ENZO ERA FELIZ E NÃO SABIA
Enzo eu escrevi sobre você, no dia que você se magoar
comigo porque eu tiro uma onda é o dia que as coisas cairão pra cima. Mas que fique claro que ao me dirigir a uma pessoa minha intenção é dialogar com todas elas, portanto não é nada pessoal. Pois bem.
O que eu escrevi possivelmente você não vai ler pois pelo que te conheço vai argumentar
que ou porque é "grande daí bate uma preguiça" ou porque "não
entendo" ou terceiro porque simplesmente "não quero". Por isso
eu pergunto, Enzo, com quantas linhas e parágrafos você aceita de boa ler um
material?
É sabido as briguinhas das religiões segundo o qual
acusa-se a religião alheia de errada, coisa do demônio e falso deus enquanto a
minha é a certa, a moral, a bela e satisfaz a vontade de deus. O problema está
sempre no vizinho, no outro.
É sabido das brigas políticas em que o outro partido é
que é o corrupto, podre e enganador do povo enquanto o meu partido é o íntegro,
o honesto, belo, moral e satisfaz a vontade do povo e da nação. O problema está
sempre no vizinho, no outro.
É sabido das brigas de facções culturais musicais em que
o outro ritmo, sendo besteira e imundície (muitas vezes é!) argumenta-se pela
imediata proibição dele enquanto o meu fã clube pode tocar livremente porque é
o mais legal, maneiro (muitas vezes é!). Bem aqui tem uma diferença, tem muita
música que é simplesmente um lixo, o problema aqui é o fã clubismo, “proíba-o”
como se ser ruim fosse imputável criminalmente, política e religião são tudo
lixo mesmo por outro lado nem toda música é lixo. Há músicas e arte de verdade.
Eu queria falar mais disto no final.
É sabido das tretas entre os partidários do veganismo e
os da proteína animal. Certa vez eu argumentei com o Enzo que alimentos sem
proteína animal (soja por exemplo) bem preparados não ficam nada a dever em
sabor para os de proteína animal e ele entendeu como uma defesa do veganismo e
pra parar de comer carne, ele respondeu que "nós sempre fomos
carnívoros". Eu disse ao primitivista para ficar calmo pois podes
continuar a consumir proteína animal se bem que tecnologias atuais já permitem
produção de proteína animal em laboratório.
Só mais um em nome da paciência do leitor. É sabido que
há clubes de defensores dos consoles: PC, Xbox e PS4. Existem inúmeros clubes
de massageamento de egos por aí, peguei alguns exemplos triviais, mas a
bobageira humana parece não ter limites, em vez de realizar análises objetivas rigorosas
e criteriosas sobre os pontos negativos e positivos de cada uma das
plataformas, descamba-se para as briguinhas individuais mais egoístas e
mesquinhas.
Enzo, você não quer o Japão, quer sim sushi, anime e
playstation barato. O Japão com quem você sonha - eu já falei isto - mais
parece um Afeganistão depois da década de 70.
É o binarismo tico e teco: eu sou x logo o problema é o
y, a verdade e o centro do universo são meu umbigo, o problema é que o outro
lado pensa a mesma coisa só que com o sinal trocado, cara não vive sem a coroa. A pós-verdade é "eu
acredito logo é verdade". A maioria dos ateus têm Mamom como deus, estão
metidos nas briguinhas culturais mais nojentas e rasteiras como as que enumerei
acima.
Charlles Evangelista, deputado do PSL em Minas Gerais,
apresentou em setembro de 2019 um Projeto de Lei um tanto quanto polêmico: ele
quer criminalizar estilos musicais que, tradicionalmente, trazem conteúdos "ofensivos,"
como palavrões e xingamentos. O Projeto de Lei 5194/2019 poderia afetar
seriamente diversos estilos musicais, como o rock, o funk e o rap - que não poupam
palavras (ou, como diria o político, "expressões pejorativas ou
ofensivas") na hora de compor.
Com relação ao proibicionismo eu comentei com Enzo a parábola
da cabecinha. Aí Enzo viajou na maionese dizendo que se o governo proibisse só
o funk ele apoiaria, ora, a realidade é bem diferente da imaginação, a tara do
governo não é só com o funk, eu lhe disse que a proibição do funk (que é um
ritmo bem ruim mesmo) seria a porta de entrada para a proibição de diversos
outros estilos musicais com letras ofensivas, deixar meter a cabecinha -
proibir só o que é mais ruim - seria o prelúdio para os governos socarem tudo
no cu com força e sem vaselina de todo mundo. Aí ele me chamou de eclético por me
recusar a ser enrabado.
Oxalá não cheguemos a isso porque se chegar o lema vai ser
ENRABADOS DO MUNDO TODO - UNI-VOS!