-mestre de "Revolução". É um crivo para selecionar e deixar de fora a ilusão de reformas e eleições e ao mesmo tempo uma convocação para saltos mais ousados.



Há aquelas organizações que enaltecem a democracia, não é o nosso caso. Escapamos tacitamente desse binarismo chucro quando elevamos a palavra de ordem REVOLUÇÃO como norte espiritual e prático.



Pois é.



Tenho reparado com atenção especial a posição anti-sindical do Trust, debate específico que remete ao debate geral de concepção organizativa: qual nossa relação com o povo, o que pode o povo fazer e quais são as tarefas do Trust Revolution.



Nas primeiras conversas com o Robert reparei que ele produzia argumentos diretamente contraditórias entre si.



Primeiro, ele disse que não deveríamos nos guiar pela história, aqui tomada como passado e que portanto não volta mais, por outro lado, lembra que a revolução cubana foi feita por 18 indivíduos iluminados.



Eu lhe respondi que não devemos nos guiar pelas experiências históricas em que pese também não esquecer da mesma história que nos legou e herdou o que vivemos hoje.



Segundo Roberto, não devemos também esperar a sublevação da totalidade do povo mas lembra que 50 milhões de americanos lutaram contra o domínio britânico e contra a escravidão.



Ele está certo ao dizer que não se deve esperar pelo povo pois os revolucionários são aquele povo que é pró-ativo, que não devemos esperar pela história pois somos a história viva, que nós fazemos a história acontecer pois a história acontece por nós, não é um ente autônomo que constrói a realidade em nosso lugar, que não devemos esperar por ninguém pois nós mesmos somos aquele alguém o qual sempre esperamos. Nós, nós e nós de novo.



Diz o filósofo esloveno Slavoj Zizek em um de seus livros: NÃO ESPERE PELA REVOLUÇÃO QUE ASSIM ELA NÃO VEM. E mais:



É preciso manter um mínimo de antideterminismo: não há nada jamais escrito numa “situação objetiva” que impeça qualquer ato, que nos condene totalmente à vegetação biopolítica. Há sempre um espaço a ser criado para o ato, exatamente porque, parafraseando a crítica de Rosa Luxemburgo ao reformismo, não basta esperar com paciência o “momento certo” da revolução. Quando apenas se espera por ele, ele não vem, porque é preciso começar com tentativas “prematuras”, que - e aí reside a “pedagogia da revolução” -, pelo próprio fato de não conseguir atingir o alvo declarado, cria as condições (subjetivas) do momento “certo”. Recordemos o lema de Mao: “De derrota em derrota até a vitória final”, que se reflete no mote já citado de Beckett: “Tente de novo. Erre de novo. Erre melhor”. É preciso não esquecer que a revolução nunca chega “na hora”, quando o processo social objetivo gera as condições “maduras” para ela – o ponto principal da famosa noção de Lenin a respeito do “elo mais fraco da corrente” é que, mais uma vez, se deve usar a “anomalia” como alavanca para exacerbar os antagonismos, de modo a possibilitar a explosão revolucionária. 



Sobre os dezoito indivíduos em Cuba diz o site https://contrapoder.net/artigo/o-papel-da-classe-trabalhadora-na-revolucao-cubana/contrapoder.net:



(...) A essa altura, o regime de Batista já enfrentava um grande desgaste junto às massas populares e importantes greves vinham ocorrendo, como a dos bancários, em 1955, e dos trabalhadores do setor açucareiro, em 1956 – as quais tinham tanto pautas econômicas, como também exigiam o fim da ditadura. Esse desgaste aumentou ainda mais com a crescente repressão policial a partir de 1955, o que também levou ao distanciamento dos setores de classe média; por exemplo, as eleições de 3 de novembro de 1958 foram marcadas pela abstinência de mais de 80% da população, mesmo sendo o voto obrigatório. Por volta de 1957-58, até mesmo setores do empresariado cubano e operativos da CIA atuando junto à Embaixada dos EUA estavam contra Batista. Sem essa situação de crise de hegemonia do regime de Batista, os rebeldes do M26J dificilmente teriam conseguido rapidamente passar de uma pequena guerrilha rural a um Exército Rebelde, e teria sido impossível tal exército derrotar os 50 mil de Batista.



Ou será que ele enumerou propositalmente a revolução cubana pra me conquistar, me fazer de público alvo?



Talvez o co-fundador Robert não saiba ou finja não saber a relação recíproca e mútua entre povo/massa/trabalhadores/classe e organização/vanguarda/direção/partido.



Atenção. Por partido não digo legenda reconhecida por algum tribunal. Não sei como é nos EUA.



Posso fazer uma analogia com a ciência física e a transformação de energia. Imagine que povo/massa/trabalhadores/classe são o raio espontaneísta que cai e causa apenas estragos e destruição. E agora imagine que tenhamos uma máquina que "pegue" o raio e transforme energia em trabalho. A tecnologia que conduz a energia do raio em algo benéfico é a organização/vanguarda/direção/partido ... que é o que o TRUST REVOLUTION se dispõe a ser: um para-raios!



Poderia fazer a analogia com a psicologia: raiva e válvula de escape.



Se ele não entende reciprocidade, mutualidade e relacionalidade - coisas que os antigos chamavam de DIALÉTICA, posso afirmar que Robert está com um pé no autoritarismo.



Pode ser que seja só uma tática pra mobilizar: dizer que cada indivíduo deve ser o exemplo que sempre buscou.



E aí eu lembro das palavras do camarada N.: 



Que não adianta empunhar filosofia de auto-sacrífico pessoal de exército americano desconsiderando as condições de existência de cada indivíduo (podemos afirmar que, porque uma camarada nossa está falando muito nas reuniões, que ela está saindo fora?), que nós não estamos aqui no movimento pra prestar prova ou concurso de passar de ano. 



O maior ponto forte das analogias são também seu grande ponto fraco. O Trust Revolution não é um partido (legenda) que filia pessoal e nem é uma empresa cujos funcionários não criticam o patrão.



É bem verdade que o plano estratégico do Trust tem que ser seguido, concebidas e respeitadas cada etapa organizativa nível 1, 2, etc. Uma organização revolucionária séria não é brincadeira onde cada um faz o que quer e defende a posição política que desejar.



E outra verdade é que cada localidade e cada regional deve já ir pegando na massa, não esperando conselhos ou o que a direção internacional diga o que deve ser feito. Se tem um camarada, que não é presidente, mas que acha importante elaborar planos de ação (local, regional ou internacional) que o faça pois contra não seremos. A mágica da empreitada é ir convergindo o que vem de "cima" com o que vem de "baixo".



Como eu disse, o que ensejou o debate de concepções gerais foi o tema sindicatos.



Nas reuniões e diálogos do Trust Revolution falávamos sobre a validade dos meios e instrumentos históricos de luta do povo. 



Pontuávamos, não sem razão, que o sindicato já está com prazo de validade encerrado uma vez que a maioria do movimento sindical brasileiro (e não só brasileiro) está completamente fora de órbita da luta real dos trabalhadores, muitas das direções sindicais são especialistas em sabotagem de greves e acordos de gabinete, destruiu-se e afundou-se a representação sindical em nome da pseudo-luta da representação parlamentar.



E há também o problema oposto. 



Por outro lado, curiosamente, quando o trabalhador observa que a direção sindical é presente e atuante ele o trabalhador se apazigua, se acomoda, é o que vemos por experiência própria no SINTRAP - sindicato de trabalhadores da cidade de Caxias (estado do Maranhão).



É o velho problema psicológico da representatividade, quando a pessoa encontra quem faça por ela no sentido não de substituição mas de representação, ela deixa de mão, se desresponsabiliza.



Por isso a democracia liberal é uma desgraça porque ela drena as energias mobilizadoras dos indivíduos e da pior forma: "os políticos são os representantes, está na Constituição". 



Parte daí minha crítica à direção do Trust que acha que um pequeno número de pessoas pode efetivamente realizar as transformações necessárias. Será que podemos deixar o povo em stand by? 



O perigo disso é se, quando olharmos pra trás, não encontrarmos ninguém marchando conosco porque, como não precisamos ser vigiados uma vez que nunca trairemos o povo, o povo que acreditou tanto na gente acabou nos deixando sozinhos na hora do combate decisivo.



Quando o povo chancela sua representação a uns poucos indivíduos, ele o povo trai a si mesmo.



Voltando ao tema sindicato.



Curiosamente no ponto 3 (Ajudar o povo a ter senso político) na documento "Pautas de Transformação", considera-se sindicatos pelo menos em caráter pedagógico:



É necessário o entendimento coletivo das ferramentas da política, desde o funcionamento das leis que regulam o exercício democrático (como a função dos cargos políticos e as etapas e hierarquias) até um exercício mais ativo da política pelas vias de assembleias, associações, sindicatos, grêmios e etc...



Vejamos como Karl Marx aborda os sindicatos lá no O Capital:



Os sindicatos trabalham bem como centro de resistência contra as usurpações do capital. Falham em alguns casos, por usar pouco inteligentemente a sua força. Mas são deficientes, de modo geral, por se limitarem a uma luta de guerrilhas contra os efeitos do sistema existente, em lugar de, ao mesmo tempo, se esforçarem para mudá-lo, em lugar de empregarem suas forças organizadas como alavanca para a emancipação final da classe operária, isto é, para a abolição definitiva do sistema de trabalho assalariado.



E agora um ponto positivo.



Robert é muito inteligente. Durante a rodada de diálogo que eu tive com ele, um dos últimos pontos que ele deixou claro foi que eu poderia seguir por um movimento independente uma vez que o Trust não é da linha materialista de Marx como eu sou.



Certa vez fiquei sabendo pela camarada J. que a direção internacional do TRUST REVOLUTION estava destituindo 15 presidentes regionais. Eu avaliei junto com a camarada J. os porquês e as consequências deste ato, nós chegamos à conclusão que talvez Robert estivesse enviando exatamente a mensagem oposta: que a decisão pelo desligamento de 15 presidentes regionais aqui no Brasil ressaltasse a importância do Trust do Brasil andar com as próprias pernas, de maneira independente, sem esperar conselhos externos. Eu pensei na hora: "chegou nossa chance, agora eu quero ver o empenho do movimento Trust do Brasil desligado da matriz, se eles estão prontos pra andar sem Pai".



Quem não entende cai no truque, quem não saca a senha da autonomia espiritual e prática acaba perdendo as esperanças.



Por que eu digo que Robert e companhia eram inteligentes? Da minha parte eu penso que o truque fora ensaiado pela camarada J. juntamente com o Robert para pôr à prova a obstinação dos presidentes regionais com os propósitos revolucionários cujo Trust é apenas uma expressão. Devo dizer que passei no teste. Aceitaram o perigo de esvaziar o movimento em troca da Ideia Revolucionária, estão prontos pra abandonar as pessoas mas não os princípios.


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