As vicissitudes do
caso Diana Assunção nas redes sociais
Eu, Denes,
participei diretamente de uma polêmica nacional, nascida em janeiro de 2017 na
rede facebook, movida pela publicação de um singelo vídeo da camarada Diana
Assunção, militante do MRT Movimento Revolucionário dos Trabalhadores
(ex-LERQI), editora do site Esquerda Diário. Ela emplacava uma crítica ao
prefeito João Dória pela decisão de retirar os grafites. Poderia ser apenas
mais uma publicação, só que apareceu uma enxurrada de idiotas bípedes
escrevendo o que primeiro vinha às suas cabeças. Para
Humberto Eco, “o drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a
portador da verdade. Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles
têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel". Para Eco, antes das redes sociais, os
idiotas da aldeia tinham direito à palavra em um bar e depois de uma taça de
vinho, sem prejudicar a coletividade”.
Nunca
gostei da postura de certa esquerda em bloquear os detratores, perfis
criminosos apologistas de estupro e assassinato. Como vou produzir provas, denúncias
e exigências, como criar um fato político bloqueando o inimigo? É preciso
deixá-los forjar as provas de seus próprios crimes
Façam
o papel de polícia e inquiram um psicopata. Qual a sensação de vocês? É assim que me senti ao
conversar com um perfil denominado 'Abelardo Barbosa', um dos abusadores
presentes na página da camarada: [https://www.facebook.com/abelardo.barbosa.75]. O desfecho foi me ter bloqueado. Na página da Diana,
ele apagou o vil comentário que, por sorte, eu já tinha tirado cópias.
Conversando privadamente, pude coletar algumas confissões. Perguntei se
houvera sido denunciado alguma vez? No que ele responde: “Ishiii, perdi a conta, me disseram na delegacia:
amigo, faz a cena costumeira e nós tb depois vá para casa”. Ficou impune? “Lógico,
pq isso que rola aqui só é crime na mente da ralé esquerdopata. Só passagens para
dizer alô para o delegado, como falei acima. É sério, já fui várias vezes na
delegacia responder por denuncias do facebook, o delegado já está acostumado
comigo. Bom, deixa eu mandar uma real, os delegados, qualquer um estão cagando
e andando para denuncias do facebook, e só vez ou outra chamam um denunciado
devido a pressão que tenha sobre ele [grifo meu], mas já sabe de antemão
que irá bater um papinho e mandá-lo embora com saudações e desejos de
felicidade. Eles tem mais o que fazer, ja viu a criminalidade tomando conta e
sendo protegida pelos direitos humanso?” Evidencia-se que só a pressão e a luta
organizada podem levar à punição dos agressores. Continuamos. Eu pedi para que
não me bloqueasse. Eu disse: “Digo isso porque SEIS já me bloquearam neste caso
da Diana Assunção”. Ele entendeu “caso” como se fosse investigação de polícia.
Sobre “caso” quis dizer problema, situação, polêmica. Daí ele bloqueou.
Os detratores
sabem do seu déficit moral, por isso vários deles me bloquearam ou apagaram
suas contas. Somem. É o destino de todo o idiota. O ser imbecil é cheio de
receios, de tendências ao arrependimento. Não se garantem. São machos até
determinado ponto. Se confrontados, eles se escondem e apagam as pistas.
Alguns sobreviventes amainam o discurso.
Perfis-fake e
páginas-fake são criados do dia pra noite: não possuem foto, comentários ou
qualquer curtida. Páginas ligadas, muito provavelmente ao sujeitinho aí (Adriel Ambrozio) e supostamente à
atriz Beatriz Gaspar.
Como
não consegui enviar os áudios de um dos idiotas chamado “Claudio Marcos”, asseguro que o bípede, dias depois do incidente,
colocou sua discordância de maneira muito respeitosa. Confessa que não possui
estudos, o que não o torna menos capaz que os diplomados. Confessa que é
usuário e é contra a descriminalização das drogas. É o senso mais comum de
nosso proletariado. Os bípedes acima citados até me fazem lembrar
Zizek: “Por fim – mas não menos importante –, para garantir que as pessoas
tratassem umas às outras de forma educada e gentil, instituiria uma regra
obrigando que, antes de cada conversa, haja um período ritualizado de insultos
vulgares. Por que? Mas isso não seria contrário ao senso comum, que nos diz que
só podemos apelar ao xingamento descarado quando, no meio de uma conversa
educada, ficamos realmente de saco cheio e incapazes de conter nossa
frustração? Mas aqui o senso comum está errado (como costuma ser o caso). Tenho
um ritual com alguns de meus bons amigos: quando nos encontramos, iniciamos
durante os primeiros cinco minutos uma rotinizada sessão de xingamentos
grosseiros e sem pudor, ofendendo uns aos outros. Aí, depois de nos cansarmos,
reconhecemos com uma breve troca de olhares que esse enfadonho, mas inevitável
ritual introdutório chegou ao fim e, com o grande alívio de ter cumprido com o
dever, relaxamos e começamos a conversar de forma normal e educada, como as
pessoas gentis e atenciosas que realmente somos. Impor tal ritual em todas as
pessoas garantiria a paz e o respeito mútuo”.









