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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

fascismo

LEANDRO MONERATO

O FASCISMO NA INICIATIVA: O GOLPE DENTRO DO GOLPE

Militante trotskista, formado em Ciências Sociais pela Unicamp. Atualmente trabalha como professor de xadrez. Editor do jornal O Homem Livre. Somos amigos do Leandro na rede social facebook. Seu texto, a seguir, ganhou repercussão em vários sites e organizações de esquerda. E ganhou aqui também.



[Leandro Monerato] O imperialismo, os tucanos, os liberais, os coxinhas, conservadores, olavetes querem mais. Querem sangue. Querem fogueira pública. Querem a humilhação da esquerda. Querem a tortura.

Um grupo de fascistas invadiu o Congresso Nacional para em rede nacional fazer propaganda pela volta dos militares.

Toda pessoa minimamente crítica se perguntou: como um grupo de 50 almofadinhas invadiu e tomou conta do microfone do principal palanque político do país? Quem abriu a porta?

Foi um verdadeiro espetáculo fabricado pelo Departamento de Inteligência norte-americano que organizou o golpe de estado e agora esta iniciando outro golpe; está recolocando em andamento todas as mesmas engrenagens antes usadas para destituir Dilma.

Vejamos:

Como se sabe há na Câmara inúmeros pedidos de impeachment de Temer perpetrados pelo PSDB. No TSE há julgamento de irregularidades. A Lava-Jato está atacando diretamente os caciques do PMDB, prendendo líderes e ameaçando outros.

No Congresso se discute destituição de Temer e eleições indiretas que recolocaria o príncipe das privatizações, o venal e entreguista FHC. O presidente mais impopular da história brasileira voltaria ao poder sem eleições...

No Roda Viva dessa semana Cantanhêde mostrou um tom distante dos demais papagaios da burguesia. Buscou coloca-lo contra a parede a todo momento. Mostrando que o PSDB não está contente com a lentidão com que Temer destrói o país.

(PSDB, como todos sabem mas é bom lembrar, é o legítimo partido do imperialismo no Brasil).

Por baixo, o MBL organiza milícias fascistas para atacar os movimentos estudantis.

E ontem, um grupo de manifestantes da direita começaram uma campanha contra Temer, contra todo o regime político, contra o congresso, e defenderam as baionetas e botas que gostam de lamber.

Todos esses ingredientes foram sincronizados para derrotar Dilma e agora estão sendo recolocados para derrubar Temer.

O golpe contra o PT não é uma mera alteração de governo. Representa um ponto de virada de uma transformação muito profunda do regime político brasileiro, que se desenvolve surdamente há anos. E está se intensificando cada vez mais.

O imperialismo norte-americano necessita retirar do Brasil somas nunca antes vistas de recursos e dinheiro devido ao colapso interno da sua economia. A eleição de Trump dá o grau do problema interno dos EUA.

Para garantir a operação de saque necessita implementar um regime policial, precisa que o Estado brasileiro aplique uma política de guerra contra a população, retirando-lhe todos os direitos políticos para que não resista contra a retirada de direitos econômicos e sociais.

O plano é liquidar completamente todas organizações populares, sindicais e políticas da esquerda. TODAS!

O fascismo sempre ataca a ala mais moderada da esquerda para preparar as condições subjetivas para destruir todos. O ataque contra o PT é o começo. Até porque se derrotado um gigante, os pequenos...

O fascismo está sendo preparado, organizado e financiado pelos bancos mundiais desde 2008 em todo o mundo. No Brasil ele foi colocado em marcha de modo consciente em larga escala pela primeira vez em junho de 2013. Devido à falência dos métodos normais de repressão foi necessário atacar a esquerda por dentro, usando uma massa de pitbulls e coxinhas histéricos.

Em 2015, dada a derrota eleitoral, o movimento fascista foi a principal base de sustentação e alavancagem para o golpe por cima. Quando o impeachment iniciou seus procedimentos o movimento saiu de cena e assistiu de casa (pela TV) o resultado.

O governo golpista de Michel Temer avança rapidamente contra nossos interesses. Mas do ponto de vista da burguesia internacional e dos seus capachos locais (tucanos) não é assim.

O imperialismo, os tucanos, os liberais, os coxinhas, conservadores, olavetes querem mais. Querem sangue. Querem fogueira pública. Querem a humilhação da esquerda. Querem a tortura.

O golpe de estado, nesse momento, está prenhe de contradições graves. De um lado, uma parte da burguesia nacional e de outro o imperialismo. A burguesia nacional resistiu por algum tempo a ideia de golpe, mas como sempre de modo covarde. A força do império se impôs e a burguesia nacional apoiou o golpe buscando manter certos acordos para si. Mas o imperialismo deu o golpe no PT justamente para atacar não só a classe operária, mas também a burguesia nacional. E não investiu tanto recurso num golpe de estado para fazer concessões a caciques regionais do PMDB. O imperialismo irá atropelar todos que se colocarem no caminho.

O golpe contra o Temer está tomando corpo de forma rápida. Agora colocaram em cena novamente os fascistas para pressionar a centro-direita a ir mais para a direita para não deixar a extrema-direita tomar conta. E assim o fascismo vai sendo implementado no Brasil de forma orquestrada pela Casa Branca.

Por baixo, a invasão do congresso pelos fascistas tem o objetivo de, através de uma demonstração pública de iniciativa, audácia, energia e força, arrastar as massas que ainda de forma passiva rejeitam completamente o atual regime político.

Ou melhor, a extrema-direita está procurando dar uma resposta para a crise do regime político brasileiro e assim conquistar as massas.

Como uma fratura tal qual o regime político brasileiro expõe apenas pode ser resolvida por métodos revolucionários, a extrema-direita está procurando se antecipar. E de certa maneira está conseguindo.

Pois, a esquerda mantém-se resignada diante do golpe, evita tocar nos problemas centrais e faz muito barulho para no fim cair numa institucionalidade demagógica.

Enquanto a esquerda pressiona um congresso venal e corrupto controlado pelos golpistas para não votar uma lei. O fascismo está dizendo: é preciso acabar com tudo isso e refazer.

Nesse sentido, a ação da direita fascista 'dialoga' mais, nesse momento, com a psicologia da massa brasileira que quer destruir o regime político, mas não para aprofundar a destruição da país, para aprofundar as privatizações. A massa brasileira quer aprofundar o Minha Casa, Minha Vida, quer aumento salarial e redução da jornada, quer mais e cada vez mais. A massa quer a revolução, mas como a esquerda insiste em não apresentar uma saída revolucionária, a contra-revolução que utiliza métodos revolucionários vai galgando espaço.

domingo, 20 de novembro de 2016

O fim da história?

O fim da história?

No começo da década de 90, em razão da queda da URSS e das ditaduras ufanistas da América Latina, o filósofo estadunidense Francis Fukuyama desenvolveu a teoria do “fim da história”. Segundo Fukuyama, a queda do fascismo e do socialismo abriram caminho para um mundo cujo o único sistema que dominaria seria a “democracia liberal ocidental” e uma estagnação histórica ocorreria quando as últimas ameaças ao sistema existentes, o fundamentalismo islâmico e alguns outros casos de nacionalismo, caíssem por terra.

                Recentemente, a teoria que parecia ser uma “incomoda verdade” acabou caindo mais cedo do que se esperava. O crescente antiamericanismo no Oriente Médio, a ascensão de duas nações opostas ao Ocidente, Rússia e China, esta última seguindo um socialismo questionável, as guerras populares no terceiro mundo, em especial Índia e Filipinas e até mesmo a abertura diplomática entre Cuba e EUA, que poderá trazer um possível fim do embargo sem mudança no sistema socialista da ilha, demonstram que a história geopolítica está longe do fim.

                A teoria de Francis talvez já tenha nascido falha, um natimorto. Em 1992, o filósofo publicou “O Fim da História e o Ultimo Homem” sendo que, neste mesmo ano, além da queda da Albânia socialista, a OTAN tentava impor, pela força, sua supremacia à Iugoslávia e aos países do Golfo Pérsico, ora, se a democracia liberal venceu, por que tem que ser imposta por uma coalisão internacional? Sendo que estas guerra só aumentaram o antiamericanismo nos Balcãs e na Arábia.

                Apesar de sua capitulação ideológica, Tsipras, primeiro-ministro grego, recentemente quase fez um rompimento com a União Europeia, outro bastião dos sistema capitalista atual. O processo não deveria ser inverso? Ao invés de Grécia, seguida por Espanha e Portugal manifestarem seu desejo de sair do bloco econômico, o resto do mundo não deveria tentar copiá-los?

                A humanidade ainda tem muito de evoluir e a causa socialista, a luta de todos os povos do mundo, é a mais bela manifestação de seu desejo de um futuro melhor. Não nos enganemos pensando que o futuro comunista chegará sozinho, é necessária a luta, de todas as formas, dos camaradas que almejam construir uma nova sociedade, mas também não é hora de achar que a queda da URSS foi o fim da história, foi apenas o fim do começo de nossa luta!

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Leandro de Sousa Pereira

Estudante da ETEC de Itaquera

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

golpes


Golpes e a trajetória do PT


Desde 1989, quando Lula concorreu sua primeira eleição presidencial, a esquerda [em verdade, a classe dos trabalhadores] começou a ser golpeada. Nos bastidores, membros do partido desejavam apoio do PMDB, e o partido recebeu o apoio do "histórico" PCdoB, o qual, até meados do governo Sarney, fazia parte do governo.


Essa política centralizadora, gerou um conjunto de dissidências, entre as quais o PSTU e o PCO, além de políticos como Luiza Erundina, que foi para o PSB.


O conjunto de traições perpetradas pela cúpula petista não parou por aí. O partido, que possuía boa interlocução com os movimentos sociais, e os setores populares da Igreja Católica, em 2001 não teve escrúpulos na construção de uma aliança com um partido fisiológico, de extrema direita, representante do conservadorismo, e com um vice presidente representando os interesses do capital.


Ao longo dos anos, as alianças com oligarquias acabaram enfraquecendo, desmoralizando e minando os movimentos sociais, grande diferencial do partido. Políticos de diferentes procedências adentraram, e foi-se perdendo o que ainda havia de esquerda, por tentativas de centralização e de acordos com a direita, o que gerou uma dissidência, a partir da qual foi fundado o PSOL.


No Maranhão, as alianças com os Sarneys fizeram com o que o PT se afastasse de antigos aliados, como JACKSON LAGO, e fosse conivente com o golpe que o derrubou do cargo. PSB e PMDB cresceram muito. Enquanto isso, a esquerda convalescendo por conta de disputas internas dominadas por partidos pelegos (PT, PCdoB, PDT, PCB, Setores do PSOL e Pstu), foi assimilando tudo o que o governo definia.


Em 2014, Dilma já apontava para os caminhos da privatização, mas, com o golpe, anunciado desde 2013 pelo PCO, e divulgado apenas a partir do ano passado pelo conjunto da esquerda, as coisas foram piorando. PERDEMOS DIREITOS TRABALHISTAS e o DIREITO À EDUCAÇÃO, fundamentais, por conta de alianças escondidas entre os grupos pelegos, que fingem no congresso dizer não a tais medidas; pelo controle de uma central sindical, por um partido indiscutivelmente de direita, o Solidariedade; a cláusula de barreira que quer fazer com que hajam apenas 5 partidos, parecido com os Estados Unidos, sempre nas piores coisas. Claro que a culpa é nossa. Perdemos até a coragem de ir para as ruas, fazer passeata, e sem medo, grupos livres do LULISMO e da sua FRENTE POPULAR. FAZEMOS É OCUPAÇÃO DE ESPAÇOS PÚBLICOS, coisa que não afeta a reprodução do capital, nem ameniza a posição dos políticos quanto às coisas bizarras que eles aprovam no Congresso. Vamos pensar.


Há muitos outros fatos que poderia aqui enumerar, mas, por hoje, isso basta.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

sobre a esquerda no Maranhão

Texto de estirpe não-marxista, mas de esquerda, de nosso camarada Claudiney Ferreira o qual sempre soma conosco nas lutas.


Autor: Claudiney Ferreira

Breve análise da esquerda no Maranhão

Há vários dias, observo que, muitas vezes, nos é muito cômodo tecer críticas a outrem, sem nos colocarmos em seu lugar. Neste caso, refiro-me a um personagem de destaque em nossa história recente, especialmente no estado do Maranhão. Este personagem, controverso, criticado por muitos, admirado por outros, é um exemplo de luta, independente de quaisquer críticas. Trata-se do ex-governador Jackson Lago.

Tendo nascido em 1934, e acompanhado, durante a sua juventude, movimentos políticos controversos, é surpreendente ver que o médico nascido em Pedreiras, grande admirador de Getúlio Vargas, e, também, ex-aliado de Epitácio Cafeteira, tenha se transformado no principal nome da esquerda no Maranhão.

Lago, em diversas campanhas, se aproximou de partidos considerados radicais, mais identificados com as causas populares, como o PCB, por exemplo. No entanto, torna se necessária uma reflexão sobre por que ele subiu ao poder sem a esquerda, e como isso o afetou sobremaneira, realizando um governo aquém dos anseios de todos.

No Maranhão, como se sabe, estruturas oligárquicas são muito fortes, e definem os resultados dos pleitos eleitorais. Jackson Lago teve de se aliar, não por vontade própria, creio eu, simplesmente por que não poderia ser diferente. Neste ponto, os partidos de esquerda o criticam. Será que estão certos?

Não estão. A esquerda nunca quis aprender a enfrentar os grandes grupos políticos, detentores da simpatia (e do financiamento) do grande capital. Vive criticando, mas o povo já conhece todas as mazelas do estado, sem  que ninguém fique expondo. A população anseia por soluções, e procura líderes que demonstrem ser diferentes, que estejam presentes nas lutas. E não tem sido essa a postura da esquerda. Quando muito, atua em setores específicos. E o restante da população, que não se organiza em movimentos sociais, como fica? Não fica, vota na direita, pois eles sabem falar o que o povo quer ouvir (mesmo que não cumpram).

Curioso também como em 2006, ano de sua vitória, seus antigos aliados estavam todos em outros grupos políticos, alguns até mesmo com a oligarquia tão “odiada” outrora. E simplesmente por ele ter vencido a eleição e ter construído um governo de coalizão com grupos dissidentes, foi demonizado por esses grupos, que “esqueceram”, convenientemente a quem estavam aliados.


O resto da história, vocês já sabem. Jackson foi perseguido, e, ao longo de 4 anos após sua morte,vem morrendo cada mais a lembrança de um homem chamado Jackson Lago, no partido que fundou e liderou até o último dia da sua vida. E vem se transformando em uma ideia, deturpada por políticos mesquinhos que usam seu nome para terem credibilidade, mas que, em seu próprio partido, consideravam-no um “atraso” aos seus propósitos.

sábado, 5 de novembro de 2016

criminalização dos movimentos



A LPS se manifesta contra a invasão da Escola Nacional Florestan Fernandes. Da Lei Antiterrorismo à invasão à sede do PCB, dos infiltrados pelo exército nas manifestações anti governo Temer à invasão da polícia na escola nacional Florestan Fernandes, tudo o que é ruim pode ainda ficar pior. 



Contra o Golpismo!
Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

perda de espaço da esquerda nas eleições

Publico análise do camarada Diabinho (mais conhecido como Jonadabe) sobre eleições. A seguinte análise não é compartilhada pelo conjunto do núcleo da Luta Popular e Sindical do estado do Maranhão.



Uma constatação que faço sobre os resultados das eleições e a perda de espaço que os partidos de esquerda obtiveram no processo junto ao eleitor de baixa renda: a esquerda dos últimos anos passou a priorizar pautas mais voltadas para as chamadas "opressões" (misoginia, racismo, homofobia, repressão aos usuários de drogas e questões mais voltadas aos direitos civis de forma geral) ao mesmo tempo que tem negligenciado bastante a questão econômica; que tradicionalmente ocupava a posição central em suas propostas. 
Um dos resultados dessa mudança de postura é que o perfil médio do eleitor dos partidos de esquerda saiu das camadas mais baixas e se concentra mais agora numa parte específica da classe média; aquela estruturada mais no setor público, que tem alguma estabilidade econômica e que não costuma acompanhar politicamente a parte da classe média formada no setor privado (que é a que tradicionalmente detesta a esquerda de forma geral e tem sido historicamente a base social do conservadorismo político). Essa classe média formada no setor público costuma se identificar mais com o discurso anti-conservador e tem sido a parte que mais tem se identificado com as pautas levantadas pelos partidos de esquerda atualmente. 
Já as camadas mais precarizadas economicamente estão sofrendo mais diante da atual crise econômica; são os que mais estão sujeitos ao desemprego, à carestia e ao endividamento. É a parte da sociedade que tem se mostrado mais desiludida com a política; justamente porque se encontra desamparada diante da crise que enfrenta em seu cotidiano. Sem o estabelecimento de propostas reais de enfrentamento dos problemas econômicos que a aflige (que devem agregar as pautas contra as opressões sociais e ao indivíduo) e sem uma maior presença política nos bairros mais periféricos, a tendência é que essa desilusão aumente e aí é que mora o perigo de candidatos fascistas como Bolsonaro ganharem espaço junto a esse eleitorado. 
O Nordeste, por exemplo, tem apresentado crescimento de simpatia por esse candidato e é onde ele tem obtido maior crescimento (segundo algumas pesquisas). Se essa tendência aumentar, ele passa a ser uma força real em 2018.