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terça-feira, 1 de novembro de 2016

perda de espaço da esquerda nas eleições

Publico análise do camarada Diabinho (mais conhecido como Jonadabe) sobre eleições. A seguinte análise não é compartilhada pelo conjunto do núcleo da Luta Popular e Sindical do estado do Maranhão.



Uma constatação que faço sobre os resultados das eleições e a perda de espaço que os partidos de esquerda obtiveram no processo junto ao eleitor de baixa renda: a esquerda dos últimos anos passou a priorizar pautas mais voltadas para as chamadas "opressões" (misoginia, racismo, homofobia, repressão aos usuários de drogas e questões mais voltadas aos direitos civis de forma geral) ao mesmo tempo que tem negligenciado bastante a questão econômica; que tradicionalmente ocupava a posição central em suas propostas. 
Um dos resultados dessa mudança de postura é que o perfil médio do eleitor dos partidos de esquerda saiu das camadas mais baixas e se concentra mais agora numa parte específica da classe média; aquela estruturada mais no setor público, que tem alguma estabilidade econômica e que não costuma acompanhar politicamente a parte da classe média formada no setor privado (que é a que tradicionalmente detesta a esquerda de forma geral e tem sido historicamente a base social do conservadorismo político). Essa classe média formada no setor público costuma se identificar mais com o discurso anti-conservador e tem sido a parte que mais tem se identificado com as pautas levantadas pelos partidos de esquerda atualmente. 
Já as camadas mais precarizadas economicamente estão sofrendo mais diante da atual crise econômica; são os que mais estão sujeitos ao desemprego, à carestia e ao endividamento. É a parte da sociedade que tem se mostrado mais desiludida com a política; justamente porque se encontra desamparada diante da crise que enfrenta em seu cotidiano. Sem o estabelecimento de propostas reais de enfrentamento dos problemas econômicos que a aflige (que devem agregar as pautas contra as opressões sociais e ao indivíduo) e sem uma maior presença política nos bairros mais periféricos, a tendência é que essa desilusão aumente e aí é que mora o perigo de candidatos fascistas como Bolsonaro ganharem espaço junto a esse eleitorado. 
O Nordeste, por exemplo, tem apresentado crescimento de simpatia por esse candidato e é onde ele tem obtido maior crescimento (segundo algumas pesquisas). Se essa tendência aumentar, ele passa a ser uma força real em 2018.

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