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sábado, 18 de abril de 2020

a tal da dialética





1) MATERIALISMO HISTÓRICO DIALÉTICO OU A DIALÉTICA APLICADA À FILOSOFIA DA HISTÓRIA




Olha eu nao concordo com vossas críticas à escala móvel de Trotsky bem como com críticas à alguns pontos do programa de transição que ridicularizam os passos a serem tomados tidos, por voces, como abstratos (abstração a princípio não é negativa), impraticáveis e irrealizáveis. Ora alguém tem que falar o que deve ser feito embora muitas das vezes a prática não se concretize o que, em si, não deslegitima enumerar os passos teleológicos necessários.

Tomadas à primeira vista e na imediaticidade não seria impraticável também o fim da propriedade privada, a socialização dos meios e produtos da produção e o fim do estado, resumindo, o programa comunista (programa máximo)? Seria Marx um nefelibata ao pensar a revolução inexoravelmente internacional nas linhas do "A Ideologia Alemã" e em toda sua obra?

Dito isso eu pude constatar após um tempo aqui convivendo que voces repetem o fundamental das acusações do marxismo vulgar contra Karl Marx, segundo o qual já está nele presente o determinismo histórico, uma concepção etapista que põe o comunismo como projeto de futuro e que basta aplicar o método materialista histórico-dialético que lá se vai chegar.

Porém na A Ideologia Alemã diz:

"Para nós, o comunismo não é um estado que deva ser implantado, nem um ideal a que a realidade deva obedecer. Chamamos comunismo ao movimento real que acaba com o atual estado de coisas. As condições deste movimento resultam das premissas atualmente existentes".

HG Erik ironiza: "O marxismo vulgar reproduz tal ideia com um esquematismo que chama de “dialética”, sobre o qual elabora o chamado “etapismo”, decreto que certifica a chegada do comunismo (“próxima etapa da história”) como um evento tão absolutamente certo e necessário quanto o retorno do cara que fazia vinho com a água da cumbuca".

À Ideologia Alemã é creditada a formulação primígena do “materialismo histórico” de Marx, no entanto jamais usou tal expressão.

A "A ideologia alemã" deveria ser o Posto Ipiranga de todo indivíduo que se inicia na tradição revolucionária: crítica do determinismo histórico que é a concepção etapista de que a humanidade marcha para o comunismo, crítica do historicismo que atribui a história passada como objetivo da histórica presente.

E, além do mais, pela A Ideologia Alemã perpassa temas centrais que tratamos: classe e crise. "A concepção da história que acabamos de expor permite-nos ainda tirar as seguintes conclusões: 1, No desenvolvimento das forças produtivas atinge-se um estádio em que surgem forças produtivas e meios de circulação que só podem ser nefastos no âmbito das relações existentes e já não são forças produtivas mas sim forças destrutivas (o maquinismo e o dinheiro), assim como, fato ligado ao precedente, nasce no decorrer desse processo do desenvolvimento uma classe que suporta todo o peso da sociedade sem desfrutar das suas vantagens, que é expulsa do seu seio e se encontra numa oposição mais radical do que todas as outras classes, uma classe que inclui a maioria dos membros da sociedade e da qual surge a consciência da necessidade de uma revolução, consciência essa que é a consciência comunista e que, bem entendido, se pode também formar nas outras classes quando se compreende a situação desta classe particular.

Certos marxistas gostam de dizer que o marxismo se corrige e se apura ao longo de sua história, através de “contribuições” dos mais díspares autores, cujo marxismo e contributo são garantidos por sua fidelidade ao “método do materialismo dialético”. São incapazes, entretanto, de corrigir ou eliminar essa farsa chamada “dialética marxista”.

Qual o erro em Marx que os marxistas apontam? Dizem que Marx é a versão materialista do idealismo de Hegel. Esquecem um personagem essencial para o desenvolvimento do pensamento dele: Ludwig Feuerbach. Desconhecem que Marx conhecia a crítica de Feuerbach a Hegel, ao mesmo que considerava a crítica de Feuerbach insuficiente. Assim como desconhecem as cartas de Marx do final da sua vida.

No O Capital:

“Meu método dialético é, em seu fundamento, não apenas diferente do hegeliano, mas oposto direto dele”. Que vem a ser método dialético em Marx? É um método de exposição. Ele diz: "Sem dúvida, deve-se distinguir o modo de exposição segundo sua forma do modo de investigação".

E nos Grundrisse:

"Será necessário, mais tarde /…/, corrigir o modo idealista da apresentação que produz a aparência de que se trata simplesmente das determinações conceituais e da dialética desses conceitos. Sobretudo, portanto, o clichê: o produto (ou atividade) devém mercadoria; a mercadoria, valor de troca; o valor de troca, dinheiro".

E quanto à parte final do capítulo 24, o da acumulação primitiva que Marx fala na negação da negação, os marxistas tomaram a particularidade na qual Marx tratava do desenvolvimento do capitalismo na Europa Ocidental e generalizaram-na. Porém na carta ao período russo Otechestvenye Zapiski, ele deixava claro que a comuna agrária russa era diferente, protestava contra contra as indevidas generalizações dos resultados de suas investigações históricas, metamorfosear totalmente o seu esquema histórico da gênese do capitalismo na Europa Ocidental em uma teoria histórico-filosófica do curso geral fatalmente imposto a todos os povos, independentemente das circunstâncias históricas nas quais eles se encontrem. Tal advertência foi reiterada em sua correspondência com Vera Zasulitch, na qual o filósofo alemão insistia em que a tendência histórica identificada na análise da gênese da produção capitalista está expressamente restrita aos países da Europa Ocidental.

No prefácio à edição russa do Manifesto Comunista de 1882 tem a mais clara e aberta afirmação da inexistência de qualquer etapa ou pressuposto de "desenvolvimento das forças produtivas" de modo como tinha na A Ideologia Alemã:

"(...) se a revolução russa se tornar o sinal de uma revolução proletária no Ocidente, de tal modo que ambas se completem, a actual propriedade comum russa do solo pode servir de ponto de partida de um desenvolvimento comunista".

A particularidade da questão russa faz cair as últimas ilusões de um suposto hegelianismo imanente a Marx.

Fontes:

1 -https://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo27329Critica_Marxista_Texto_Completo_34.67-85.pdf

2 - 
https://hgerikblog.wordpress.com/2017/03/11/base-materialista-para-a-historiografia-para-muito-alem-das-abstracoes-do-marxismo-vulgar/

3 - 
A Ideologia Alemã (Karl Marx)

4 - 
Dissertação de mestrado do HG Erik: "Natureza, Sociedade e Atividade Sensível na Formação do Pensamento Marxiano".

5 - 
https://hgerikblog.wordpress.com/2016/09/27/dialetica-motor-das-etapas-da-historia-no-marxismo-vulgar/

6 - 
https://hgerikblog.wordpress.com/2016/08/10/materialismo-contra-a-dialetica/

7 - 
http://www.verinotio.org/conteudo/0.085553437551068.pdf


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