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sábado, 25 de janeiro de 2020

Enzo era feliz e não sabia


ENZO ERA FELIZ E NÃO SABIA



Enzo eu escrevi sobre você, no dia que você se magoar comigo porque eu tiro uma onda é o dia que as coisas cairão pra cima. Mas que fique claro que ao me dirigir a uma pessoa minha intenção é dialogar com todas elas, portanto não é nada pessoal. Pois bem. O que eu escrevi possivelmente você não vai ler pois pelo que te conheço vai argumentar que ou porque é "grande daí bate uma preguiça" ou porque "não entendo" ou terceiro porque simplesmente "não quero". Por isso eu pergunto, Enzo, com quantas linhas e parágrafos você aceita de boa ler um material?


É sabido as briguinhas das religiões segundo o qual acusa-se a religião alheia de errada, coisa do demônio e falso deus enquanto a minha é a certa, a moral, a bela e satisfaz a vontade de deus. O problema está sempre no vizinho, no outro.


É sabido das brigas políticas em que o outro partido é que é o corrupto, podre e enganador do povo enquanto o meu partido é o íntegro, o honesto, belo, moral e satisfaz a vontade do povo e da nação. O problema está sempre no vizinho, no outro.


É sabido das brigas de facções culturais musicais em que o outro ritmo, sendo besteira e imundície (muitas vezes é!) argumenta-se pela imediata proibição dele enquanto o meu fã clube pode tocar livremente porque é o mais legal, maneiro (muitas vezes é!). Bem aqui tem uma diferença, tem muita música que é simplesmente um lixo, o problema aqui é o fã clubismo, “proíba-o” como se ser ruim fosse imputável criminalmente, política e religião são tudo lixo mesmo por outro lado nem toda música é lixo. Há músicas e arte de verdade. Eu queria falar mais disto no final.


É sabido das tretas entre os partidários do veganismo e os da proteína animal. Certa vez eu argumentei com o Enzo que alimentos sem proteína animal (soja por exemplo) bem preparados não ficam nada a dever em sabor para os de proteína animal e ele entendeu como uma defesa do veganismo e pra parar de comer carne, ele respondeu que "nós sempre fomos carnívoros". Eu disse ao primitivista para ficar calmo pois podes continuar a consumir proteína animal se bem que tecnologias atuais já permitem produção de proteína animal em laboratório.


Só mais um em nome da paciência do leitor. É sabido que há clubes de defensores dos consoles: PC, Xbox e PS4. Existem inúmeros clubes de massageamento de egos por aí, peguei alguns exemplos triviais, mas a bobageira humana parece não ter limites, em vez de realizar análises objetivas rigorosas e criteriosas sobre os pontos negativos e positivos de cada uma das plataformas, descamba-se para as briguinhas individuais mais egoístas e mesquinhas.


Enzo, você não quer o Japão, quer sim sushi, anime e playstation barato. O Japão com quem você sonha - eu já falei isto - mais parece um Afeganistão depois da década de 70.


É o binarismo tico e teco: eu sou x logo o problema é o y, a verdade e o centro do universo são meu umbigo, o problema é que o outro lado pensa a mesma coisa só que com o sinal trocado, cara não vive sem a coroa. A pós-verdade é "eu acredito logo é verdade". A maioria dos ateus têm Mamom como deus, estão metidos nas briguinhas culturais mais nojentas e rasteiras como as que enumerei acima.


Charlles Evangelista, deputado do PSL em Minas Gerais, apresentou em setembro de 2019 um Projeto de Lei um tanto quanto polêmico: ele quer criminalizar estilos musicais que, tradicionalmente, trazem conteúdos "ofensivos," como palavrões e xingamentos. O Projeto de Lei 5194/2019 poderia afetar seriamente diversos estilos musicais, como o rock, o funk e o rap - que não poupam palavras (ou, como diria o político, "expressões pejorativas ou ofensivas") na hora de compor.


Com relação ao proibicionismo eu comentei com Enzo a parábola da cabecinha. Aí Enzo viajou na maionese dizendo que se o governo proibisse só o funk ele apoiaria, ora, a realidade é bem diferente da imaginação, a tara do governo não é só com o funk, eu lhe disse que a proibição do funk (que é um ritmo bem ruim mesmo) seria a porta de entrada para a proibição de diversos outros estilos musicais com letras ofensivas, deixar meter a cabecinha - proibir só o que é mais ruim - seria o prelúdio para os governos socarem tudo no cu com força e sem vaselina de todo mundo. Aí ele me chamou de eclético por me recusar a ser enrabado.


Oxalá não cheguemos a isso porque se chegar o lema vai ser ENRABADOS DO MUNDO TODO - UNI-VOS!


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