Ok. Eles já conseguem falar de Luís Gama e de André Rebouças. Do Patrocínio falam de leve, Rui Barbosa ainda os engasga, como dizer que Patrocínio foi totalmente negligenciado por um dia ter ousado enfrentar o tal Barbosa. Mas mesmo assim em documentário feito esses dias pela globo, fala-se desses três ícones negros da abolição.
Sobre o documentário, a pessoa mais escura que lá aparece, militante clássica, depois de gaguejar e falar baixo, chama os brancos para que juntos lutemos contra o racismo. Sem dizer da inesperada defesa feita a Rui Barbosa no caso dos documentos queimados. Mas essa ainda não é nossa motivação pra esses comentários. Estamos ainda apegados à ideia de como que a dita elite intelectual brasileira ainda reluta em aceitar o que é o Brasil no quesito gente preta.
Ok. Eles até que enfim descobriram os três faróis que iluminaram o caminho para a luta popular que se tornou o combate a escravidão nesse agreste colonial. Mas temos certeza que eles ainda não estão prontos pra outros nomes, como o de Paula Brito, o que dizer desse homem, se não for de forma alegórica? Pra fazer média.
Ou do nosso verdadeiro impulso para essas palavras, Tobias Barreto, esse sim vai demorar pra ser aceito, vai ser negado mais 100 anos, pense num preto abusado, pra se ter uma ideia, quando por aqui passou em 1883 de barco, um tal príncipe da Prússia e convidou para o passeio o Dr. Tobias Barreto de Menezes, conhecedor e divulgador dos escritos alemães a época, esse foi enxovalhado pelos chamados brasileiros, pois foi o único estrangeiro a ser chamado a bordo. "O mulato frustrado cheio de rancores contra o Império" assim o resumiu Afonso Arinos.
Os debates levantados por Tobias até hoje não tiveram uma análise feita por seus iguais, imagina um ateu cheio de argumentos científicos, por incrível que parece, mais comum na época, hoje estamos mais supersticiosos, assombrados, idiotizados, enfim, imagine quando nos apossarmos de nossa história. Da história de nossa história. Sabe aquela fita que tipo você de repente apareceu no mundo e era escravo, é por aí. Não foi assim simplesmente que “do nada” alguns começaram a aceitar que era possível, e moralmente certo, vamos dizer melhor, acabar com a escravidão.
Não éramos escravos, éramos prisioneiros de guerra. Lutamos irmão, lutamos em todas as frentes. Todas. Todos os dias. Bem mais do que hoje lutamos nessa neblina que entorpece para tentar sobreviver nessas modernidades modernas, nesse futuro constante. Lutamos na mata e na cidade, de norte a sul, de leste a oeste, o medo reinava na cabeça de nossos algozes. Eles nos odiavam e nós a eles. Não é como hoje, que se um preto dizer que odeia os brancos, um só que seja, logo é rechaçado e perseguido, primeiro pelos negros seus guardiões, depois pelos brancos que usam de seus artifícios sutis para isolá-lo e marginalizá-lo. Aí de quem se atreva.
Alguns dizem que há avanços, sim, até que enfim o Pelé admitiu o racismo na colônia. E a dona Lucinda, numa corrida desesperada pra tentar educar os brancos ricos, ensinando-os a tratar suas empregadas, merece ser citada também. O capitão do mato ainda persegue e mata, persegue nos supermercados e matam com 80 tiros, de aviso, sem pestanejar. O genocídio está a todo vapor e a juventude, força de qualquer povo, eles exterminam a olhos vistos, às dezenas, em ações justificadas por um suposto combate ao crime. Crime que vai bem também, alçado já as cadeiras mais distintas do poder, com braço dado a partidos e inclusive com militares. Falando em militares, que de novo querem fazer da colônia a sala de armas do Clube Militar, tem no presidente, que aliás se orgulha de seu sangue puro de origem italiana, genes fascista, seu propagandista. “O Brasil é o único lugar do mundo aonde o racismo deu certo” e o senador falou que o Brasil foi vítima da escravidão, ontem mesmo, é brincadeira? Mas é assim mesmo, “tá no rio, canoa n'agua”, e bora vê.
Saiba irmão, tamu aí, todo dia toda hora pensando formas de dar continuidade à revolução. Impulsiona-la. Por quaisquer meios que se faça necessário. Até o Renascimento africano.
“De pé raça poderosa”
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Autor: Diop
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