Texto de estirpe não-marxista, mas de esquerda, de nosso
camarada Claudiney Ferreira o qual sempre soma conosco nas lutas.
Autor: Claudiney Ferreira
Breve análise da esquerda no Maranhão
Há vários dias, observo que, muitas vezes, nos é muito
cômodo tecer críticas a outrem, sem nos colocarmos em seu lugar. Neste caso,
refiro-me a um personagem de destaque em nossa história recente, especialmente
no estado do Maranhão. Este personagem, controverso, criticado por muitos,
admirado por outros, é um exemplo de luta, independente de quaisquer críticas.
Trata-se do ex-governador Jackson Lago.
Tendo nascido em 1934, e acompanhado, durante a sua
juventude, movimentos políticos controversos, é surpreendente ver que o médico
nascido em Pedreiras, grande admirador de Getúlio Vargas, e, também, ex-aliado
de Epitácio Cafeteira, tenha se transformado no principal nome da esquerda no
Maranhão.
Lago, em diversas campanhas, se aproximou de partidos
considerados radicais, mais identificados com as causas populares, como o PCB,
por exemplo. No entanto, torna se necessária uma reflexão sobre por que ele
subiu ao poder sem a esquerda, e como isso o afetou sobremaneira, realizando um
governo aquém dos anseios de todos.
No Maranhão, como se sabe, estruturas oligárquicas são muito
fortes, e definem os resultados dos pleitos eleitorais. Jackson Lago teve de se
aliar, não por vontade própria, creio eu, simplesmente por que não poderia ser
diferente. Neste ponto, os partidos de esquerda o criticam. Será que estão
certos?
Não estão. A esquerda nunca quis aprender a enfrentar os
grandes grupos políticos, detentores da simpatia (e do financiamento) do grande
capital. Vive criticando, mas o povo já conhece todas as mazelas do estado,
sem que ninguém fique expondo. A
população anseia por soluções, e procura líderes que demonstrem ser diferentes,
que estejam presentes nas lutas. E não tem sido essa a postura da esquerda.
Quando muito, atua em setores específicos. E o restante da população, que não
se organiza em movimentos sociais, como fica? Não fica, vota na direita, pois
eles sabem falar o que o povo quer ouvir (mesmo que não cumpram).
Curioso também como em 2006, ano de sua vitória, seus
antigos aliados estavam todos em outros grupos políticos, alguns até mesmo com
a oligarquia tão “odiada” outrora. E simplesmente por ele ter vencido a eleição
e ter construído um governo de coalizão com grupos dissidentes, foi demonizado
por esses grupos, que “esqueceram”, convenientemente a quem estavam aliados.
O resto da história, vocês já sabem. Jackson foi perseguido,
e, ao longo de 4 anos após sua morte,vem morrendo cada mais a lembrança de um
homem chamado Jackson Lago, no partido que fundou e liderou até o último dia da
sua vida. E vem se transformando em uma ideia, deturpada por políticos
mesquinhos que usam seu nome para terem credibilidade, mas que, em seu próprio
partido, consideravam-no um “atraso” aos seus propósitos.
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