Presto minha homenagem ao jovem camarada de um grande coração, Renato França, que eu conheci pelas redes sociais. És imortal. Só queria lhe dizer, Renato, que não importa o quanto supliquemos pela distribuição mais humana e racional dos bens e serviços pois o burguês não quer balancear a equação. Tomemos em nossas mãos os meios de produção e o futuro da humanidade! De que adiantou? - Renato França
Me peguei pensando sobre a simplicidade e a complexidade e me deparei com uma verdade cruel. O Brasil vive uma crise sem igual, nos falta água, nos falta luz, nos falta dinheiro... mas falta dinheiro para quem? Quem somos nós? Nós somos a camada mais larga da população, nós somos aqueles que movimentam a sociedade, que fazem as ruas, levantam as casas, somos, até mesmo, aqueles que pagam pelo seu apartamento luxuoso ou sua casa exorbitante. Nós somos a maioria, nós somos sombras.
Andamos ocultos, curvados, olhando para o chão, como se o pecado original tivesse sido inventado apenas para nos escravizar, nos arrebatar a cada dia. Mas o que você não vê é que o que mais nos dói é a falta de carisma. Você passa com seu carro totalmente moldado por nós, suas roupas costuradas por nós, com o tanque cheio da gasolina que nós extraímos do solo e sua resposta a nosso sorriso é a indiferença e toda a fumaça que sai do escapamento cuidadosamente desenhado e manufaturado por nós.
E então me pergunto: De que adiantou? Chegaremos no dia em que os lagos irão secar e os interruptores que foram cuidadosamente instalados pelas mãos cheias de camadas grossas de pele e maltratadas pelo tempo irão parar de funcionar e que adiantou ter vivido tanto tempo explorando, maltratando ou simplesmente ignorando? De que adiantou encher a conta bancária com números exorbitantes de zeros esquecendo os zeros que vagavam pela rua e que você via com o formigas do alto dos 25 andares do seu prédio? De que adiantou tudo isso agora que todas as formigas tem a liberdade de irem para a próxima colônia lhe deixando para trás com um império sem valor, sem vida.
A todos aqueles que têm cada vez mais e dão cada vez menos, eu lhes pergunto: quanto vai valer a sua cobertura no metro quadrado mais caro quando não houver mais cidade? Qual o rendimento de sua empresa quando seus funcionários estiverem fugindo por falta de condições básicas de trabalho? Quanto tempo você perdeu na ilusão de que a riqueza era o que lhe traria paz? Chegou a hora meu amigo, é hora de repensar os zeros que você tem na conta antes que eles acabem em multas rescisórias e seguros-desempregos. Você, que tem muito, pode ajudar mais, pode distribuir, pode balancear a equação. Somos os 99%, esquecidos, mas se resolvermos mudar o jogo, serão apenas 1% esquecidos em um sistema onde o dinheiro não compra o futuro.
Eu, Denes, que transcrevo seu texto para o presente blog, cito Karl Marx no que acho que tem a ver: "se escolhemos uma posição na qual podemos fazer o máximo pela humanidade, então os fardos não podem nos abater, porque eles são apenas sacrifícios por todos; então experimentamos não uma alegria pequena, mesquinha, egoísta, mas nossa felicidade pertence a milhões, nossos feitos serão, embora silenciosos, obras duradouras e nossas cinzas serão regadas pelas lágrimas quentes de nobres homens".
Autor: Renato França
Texto massa! Parabéns Renato. Só orgulho dessa célula Cabana... Didão
ResponderExcluirÉ nois, David. Escreve um texto também.
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