1) MATERIALISMO HISTÓRICO DIALÉTICO OU A DIALÉTICA APLICADA À FILOSOFIA DA HISTÓRIA
Olha eu nao concordo com vossas críticas à escala móvel de
Trotsky bem como com críticas à alguns pontos do programa de transição que
ridicularizam os passos a serem tomados tidos, por voces, como abstratos (abstração
a princípio não é negativa), impraticáveis e irrealizáveis. Ora alguém tem que
falar o que deve ser feito embora muitas das vezes a prática não se concretize
o que, em si, não deslegitima enumerar os passos teleológicos necessários.
Tomadas à primeira vista e na imediaticidade não seria impraticável
também o fim da propriedade privada, a socialização dos meios e produtos da
produção e o fim do estado, resumindo, o programa comunista (programa máximo)?
Seria Marx um nefelibata ao pensar a revolução inexoravelmente internacional
nas linhas do "A Ideologia Alemã" e em toda sua obra?
Dito isso eu pude constatar após um tempo aqui convivendo
que voces repetem o fundamental das acusações do marxismo vulgar contra Karl
Marx, segundo o qual já está nele presente o determinismo histórico, uma concepção
etapista que põe o comunismo como projeto de futuro e que basta aplicar o
método materialista histórico-dialético que lá se vai chegar.
Porém na A Ideologia Alemã diz:
"Para nós, o comunismo não é um estado que deva ser implantado,
nem um ideal a que a realidade deva obedecer. Chamamos comunismo ao movimento
real que acaba com o atual estado de coisas. As condições deste movimento
resultam das premissas atualmente existentes".
HG Erik ironiza: "O marxismo vulgar reproduz tal ideia
com um esquematismo que chama de “dialética”, sobre o qual elabora o chamado
“etapismo”, decreto que certifica a chegada do comunismo (“próxima etapa da
história”) como um evento tão absolutamente certo e necessário quanto o retorno
do cara que fazia vinho com a água da cumbuca".
À Ideologia Alemã é creditada a formulação primígena do “materialismo
histórico” de Marx, no entanto jamais usou tal expressão.
A "A ideologia alemã" deveria ser o Posto
Ipiranga de todo indivíduo que se inicia na tradição revolucionária: crítica do
determinismo histórico que é a concepção etapista de que a humanidade marcha para
o comunismo, crítica do historicismo que atribui a história passada como
objetivo da histórica presente.
E, além do mais, pela A Ideologia Alemã perpassa temas centrais
que tratamos: classe e crise. "A concepção da história que acabamos de
expor permite-nos ainda tirar as seguintes conclusões: 1, No desenvolvimento
das forças produtivas atinge-se um estádio em que surgem forças produtivas e
meios de circulação que só podem ser nefastos no âmbito das relações existentes
e já não são forças produtivas mas sim forças destrutivas (o maquinismo e o
dinheiro), assim como, fato ligado ao precedente, nasce no decorrer desse
processo do desenvolvimento uma classe que suporta todo o peso da sociedade sem
desfrutar das suas vantagens, que é expulsa do seu seio e se encontra numa oposição
mais radical do que todas as outras classes, uma classe que inclui a maioria
dos membros da sociedade e da qual surge a consciência da necessidade de uma revolução,
consciência essa que é a consciência comunista e que, bem entendido, se pode
também formar nas outras classes quando se compreende a situação desta classe
particular.
Certos marxistas gostam de dizer que o marxismo se corrige
e se apura ao longo de sua história, através de “contribuições” dos mais
díspares autores, cujo marxismo e contributo são garantidos por sua fidelidade
ao “método do materialismo dialético”. São incapazes, entretanto, de corrigir
ou eliminar essa farsa chamada “dialética marxista”.
Qual o erro em Marx que os marxistas apontam? Dizem que Marx
é a versão materialista do idealismo de Hegel. Esquecem um personagem essencial
para o desenvolvimento do pensamento dele: Ludwig Feuerbach. Desconhecem que
Marx conhecia a crítica de Feuerbach a Hegel, ao mesmo que considerava a
crítica de Feuerbach insuficiente. Assim como desconhecem as cartas de Marx do
final da sua vida.
No O Capital:
“Meu método dialético é, em seu fundamento, não apenas
diferente do hegeliano, mas oposto direto dele”. Que vem a ser método dialético
em Marx? É um método de exposição. Ele diz: "Sem dúvida, deve-se
distinguir o modo de exposição segundo sua forma do modo de investigação".
E nos Grundrisse:
"Será necessário, mais tarde /…/, corrigir o modo idealista
da apresentação que produz a aparência de que se trata simplesmente das
determinações conceituais e da dialética desses conceitos. Sobretudo, portanto,
o clichê: o produto (ou atividade) devém mercadoria; a mercadoria, valor de
troca; o valor de troca, dinheiro".
E quanto à parte final do capítulo 24, o da acumulação primitiva
que Marx fala na negação da negação, os marxistas tomaram a particularidade na
qual Marx tratava do desenvolvimento do capitalismo na Europa Ocidental e generalizaram-na.
Porém na carta ao período russo Otechestvenye Zapiski, ele deixava claro que a
comuna agrária russa era diferente, protestava contra contra as indevidas
generalizações dos resultados de suas investigações históricas, metamorfosear
totalmente o seu esquema histórico da gênese do capitalismo na Europa Ocidental
em uma teoria histórico-filosófica do curso geral fatalmente imposto a todos os
povos, independentemente das circunstâncias históricas nas quais eles se
encontrem. Tal advertência foi reiterada em sua correspondência com Vera
Zasulitch, na qual o filósofo alemão insistia em que a tendência histórica identificada
na análise da gênese da produção capitalista está expressamente restrita aos
países da Europa Ocidental.
No prefácio à edição russa do Manifesto Comunista de 1882
tem a mais clara e aberta afirmação da inexistência de qualquer etapa ou
pressuposto de "desenvolvimento das forças produtivas" de modo como
tinha na A Ideologia Alemã:
"(...) se a revolução russa se tornar o sinal de uma
revolução proletária no Ocidente, de tal modo que ambas se completem, a actual
propriedade comum russa do solo pode servir de ponto de partida de um
desenvolvimento comunista".
A particularidade da questão russa faz cair as últimas ilusões
de um suposto hegelianismo imanente a Marx.
Fontes:
1 -https://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo27329Critica_Marxista_Texto_Completo_34.67-85.pdf
2 -
https://hgerikblog.wordpress.com/2017/03/11/base-materialista-para-a-historiografia-para-muito-alem-das-abstracoes-do-marxismo-vulgar/
3 -
A Ideologia Alemã (Karl Marx)
4 -
Dissertação de mestrado do HG Erik: "Natureza, Sociedade e Atividade Sensível na Formação do Pensamento Marxiano".
5 -
https://hgerikblog.wordpress.com/2016/09/27/dialetica-motor-das-etapas-da-historia-no-marxismo-vulgar/
6 -
https://hgerikblog.wordpress.com/2016/08/10/materialismo-contra-a-dialetica/
7 -
http://www.verinotio.org/conteudo/0.085553437551068.pdf
Fontes:
1 -https://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo27329Critica_Marxista_Texto_Completo_34.67-85.pdf
2 -
https://hgerikblog.wordpress.com/2017/03/11/base-materialista-para-a-historiografia-para-muito-alem-das-abstracoes-do-marxismo-vulgar/
3 -
A Ideologia Alemã (Karl Marx)
4 -
Dissertação de mestrado do HG Erik: "Natureza, Sociedade e Atividade Sensível na Formação do Pensamento Marxiano".
5 -
https://hgerikblog.wordpress.com/2016/09/27/dialetica-motor-das-etapas-da-historia-no-marxismo-vulgar/
6 -
https://hgerikblog.wordpress.com/2016/08/10/materialismo-contra-a-dialetica/
7 -
http://www.verinotio.org/conteudo/0.085553437551068.pdf
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