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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

De que adiantou?

Presto minha homenagem ao jovem camarada de um grande coração, Renato França, que eu conheci pelas redes sociais. És imortal. Só queria lhe dizer, Renato, que não importa o quanto supliquemos pela distribuição mais humana e racional dos bens e serviços pois o burguês não quer balancear a equação. Tomemos em nossas mãos os meios de produção e o futuro da humanidade! 


De que adiantou? - Renato França 

Me peguei pensando sobre a simplicidade e a complexidade e me deparei com uma verdade cruel. O Brasil vive uma crise sem igual, nos falta água, nos falta luz, nos falta dinheiro... mas falta dinheiro para quem? Quem somos nós? Nós somos a camada mais larga da população, nós somos aqueles que movimentam a sociedade, que fazem as ruas, levantam as casas, somos, até mesmo, aqueles que pagam pelo seu apartamento luxuoso ou sua casa exorbitante. Nós somos a maioria, nós somos sombras. 

Andamos ocultos, curvados, olhando para o chão, como se o pecado original tivesse sido inventado apenas para nos escravizar, nos arrebatar a cada dia. Mas o que você não vê é que o que mais nos dói é a falta de carisma. Você passa com seu carro totalmente moldado por nós, suas roupas costuradas por nós, com o tanque cheio da gasolina que nós extraímos do solo e sua resposta a nosso sorriso é a indiferença e toda a fumaça que sai do escapamento cuidadosamente desenhado e manufaturado por nós. 

E então me pergunto: De que adiantou? Chegaremos no dia em que os lagos irão secar e os interruptores que foram cuidadosamente instalados pelas mãos cheias de camadas grossas de pele e maltratadas pelo tempo irão parar de funcionar e que adiantou ter vivido tanto tempo explorando, maltratando ou simplesmente ignorando? De que adiantou encher a conta bancária com números exorbitantes de zeros esquecendo os zeros que vagavam pela rua e que você via com o formigas do alto dos 25 andares do seu prédio? De que adiantou tudo isso agora que todas as formigas tem a liberdade de irem para a próxima colônia lhe deixando para trás com um império sem valor, sem vida. 

A todos aqueles que têm cada vez mais e dão cada vez menos, eu lhes pergunto: quanto vai valer a sua cobertura no metro quadrado mais caro quando não houver mais cidade? Qual o rendimento de sua empresa quando seus funcionários estiverem fugindo por falta de condições básicas de trabalho? Quanto tempo você perdeu na ilusão de que a riqueza era o que lhe traria paz? Chegou a hora meu amigo, é hora de repensar os zeros que você tem na conta antes que eles acabem em multas rescisórias e seguros-desempregos. Você, que tem muito, pode ajudar mais, pode distribuir, pode balancear a equação. Somos os 99%, esquecidos, mas se resolvermos mudar o jogo, serão apenas 1% esquecidos em um sistema onde o dinheiro não compra o futuro.

Eu, Denes, que transcrevo seu texto para o presente blog, cito Karl Marx no que acho que tem a ver: "se escolhemos uma posição na qual podemos fazer o máximo pela humanidade, então os fardos não podem nos abater, porque eles são apenas sacrifícios por todos; então experimentamos não uma alegria pequena, mesquinha, egoísta, mas nossa felicidade pertence a milhões, nossos feitos serão, embora silenciosos, obras duradouras e nossas cinzas serão regadas pelas lágrimas quentes de nobres homens".

Autor: Renato França

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