
É com grande júbilo que, solicitado pelos jovens camaradas da Esquerda Revolucionaria Brasileira e pelos integrantes da página facebook 'História e Juventude', compomos um pequeno texto da história dos movimentos comunistas de ontem até os dias de hoje, no Brasil.
Movimentos comunistas no Brasil: da origem aos dias atuais
Desde o calor da revolução francesa quando o termo "comunismo" foi primeiramente utilizado nos chamados Banquetes Comunistas, um espectro ronda o mundo - o espectro do comunismo, parafraseando Karl Marx do que leva a crer que seria ele o pai fundador do comunismo. Pois com o alemão não nasce nem com ele morrerá. De lá pra cá, a burguesia treme a cada vez que os coveiros, que ela própria cria, rasgam os horizontes da transformação revolucionária da sociedade.
No Brasil, o movimento comunista ganhou vida através do surgimento, em 25 de Março de 1922 na cidade de Niterói, do lendário PCB (Partido Comunista do Brasil). No mesmo ano, a primeira revolta tenentista expressa a revolta das camadas médias urbanas contra a república velha e uma das revoltas, a Coluna Prestes, percorre vinte e cinco mil quilômetros pelo interior do Brasil durante dois anos e meio. A partir daí, o PCB começa a defender o protagonismo da pequena burguesia (e, depois de 1934, da burguesia nacional) na atual etapa da revolução brasileira.
Surge o GBL (grupo comunista Lênin, de inspiração trotskista), formada em 1927 por Mário Pedrosa e João Costa Pimenta, entre outros, como seção brasileira da Oposição de Esquerda Internacional fundada por Leon Trotsky. Depois, o GBL vira LCI (Liga Comunista Internacional). A LCI ganhou controle de parte do trabalho sindical do PCB, sendo maior que o partido em SP, onde dirigia principalmente a federação dos gráficos. Eles também tentaram ganhar para o leninismo o próprio Prestes, que chegou a escrever um manifesto muito influenciado pela LCI, mas logo depois ele entrou no PCB.
Surgiu em 1935 a Aliança Nacional Libertadora (ANL). O Partido Comunista do Brasil (PCB) esteve na liderança da organização que teve Luís Carlos Prestes como presidente de honra. Em fevereiro foi divulgado um programa de base que visava suspender o pagamento da dívida externa, nacionalizar as empresas estrangeiras, promover a reforma agrária protegendo os pequenos e médios proprietários, garantir liberdades democráticas e promulgar uma constituição popular. Em Natal, os revolucionários tomaram a cidade, obtiveram apoio popular e chegaram a assumir o controle por quatro dias, sob o governo do sapateiro comunista José Praxedes. O Comitê Revolucionário decretou a destituição do governador do cargo, e a dissolução da Assembleia Legislativa “por não consultar mais os interesses do povo”. As tarifas de bondes foram extintas e o transporte coletivo tornou-se gratuito. A LCI tinha criticado o programa etapista da ANL e a sua ilusão na aliança com a burguesia nacional.
O sapateiro comunista
Um grande movimento democrático derruba a ditadura varguista. No começo, o PCB é legalizado, com um programa completamente reformista de “união nacional”, chegando a eleger Prestes como senador, e tem 300 mil filiados. Já em 1947, Dutra coloca o partido na ilegalidade.
A seção brasileira da IV Internacional é o POR(T) (partido operário revolucionário trotskista), construiu as Ligas Camponesas no Nordeste defendendo a revolução agrária e o justiçamento dos latifundiários. O POR(T) também participou dos Grupos de Onze, criados pelo Brizola para resistir ao golpe militar.
Com o golpe militar de 1964 e o combate cada vez maior dos militares contra os focos de agitação, grupos dissidentes dos partidos comunistas iniciaram as atividades de guerrilha armada urbana ou rural com vista a derrubar a ditadura militar. Dentro do próprio exército, cerca de doze militares perseguidos pelo novo poder vigente se organizaram no MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário), o grupo que teria sido o primeiro a se dedicar às atividades armadas de oposição ao militarismo ditatorial. Paralelamente organizações esquerdistas como a POLOP deram origem a grupos cada vez mais radicais de resistência, praticando assassinatos políticos, sequestros de embaixadores para troca de presos políticos, assaltos a bancos e supermercados, para financiar as lutas armadas contra o regime militar. A luta armada foi travada especialmente de 1967 a 1974. Destacou-se Carlos Marighella neste período.
No contexto da oposição aos comunistas e esquerdistas em geral, o regime militar brasileiro planejou várias ações com o intuito de incriminar setores de oposição por atentados e ataques.
Sublinha-se a Refundação Comunista (RC) surgida nos dias 1 e 2 de outubro de 2005, a partir da fase I do congresso convocado pelo CONARC (Conselho Nacional de Reorganização Comunista), fórum composto, em grande parte, por marxistas até então filiados ao Partido dos Trabalhadores. Apesar do nome idêntico, não possui vinculação orgânica com a Rifondazione Comunista italiana.
A criação da RC foi o resultado da longa, dura e rica trajetória que, há cerca 25 anos, com altos e baixos, êxitos e derrotas, vem cumprindo uma das vertentes surgidas com a fragmentação do movimento comunista brasileiro a partir da década de 1960. Sob as condições complexas dos anos oitenta e como fruto de um grande esforço de unidade, a constituição do PRC (Partido Revolucionário Comunista) agregou e reorganizou antigos militantes formados no combate ao regime militar, oriundos da então “esquerda do PC do B”, círculos de intelectuais marxistas e jovens de várias outras procedências, inclusive do Movimento de Emancipação do Proletariado, da Ação Popular, das lutas estudantis e do movimento sindical combativo. Posteriormente, reagindo à liquidação do PRC pela onda irracionalista, liberal e anti-leninista que, estimulada pela crise do movimento comunista, as ilusões na "sociedade política burguesa" regenerada pela transição conservadora, a ofensiva global do capital financeiro e o fim da URSS, predominou em seu III Congresso, os revolucionários decidiram enfatizar a luta teórico-ideológica legal e pública.
Pelo lado dos trotskistas, os seguintes grupos se conformaram no interior do PT: DS (Democracia Socialista), seção brasileira do SU (Secretariado Unificado), que defendia o “PT estratégico” (= transformar o PT em partido revolucionário), o que a levou a estar no PT até hoje. A DS foi a corrente que mais incorporou as preocupações dos “novos movimentos sociais”, como o feminismo, o ecologismo, libertação gay, movimento negro e etc; O Trabalho, seção da IV Internacional lambertista, que considera que estar no PT é parte da política de frente única operária. OT, ao contrário da DS, é obreirista e se constrói somente nos sindicatos e movimento estudantil; CS (Convergência Socialista), morenista, tem uma política de entrismo no PT, que a leva algumas vezes a atuar contra todas as outras correntes do partido; Causa Operária, racha do lambertismo, também fez entrismo, mas bem menor que as outras; os posadistas, que continuaram a existir, como corrente do PT, mas muito pequena. Durante todo um período, a questão principal para os trotskistas era estar ou não no PT (e qual a política a adotar em relação ao PT). Nesse período de refluxo generalizado e destruição da URSS e seu campo, a fragmentação das correntes trotskistas se acelera cada vez mais, gerando as correntes que vemos hoje (LBI, Rebento, FT-VP, POR, POM, LOI, LER, CST, MES, LSR, LQB etc), geralmente em setores marginais do movimento, fazendo oposição na CUT e na UNE. A CS vira PSTU e se torna o maior partido que se reivindica trotskista no Brasil e o terceiro maior no mundo (2200 militantes em 2002, hoje cerca de 1500).
Nesse contexto, diante da necessidade histórica de buscar soluções para a crise social do nosso tempo – avaliar os problemas particulares da luta de classes no Brasil em conexão com o atual estágio de desenvolvimento da crise estrutural mundial do domínio do capital e debater os problemas teóricos e ideológicos da revolução brasileira enquanto temas fundamentais e determinantes da elaboração de estratégias, de táticas e de meios organizativos práticos viáveis – três organizações revolucionárias brasileiras decidiram formalizar a criação do FÓRUM DE UNIDADE DOS COMUNISTAS. Trata-se de um instrumento para avançar na direção da construção da unidade de ação dos comunistas de nosso país.
Este passo foi possibilitado pelo amadurecimento de relações que passaram por encontros regulares de comissões representativas dessas três correntes políticas nacionais: a CORRENTE COMUNISTA LUIZ CARLOS PRESTES (CCLCP), formada por comunistas organizados em torno das posições revolucionárias de Luiz Carlos Prestes, cuja principal referência é a Carta aos Comunistas (1980); o PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB), que derrotou o liquidacionismo em 1992, mantendo e renovando, no cenário político, a sigla de 1922 e que, em seu recente XIII Congresso Nacional, rompeu com a herança etapista, colocando na ordem-do-dia a atualidade da luta pelo socialismo; e a REFUNDAÇÃO COMUNISTA (RC), formada por revolucionários que desde o início, como membros de uma tendência marxista interna ao PT, combateram o "social-liberalismo". Também participa desta iniciativa, como convidado, Sérgio Miranda, deputado federal por Minas Gerais.
No PSOL também há correntes autodenominadas comunistas.
Fontes:
http://coletivolenin.blogspot.com.br/
http://www.historiabrasileira.com/brasil-republica/alianca-nacional-libertadora/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Alian%C3%A7a_Nacional_Libertadora
http://vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=7328&id_coluna=14
https://curiozzzo.com/2016/12/26/o-regime-comunista-de-4-dias-em-natal-rn/
https://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=137:o-levante-de-1935-em-natal-e-o-sapateiro-clandestino-por-50-anos&catid=7:e-por-falar-em-pcb
https://pt.wikipedia.org/wiki/Luta_armada_de_esquerda_no_Brasil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Refunda%C3%A7%C3%A3o_Comunista
https://6172fc44-a-62cb3a1a-s-sites.googlegroups.com/site/refundacao/arquivos/Jornal_F%C3%B3rum_UC.pdf?attachauth=ANoY7cqLdIxeV-7D_m_IQtML5C_2X7XbGM-U1hT8V8hBeokJFYeHaoZZYcMvJBXXWwPvkVtvxw5BGMejiA5FURuprOT2hNUVofafSufA2XZ7WNT6ibl_N_J6AJDi6F3TvJn6uPwQkxorrJl0kqauNTDUSVr06MxNrFaOo9aQ1ZRsWU_vgzzg5MQq-xT00K1gdqdONOnRG8ndkT_fMl1yFxXWOSBL7P6qY96r7rXdoM3rLqHJyhSC9M4%3D&attredirects=0++


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