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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Vai trabalhar vagabundo!

                                

                          Relatei no dia 27 de março de 2017 deste ano mercadorias roubadas pelo Estado e locais de trabalho destruídos aqui no bairro da Liberdade, São Luís.
Aí o cara comete crime. O idiota diz: "vai trabalhar!". O cara vai trabalhar e tem a mercadoria apreendida e seus locais de trabalho destruídos como aconteceu no lava-jato próximo ao mercado da Liberdade.
De novo, hoje, 18 de Agosto de 2017, a Blitz Urbana de Edivaldo Holanda, prefeito de São Luís pelo PDT, acaba de passar pela Avenida Governador Luis Rocha no bairro da Liberdade e Fé em Deus removendo placas, carrinhos e stands de venda dos moradores e comerciantes ao longo da avenida. O autoritarismo chamou atenção das pessoas que olhavam indignados a ação dos homens vestidos de preto da Blitz Urbana. Crianças chegaram a achar que era a polícia visto a truculência da ação bem como seus uniformes: "mãe, a polícia tá aí".
Levaram até pneus que o borracheiro usava para sinalizar sua borracharia. O borracheiro falou "se fossem novos, o negoço não ia dar certo".

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O melhor de 2014

O melhor comentário de política do ano de 2014:

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A Dona Florinda, que é de classe média, bateu mais uma vez em Seu Madruga! Segundo o Chaves, isso aconteceu em represália por ele ter votado em Dilma. Dona Florinda, que vive de pensão por ser viúva de militar, odeia o fato de Seu Madruga receber o Bolsa Família e ser beneficiado pelo Minha Casa, Minha Vida e não pagar nada ao explorador Seu Barriga. Ela, embora more apenas a alguns metros de distância dele, se acha superior e não suporta mais ter que conviver com essa gentalha. Sonha em se mudar para os States, só não o fazendo de fato, porque sabe que mexicanos não são muito bem vindos por lá, mesmo quando são brancos, de direita e almofadinhas remediados iguais a ela. Então, por enquanto, ela se contenta em espancar o pobre Seu Madruga, que só de mal, belisca o seu filho Quico, almofadinha branco, que usa a sua condição de classe remediada pra caçoar da miséria do Chaves e da Chiquinha, mesmo sabendo que aquele brinquedo, que ele tanto queria, não vai ser adquirido nesse natal. Dona Florinda não tá podendo arcar com as prestações...


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Autor: Jonas - o diabinho

domingo, 6 de agosto de 2017

Organizar pela base contra patrões e governos e por mais direitos

Organizar um sindicato pela base para enfrentar os patrões e governos e ampliar a luta por mais direitos!


Foi com esse objetivo que dezenas de trabalhadores do serviço público municipal de Frutal se reuniram para assinar um baixo assinado nos últimos mês Fevereiro e Março na cidade de Frutal e após ampla discussão e balanço sobre a situação da categoria e da inércia total do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Frutal-MG de Dados de Minas Gerais em organizar a luta e também garantir que esses trabalhadores estivessem representados pelo STSPMF, é que decidiram pela construção de outros dois Sindicatos.


Importante contar a história como de fato ela é: Há muito tempo companheiros de Frutal que estavam associados a STSPMF lutavam para que o Sindicato retomasse o caminho da organização e da luta a partir da base, para isso percorreram vários setores da Prefeitura, conversando com a Categoria e tentando trazer o Sindicato de volta para os trabalhadores. Nunca foi feito nestes 20 anos uma convenção coletiva e começamos a organizar os trabalhadores e sindicalizá-los ao STSPMF.


Os nossos servidores contra essa posição absurda, pois entenderam que a preocupação dos que controlam a máquina da entidade era de não ampliar o número de sindicalizados e principalmente dificultar a presença dos trabalhadores na vida do Sindicato.


Os companheiros continuaram a batalha para retomar a luta do Sindicato junto à base, organizaram mobilizações como, por exemplo, formação sindical e propostas para como administrar os recursos do associado com mais direitos, benefícios e convênios participação.


Ou seja, não organizavam a luta, não estavam no cotidiano da categoria e para manter a paralisia do Sindicato a qualquer custo chegaram a atacar os interesses dos trabalhadores.


“Sempre insistimos que era preciso o quanto antes fazer as devidas alterações estatutárias para garantir que o STSPMF representasse de fato o conjunto dos trabalhadores na área de serviço público municipal de Frutal, a resposta daqueles que dirigiam burocraticamente o Sindicato foi mais uma vez a inércia, pois não querem os trabalhadores definindo os rumos da entidade. Mais um exemplo disso está na base que o Sindicato deveria representar, são aproximadamente 50 associados num universo de 1.850 trabalhadores.”


Não há trabalho de base, matéria em jornais são somente quando e como querem o edital escondido e sem divulgação em outros meios só para categoria não participar e ficarem em 4 nomes para presidente. Enfim um Sindicato que nasceu da luta dos trabalhadores, hoje transformou-se numa entidade burocratizada, distante da base e se recusando a organizar a luta do conjunto da categoria.


A partir de tudo isso companheiros que faziam parte da direção sem saber do nome no Conselho, principalmente nomes de servidores inseridos na lista dos descontos sem autorização do trabalhador, conversamos juntos com trabalhadores da base decidiram pela construção de um Sindicato que de fato organizasse o conjunto da categoria.


NOSSO COMPROMISSO É RETOMAR A MOBILIZAÇÃO NA CATEGORIA E CONTINUAR SENDO PARTE DA LUTA GERAL DA CLASSE TRABALHADORA.


Os que continuam na direção do STSPMF nos acusado de divisionismo, nos comparam à desconhecedores do Estatuto e dizem que nossas práticas não é aceita. Desespero puro daqueles que estão somente preocupados em garantir estrutura através do imposto sindical e Clube particular que há muito tempo não estão preocupados em organizar os trabalhadores.


Nós não estamos dividindo o STSPMF. Estamos construindo um Sindicato que irá organizar e representar um amplo setor de trabalhadores que foram abandonados pela diretoria. E continuaremos a ter solidariedade ativa junto aos trabalhadores no setor de serviço público que representados legalmente pelo STSPMF continuam a mercê das conquistas e correções de reajustes dos patrões por conta da paralisia do Sindicato.


A Divisão é praticada por aqueles que para se manter a qualquer custo nos Sindicatos, abandonam o trabalho na base e controlam a entidade com a contribuição imposta pelo Estado para garantir seus interesses.


Nós que estamos na construção da Chapa de mudança, não estamos retirando nenhuma representação Sindical porque também não existe, ao contrário estamos lutando para garantir que milhares de trabalhadores possam ter sua organização sindical e mais do que serem representados legalmente, o que hoje não existe, possam de fato ter um instrumento de luta e organização da categoria que seja parte da luta geral da classe trabalhadora.


Com total independência em relação aos patrões, governos e partidos, junto com os trabalhadores, vamos retomar as mobilizações na categoria e seguiremos juntos aos que lutam a exemplo do Fórum dos Trabalhadores, Fórum dos Movimentos Sociais e junto a Intersindical- Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora. Seguiremos em unidade nas mobilizações junto com todas as organizações sindicais e populares que não se renderam a parceria com os patrões e governos e têm compromisso com a luta da classe trabalhadora.


CLP - Coletivo Libertação Proletária

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

SURGE O COLETIVO LIBERTAÇÃO PROLETÁRIA

LUTA E ORGANIZAÇÃO


SURGE COLETIVO LIBERTAÇÃO PROLETÁRIA !


Quarta-feira 21 de junho de 2017


No último dia 21 de junho, foi fundado no país o Coletivo Libertação Proletária  (CLP), uma nova organização que luta pela revolução socialista, contra o sistema de exploração que vivemos hoje no capitalismo e busca uma sociedade sem classes, sem opressões e violência social, sem a soberania do capital: uma sociedade de fraternidade entre os trabalhadores livremente associados. Uma sociedade comunista.

O CLP surgiu a partir do Encontro de trabalhadores e Juventude. O debate teve início com abertura de como tá a Conjuntura na cidade e no Brasil, e com a presença de trabalhadores do comércio, industria, servidores municipais e trabalhadores rurais.

O Encontro teve como mesa honorária a memória de Jeová Ferreira(Frutal) e de Gregório Bezerra (PE) militantes da resistência contra a ditadura militar. Também começou, entre outras, com saudações à greve geral do dia 30 de Junho que se encontra com movimentos revolucionários.

A alteração do nome Grupo Construção Coletiva para Coletivo Libertação Proletária de uma nova organização expressa uma mudança decisiva: o fortalecimento da organização com novos trabalhadores: comércio, servidores municipais, trabalhadores rurais, professores, trabalhadores na indústrias e em muitas outras categorias, que soma a outros estados Rio de Janeiro, Maranhão, São Paulo,  Santa Catarina, Pernabuco e Minas Gerais, que foram parte ativa da discussão. Essa nova composição exige uma nova organização, que corresponda aos objetivos e necessidades da nova etapa.

Além disso, tem relação com o enorme avanço que a organização pode oferecer aos trabalhadores com o lançamento da Página Facebook, Blog Libertação Proletária e o Canal Proletário no Brasil, um instrumento da classe Proletária de notícias e ideias que viemos impulsionando internacionalmente com o intuito de forjar as bases para o desenvolvimento de alternativa política sindical. Um forte instrumento de opinião que tem chegado a centenas de trabalhadores.

O objetivo de criar um Coletivo orientado pelo Marxismo-leninismo para alcançar a revolução socialista, que parecia distante em décadas passadas, se reatualiza com toda força no mundo a partir da grande crise capitalista iniciada em 2008 e, no nosso país.

Abriu-se uma nova etapa da luta dos trabalhadores e a juventude, que gerou em 2014 a maior onda de greves operárias das últimas décadas no país e já começaram a dar sinais para todos da força do verdadeiro sujeito da transformação social: a classe trabalhadora.

No entanto, essas lutas na nova etapa evidenciam um importante limite dos trabalhadores na sua luta pela revolução social: a necessidade de criar um instrumento político, um Coletivo revolucionário, que seja verdadeiramente enraizado na classe e que possa ter capacidade de enfrentar o ódio das classes dominantes e as elites do país na defesa da população oprimida e o desenvolvimento da revolução socialista.

Nesse sentido, o movimento se orienta para confluir com jovens e trabalhadores que avançam no combate à crise capitalista na perspectiva de construir um Partido da Libertação Proletária como solução classista e revolucionária à crise de direção no movimento operário diante da atual situação de luta de classe no Brasil e no mundo. Justamente por isso consideramos que o novo momento da classe operária brasileira coloca o desafio de organizar uma unidade na ação com todos os setores anti governistas e classistas para barrar os ataques em curso, sendo esta a base para debater o programa e a estratégia para a construção de um Partido Libertação Proletária verdadeiramente internacionalista, partindo das lições da experiência com o PT em nosso país.

Essa nova organização tem o desafio de lutar para que a tradição de auto-organização que existe entre os trabalhadores para outras categorias e de desenvolva como uma nova tradição do movimento operário em todo o país, já que a necessidade de estender em nível nacional a batalha por um movimento sindical não corporativo, como hoje ligando as lutas econômicas estratégicas com a luta pela estatização dos transportes e industrias sob controle dos trabalhadores.

O objetivo do Coletivo é fazer a luta e organização dos trabalhadores em todos setores classistas, na formação e conquista para os proletários o destino da sua vida. Por fim, foram capazes de realizar, já que vêm mostrando sua impotência para expressar politicamente a onda de lutas operárias que tem sacudido o país nos últimos anos. E combater também a crescente onda Fascista e a Direita conservadora e o peleguismo nos sindicatos!


CLP - Coletivo Libertação Proletária 

Fábrica ocupada da Flaskô

Governo ataca trabalhadores 
da única fábrica sob controle operário no Brasil


A Flaskô é uma empresa produtora de bombonas plásticas atuante no ramo de transformação de plástico desde a década de 1980. Sob gestão patronal, a fábrica consolidou-se no ramo químico, mas, nos anos 1990, devido a uma série de problemas, sua administração entrou em processo de falência. Enquanto a gestão patronal vendia as máquinas e não investia mais na fábrica, os operários perceberam que algo de ruim estava por vir.


Neste momento, os trabalhadores começaram a investigar os documentos arquivados e perceberam que uma série de direitos não estavam sendo cumpridos por parte da gestão patronal. FGTS, INSS e salários estavam atrasados e, por mais de 10 anos, os direitos garantidos pela CLT não estavam sendo cumpridos. Descobriram também que o buraco era muito mais embaixo: não apenas as dívidas trabalhistas não estavam sendo cumpridas, mas o pagamento de terceiros também estava atrasado.


Os trabalhadores identificaram dívidas de mais de R$ 150 milhões deixadas pela gestão patronal, dentre elas as dívidas de energia com a CPFL de cerca de R$ 700 mil. Frente a um cenário crítico e delicado tanto para os trabalhadores como para a fábrica, os trabalhadores decidiram se mobilizar para ocupar o território fabril, sob uma organização que visava à garantia social dos direitos e a transformação da propriedade da fábrica em propriedade social.


O momento da ocupação, que ocorreu em 2003, foi uma virada de página na história da fábrica. Os trabalhadores decidiram pelo controle e gestão operária.


Pressão e boicote


Quase 14 anos se passaram desde então. Atualmente, no cenário de crise econômica e recessão que assola o país, a realidade da fábrica não é diferente das demais fábricas e indústrias brasileiras. Um ator expressivo nesse cenário é a CPFL, concessionária de energia elétrica na região.


As negociações com a CPFL começaram em 2008, quando foi feito um acordo de uma dívida da época patronal. Também foi feito outro acordo em relação às dívidas da gestão operária. Entre 2008 e 2016, a Flaskô foi alvo de diversos ataques da CPFL, entre eles ameaça de cortes de energia, tendo em vista as dívidas contraídas. Em outubro de 2016, os trabalhadores da Flaskô fizeram uma manifestação na sede da CPFL contra o corte no fornecimento de energia. Naquele momento, os trabalhadores e o movimento por moradia da Vila Soma se juntaram para protestar contra a represália gerada pela empresa. A partir desta situação, os trabalhadores conseguiram voz para reivindicar um novo acordo que substituiu as duas negociações anteriores e, além disso, sob orientação da CPFL, as contas de cada mês, a partir de agosto de 2016, ficaram em aberto e deveriam ser pagas somente após janeiro de 2017.


Assim, no dia 14 de março foi feita uma reunião com o intuito de se discutir propostas de parcelas que fossem exequíveis e acordadas com a CPFL, enfatizando que a Flaskô sempre quitou os acordos assumidos. É explicado pela CPFL que apesar do débito da Flaskô ser grande, é relativamente pequeno em relação a outras empresas inadimplentes, como, por exemplo, a Mabe, que entrou em processo de falência com dívida que ultrapassa R$ 3,5 milhões, e que mesmo assim a negociação estava ocorrendo. Isso gerou uma expectativa para os trabalhadores de que as negociações seriam retomadas. Assim, foi marcado para o dia 21 de março uma nova reunião, mas que foi cancelada. Na espera de uma contraproposta da CPFL, os trabalhadores aguardavam uma nova agenda de negociação. No entanto, ocorreu o corte de energia alguns dias depois.


Resistência


No dia 30 de março, os trabalhadores da Flaskô foram surpreendidos com a brutal medida da CPFL de cortar o fornecimento de energia sem comunicação prévia e em desconformidade com o teor das negociações que vinham sendo feitas.


Essa ação unilateral e inconsequente poderia ter resultado em uma tragédia, pois a fábrica estava produzindo, com operadores de máquinas realizando seu trabalho, com matéria-prima dentro das máquinas, causando danos ainda a serem calculados.


Na tarde do mesmo dia, receberam por e-mail uma suposta carta da CPFL apresentando que havia recusado a proposta da Flaskô, sem apresentar alternativas e comunicando o corte já depois de o terem realizado.


Então, em uma reunião na CPFL, num verdadeiro clima opressor e hostil, com mais de 20 seguranças particulares contratados para intimidar os trabalhadores, eles foram informados de que aquela era a posição definitiva da CPFL, de que não haveria religação da energia enquanto não houvesse o pagamento do valor integral da dívida (cerca de R$ 1,6 milhão e não dando qualquer alternativa para a Flaskô. Tal ato mostra a arrogância e o elitismo de uma empresa privatizada que detém o monopólio do fornecimento e distribuição de energia na região. Se vangloria como uma empresa de responsabilidade social, mas agride frontalmente uma experiência reconhecida por seu caráter social.


Os trabalhadores em assembleia decidiram se mobilizar e publicaram uma nota fazendo “um apelo para que todos os apoiadores se insiram ainda mais nas campanhas em defesa da Flaskô e que juntos possamos enfrentar mais este golpe contra o conjunto da classe trabalhadora. Viva a luta dos trabalhadores da Flaskô! CPFL, religue a luz e volte às negociações com os trabalhadores!”.


A nota pública na íntegra, dentre outras informações sobre o controle operário e a luta de classes, pode ser acessada pelo site: 



Alice Oliveira, Aline Romanini e Cícero Hernandez

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Fanzine

Com atraso porém mais pelo intuito de registrar importante iniciativa - que decerto se repetirá - da rapaziada aqui de São Luís, publico Seminário/exposição: 


"Fanzine: a palavra escrita da contracultura"


Evento ocorrido A PARTIR DE DEZ HORAS DA MANHÃ, COM STANDS PARA A EXPOSIÇÃO QUE SE INICIOU PELAS 15 HORAS NO CENTRO DE CRIATIVIDADE ODILO COSTA FILHO. 

Seminário/exposição: "Fanzine: a palavra escrita da contracultura "Exposição/Seminário que teve por objetivo divulgar e debater a cultura zineira, as suas origens e perspectivas diante das mídias digitais. 

Onde: Centro de criatividade Odylo Costa Filho.
Quando: 27/07/2017 de 15:00 a 18:00
Expositores: Jonas Gondim e Josinaldo Pires

De que adiantou?

Presto minha homenagem ao jovem camarada de um grande coração, Renato França, que eu conheci pelas redes sociais. És imortal. Só queria lhe dizer, Renato, que não importa o quanto supliquemos pela distribuição mais humana e racional dos bens e serviços pois o burguês não quer balancear a equação. Tomemos em nossas mãos os meios de produção e o futuro da humanidade! 


De que adiantou? - Renato França 

Me peguei pensando sobre a simplicidade e a complexidade e me deparei com uma verdade cruel. O Brasil vive uma crise sem igual, nos falta água, nos falta luz, nos falta dinheiro... mas falta dinheiro para quem? Quem somos nós? Nós somos a camada mais larga da população, nós somos aqueles que movimentam a sociedade, que fazem as ruas, levantam as casas, somos, até mesmo, aqueles que pagam pelo seu apartamento luxuoso ou sua casa exorbitante. Nós somos a maioria, nós somos sombras. 

Andamos ocultos, curvados, olhando para o chão, como se o pecado original tivesse sido inventado apenas para nos escravizar, nos arrebatar a cada dia. Mas o que você não vê é que o que mais nos dói é a falta de carisma. Você passa com seu carro totalmente moldado por nós, suas roupas costuradas por nós, com o tanque cheio da gasolina que nós extraímos do solo e sua resposta a nosso sorriso é a indiferença e toda a fumaça que sai do escapamento cuidadosamente desenhado e manufaturado por nós. 

E então me pergunto: De que adiantou? Chegaremos no dia em que os lagos irão secar e os interruptores que foram cuidadosamente instalados pelas mãos cheias de camadas grossas de pele e maltratadas pelo tempo irão parar de funcionar e que adiantou ter vivido tanto tempo explorando, maltratando ou simplesmente ignorando? De que adiantou encher a conta bancária com números exorbitantes de zeros esquecendo os zeros que vagavam pela rua e que você via com o formigas do alto dos 25 andares do seu prédio? De que adiantou tudo isso agora que todas as formigas tem a liberdade de irem para a próxima colônia lhe deixando para trás com um império sem valor, sem vida. 

A todos aqueles que têm cada vez mais e dão cada vez menos, eu lhes pergunto: quanto vai valer a sua cobertura no metro quadrado mais caro quando não houver mais cidade? Qual o rendimento de sua empresa quando seus funcionários estiverem fugindo por falta de condições básicas de trabalho? Quanto tempo você perdeu na ilusão de que a riqueza era o que lhe traria paz? Chegou a hora meu amigo, é hora de repensar os zeros que você tem na conta antes que eles acabem em multas rescisórias e seguros-desempregos. Você, que tem muito, pode ajudar mais, pode distribuir, pode balancear a equação. Somos os 99%, esquecidos, mas se resolvermos mudar o jogo, serão apenas 1% esquecidos em um sistema onde o dinheiro não compra o futuro.

Eu, Denes, que transcrevo seu texto para o presente blog, cito Karl Marx no que acho que tem a ver: "se escolhemos uma posição na qual podemos fazer o máximo pela humanidade, então os fardos não podem nos abater, porque eles são apenas sacrifícios por todos; então experimentamos não uma alegria pequena, mesquinha, egoísta, mas nossa felicidade pertence a milhões, nossos feitos serão, embora silenciosos, obras duradouras e nossas cinzas serão regadas pelas lágrimas quentes de nobres homens".

Autor: Renato França