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domingo, 17 de novembro de 2019

direita e esquerda: mesma porra


Quando o povo se levanta a esquerda se rebaixa 
o que revela que a esquerda é isto mesmo: baixa


Em: 22/08/2018



Moradores e trabalhadores da comunidade da Fé em Deus, Residencial Jackson Lago e de várias ruas do entorno, depois de muito aguardarem providências dos poderes públicos referente ao abandono do terreno da empresa de cimentos Nassau, decidiram pela invasão. Há mais de cinco anos se desenrola o imbróglio na justiça uma vez que o senhor proprietário da Nassau se achou lesado no processo de negociação e venda da área para o Estado. Em tese, deveria surgir ali mais um conjunto habitacional no sentido de prover trabalhadores e trabalhadoras ainda não contemplados com as políticas públicas de moradia. Os moradores exigem rapidez na solução dos problemas judiciais sob pena de organizar-se mais um movimento paredista. O inacabado PAC Rio Anil teve seu início em 2007 e, de lá para cá, observou-se vários problemas que se manifestam até os dias de hoje, ocasionados principalmente pela troca ilegal de governo originado pelo golpe de estado, via judiciário, da oligarquia Sarney sobre o então governador, democraticamente eleito, Jackson Lago, âmbito no qual o projeto inicial do PAC foi desfigurado.


O terreno baldio serve atualmente como esconderijo de marginais, depósito de lixo e entulho e criadouros de mosquitos transmissores de doenças. É possível que o local esteja atraindo pessoas de facções rivais, sendo assim, considera-se essencial a ocupação e utilização do espaço para evitar quaisquer tipos de escaramuças.


A decisão de ocupar foi tomada coletivamente em reunião e as mobilizações aconteceram principalmente pelas redes sociais. E pelas redes, observava-se ativistas apresentando ideias de invasão em outras áreas da cidade.


Mulheres negras descalças e sujas de lama do mangue até os joelhos; estudantes que, atônitos, voaram da escola até o movimento que obstruiu as avenidas IV Centenário e Governador Luís Rocha; trabalhadores que após o turno de trabalho se uniram ao nosso bloqueio; enfrentamento com a polícia; helicóptero e bombeiros: estes foram alguns dos ingredientes que fermentaram a quarta-feira dia 22 na comunidade da Fé em Deus. Foi uma aula de atitude e perseverança. O movimento desde o início se mostrou vitorioso e, ao final, conseguimos articular uma comissão de cinco moradores para se reunir com a Secid para debater e encaminhar o assunto.


Nossa comunidade tem uma história de lutas. Não é de hoje. A principal razão da fixação das comunidades (Liberdade, Fé em Deus, Camboa) se deveu à instalação de grandes fábricas como a pioneira Companhia de Fiação e Tecidos Maranhense, em 1890, junto da qual se fixaram os operários, cujas palhoças foram identificadas logo nos primeiros registros de habitações insalubres na cidade (Relatório de Saneamento e Profilaxia apud Sousa, 2006). Em 1918 foi inaugurado na região o matadouro, que originou o núcleo de povoamento do bairro que é hoje a Liberdade, enquanto a ocupação do bairro Alemanha está associada à chegada de franciscanos alemães e consolidou-se a partir de 1950, com a construção do Conjunto Habitacional Newton Bello. As facilidades de acesso à área, tanto por via marítima como ferroviária, determinaram ainda a fixação da Companhia Brasileira de Óleos e da Companhia Carioca de Óleos, estas já na década de 1940. Ferreira Gullar quando, exilado na Argentina, escreve o Poema Sujo evocando a sua cidade natal, dedica 15 páginas a estes bairros (Fé em Deus, Liberdade, Camboa) que descreve como “a noite proletária”: “a plataforma fumegante de cinzas e detritos da fábrica (…) a vida fechada dentro da lama (…) o rio que apodrece”. A tradição de mobilização e luta coletiva por melhores condições de vida, característica dos bairros, é provavelmente derivada dessa origem operária. Mas há também referências à influência do missionário jesuíta italiano Giovanni Gallo que foi vigário na igreja de Santo Expedito e estimulou a organização popular e a formação de lideranças.


Já deveria ter postado tal experiência neste blog passados mais de um ano. Mas não sem antes mencionar um fato tão típico que vem bem a dizer o que é ser esquerda (ex-querda), sentimento reativado após uma conversa com um amigo de ideologia revolucionária: todos os camaradas de esquerda com quem convivo e adiciono-me nas lutas pelas comunidade supracitadas foram os primeiros, a primeira linha reacionária de combate ao movimento de moradores ao que eles taxaram de “coisa de bandido”, a primeira linha de resistência reacionária que os trabalhadores de luta sofrem quando se levantam em atitudes enérgicas são os pelegos e depois as lideranças sindicais e populares, apenas por último é a burguesia e seu estado policial. Foi o que aconteceu. Meus camaradas de ex-querda me perguntaram se eu sabia desse movimento de "bandidos" e eu pensando “claro fui eu quem propus a ocupação do terreno”. Qualquer indivíduo que se imagina de esquerda necessita matar todos os dias o fascista que mora dentro  de si! Agora sim, texto pronto, verdade dita, que se publique e dê-se ciência!

Meu benemérito camarada HG Erik com sua tradicional astúcia e com muita propriedade trata do tema:
https://www.facebook.com/hg.erik/posts/1220404167980582





Fotos das reuniões da comissão de negociação abaixo: