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Este item se refere à rica experiência de formação de grupo de estudos acerca do pensamento de Marx (e estudiosos do pensamento do autor) promovidos pelos/as camaradas sindicalistas do estado do Maranhão.
Em algum momento entre 2019 e 2020 quando ainda podíamos nos encontrar antes da pandemia.
Sugestões de atividades do Minicoletivo
1. - Introdução: discussão acerca do nome
Jorge sugere que o coletivo tenha uma denominação, tipo: Coletivo de formação Marxista. Tentando enriquecer a proposta do Jorge, trazendo cada vez mais para o conteúdo das nossas discussões, acho que seria algo assim como:
COLETIVO DE EDUCAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA
Ou
COLETIVO DE AUTO EDUCAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA
Parece-me que o termo educação se enquadra melhor nos nossos objetivos, uma vez que o termo Formação sempre me deixou intrigado. Também me deixa intrigado o termo “Marxista”, haja vista a famosa carta de Marx a Engels, dizendo “não sou Marxista”, em protesto contra a proposta do seu genro Paul Lafargue, de criar um “Partido Marxista na França”. Mas, haja vista, sobretudo, o que se observou ao longo do século XX, de um conjunto de intelectuais marxistas ou de organizações ditas marxistas, que cunharam inclusive a nomenclatura mais avançada de “marxismo-leninismo”, sem, contudo, pelo que temos visto até agora, terem sequer compreendido a teoria social que assumiram. Registra-se a existência de organizações na américa latina, como o Sendero Luminoso, do Perú, que se atribuiu: “Marxista, Leninista, Maoista, Pensamento Gonzalo”. Parece que esse tipo de denominação expressa um mero seguidismo, quando o desafio é compreender a teoria (subir nos ombros dos fundadores da teoria) e superá-los, no sentido dialético do termo, especialmente, na compreensão daquilo que é universal, na teoria e a sua aplicação na nossa particularidade, geográfica e histórica.
2. - Acerca da forma
2.1 - O Minicoletivo se organiza como a parte do Coletivo de Formação, formado a partir das atividades de formação executadas pelo Plano de Formação do Sindicato dos Bancários, dirigido à categoria bancária, mas aberto à participação de toda a classe trabalhadora. O Minicoletivo é fruto desse grande grupo e vê, nesse grupo de trabalhadores, um extrato do que há de mais avançado na classe trabalhadora maranhense, até agora identificado, pois aceitaram participar de um programa de formação e já participaram concretamente das primeiras atividades. Portanto, esse grupo é o resultado de um grande esforço realizado, a partir da estrutura material e da direção política do SEEB-MA, do SINTRAP de Caxias e do SINDSERM de Codó [Caxias e Codó são cidades do interior do estado], apontando para a necessária “formação política” da classe trabalhadora, e não somente das categorias representadas.
2.2 - O Minicoletivo centrará esforços na interação com o conjunto do Coletivo Formação, no sentido de, primeiro, dar continuidade ao programa de formação em andamento, enriquecendo-o com outros temas e atividades surgidas em nossos debates e práticas cotidianas; segundo, buscar envolve-los no estudo da teoria científica em grupo, única forma de apreendê-la da forma necessária à sua utilização como “guia para a ação prática”, considerando que as atividades de formação se constituem apenas em momento de sensibilização para a necessidade do estudo, sendo este necessariamente realizado num longo processo cotidiano e sistemático, de forma individual e em grupo.
2.3 - Para cumprir o objetivo delineado no item anterior, o Minicoletivo deverá:
2.3.1 - Desenvolver formas de interação – no Coletivo de Formação – que sejam eficientes para despertar neste o interesse pela teoria social dos trabalhadores como ferramenta necessária de ação na realidade concreta, buscando contribuir para sua auto-organização e autoformação. A título de exemplo concreto, a estratégia inicial de interação deverá ser de mais ouvir, com atenção, os companheiros do coletivo, principalmente as postagens, no grupo virtual do ZAP, que representam o entendimento deles acerca do movimento dos trabalhadores.
2.3.2 - Serão observadas para identificação e conhecimento as diversas categorias profissionais no âmbito do Coletivo de Formação.
2.3.3 - Será realizada reunião virtual com os integrantes do Coletivo com o objetivo de ouvi-los sobre a conjuntura atual, questões objetivas, bem como conhecer quais as categorias de trabalhadores que estão no Grupo, suas vivências e informar sobre as perspectivas de continuidade das ações de formação.
2.3.4 - Após a reunião ou reuniões, o Minicoletivo avaliará sua forma e método de participação e interação com o Coletivo, além da continuidade da Jornada de cursos.
2.3.5 - A jornada de cursos presenciais deve ser reiniciada logo após o período de Pandemia.
2.3.6 - Em face do prolongamento da pandemia se faz necessário avaliar a possibilidade de realizar, de forma virtual, algumas atividades do Programa de Formação.
2.3.7 - Recursos virtuais como auxílio – Esse período de pandemia trouxe-nos uma nova realidade e novas potencialidades ao estudo em grupo. A princípio, entendemos que nada substitui o encontro presencial. Todavia, as possibilidades apontadas com as reuniões virtuais, são muitas, pois economizamos tempo e recursos financeiros, com o deslocamento. Então, parece que precisamos contemplar o uso das ferramentas virtuais, como auxílio ao desenvolvimento das nossas atividades, mesmo após a superação da pandemia.
2.3.7.1 - O uso do ZAP – Verificou-se a importância de cada instância e cada grupo, se organizar usando a ferramenta ZAP, que permite uma comunicação com agilidade. Mas é importante estabelecer patamares razoáveis de postagem de mensagens em cada grupo, de modo a não atrapalhar o seu objetivo específico que, no caso do grupo de estudo, é auxiliar no debate dos temas estudados na sessão anterior ou a ser estudado na sessão seguinte, e ainda, a aplicação concreta da teoria estudada aos fatos da conjuntura presente.
3. - Sobre o conteúdo
3.1 - O Minicoletivo aponta a necessidade de inclusão, na atual grade de cursos da jornada de formação, de um Curso de Organização por Local de Trabalho - OLT a ser ministrado pelo educador Emílio Gennari. O curso em referência terá ementa com abrangência do documento Sob o peso da servidão, produzido por este educador; também será contemplado neste módulo o debate sobre o caráter da representação e suas consequências no movimento sindical. Aponta-se esta atividade como prioridade a ser realizada.
3.2 - Outra atividade prioritária, a ser realizada, e que já integra a jornada de formação, é a oficina de gênero. Por ser um tema candente do momento, acrescentando-se, se ainda não tiver na ementa, o temário raça e classe. Sobre esse tema, o Minicoletivo já compreende que ele é preciso ser estudado e ser criticado quanto à forma como ele é abordado hoje pela militância e pelo “pensamento pós-moderno”, levando ao chamado identitarismo, que significa o aprofundamento da alienação, em que o movimento abandona a perspectiva de classe, de totalidade, para se afirmar no isolamento do particularismo. É a base para a continuidade do reino do Capital e de seu Estado.
3.3 - No que se refere ao estudo em grupo, ver item “5”, adiante
4. - Auto-organização do Minicoletivo
4.1 - Desenvolvimento de método de estudo com calendário e cronograma pré-estabelecidos
4.2 - Estudo de livros ou material proposto, apresentação individual no grupo e debate coletivo. Elaboração de síntese por membro do grupo previamente escolhido.
4.3 - Reunião virtual uma vez por semana, na quarta-feira, a partir das 18h, indo até às 22:00, com um intervalo de 10 minutos. Iniciar a reunião com informes no máximo 30mim.
5. Auto formação do Minicoletivo
5.1 - O conteúdo do estudo - Conforme já se explicitou antes, o Minicoletivo é parte integrante do Coletivo de Formação, sendo a parte que já compreendeu e assumiu a tarefa de estudar a teoria social – no caso, o materialismo histórico e dialético fundado por Marx e Engels – que, nos termos das nossas discussões consensuais, é a única teoria científica capaz de propiciar à nossa classe o fundamento da sua prática, seja de resistência, seja da superação do domino do capital.
5.2 - O método de estudo - Outro aspecto importante que concluímos em nossas discussões, é que, pelo fato desta teoria ser produzida “fora da classe”, o nosso desafio passa a ser, além de apreendê-la, desenvolver um processo dialético de apreensão dessa teoria pelo conjunto da classe. Já sabemos que esta tarefa é relativamente facilitada pelo fato de que não se trata de uma teoria alienígena, mas tão somente da sistematização científica da realidade social vivida pela humanidade ao longo de sua vida na terra, especialmente nesse período que enfrentamos, do chamado “Modo de produção especificamente capitalista”, nas palavras do próprio Marx. Já temos claro que a única forma de apreender essa teoria, como ela é, na sua inteira profundidade, é através do estudo em grupo.
5.3 - Também é consenso até agora em nossas discussões que temos de enfrentar o desafio de desenvolver o aspecto da aplicação concreta dessa teoria, que é universal, à realidade brasileira, à nossa particularidade. Isto nos impõe outra grandiosa tarefa de investigar os dados empíricos da nossa realidade (classes sociais, produção, cultura etc) e submetê-los à análise teórica.
5.4 - Temos a tarefa específica de submeter a nossa prática organizativa histórica, ao crivo da teoria, sendo este o desafio fundamental para auxiliar a classe a construir suas trincheiras de luta contra o capital, especialmente quando entendemos que a classe deve assumir o objetivo estratégico de superar esse modo de produção da vida, ou, da não vida.
5.5 - Como ações concretas de auto formação termos, dentre outras:
5.5.1 - Programa de formação específico para os seus membros com o propósito de sistematizar os estudos que possibilitem tanto a apreensão da teoria como sua aplicação prática na realidade concreta. Referido programa deverá contemplar além das obras de Marx e Engels, num primeiro momento, a de autores consagrados como continuadores desta teoria, como Lenin, Trotski, Gramsci e Mao, além de autores brasileiros que tratam da nossa formação social como Florestan Fernandes, Caio Prado Junior, Nelson Wernek Sodré, dentre outros.
5.5.2 - Elaborar uma proposta temática com livros, textos e outras fontes de pesquisas de forma didática para a continuidade dos estudos.
5.5.3 - Livros e temáticas propostas para iniciar
· O que fazer? Lenin
· O método dialético
· Manuscritos econômicos e filosóficos Marx
· Ideologia Alemã - Marx
· O Capital – Marx
· O Dezoito Brumário de Luis Bonaparte
· As Lutas de Classes na França
· A Guerra Civil na França
5.5.4 - Estudo de lives e videoconferências de intelectuais marxistas.
5.5.5 - Realização de pesquisas sobre a realidade Brasileira. Deverá elaborar diagnóstico da classe operária brasileira e do Maranhão, observando os aspectos quantitativo, qualitativo, organizativo, político, nível de força combativa, histórica e atual, e quanto à apreensão da teoria social dos trabalhadores. Será também realizada a especificação das categorias e sua localização, quer dizer, onde o capital concentra sua maior exploração e produtividade. Será aferido o nível de industrialização do Maranhão a partir da identificação das indústrias instaladas no Estado. Além dos órgãos oficiais de estatísticas, serão utilizados sites de federações de indústrias, entidades sindicais, bibliografias e observatórios trabalhistas. Essa pesquisa será realizada paralelamente aos estudos teóricos do Grupo.
6. - Acerca do estudo em grupo
6.1 - Funcionamento do grupo - Conforme dito acima, a única forma de apreensão da teoria de Marx e Engels, é o estudo em grupo. Cada tema estudado deverá ser dividido em capítulos, atribuindo-se cada um a um membro do grupo, em sistema de rodízio, para elaborar uma síntese a ser apresentada na sessão seguinte, tendo todos lido previamente o capítulo, de modo a não ser necessário ler na sessão. O grupo pode, em caráter excepcional, fazer leituras coletivas de capítulos específicos, cuja apreensão é mais difícil, a exemplo do Capítulo I – A Mercadoria – de O Capital.
6.2 - Da formação do grupo de estudos – É fundamental que o grupo seja formado por integrantes que estão decididos e que querem estudar a teoria, com compromisso de continuidade. Deve ser o pré-requisito principal para entrar e permanecer no grupo. É importante, também, que a constituição do grupo seja em um determinado período e que seja fechada a lista de integrantes, por causa da dificuldade de acompanhar as discussões, por quem venha a começar posteriormente. Essa dificuldade é para quem chega e para quem já está estudando. Assim, sempre que cresce a demanda de trabalhadores pelo estudo, deve-se formar novos grupos.
6.3 - Não confundir o Minicoletivo com o grupo de estudos. Hoje há esta junção, de dois corpos, num só. Mas, em breve, com o crescimento da demanda, e a formação de novos grupos, deveremos fazer essa importante separação. O Minicoletivo deve continuar único, óbvio, como centro coordenador de todo o processo. Enquanto cada grupo de estudos será voltado especificamente para desenvolver os estudos da teoria e autogerindo apenas essa tarefa.
7. - Da produção teórica do Minicoletivo
Certamente, temos que nos propor a tarefa de produzir textos, especialmente quanto à aplicação da teoria à nossa realidade concreta, seja criticando a nossa prática social, seja analisando a conjuntura, seja fomentando a discussão da estratégia da luta pela superação do capital.
8. - Da propaganda e da agitação
Será avaliado a viabilidade, em momento oportuno, da instituição de um boletim informativo com o objetivo de fazer propaganda e agitação junto aos trabalhadores, chegando-se até mesmo à edição de revista, por exemplo, tudo a depender do crescimento da nossa capacidade de elaboração.
9. - Do centro de formação (Educação?)
O Minicoletivo agenda como discussão futura a viabilidade da criação do Centro de estudos e de educação da classe trabalhadora do Estado do Maranhão com a finalidade de promover o desenvolvimento da teoria social dos trabalhadores e a realização de cursos, palestras, debates, oficinas e formação de educadores populares, visando a preparação teórica e prática da classe. Desde logo registramos que o Centro de estudos ora proposto seria um espaço ampliado do que hoje se constitui o coletivo, composto de trabalhadores militantes, no desempenho das tarefas de estudo da teoria, com o desenvolvimento de grupos de estudos em série; de educadores populares executando programa de educação da classe trabalhadora; esta forma, da qual já somos o embrião, não contém, portanto, nenhuma instalação física patrimonial. Trata-se de uma estrutura puramente humana, cujas ações se realizarão nos espaços já existentes, ou que venham a existir, constituídos pela classe trabalhadora.
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